O Estado do País

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O desemprego médico, nos países desenvolvidos, ocorre no Sul da Europa, em países como Espanha, Itália ou Grécia. Genericamente, o número de médicos por 1000 habitantes no Norte da Europa é inferior ao número que ocorre no Sul da Europa.

Teria o Governo coragem de encerrar o curso do Algarve, de Aveiro, e reduzir vagas nas restantes faculdades? Não. O que sucederá ao longo de anos será um acumular de centenas, depois milhares de médicos, sem acesso ao internato, impedidos de exercer e de emigrar.

Será sensato deitar para o lixo milhões de euros na formação de médicos para o desemprego?

Realmente já nada é de estranhar; o violente ataque que o PS fez nos últimos anos ao SNS vai ter continuação com este governo, não tenham dúvida alguma …
Encerrar SAP por todo o lado e concentrar as urgências significou pior saúde para todos (em vez de 1 ou 2 horas para ser atendido, as pessoas no interior do país chegam agora a passar 12, 15 ou mais horas nas urgências dos hospitais centrais para serem atendidas).
Embora reconheça que os médicos têm sido sempre uma classe social altamente privilegiada na sociedade portuguesa, as transformações que estão a ocorrer actualmente em Portugal na área da saúde é vergonhoso e especialmente por culpa também dos próprios médicos (veja-se o exemplo daqueles que preferem abandonar o SNS e trabalhar no privado, o que deveria ser proibido, tendo em conta a área profissional).
Enfim, onde falta o pão todos ralham e nenhum tem razão.

Outra coisa, impedir alguém de querer ser médico penso eu que deverá ser até algo contra a própria Constituição. O mercado de trabalho não deve ser visto em termos de quantidade mas sim de qualidade.

Médicos no desemprego? Sinceramente, eu não acredito.
 
Portugal precisa de cerca de 1200 vagas por ano para Medicina. O problema é que houve apenas 200 vagas algures nos anos 80. E depois, em termos percentuais, carência de vagas para Medicina Familiar. Mas já temos mais de 1200 vagas desde o início desta década. E todos os anos, entram centenas de alunos portugueses em Medicina no estrangeiro.

Quanto à comparação de um médico com um canalizador, é ridícula. Não menozprezando a actividade de um operário, em boa verdade o médico é um profissional com uma qualificação de topo, e não interessará nada ao país perder cérebros.


Quanto à média de ingresso exagerada. Esta existe porque o sistema de acesso é perverso. Há colégios e algumas escolas públicas que inflacionam notas. A média interna dos 3 anos de secundário conta 50%. A maioria dos alunos que ingressa, por exemplo, na FMUP, vem de um número reduzido de colégios, com médias de secundário superiores a 19.5, e não raras vezes têm menos de 18 nos nacionais. Mas na maioria das escolas públicas um excelente aluno dificilmente consegue ir além do 18.5 de Secundário, ou mesmo do 18. E esses alunos, com notas de exames superioes aos alunos de colégios privados «especiais», não ingressam no curso que querem.

Nós gostamos muito de nos comparar com outros países mais ricos e desenvolvidos. Mas depois não queremos as regras que há lá fora. E isto passa também por instalar de uma vez um sistema de acesso ao Superior por exames de acesso. E contaria para acesso, apenas a nota dos exames. Em Espanha a selectividad inclui, creio, na minha área, exame de Literatura Espanhola, Língua Estrangeira, Matemática, Química, Biologia ou Física.
 
O Frederico acabas-te mesmo de pintar, cérebros ou ricos?

A comparação a um canalizador é mais que justa, desde que as pessoas tenham notas para entrar não deve, corporativamente, barrar o acesso a um excelente aluno por limite de vagas é criminoso só para sustentar os altos vencimentos e pouca concorrência na área médica.

Os excelentes médicos não é por terem emprego garantido que não irão sair!
 
Rascunho/notas

1) O ensino superior é financiado à cabeça. Quantos mais alunos uma faculdade tiver, mais dinheiro recebe. Se houver 400 alunos num anfiteatro com 200 cadeiras, a faculdade recebe mais dinheiro do que se tiver 200 alunos nesse anfiteatro. Em parte por causa disso algumas faculdades abrem um número excessivo de vagas. Cai assim o mito da necessidade de autonomia e blá blá blá das universidades. O Estado deve ter um papel regulador muito forte, pois à boa maneira portuguesa os interesses pessoais acabam por ser mais fortes que o bem comum.

2) Nos anos 70 não avia a obsessão pelo acesso à Medicina que há actualmente. Essa obsessão surgiu e desenvolveu-se devido à degradação das condições de trabalho e da valorização social dos arquitectos, advogados, professores ou engenheiros.

3) Há claramente um excesso de vagas no Superior para as necessidades do país em várias áreas. A grande catástrofe lusitana é não ter um tecido económico que absorva mais licenciados em áreas tecnológicas/científicas. Outra catástrofe lusitana é o desprezo dado à área das Humanidades.

4) Nem nos países mais avançados toda a população pensa sequer em ter uma licenciatura. O problema mor está na falta de qualidade e exigência do ensino até ao 12.º ano, e quem é professor sabe do que falo. Um bom 12.º ano pode preparar melhor para se viver numa sociedade competitiva e exigente do que muitas licenciaturas portuguesas.

5) Falta um sistema de informação acessível sobre a empregabilidade dos cursos, como o americano. Saber por par curso/estabelecimento a empregabilidade ao fim de um e cinco anos, e o salário médio. Assim os jovens poderiam reflectir melhor sobre as suas opções.

6) O problema do acesso da Medicina não está no numerus clausus, está noutro aspecto, a ausência de um sistema democrático de ensino. Quem frequenta certas escolas e pode pagar explicadores tem mais probabilidade de acesso. O problema só se resolve com um sistema de exames universal, e com uma maior qualidade no ensino secundário. Só deveria contar a média dos exames de acesso ao Superior, e nunca, repito, nunca, a média de secundário. A injustiça actual leva a que alunos de escolas públicas mais exigentes ficam sem acesso a Medicina, ultrapassados por alunos de escolas privadas ou escolas públicas mais facilitistas.

7) O desemprego médico não resolverá o problema da falta de médicos em Portugal. O problema português é apenas de gestão de recurso humanos no SNS e não de falta de médicos.
 
6) O problema do acesso da Medicina não está no numerus clausus, está noutro aspecto, a ausência de um sistema democrático de ensino. Quem frequenta certas escolas e pode pagar explicadores tem mais probabilidade de acesso. O problema só se resolve com um sistema de exames universal, e com uma maior qualidade no ensino secundário. Só deveria contar a média dos exames de acesso ao Superior, e nunca, repito, nunca, a média de secundário. A injustiça actual leva a que alunos de escolas públicas mais exigentes ficam sem acesso a Medicina, ultrapassados por alunos de escolas privadas ou escolas públicas mais facilitistas.

7) O desemprego médico não resolverá o problema da falta de médicos em Portugal. O problema português é apenas de gestão de recurso humanos no SNS e não de falta de médicos.

6º O problema não está mas ajuda, porque em 7º não houver trabalho para todos onde for preciso naturalmente os desempregados acabam por se resignar e fazer aquilo que o país precisa.

E isto é, Acabar o Excesso de Suplementos (é habitual um médico interno receber 2500€ de salário base + 8000€ de suplementos!!!) sem contar que pode ter privada! E redistribuir os médicos pelas zonas necessárias sem esquecer que a escassez de médicos de família, pode ser colmatada deixando os teimosos dos especialistas sem trabalho, e dando empregabilidade aos que são verdadeiramente necessários.

Isto é, pura e dura, a lei de mercado da procura e da oferta acabe-se de proteger igrejinhas que só nós destroem como país!
 
Eu acho que ainda chegaremos ao ponto que o tópico "estado do país" se tornará "estado do mundo".

Pois o problema de Portugal, de corrupção e erros, é na verdade um problema não só português mas existe em todo o lado, é um problema humano.

A crise não é só em Portugal é na verdade em todo o mundo, e ainda só parece estar a começar. Está agora a chegar ao coração da Europa.

A crise é sobretudo uma em que o povo depositou esperanças nos governos, os governos nos bancos, os bancos em empresas... Enfim, tudo se desresponsabilzou e depositou esperanças em outros, que também eram corruptos. E assim o dominó começa a cair.

O problema não é do sistema, capitalismo ou comunismo, não faz diferença. O problema é dos seres humanos que fazem o sistema funcionar. Se estes forem corruptos, por melhor que seja o sistema, este corromper-se-á sempre. Do mesmo modo, se houver boas intenções, até no pior dos sistemas as coisas funcionarão de modo agradável. E não há solução para este problema, a não ser cada um de nós mudar, e a maioria de todos nós mudar.
 
Uma questão pertinente:

E se o BCE injectar 500 mil milhões de euros na recapitalização da banca europeia? Seria a melhor solução para os problemas que afectam a economia dos países que adoptaram o euro? Quais os aspectos positivos e quais os negativos dessa hipótese?

Não encontro outra solução … :lmao:
 
Uma questão pertinente:

E se o BCE injectar 500 mil milhões de euros na recapitalização da banca europeia? Seria a melhor solução para os problemas que afectam a economia dos países que adoptaram o euro? Quais os aspectos positivos e quais os negativos dessa hipótese?

Não encontro outra solução … :lmao:

Não acho piada dar-mos dinheiro aos bancos para depois emprestarem. Mesmo que a taxa de juro seja de 1%...

Se há dinheiro que seja para liquidar divida!
 
Não acho piada dar-mos dinheiro aos bancos para depois emprestarem. Mesmo que a taxa de juro seja de 1%... Se há dinheiro que seja para liquidar divida!

O problema é que as empresas necessitam de capital para sobreviver e investirem... Se a banca corta o crédito às empresas, então é um sarilho. E se o BCE não emprestar dinheiro aos bancos, então não há mesmo como dar a volta.

Quanto a juros, isso já sabemos todos... cada um de nós é que teria depois de pagar a factura. Mas pelo menos haveria dinamismo económico e manutenção do emprego; o risco talvez uma subida da inflação.

ITÁLIA: FMI prepara plano de auxílio no valor de 600 mil milhões de euros

Se há dinheiro que seja para liquidar divida!

Era o que falta, fazer dinheiro para pagar dívida ... Nem na China !!!
 
Olha a aritmética se o estado pagar o que deve indirectamente vai chegar dinheiro aos bancos porque as empresas sairão de incumprimento. Ou terão liquidez suficiente para investirem sem necessitar do crédito bancário.

Parece que a banca é incógnita absoluta...
 
Olha a aritmética se o estado pagar o que deve indirectamente vai chegar dinheiro aos bancos porque as empresas sairão de incumprimento. Ou terão liquidez suficiente para investirem sem necessitar do crédito bancário. Parece que a banca é incógnita absoluta...

Como queres que o Estado pague o que deve se o Estado está falido sem dinheiro? O Estado só poderá saldar as suas dívidas quando o défice for nulo; até lá vive à custa da banca ou dos empréstimos do FMI e do BCE. Às vezes faz bem ler um bom livro de economia ou finanças.

Por isso mesmo é que eu coloquei a questão; enquanto o BCE não recapitalizar massivamente os bancos, não conseguimos sair da crise.
 
Como queres que o Estado pague o que deve se o Estado está falido sem dinheiro? O Estado só poderá saldar as suas dívidas quando o défice for nulo; até lá vive à custa da banca ou dos empréstimos do FMI e do BCE. Às vezes faz bem ler um bom livro de economia ou finanças.

Por isso mesmo é que eu coloquei a questão; enquanto o BCE não recapitalizar massivamente os bancos, não conseguimos sair da crise.

Quem foi alvo do problema não aceito que seja parte da solução e lucrando massivamente com isso. As projeções eram evidentes e a banca internacional e nacional levou até ao limite o esvaziar dos seus cofres.

O mercado empurrou, perdeu como jogo de xadrez para matar o rei. O rei é claramente a democracia, e pela tua forma de pensar acreditas que dar-mos povo, antes democrático, massivamente dinheiro aos bancos para eles fazerem negocio, é como dar ao nacionalizar a distribuição do Jerónimo para dar ao Belmiro e a sonae que faça o que quiser praticando o que quiser porque ficará com o monopólio.

Quero ver banqueiros falidos, como as inúmeras outras empresas que fecham hoje as Portas
 
Portagens: Emigrantes ponderam anular férias em Portugal

As comunidades portuguesas no Reino Unido, França ou Alemanha contestaram hoje a introdução de portagens nas antigas SCUT a partir de 8 de Dezembro e ponderam deixar de passar férias em Portugal por ficar mais caro do que outros destinos.

O diploma que estabelece o pagamento de portagens nas concessões SCUT do Algarve, da Beira Interior, no Interior Norte e na Beira Litoral a partir de 08 de dezembro foi hoje publicado em Diário da República.

"Quem fica a perder é o país, porque as pessoas vão para outros destinos passar férias em vez de irem para Portugal", disse à Lusa Augusto Neves, representante da comunidade portuguesa no Reino Unido, acusando os ex-governantes e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de falhar as promessas de não colocar portagens nas
SCUT, caso não existissem estradas alternativas dignas.Segundo Augusto Neves, há emigrantes portugueses que colocam a hipótese de não passarem as férias de Natal, nem de verão, em Portugal.

"Há pessoas que dizem que dizem que vão para Espanha ou para outro lado, porque as férias já não ficam baratas. Nós regressamos a Portugal pelo patriotismo e pelos familiares, mas, se cada vez que nos deslocarmos de um lado para o outro, principalmente no interior do país, tivermos de pagar, se vamos ter que andar a pagar portagens, tudo se torna complicado", considera.

A comunidade portuguesa de emigrantes na Alemanha também "não está contente" com a introdução de mais portagens em Portugal e reclama o facto das tarifas serem "caras" e de nem haver informação suficiente sobre a forma de pagamento.

"Em algumas autoestradas não se paga na hora e quem não está avisado, não sabe como se paga", lamenta Maria da Piedade Ascensão, representante da comunidade portuguesa na Alemanha, acrescentando, por outro lado, que são tarifas "caras".

A comunidade portuguesa em França reconhece que o país atravessa dificuldades económicas, mas também contesta a introdução de portagens em Portugal, sugerindo que deveria haver outras alternativas para o encaixe de verbas nos cofres do Estado.

"A comunidade sabe que há esforços a fazer por causa das dificuldades económicas. No entanto, nunca é agradável uma taxa de imposição suplementar, designadamente quando a emigração é uma mais valia para Portugal, quando vai visitar os seus", adiantou à Lusa Paulo Marques, representante da comunidade portuguesa em França.

As vias que passam a ter portagens são a A22 (Via Infante de Sagres), que integra a Concessão do Algarve, a A23 (que entre o nó com a A1 e o nó Abrantes Este integra a Concessão da EP - Estradas de Portugal e no restante a Concessão da Beira Interior), a A24 (integrada na Concessão do Interior Norte) e a A25 (que integra a Concessão da Beira Litoral/Beira Alta).

O decreto-lei garante a criação de "um regime de discriminação positiva para as populações e para as empresas locais, em particular das regiões mais desfavorecidas, que beneficiam de um sistema misto de isenções e de descontos nas taxas de portagem".

E pronto, saiu o DL para a entrada em vigor das portagens na Via do Infante. A partir de 8 de Dezembro começará o declínio do turismo Algarvio e o caos na EN125 (a qual ainda não sofreu praticamente nenhuns melhoramentos, como era suposto!).

E já agora, relativamente às isenções para os residentes nos concelhos do Algarve, a "situação" está bem disfarçada. As 10 transações mensais referem-se a 10 passagens num pórtico, ou seja, quem faz Lagos-VRSAntónio-Lagos diariamente, apanha uns 5 pórticos (no mínimo) para cada lado, o que resulta que num dia gasta logo as isenções a que tem direito. Em conversa com algumas pessoas, apercebi-me que muitas estavam convencidas que as 10 transações se referiam a 10 viagens, independentemente do número de pórticos utilizados.

...a EN125 vai tornar-se um caos...muitos veículos ligeiros e muitos veículos pesados... o resultado não será bom, de certeza!
 
E já agora, relativamente às isenções para os residentes nos concelhos do Algarve, a "situação" está bem disfarçada. As 10 transações mensais referem-se a 10 passagens num pórtico, ou seja, quem faz Lagos-VRSAntónio-Lagos diariamente, apanha uns 5 pórticos (no mínimo) para cada lado, o que resulta que num dia gasta logo as isenções a que tem direito. Em conversa com algumas pessoas, apercebi-me que muitas estavam convencidas que as 10 transações se referiam a 10 viagens, independentemente do número de pórticos utilizados.

...a EN125 vai tornar-se um caos...muitos veículos ligeiros e muitos veículos pesados... o resultado não será bom, de certeza!

Penso que existe um equivoco, vi isto no estrada.pt, penso que é credivel...

Em que consistem as isenções e descontos?
As populações e empresas locais abrangidas terão direito a isenção nas primeiras 10 viagens mensais e a um desconto de 15% nas viagens mensais seguintes, na respectiva concessão. A passagem sob dois ou mais pórticos sucessivos conta como uma viagem, desde que o veículo faça o percurso no intervalo de tempo expectável face à distância a percorrer e às velocidades aplicáveis na via. Uma ida e uma volta correspondem sempre a duas viagens.


Fonte: http://www.estradas.pt/portagensfaq
 
Penso que existe um equivoco, vi isto no estrada.pt, penso que é credivel...

De acordo com o próprio DL:

alínea n) do Artigo 2.º:
n) «Transacção» o conjunto de dados gerados num local
de detecção aquando da sua transposição por um veículo,
à qual corresponde uma taxa de portagem;
o) «Transacção agregada» a liquidação de uma viagem
realizada numa via portajada;

alíneas a) e b) do n.º 1 do Artigo 4.º:
a) Ficam isentas do pagamento de taxas de portagem
nas primeiras 10 transações mensais
que efectuem na respectiva
auto -estrada;
b) Usufruem de um desconto de 15 % no valor da taxa de
portagem aplicável em cada transacção que não beneficie
da isenção prevista na alínea anterior.

http://dre.pt/pdf1sdip/2011/11/22800/0509405100.pdf

Isto é o que o DL diz.
Esse esclarecimento da EP parece-me um pouco diferente do teor do Decreto... mais uma questão para os juristas...
 
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