As cidades e vilas em Portugal não estão construídas tendo em conta a linha ferroviária, nem há articulação de outros transportes públicos com ferrovia, em termos de horários ou localização de estações, salvo uma ou outra excepção. Por exemplo, só recentemente é que surgiu uma estação de metro em Santa Apolónia.
Desde o final da década de 60 que não há Ordenamento no nosso país. Consta que Marcelo Caetano tentou minorar o problema, mas já não foi a tempo, pois veio o 25 de Abril.
O correcto seria que as cidades e vilas tivessem sido construídas tendo em conta a localização de estações de comboios e de autocarros. E isso só é possível com um modelo urbano definido a nível central, como se fazia nos tempos de Salazar. Claro que nem tudo eram rosas, cometeram-se erros graves como a destruição da Alta de Coimbra. Mas apesar de tudo era um modelo largamente melhor que o actual.
Portugal é o país da Europa com maior percentagem de território ocupado por obra humana. Até a Holanda, que tem 3 vezes a nossa densidade populacional, tem menos território ocupado. E isso acontece porque temos a população muitíssimo dispersa, o que impossibilita a existência de uma rede de transportes eficiente.
Se há um desígnio que deveríamos ter para o século XXI seria o de reconstruir o país. Trazer as populações para os centros urbanos, e até demolir e renaturalizar algumas áreas. Querem um exemplo? Ilha de Faro.