O Estado do país 2026

Há muita gente, sobretudo no eleitorado da IL, que vai votar em branco ou abster-se, sem perceber que isso não é neutro e pode acabar por reforçar politicamente André Ventura à saída destas presidenciais, com efeitos nas próximas legislativas. Seja porque equiparam socialismo a regimes ditatoriais, seja porque não encaram Ventura como uma ameaça real.

Aliás, tenho amigos que classificam como alarmismo este apelo ao voto da direita moderada em Seguro. Bom, a verdade é que historicamente, sempre que a direita moderada subestima ou normaliza o extremismo, acaba por ser ultrapassada por ele.

Qualquer que seja o resultado da votação, será o resultado da vontade expressa pelos portugueses de forma democrática. Seria importante que as pessoas votassem sem ser por medo ou coacção, mas o medo e a coacção fazem parte da democracia. As sociedades é que se devem tornar mais resilientes para não deixar que o medo influencie o seu voto, principalmente quando esse medo é mais criado do que fundamentado.

Se há 20 ou 25% dos portugueses que rejeitam o socialismo e o populismo, gostava de ver isso reflectido nos resultados. Dos eventuais 60 ou 70% que votem no socialismo, não será possível dizer quantos querem mesmo o socialismo e quantos o fizeram por medo/coacção social em relação a um "papão" que é um regime fascista.

É impossível que o PS "legislativo" não embarque numa nova viagem à conta do resultado de Seguro. Facilmente vão vender a ideia que existe uma maioria social à esquerda e uma taxa de rejeição à direita. Esta ideia vai ecoar nos próximos meses para fragilizar o governo, principalmente numa altura em que o governo tem diplomas muito importantes em mãos, como os laborais.

Nessa altura tenho a certeza que aqueles que rejeitaram o socialismo e o populismo e reflectiram isso na urna, dormirão melhor do que aqueles que "a medo" disseram que queriam esta renascer da esquerda socialista.
 
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O problema é mesmo ser um grande perigo e convém ir já mantendo o carcanhol a salvo porque quando lá chegarem batemos no fundo de vez.

É uma questão de tempo, mas de facto é preciso chegarem lá para se tornarem novamente irrelevantes. À exceção da Hungria, quase todos os países da Europa que até agora elegeram a extrema direita para o poder, já a retiraram entretanto.

Mas o Ventura já fez um esboço de governo. Pode-se começar por ali -> https://www.nowcanal.pt/ultimas/detalhe/andre-ventura-oficializa-nomes-do-governo-sombra

Espero não ser dos poucos anti-Ventura que acham que ocorreria um apocalipse :D

O país mudaria em certas coisas mas para o português - vá - indígena, mudaria menos do que se pensa. Claro que em certos assuntos, anteriormente publicados, deveriam ser esperadas alterações bruscas.
 
À exceção da Hungria, quase todos os países da Europa que até agora elegeram a extrema direita para o poder, já a retiraram entretanto.

Meloni? Itália? Tem uma taxa de aprovação superior a 40%, bastante acima dos líderes das principais economias e democracias europeias. E, segundo consta, em Itália as pessoas ainda votam.
 
Há muita gente, sobretudo no eleitorado da IL, que vai votar em branco ou abster-se, sem perceber que isso não é neutro e pode acabar por reforçar politicamente André Ventura à saída destas presidenciais, com efeitos nas próximas legislativas. Seja porque equiparam socialismo a regimes ditatoriais, seja porque não encaram Ventura como uma ameaça real.

Aliás, tenho amigos que classificam como alarmismo este apelo ao voto da direita moderada em Seguro. Bom, a verdade é que historicamente, sempre que a direita moderada subestima ou normaliza o extremismo, acaba por ser ultrapassada por ele.
Se tudo correr normalmente, não teremos eleições nos próximos dois anos. Portanto, estas presidenciais vão servir de referência para análises políticas durante algum tempo.
E, na configuração de forças no centro e na direita é isto que está em jogo:
- Ventura teve 1,35 M de votos na primeira volta;
- o centro e centro-direita tiveram 1,9M de votos em candidatos que não passaram à segunda (Cotrim, MM e considero metade da votação em G&M como sendo "não-socialista);
- se Ventura tiver perto 2,5M de votos, consegue metade dos votos em disputa e pode-se afirmar como líder da direita;
- se Ventura tiver cerca de 1,5M de votos, consegue cerca de 10% dos votos em disputa e é apenas o líder do Chega e o idiota útil do Sistema e do PS, que impediu um candidato agregador de chegar à segunda volta e conquistar a presidência ao candidato apoiado pelo PS.

Cabe aos eleitores do centro e do centro-direita decidirem onde querem colocar o Ventura. E para isso não precisam de votar em Seguro, basta não votarem no Ventura.
 
Meloni? Itália? Tem uma taxa de aprovação superior a 40%, bastante acima dos líderes das principais economias e democracias europeias. E, segundo consta, em Itália as pessoas ainda votam.
Sim, eu lembrei-me de Itália, mas não referi porque ainda não foram a eleições desde então. Na Hungria as pessoas também votam, nem coloquei isso em causa.
Não conheço a realidade de Itália, só sei que tinham discurso anti imigração e entretanto agora precisam deles.

No entanto, a Polónia e os Países Baixos tiveram extrema-direita a governar que entretanto caiu. Acredito que Meloni volte a ganhar, nem todos os políticos mesmo sendo de extrema-direita podem ser maus.

Agora, o pior do Chega às vezes nem é o André Ventura, mas sim o que tem por trás. Não consigo imaginar pessoas que destilam tanto ódio e espalham tantas mentiras a governar, a sério.
 
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Se tudo correr normalmente, não teremos eleições nos próximos dois anos. Portanto, estas presidenciais vão servir de referência para análises políticas durante algum tempo.
E, na configuração de forças no centro e na direita é isto que está em jogo:
- Ventura teve 1,35 M de votos na primeira volta;
- o centro e centro-direita tiveram 1,9M de votos em candidatos que não passaram à segunda (Cotrim, MM e considero metade da votação em G&M como sendo "não-socialista);
- se Ventura tiver perto 2,5M de votos, consegue metade dos votos em disputa e pode-se afirmar como líder da direita;
- se Ventura tiver cerca de 1,5M de votos, consegue cerca de 10% dos votos em disputa e é apenas o líder do Chega e o idiota útil do Sistema e do PS, que impediu um candidato agregador de chegar à segunda volta e conquistar a presidência ao candidato apoiado pelo PS.

Cabe aos eleitores do centro e do centro-direita decidirem onde querem colocar o Ventura. E para isso não precisam de votar em Seguro, basta não votarem no Ventura.

É praticamente certo que teremos eleições nos próximos 2 anos. Possivelmente em menos de 1 ano.

Qualquer diploma relevante que chegue ao PR Seguro que seja iniciativa AD+Chega, vai ser vetado. Seguro vai dizer que os portugueses disseram na sua eleição que rejeitaram o Chega e ele estará a fazer o que "sentiu" do povo. Caso diferente seria se os resultados mostrassem que o povo não lhe deu a força para essa validação. Vai usar isto e vai ter razão, porque quem puser a cruzinha em Seguro não está a pôr um "Seguro, mas...", está a pôr um "Seguro!". O governo vai sair fragilizado.

A máquina do PS, que é gigante, tem de ser alimentada. O Sampaio também era um moderado que mostrou ao fascista do Santana Lopes que a porta era a serventia da casa. Depois veio aquilo que eu me lembro mas parece que muitos esqueceram.
 
A natureza da imigração italiana não tem qualquer comparação com a portuguesa. Em Itália tem uma natureza geográfica e humanitária. Em Portugal é uma imigração que chega de avião e que alguém achou boa ideia que bastava perguntar "vem trabalhar? então faça favor".

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Provavelmente a Meloni tem mais popularidade porque tenta mandar alguns para a Albânia a custo exorbitante para posterior deportação. Os problemas com a Justiça nem sempre são estorvo para a malta da direita.

A outra forma com que os italianos lidaram com o problema deve ser literalmente o contrário do que pensas -> https://integrazionemigranti.gov.it/en-gb/Dettaglio-approfondimento/id/3/Regularisation-2020

És ilegal? Já não és. Problema resolvido!
 
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Sim, eu lembrei-me de Itália, mas não referi porque ainda não foram a eleições desde então. Na Hungria as pessoas também votam, nem coloquei isso em causa.
Não conheço a realidade de Itália, só sei que tinham discurso anti imigração e entretanto agora precisam deles.

No entanto, a Polónia e os Países Baixos tiveram extrema-direita a governar que entretanto caiu. Acredito que Meloni volte a ganhar, nem todos os políticos mesmo sendo de extrema-direita podem ser maus.

Agora, o pior do Chega às vezes nem é o André Ventura, mas sim o que tem por trás. Não consigo imaginar pessoas que destilam tanto ódio e espalham tantas mentiras a governar, a sério.

A Meloni é governo há 3 anos. Tens noção que isso num calendário italiano é uma eternidade não tens? Deve ser para aí o 2o ou 3o governo com mais longevidade da história democrática italiana...
 
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É praticamente certo que teremos eleições nos próximos 2 anos. Possivelmente em menos de 1 ano.

Qualquer diploma relevante que chegue ao PR Seguro que seja iniciativa AD+Chega, vai ser vetado. Seguro vai dizer que os portugueses disseram na sua eleição que rejeitaram o Chega e ele estará a fazer o que "sentiu" do povo. Caso diferente seria se os resultados mostrassem que o povo não lhe deu a força para essa validação. Vai usar isto e vai ter razão, porque quem puser a cruzinha em Seguro não está a pôr um "Seguro, mas...", está a pôr um "Seguro!". O governo vai sair fragilizado.

A máquina do PS, que é gigante, tem de ser alimentada. O Sampaio também era um moderado que mostrou ao fascista do Santana Lopes que a porta era a serventia da casa. Depois veio aquilo que eu me lembro mas parece que muitos esqueceram.
O PR pode vetar politicamente um diploma, devolvendo-o à AR. A AR pode aprovar de novo exactamente o mesmo diploma e o PR deixa de o poder vetar. A única hipótese é ser considerado inconstitucional, mas qualquer partido pode enviar um diploma para o TC, não é preciso o PR fazer alguma coisa.
 
Sim, eu lembrei-me de Itália, mas não referi porque ainda não foram a eleições desde então. Na Hungria as pessoas também votam, nem coloquei isso em causa.
Não conheço a realidade de Itália, só sei que tinham discurso anti imigração e entretanto agora precisam deles.
É importante falarmos de números concretos em vez de "sensações" de que afinal estava tudo bem (ou tudo mal), as taxas de migração em Itália em 2012/2013 no auge dos refugiados sírios eram muito elevadas, comparáveis às que Portugal teve entre 2022 e 2024, mas desde então desceram imenso, e acho perfeitamente razoável achar que o número atual de imigrantes poderia aumentar um pouco mas que esses valores extremos que referi não eram sustentáveis
 
O PR pode vetar politicamente um diploma, devolvendo-o à AR. A AR pode aprovar de novo exactamente o mesmo diploma e o PR deixa de o poder vetar. A única hipótese é ser considerado inconstitucional, mas qualquer partido pode enviar um diploma para o TC, não é preciso o PR fazer alguma coisa.

Mas o veto fragiliza o governo, neste caso exclusivamente com o argumento que o diploma é aprovado pelo Chega.

Haverá um desgaste do governo aos olhos da opinião pública, porque o António José Seguro que foi levado num andor inclusivé por reputados sociais-democratas, cristãos e liberais, não concorda com as decisões do governo. Não há nada de errado no veto, mas o único objectivo de Seguro com o veto é levar o PS ao poder o mais rapidamente possível.