O Estado do país 2026

As espadas penduradas sobre a cabeça de Montenegro, e também de Governos futuros:

- reforma da Segurança Social e sustentabilidade futura, a solução que temem aplicar é a imposição de políticas já em vigor na Holanda, Suíça, Suécia ou Dinamarca. Espanha, Itália, Grécia ou França estão no mesmo barco.

- estagnação da produtividade laboral em Portugal. O sistema de formação técnica e profissional em Portugal continua a ser medíocre, o nível médio de formação dos patrões está na cauda da Europa e da OCDE. Vai frequentemente para patrão quem não tem estudos, o contrário da realidade de países como, surpreendam-se, a Polónia.

- reforma do sistema de Justiça. Fala-se disto há décadas, mas até hoje ninguém resolveu o problema. O sistema de Justiça português é considerado o pior da Europa Ocidental e um dos piores do Ocidente.

- contenção da despesa pública. Continua a aumentar, e muito, e sectores como a Saúde ou o poder local parecem descontrolados. O turismo, o crescimento, os fundos europeus têm segurado o excedente, mas os bons ventos podem não durar sempre, e Portugal não poderá ter défices na próxima década.

- aumento da pressão na Saúde. O aumento explosivo da imigração colocou mais de um milhão e meio de pessoas no país, que precisam obviamente de serviços de saúde. A isto junta-se o aumento da população acima dos 60 anos, com uma prevalência de doenças evitáveis e crónicas das mais altas da OCDE. Ter em conta ainda o aumento dos custos com fármacos inovadores. Tudo isto obriga a uma gestão de topo que garanta acesso a todos de serviços de qualidade, com o menor custo possível. Sucede o contrário: a despesa tem aumentado, o número de pessoas sem médico de família está em valores recorde, vários serviços estão disfuncionais, e se não fosse o sector privado parte da população não tinha acesso a cuidados de saúde.
 
Sem imigração não há crescimento?

Fui consultar os dados da Polónia. Espera-se que este ano o país cresça 3,5%, enquanto que Portugal crescerá cerca de 2%. Os polacos estão a convergir com os países ricos muito mais rapidamente que Portugal, e prevê-se que em 2030 possam alcançar Espanha (depois de deixarem Portugal para trás).

Na Polónia, devido a baixos índices de fertilidade, a população está a cair. A queda não é maior devido à imigração, quase na sua totalidade proveniente da Ucrânia e da Bielorrússia, países vizinhos. Há cerca de 1 milhão de imigrantes na Polónia, para uma população de quase 40 milhões.

Já Portugal tem mais de 1,5 milhões de imigrantes, para uma população em torno de 10 milhões. Se imigração fosse sinónimo de crescimento, Portugal deveria crescer tanto ou mais que a Polónia. Mas não é isso que acontece…

Nas eleições houve vários candidatos a fazer campanha pela imigração. Ora tratar um tema tão complexo desta forma não será também uma forma de populismo? Ainda mais quando há estudos sérios feitos na Dinamarca, Reino Unido, Bélgica ou Holanda que contestam esta visão…
 
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Sem imigração não há crescimento?

Fui consultar os dados da Polónia. Espera-se que este ano o país cresça 3,5%, enquanto que Portugal crescerá cerca de 2%. Os polacos estão a convergir com os países ricos muito mais rapidamente que Portugal, e prevê-se que em 2030 possam alcançar Espanha (depois de deixarem Portugal para trás).

Na Polónia, devido a baixos índices de fertilidade, a população está a cair. A queda não é maior devido à imigração, quase na sua totalidade proveniente da Ucrânia e da Bielorrússia, países vizinhos. Há cerca de 1 milhão de imigrantes na Polónia, para uma população de quase 40 milhões.

Já Portugal tem mais de 1,5 milhões de imigrantes, para uma população em torno de 10 milhões. Se imigração fosse sinónimo de crescimento, Portugal deveria crescer tanto ou mais que a Polónia. Mas não é isso que acontece…

Nas eleições houve vários candidatos a fazer campanha pela imigração. Ora tratar um tema tão complexo desta forma não será também uma forma de populismo? Ainda mais quando há estudos sérios feitos na Dinamarca, Reino Unido, Bélgica ou Holanda que contestam esta visão…

Mas não há estudos sérios em Portugal acerca desta questão. Apresenta-se dados isolados para que não seja possível fazer contas básicas de adição e subtracção e chegar a conclusões.

Os portugueses de baixas qualificações que ganhavam 800 ou 900€ emigraram e estão a emigar. Muitos deles continuam a desempenhar trabalhos de baixas qualificações mas em países onde não se paga 800€ de salário.

Os imigrantes são necessários à economia portuguesa para substituir estas pessoas. O problema não está nos portugueses terem poucos filhos. O problema está nos portugueses que ainda podem ter filhos estarem a abandonar Portugal.

O lado perverso da bandeira da "sustentabilidade" é que estes imigrantes estão a aceitar contratos de 600 e 700€, acrescentam em quantidade mas não em valor. Vão fazer baixar os salários dessas actividades de uma forma global e vão impedir jovens portugueses de negociar melhores salários porque o mercado laboral regula-se pela lei da oferta e da procura. Se há mais gente a aceitar fazer por pouco, não há necessidade de aumentar quem diz que precisa de mais.

Além disso, estes imigrantes pouco podem fazer para injectar dinheiro de volta à economia. Do pouco que ganham, uma parte é para tentar ajudar o seus no país de origem. Outra é para comer. E a outra é para pagar 200€ de renda a viver como baratas no meio de Lisboa com outras 10 pessoas no quarto.

Alguém consegue olhar para um Excel e pensar que isto está bem e é sustentável?
 
Sem imigração não há crescimento?

(...)

Na Polónia, devido a baixos índices de fertilidade, a população está a cair. A queda não é maior devido à imigração, quase na sua totalidade proveniente da Ucrânia e da Bielorrússia, países vizinhos. Há cerca de 1 milhão de imigrantes na Polónia, para uma população de quase 40 milhões.

Viste bem poucos dados. E encontra a contradição no que escreveste. Não é difícil.

O crescimento da Polónia é relativamente fácil de explicar.

Não usam euro, estão a receber quantidades colossais de fundos europeus e usufruem de uma posição estratégica para as empresas alemãs que querem fugir da Alemanha e/ou usufruir de mão-de-obra mais barata.
 
Finance minister Andrzej Domański told the FT that the case for adopting the euro had weakened as Poland has outpaced most Eurozone economies, even as EU member states are obliged to join the single currency area when certain criteria are met.“Our economy is now doing clearly better than most of those that have the euro,” Domański said in an interview. “We have more and more data, research and arguments to keep the Polish zloty.”
(...)
“Public opinion favours the zloty, but the main reasons we’re not working on euro adoption right now are economic and not about Polish politics,” Domański said. “Two years ago I was a bit worried that Poland could be left behind in a two-tier EU and outside the Eurozone, but today Poland is clearly in the top economic tier and I see no strong reason to abandon our own currency.”
The European Commission forecasts that Poland’s budget deficit will narrow to 6.3 per cent of GDP in 2026, from about 6.8 per cent last year, though it would still be more than double the Maastricht convergence threshold of 3 per cent — one of the fiscal criteria EU countries must meet to qualify for euro membership.

Só falta escrever que a Polónia cresce mais que PT porque o governo é mais poupado.

-> https://www.ft.com/content/b4c07b4d-dd15-4a42-b744-ea4b5f6966ee
 
A Polónia está a gastar/a se comprometer gastar dezenas de milhares de milhões de dólares/euros/zlotis para criar 'a' ou 'das' forças armadas mais avançadas da Europa.

A curto prazo aumenta(rá) o PIB mas a longo prazo será uma despesa muito pesada com retorno questionável. Para se ser justo, uma guerra faria com que os polacos perdessem muito mais mas realisticamente ninguém está sempre a cogitar realidades paralelas.
 
Para já será difícil o PS virar ao Centro, talvez a vitória de Seguro dê algum impulso nesse sentido, mas não será no imediato. Alguns partidos irmãos do PS de outros países europeus como o Labour de Inglaterra já perceberam que se não mudarem as suas posições na imigração e se não tiverem políticas de criação de riqueza são papados pela Direita populista. O PS ainda está longe dessa realidade, muito longe. O Labour está a aplicar medidas que vão muito além do que o Chega tem proposto, depois do Brexit e das políticas migratórias da Direita do Partido Conservador terem deixado a imigração descontrolada. Como consequência, o Partido Reform do Nigel Farage está em primeiro lugar nas sondagens, há muitos meses.

No fundo os partidos que não tomam posições racionais e técnicas para resolver os problemas, com medo que sejam impopulares, um dia mais tarde pagam a factura, e essa vem na forma de partidos radicais a tomar o poder. E isto vale agora para Montenegro, para a AD, que também está a adiar reformas, para agradar a opinião pública, o partido, poderes económicos e funcionários públicos. Um dia a factura virá, e poderá ser sob a forma de um governo do Chega.
Por toda a Europa, estes partidos que têm discurso anti imigração conseguem obter um grande número de votos exclusivamente graças a isso porque de resto, não apresentam grandes propostas. Não concordo que o CH venha a ser governo devido ao facto de se reconhecer a necessidade de reformas até porque eles não defendem muito isso, focam-se na imigração, noutras minorias e na corrupção, pois já perceberam que pega dessa forma.

No entanto, se o André Ventura superar os 30% no dia 8 de fevereiro, e apesar de serem eleições diferentes, penso que a possibilidade de o CH ganhar em eventuais legislativas será maior. Estão empenhados em dividir a população, está constantemente a atacar AJS através de jogo sujo, mas infelizmente até assim consegue obter um grande número de votos.
 
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Reactions: "Charneca" Mundial
Há cerca de 1 milhão de imigrantes na Polónia, para uma população de quase 40 milhões.

É mais do dobro.

Quase o triplo, até.

E mesmo sendo relativamente reduzida e de ser tendencialmente de vizinhos, já há problemas. Porque os polacos são um bocado para...
 
Histórico. Impensável há 15 anos atrás.

BRUSSELS, Jan 20 (Reuters) - European Union finance ministers started disciplinary steps against Finland on Tuesday for running an excessive budget deficit, giving Helsinki until 2028 to narrow the gap to within EU limits of 3% of the country's gross domestic product or potentially face fines for non-compliance.
Finland had a budget gap equivalent to 4.4% of GDP in 2024 and 4.3% in 2025 - still smaller than some of its EU peers also under such measures but well above the bloc's 3% goal - and the country's increased defence spending to prepare against a possible Russian attack does not fully explain the excess, EU finance ministers said.

O crescimento finlandês em 2025 deve ter rondado os 0.2%.

É demasiado socialista.
 
A 22 de Abril o Eurostat deverá publicar as dívidas finais de 2025.

Governo tuga estima a nossa nos 90.2%.


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Por toda a Europa, estes partidos que têm discurso anti imigração conseguem obter um grande número de votos exclusivamente graças a isso porque de resto, não apresentam grandes propostas. Não concordo que o CH venha a ser governo devido ao facto de se reconhecer a necessidade de reformas até porque eles não defendem muito isso, focam-se na imigração, noutras minorias e na corrupção, pois já perceberam que pega dessa forma.

No entanto, se o André Ventura superar os 30% no dia 8 de fevereiro, e apesar de serem eleições diferentes, penso que a possibilidade de o CH ganhar em eventuais legislativas será maior. Estão empenhados em dividir a população, está constantemente a atacar AJS através de jogo sujo, mas infelizmente até assim consegue obter um grande número de votos.

Um ano ou dois (estou a ser generosa!) a governar e isso passa num instante. Agora, se é um risco? É. Mas não haveria forma mais eficaz de regressarem à semi-irrelevância. Avisem só com antecedência, se faz favor, que é para eu pôr o meu carcanhol algures a salvo.
 


Tema de PM, não de PR. Como habitualmente -> https://sicnoticias.pt/especiais/el...ar-sozinho-e-lanca-desafio-a-seguro--c5b9dd36

Fazendo referência a uma notícia publicada no Correio da Manhã sobre políticos que acumulam duas pensões vitalícias, como é o caso de Armando Vara, Ventura considerou que este é "um bom tema para o candidato [António José Seguro] poder falar, em vez de estar calado o dia todo", desafiando-o a responder se "faz sentido mudar a Constituição".
Pois, continuou, António José Seguro "se calhar, tem muita gente na campanha dele que está a receber subvenções vitalícias e é por isso que não se quer comprometer com isso".

Malta que está sempre a cascar no TC. Nem sempre há ativismo auto-indulgente -> https://portal.oa.pt/comunicacao/imprensa/2025/10/16/tribunal-constitucional-valida-cortes-aplicados-a-pensao-vitalicia-dos-politicos-e-ex-juizes-do-tc/#:~:text=Tribunal Constitucional valida cortes aplicados à pensão,ex-juízes do TC - Ordem dos Advogados.

Com a aplicação da condição de recursos, os beneficiários com rendimentos mensais superiores a dois mil euros continuam a ver suspenso o pagamento da pensão vitalícia, conforme previsto na legislação aprovada em 2014 e 2015.

Muito se disse que a qualidade dos políticos portugueses era má.

Bem-vindos à nova era.
 
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Há muita gente, sobretudo no eleitorado da IL, que vai votar em branco ou abster-se, sem perceber que isso não é neutro e pode acabar por reforçar politicamente André Ventura à saída destas presidenciais, com efeitos nas próximas legislativas. Seja porque equiparam socialismo a regimes ditatoriais, seja porque não encaram Ventura como uma ameaça real.

Aliás, tenho amigos que classificam como alarmismo este apelo ao voto da direita moderada em Seguro. Bom, a verdade é que historicamente, sempre que a direita moderada subestima ou normaliza o extremismo, acaba por ser ultrapassada por ele.
 
Um ano ou dois (estou a ser generosa!) a governar e isso passa num instante. Agora, se é um risco? É. Mas não haveria forma mais eficaz de regressarem à semi-irrelevância. Avisem só com antecedência, se faz favor, que é para eu pôr o meu carcanhol algures a salvo.
Eu já disse na brincadeira que se fosse eleição para 1/2 meses podia governar só para ver a tal mudança que tanto falam. Nem é preciso muito tempo, os disparates iam começar logo no primeiro dia após a tomada de posse.
O problema é mesmo ser um grande perigo e convém ir já mantendo o carcanhol a salvo porque quando lá chegarem batemos no fundo de vez.

É uma questão de tempo, mas de facto é preciso chegarem lá para se tornarem novamente irrelevantes. À exceção da Hungria, quase todos os países da Europa que até agora elegeram a extrema direita para o poder, já a retiraram entretanto.