O Estado do País

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Temos problemas muito graves, mas não me parece que a culpa seja do euro.
A eventual saída de Portugal do euro poderá desencadear um fluxo migratório semelhante ou até superior ao verificado nos anos 60/70 do século passado. Não sei que tipo de recuperação económica será possível fazer depois com os 6 ou 7 milhões de indivíduos que cá ficarem.

O euro tem parte da culpa. Estamos com preços europeus, mas não podemos ter salários europeus porque não temos PIB , produtividade ou crescimento para isso. A nossa economia não estava preparada para o mercado único, e a consequência é que estamos a importar cada vez mais, temos um grande desajuste na balança comercial, e até o turismo ficou prejudicado, pois degradou-se a relação qualidade/preço, e o que ainda salva o sector são as empresas de baixo custo.
 
Neste momento só saímos do buraco a crescer 3 ou 4% ao ano, ora isso só sucedia antes do 25 de Abril :lmao: Para crescermos temos de ter um Governo muito competente. Este que está agora é mais sensato que o anterior, mas mesmo assim não está à altura do desafio, creio. Só com Reformas profundas voltaremos a crescer, e isso implica mexer em muitos interesses instalados que continuam quase «intocáveis»!
 
Neste momento só saímos do buraco a crescer 3 ou 4% ao ano, ora isso só sucedia antes do 25 de Abril :lmao: Para crescermos temos de ter um Governo muito competente. Este que está agora é mais sensato que o anterior, mas mesmo assim não está à altura do desafio, creio. Só com Reformas profundas voltaremos a crescer, e isso implica mexer em muitos interesses instalados que continuam quase «intocáveis»!

Pelo memorando assinado por estes imcompetentes (PSD) e pelos outros anteriores (PS) não vamos crescer nem em 2020. Sem medidas estruturais e de certeza que não passarão pelo downsizing das empresas nem pela aposta na mão de obra barata lá chegamos. Primeiro passa melo emagrecimento de altas patentes salariais e não por cortar subsidios a quem ganha 700 ou 800 euros. Depois apostar na formação e no encorajamento a trabalhar em vez da subsidio dependencia, para isso não é a cortar os ditos subsidios ( RSI, etc) bem pelo contrário dar mais dignidade a quem precisa, mas também, pagar mais a quem trabalha, estimular o sair da condição de resignação à condição de integração.
E uma série de outras medidas....
 
O Mira Amaral também dá uma ideia para ajudar a resolver a crise, relativo às parcerias público-privadas...

Contratos blindados
Mira Amaral é dos poucos que em Portugal diz cá para fora as Verdades. As pessoas podem não gostar do seu estilo, mas não há dúvidas que tem quase sempre razão. O extracto abaixo é de uma notícia de hoje do Diário Económico, mas o texto é apenas visível na versão impressa. Reparem como o jornalista do Verde Económico se mostra surpreendido com a simplicidade da solução, e tenta rebater:

Como é que vê a eventual renegociação dos contratos das Parcerias Público Privadas?
Acho que têm de ser renegociadas.

Mas os contratos estão blindados... é tecnicamente possível?
Os senhores das energias renováveis também dizem isso, que há compromissos assumidos pelo Estado e que não se pode tocar nisso. E eu digo: se o Estado já tocou nos compromissos que assumiu com os pensionistas, de forma dramática, por não ter dinheiro, também tem de o fazer aí.

Mas não existe o risco de criar problemas com os bancos e com os financiadores internacionais desses projectos?
Há que perceber que a economia portuguesa não aguenta esse tipo de compromissos, tal como acontece com o défice tarifário. E portanto há que renegociar e que assumir algum ‘haircut' de capital. É tão simples quanto isso. Não podem ser só os pensionistas a pagar a factura. Isto tem de ser renegociado, para mim é óbvio.
Ver aqui

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Noutro campo, saiu esta notícia no ExameExpresso. Um tema interessante.

"Os mais endividados na União Europeia: Irlanda e Reino Unido"

Ler aqui

Saliento este trecho no seu final:

Em resumo, sobre Portugal, avaliando a relação com a riqueza criada anualmente, nesta amostra de oito países "periféricos" e do "centro" da União Europeia: 4.º na dívida total; 3.º na dívida das empresas; 3º na dívida nas famílias; 7.º na dívida pública; 7.º na dívida das entidades financeiras. Comparativamente, as situações mais graves são ao nível das empresas e das familias. Deduz-se que são os "segmentos" onde a desalavancagem vai ser mais violenta.

Tempos difíceis ainda chegarão para muitos. Muita gente viveu demasiado acima das suas possibilidades. Por mais que tentem lutar contra as medidas de austeridade, mais tarde ou mais cedo as pessoas vão sentir na pele a necessidade de viver apenas e só de acordo com as suas capacidades financeiras.

De qualquer forma acho que ainda temos capacidade de sair do buraco. Com pouca agitação social, com mais trabalho, com reorganização pública e privada, poderemos aspirar a dias melhores. Não lhe chamemos utopia mas uma distante realidade possível. Só temos que nos pôr a caminho para lá chegar...
 
A China tem uma dívida em percentagem do GDP per capita maior que a nossa. Aquilo lá também não vai correr nada bem dentro de algum tempo.
 
Quanto o Estado perde por ano para Espanha, em impostos, devido à diferença do preço dos combustíveis e do gás em garrafa? Quanto perdeu o turismo no Minho ou no Algarve com a introdução de portagens? Quantas empresas se deslocalizaram para Espanha devido às portagens, ou quantas se deslocalizarão este ano?
 
Tempos difíceis ainda chegarão para muitos. Muita gente viveu demasiado acima das suas possibilidades. Por mais que tentem lutar contra as medidas de austeridade, mais tarde ou mais cedo as pessoas vão sentir na pele a necessidade de viver apenas e só de acordo com as suas capacidades financeiras.

Eu também faço uma previsão. O desespero chegará a tal ponto no Ministério das Finanças que pelo desfazamento entre receitas previstas e receitas reais, o Gaspar em março vai ter de voltar a falar ao país real. Não aquele país das troikas alemãs cheio de fantasias da treta de onde o FMI já se começou a desmarcar.

Oxalá seja para anunciar que se vai embora para um daqueles cargos inúteis, certamente pagos generosamente, dentro de um banco qualquer onde não se faz nenhum, tipo Horta Osório.
 
Tempos difíceis ainda chegarão para muitos. Muita gente viveu demasiado acima das suas possibilidades. Por mais que tentem lutar contra as medidas de austeridade, mais tarde ou mais cedo as pessoas vão sentir na pele a necessidade de viver apenas e só de acordo com as suas capacidades financeiras.QUOTE]


Isso é verdade, mas o cidadão comum ainda não tomou consciencia disso, depois das insolvencias/falencias das empresas, agora são as familias...já a vender os carros de leasing e muitas outras virão, e muitos bens superfluos....que ninguem os compra;)
Mas ainda se sonha como num passado muito recente;)
 
Anda aí muita gente a culpar as empresas e as famílias. Eu não culpo. Eu culpo sim a Banca, os partidos, o Estado Central e o poder local. Isso de dizer que a culpa é de todos nós é uma falácia para mascarar os verdadeiros culpados do que sucedeu e do está para acontecer. Querem culpados? Cavaco Silva, Ricardo Salgado, Mários Soares, Armando Vara, Pina Moura, António Mexia, Oliveira e Costa, José Sócrates, António Guterres, Durão Barroso, Teixeira dos Santos, Alberto João Jardim, e por aí fora. Repito: a culpa é dos políticos, dos banqueiros e dos dirigentes das oligarquias do Regime.
 
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A formiga e a cigarra
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Versão alemã

A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.

A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.

Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada. A cigarra está cheia de frio, não tem casa nem comida e morre de fome.

Fim

Versão portuguesa

A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.

A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas bejecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.

Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada.

A cigarra, cheia de frio, organiza uma conferência de imprensa e pergunta porque é que a formiga tem o direito de estar quentinha e bem alimentada enquanto as pobres cigarras, que não tiveram sorte na vida, têm fome e frio.

A televisão organiza emissões em directo que mostram a cigarra a tremer de frio e esfomeada ao mesmo tempo que exibem vídeos da formiga em casa, toda quentinha, a comer o seu jantar com uma mesa cheia de coisas boas à sua frente.

A opinião pública tuga escandaliza-se porque não é justo que uns passem fome enquanto outros vivem no bem bom. As associações anti pobreza manifestam-se diante da casa da formiga. Os jornalistas organizam entrevistas e mesas redondas com montes de comentadores que comentam a forma injusta como a formiga enriqueceu à custa da cigarra e exigem ao Governo que aumente os impostos da formiga para contribuir para a solidariedade social.

A CGTP, o PCP, o BE, os Verdes, a Geração à Rasca, os Indignados e a ala esquerda do PS com a Helena Roseta e a Ana Gomes à frente e o apoio implícito do Mário Soares organizam manifestações diante da casa da formiga.

Os funcionários públicos e os transportes decidem fazer uma greve de solidariedade de uma hora por dia (os transportes à hora de ponta) de duração ilimitada.

Fernando Rosas escreve um livro que demonstra as ligações da formiga com os nazis de Auschwitz.

Para responder às sondagens o Governo faz passar uma lei sobre a igualdade económica e outra de anti descriminação (esta com efeitos retroactivos ao princípio do Verão).

Os impostos da formiga são aumentados sete vezes e simultaneamente é multada por não ter dado emprego à cigarra. A casa da formiga é confiscada pelas Finanças porque a formiga não tem dinheiro que chegue para pagar os impostos e a multa.

A formiga abandona Portugal e vai-se instalar na Suíça onde, passado pouco tempo, começa a contribuir para o desenvolvimento da economia local.

A televisão faz uma reportagem sobre a cigarra, agora instalada na casa da formiga e a comer os bens que aquela teve de deixar para trás.

Embora a Primavera ainda venha longe já conseguiu dar cabo das provisões todas organizando umas "parties" com os amigos e umas "raves" com os artistas e escritores progressistas que duram até de madrugada. Sérgio Godinho compõe a canção de protesto "Formiga fascista, inimiga do artista...

A antiga casa da formiga deteriora-se rapidamente porque a cigarra está-se nas tintas para a sua conservação. Em vez disso queixa-se que o Governo não faz nada para manter a casa como deve de ser. É nomeada uma comissão de inquérito para averiguar as causas da decrepitude da casa da formiga. O custo da comissão (interpartidária mais parceiros sociais) vai para o Orçamento de Estado: são 3 milhões de euros por ano.

Enquanto a comissão prepara a primeira reunião para daí a três meses, a cigarra morre de overdose.

Rui Tavares comenta no Público a incapacidade do Governo para corrigir o problema da desigualdade social e para evitar as causas que levaram a cigarra à depressão e ao suicídio.

A casa da formiga, ao abandono, é ocupada por um bando de baratas, imigrantes ilegais, que há já dois anos que foram intimadas a sair do País mas que decidiram cá ficar, dedicando-se ao tráfego da droga e a aterrorizar a vizinhança.

Ana Gomes um pouco a despropósito afirma que as carências da integração social se devem à compra dos submarinos, faz uma relação que só ela entende entre as baratas ilegais e os voos da CIA e aproveita para insultar Paulo Portas.

Entretanto o Governo felicita-se pela diversidade cultural do País e pela sua aptidão para integrar harmoniosamente as diferenças sociais e as contribuições das diversas comunidades que nele encontraram uma vida melhor.

A formiga, entretanto, refez a vida na Suíça e está quase milionária...

FIM
 
Anda aí muita gente a culpar as empresas e as famílias. Eu não culpo.
Por mais que se diga, as famílias e as empresas tem grande capital de culpa própria.
Mas na génese disto está a educação que nos falta. ninguém ensina uma cultura económica no interior das famílias, no interior das empresas, na escola, na Sociedade. E isso faz toda a diferença.
Se não percebo nada de economia como saberei o que fazer? Como saberei se aquilo que os outros dizem está certo ou errado. penso que o espírito crítico nasce da educação institucional e familiar. Sem ela corremos os riscos que são conhecidos desde há muitos anos...
 
Anda aí muita gente a culpar as empresas e as famílias. Eu não culpo. Eu culpo sim a Banca, os partidos, o Estado Central e o poder local. Isso de dizer que a culpa é de todos nós é uma falácia para mascarar os verdadeiros culpados do que sucedeu e do está para acontecer. Querem culpados? Cavaco Silva, Ricardo Salgado, Mários Soares, Armando Vara, Pina Moura, António Mexia, Oliveira e Costa, José Sócrates, António Guterres, Durão Barroso, Teixeira dos Santos, Alberto João Jardim, e por aí fora. Repito: a culpa é dos políticos, dos banqueiros e dos dirigentes das oligarquias do Regime.

100% apoiado, pela primeira vez!
 
O Mira Amaral também dá uma ideia para ajudar a resolver a crise, relativo às parcerias público-privadas...
‎"Mas os contratos estão blindados... é tecnicamente possível?
Os senhores das energias renováveis também dizem isso, que há compromissos assumidos pelo Estado e que não se pode tocar nisso. E eu digo: se o Estado já tocou nos compromissos que assumiu com os pensionistas, de forma dramática, por não ter dinheiro, também tem de o fazer aí." por Mira Amaral

Na minha humilde opinião isto de ter técnico de electrotecnia e saber o que é Hz e equilíbrio é de ouro. Mais em http://economico.sapo.pt/noticias/banca-foi-vitima-mas-tambem-teve-culpas_134798.html
 
Não foi no último ano. Foi bem antes de aprovar o trágico empréstimo da Grécia na altura em que todos andavam ai a dizer que eu não sou a Grécia, tu não és a Irlanda, ele não é Portugal, nós não somos a Itália, vós não sois a Espanha e ninguém quer ser a Alemanha.

O orçamento do Gaspar não existe porque é baseado em receitas que não existem, provenientes de exportações que não existem, feitas com um comércio internacional que não existe, sendo o resultado de uma estratégia global de redução de despesa feita exactamente sobre a substituição de importações de países estrangeiros por produção nacional construída sobre políticas de salários baixos para a maioria mantendo a ganância de um sistema financeiro completamente desregulado.

A natureza é injusta e o La Fontaine é um neoliberal. A cigarra esquerdalhamente preguiçosa é muito mais eficiente que a neoliberal trabalhadora formiga. As cigarras podem viver vários anos. As formigas não. :D
 
Os gajos que nos últimos 10 anos defenderam políticas de crescimento que não resultaram e nos levaram à falência(...)

Vai ser bonito de ver daqui a 2 ou 3 anos ver o que dirão essas mesmas pessoas num país fora do mercado de crédito pelo menos uma década a ter que gerar superavits, em que a austeridade actual parecerá uma brincadeira de criança.

Que comédia de gente, culpem lá o Gaspar malta, cujo 1º orçamento que fez só há poucos dias entrou em vigor.

Até concordo com algumas coisas que escreveste, se me permites, alterava umas pequenas tranches do texto:

Não foi nos ultimos 10 anos, mas vem já de muito antes, convem incluir também o tempo do reformado em dificuldades económicas, por isso coloca em vez de 10 , 25 anos pelo menos. Na questão do superavits, nem nós nem nenhum europeu tirando os nórdicos e alguns sabe-se porque ( grandes riquezas naturais para a densidade populacional, embora haja algum mérito) nenhum País vai tér superavit nenhum, nenhuma! isso é uma utopia... O Ministro Gaspar, obviamente não tem culpa, está sujeito ao seu "superior" que prometeu prometeu prometeu e a montanha pariu um rato....ou um coelho.... ;)
 
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