Há muita gente, sobretudo no eleitorado da IL, que vai votar em branco ou abster-se, sem perceber que isso não é neutro e pode acabar por reforçar politicamente André Ventura à saída destas presidenciais, com efeitos nas próximas legislativas. Seja porque equiparam socialismo a regimes ditatoriais, seja porque não encaram Ventura como uma ameaça real.
Aliás, tenho amigos que classificam como alarmismo este apelo ao voto da direita moderada em Seguro. Bom, a verdade é que historicamente, sempre que a direita moderada subestima ou normaliza o extremismo, acaba por ser ultrapassada por ele.
Qualquer que seja o resultado da votação, será o resultado da vontade expressa pelos portugueses de forma democrática. Seria importante que as pessoas votassem sem ser por medo ou coacção, mas o medo e a coacção fazem parte da democracia. As sociedades é que se devem tornar mais resilientes para não deixar que o medo influencie o seu voto, principalmente quando esse medo é mais criado do que fundamentado.
Se há 20 ou 25% dos portugueses que rejeitam o socialismo e o populismo, gostava de ver isso reflectido nos resultados. Dos eventuais 60 ou 70% que votem no socialismo, não será possível dizer quantos querem mesmo o socialismo e quantos o fizeram por medo/coacção social em relação a um "papão" que é um regime fascista.
É impossível que o PS "legislativo" não embarque numa nova viagem à conta do resultado de Seguro. Facilmente vão vender a ideia que existe uma maioria social à esquerda e uma taxa de rejeição à direita. Esta ideia vai ecoar nos próximos meses para fragilizar o governo, principalmente numa altura em que o governo tem diplomas muito importantes em mãos, como os laborais.
Nessa altura tenho a certeza que aqueles que rejeitaram o socialismo e o populismo e reflectiram isso na urna, dormirão melhor do que aqueles que "a medo" disseram que queriam esta renascer da esquerda socialista.
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