O Estado do País

  • Thread starter Thread starter Rog
  • Data de início Data de início
Estado
Fechado para novas mensagens.

A pergunta certa é quase sempre a mesma: por que razão foi escolhida esta pessoa e não outra. Ou seja, se considerarmos que um negócio é um negócio e exige determinado tipo de perfil, conhecimentos, experiência, por que razão as escolhas para lugares de topo, bem remunerados, são feitas de pessoas que não correspondem nem de perto nem de longe ao perfil que seria "natural"? Qual é a natureza da perturbação que justifica o desvio da escolha "natural"? Por que razão encontramos no centro desta "área de negócios politizados" sempre as mesmas pessoas, sempre os mesmos curricula , sempre os mesmos perfis de carreira, sempre as mesmas redes de influência e sempre um "serviço" político ou o seu pagamento? Por que razão vemos o dinheiro, os negócios, mais do que o empreendedorismo, entrar nessas áreas onde o poder de Estado e o poder político são centrais, e onde o controlo da informação e da decisão política é a chave do sucesso no negócio?

Se se quiser fazer negócio na área dos resíduos, se se quiser instalar parques eólicos, se se quiser vender mobiliário urbano, se se quiser instalar um atelier de arquitectura, se se for um urbanizador, se se quiser aceder a fundos comunitários, se se trabalhar na área do marketing e das agências da comunicação, na advocacia de negócios, ou mesmo se se quiser abrir um restaurante da moda, só há dois caminhos de sucesso garantido: conhecer os políticos certos e depois conhecer os jornalistas certos. E o mercado sabe muito bem quem são os "políticos certos" e os "jornalistas certos".

Deixando os jornalistas por agora, voltemos à "área de negócios politizados". Precisa-se aí de ter conhecimentos directos com os aparelhos partidários que controlam o acesso ao poder político executivo, a nível central ou local, ou ter um "facilitador" influente. Quando nos perguntamos por que razão nessas empresas, que actuam nesta "área de negócios politizados", se escolhem para lugares de administração, bem remunerados, pessoas que ou são políticos no activo ou têm uma relação de "facilitação" e influência com o poder político, a resposta é evidente. O processo Face Oculta é todo sobre isso, mas também o é o Portucale , e muitos outros.

Outra característica desta "área de negócios politizados" é a de estar cada vez mais ligada a capitais com origem em países onde a corrupção é uma forma de poder e os sistemas políticos são autoritários, como é o caso típico dos capitais angolanos que aí abundam. Esses capitais têm todos um pequeno problema, que pelos vistos não interessa a ninguém, que é o de serem milhares de milhões com origem em pessoas que legalmente ganham apenas umas centenas de dólares no seu cargo político. Aproveitem para ler isto hoje no PÚBLICO, porque a continuar o takeover angolano sobre os órgãos de informação portugueses, em breve isto não poderá ser dito em quase lado nenhum.

Vejamos um caso hipotético e compósito de um político tornado gestor. Começou por baixo, por um aparelho partidário local cujo controlo assegurou, primeiro pessoalmente, depois através de homens de sua confiança pessoal. Durante toda a sua vida política nunca deixará de manter um controlo rigoroso sobre a sua zona de influência original, colocando lá homens de mão, que mais tarde emprega, distribuindo benesses e lugares sempre em primeira mão para o aparelho onde se iniciou e cresceu. Perder o controlo dessa base original é um grande risco, porque é aí que as pessoas melhor o conhecem, numa altura em que os seus primeiros passos de carreira ainda eram crus e pouco sofisticados e deixaram rastro.

Iniciou-se a receber "avenças" dos empresários locais que conheceu no processo de obter financiamentos para a actividade partidária. Começa a entrar ou a fazer uma rede de "amigos", a que garante "facilidades" junto do poder central e local, primeiro em coisas simples e baratas e depois vai fazendo o upgrade para negócios mais sérios. Quase toda a sua economia pessoal é feita à margem do fisco e da lei, mas isso há uns anos atrás não era problema nenhum, porque o controlo fiscal dos rendimentos era uma ficção e hoje também não é por que há offshores . Se havia algum escândalo público, a explicação clássica era de que "ganhou na bolsa", e se esse escândalo implicasse problemas com a justiça, o que era raríssimo, pagavam-se de imediato os impostos em falta e esperava-se que a máquina emperrasse nas prescrições ou numa tecnicalidade, como quase sempre acontecia.

Nesta altura, o nosso político hipotético já dá uma grande atenção à comunicação social e através de fugas de informações, que favorecem uma carreira jornalística, ou através de favores, presentes, ou mesmo falsas avenças ou empregos para familiares dos jornalistas no novo universo empresarial em construção, já tem um círculo de jornalistas no seu bolso. Nenhum, insisto, nenhum dos que fazem esta carreira hipotética o consegue fazer sem relações privilegiadas com a comunicação social, umas vezes pessoais, dominantes no passado, hoje através de agências de comunicação pagas a peso de ouro. Esse ouro é pago por nós através de encomendas de serviços "de comunicação" por uma autarquia ou um ministério "amigo", assegurados, como tudo, pelo acesso ao poder político. Não existe hoje nenhuma destas microrredes de poder que não esteja ligada à comunicação social e que não dê importância decisiva a esse factor. No fundo, são políticos modernos, antes sabiam bem do poder do telefone e dos almoços de negócios, antes de ter medo das escutas, hoje exploram a fundo o spin e as redes sociais.

Se for esperto, e muitos são mesmo muito espertos, sai a tempo da política e dedica-se "exclusivamente" aos negócios. Os seus negócios têm uma característica comum - fazem-se todos na "área de negócios politizados", todos dependem do acesso ao poder político e da decisão política, seja através de informação privilegiada, seja através de facilidades e escolhas de favor. Mas também por isso fica sempre com um pé, e um grande pé, dentro da política. Emprega nas suas empresas os seus companheiros de partido, e a sua família, cria laços sólidos no Estado e nas autarquias, recomendou e obteve a colocação de muitas pessoas que lhe são fiéis, ajuda a obter créditos e tratar de problemas com o fisco, ameaça quando é preciso e aparece quando é preciso. Nalguns casos institucionaliza a sua microrrede ou em associações e lobbies , ou, sempre deste retrato hipotético e compósito, entra numa maçonaria e usa-a para novas relações e novos recrutamentos em áreas sensíveis de decisão. Nos exemplos mais modernos recruta mesmo nos blogues alguns jovens lobos sedentos de notoriedade, poder e influência e que precisam de patrocinato, e a quem "enreda" para que não lhe venham a criar problemas no futuro. O que vemos hoje in the making é uma nova geração, preparada e escolhida pela anterior, de políticos deste tipo, uns na primeira divisão, mas a maioria na segunda divisão, onde também se ganha muito dinheiro com muito mais discrição.

Há outro nome para esta realidade - poder mafioso. Ele existe, reforça-se e reproduz-se. Cada vez menos conhece qualquer oposição, seja da Justiça, seja da opinião pública, seja de quem for. Com a crise, só pode piorar.


José Pacheco Pereira




Eis um bom retrato da Máfia portuguesa. E olhando para Jotas e Associações Académicas ou Comissões de Praxe, o futuro não é nada risonho.
 
Frederico nisso meu amigo, tu é que tens a culpa. De não fazes parte e não falares nos lugares certos. Bateres o pé, saíres de cabeça erguida quando por vezes é preciso, e vencer quando as estrelas se alinham mantendo a tua consistência.
 
Frederico nisso meu amigo, tu é que tens a culpa. De não fazes parte e não falares nos lugares certos. Bateres o pé, saíres de cabeça erguida quando por vezes é preciso, e vencer quando as estrelas se alinham mantendo a tua consistência.

Ora não me conheces. Por criticar abertamente o sistema e ser anti-praxe já ganhei muitos inimigos. Uma vez disse abertamente que era do CDS/PP e deixei meio mundo escandalizado. Por ser contra o aborto ou os casamentos coloridos sou visto como um bicho estranho. E aqui na minha faculdade há uns quantos proto-Sócrates da JS e da JSD. A diferença é que estes são mais inteligentes.
 
(...) não se pode diminuir a TSU porque a segurança social está ela também falida (...)

Não se pode baixar a TSU, sem aumentar o IVA precisamente para compensar a perda de receitas na Seg Social. Mas porque aumentar mais o IVA, seria o mesmo que assassinar o crescimento futuro da economia de forma irremediavel, decidiu-se não se baixar a TSU, algo que a tróika parece não entender ainda, aquilo que é bastante óbvio!
 
O panorama político português, é de uma pobreza extrema:

- passos coelho, apenas prometeu cumprir o acordado com a troika. Como não sobra dinheiro, o único trabalho do governo é apenas fazer cumprir o plano, e andar rápido com as reformas em atraso.

-jorge seguro, não consegue fazer o seu papel de oposição, pois está entalado entre o acordo que o anterior governo assinou, e a maioria dos deputados que o rodeiam da era sócrates, que teimam em tentar esquecer aquilo que eles assinaram com a troika. E com isso, encostam o seu líder, jorge seguro, como se tivesse ele a culpa!

- bloco de esquerda, pcp, cgtp, nem vale a pena falar. Estão lá para ganhar dinheiro ao fim do mês, pois eles nunca apresentam programa de governo, nem participam nos acordos nem nas reuniões de concertação social, fazendo o devido trabalho de casa para apresentar idéias alternativas sustentáveis.

-alberto joão jardim, enfim, uma sombra, não lhe resta alternativa senão ceder à austeridade do continente.
 
O panorama político português, é de uma pobreza extrema:

- passos coelho, apenas prometeu cumprir o acordado com a troika. Como não sobra dinheiro, o único trabalho do governo é apenas fazer cumprir o plano, e andar rápido com as reformas em atraso.

-jorge seguro, não consegue fazer o seu papel de oposição, pois está entalado entre o acordo que o anterior governo assinou, e a maioria dos deputados que o rodeiam da era sócrates, que teimam em tentar esquecer aquilo que eles assinaram com a troika. E com isso, encostam o seu líder, jorge seguro, como se tivesse ele a culpa!

- bloco de esquerda, pcp, cgtp, nem vale a pena falar. Estão lá para ganhar dinheiro ao fim do mês, pois eles nunca apresentam programa de governo, nem participam nos acordos nem nas reuniões de concertação social, fazendo o devido trabalho de casa para apresentar idéias alternativas sustentáveis.

-alberto joão jardim, enfim, uma sombra, não lhe resta alternativa senão ceder à austeridade do continente.

Penso que no caso português, no estado atual não há muito a fazer. O que se podia ter feito era obter um alargamento do prazo para se proceder à estabilização financeira e assim seria possível que não fossem adotadas medidas de austeridade nos vencimentos e assim minimizar grandes percas no consumo privado (resultando num menor aumento do desemprego e da confiança, bem como um aumento do imposto retido).

As reformas podem ser começadas a ser preparadas agora, mas nunca as concretizar neste momento. Agora é momento de fazer as leis para as colocar no efetivo daqui a 3/4 anos (com a relutância de certos países em não adotarem as eurobonds, penso que o cenário seja muito mais negro).
 
Penso que no caso português, no estado atual não há muito a fazer. O que se podia ter feito era obter um alargamento do prazo para se proceder à estabilização financeira e assim seria possível que não fossem adotadas medidas de austeridade nos vencimentos e assim minimizar grandes percas no consumo privado (resultando num menor aumento do desemprego e da confiança, bem como um aumento do imposto retido).

As reformas podem ser começadas a ser preparadas agora, mas nunca as concretizar neste momento. Agora é momento de fazer as leis para as colocar no efetivo daqui a 3/4 anos (com a relutância de certos países em não adotarem as eurobonds, penso que o cenário seja muito mais negro).

Alargar os prazos é algo que vai ter de ser feito e quanto antes melhor.. Até de certa forma está previsto no acordo da tróika: renegociar as PPP's e com isso alargar o prazo, aliviando o défice, e desbloqueando algum capital para medidas de crescimento da economia.

É este o caminho certo, caso contrário.. Bem, caso contrário seria assistir impavidos à queda num abismo sem retorno de perda de poder de compra, aumento do desemprego, diminuição do consumo, falências, etc..

Seria também importante que estado pagasse as suas dívidas aos privados (ex: farmácias).

Também é importante que certas instituições sofram a mesma austeridade que o resto dos portugueses (ex: banco de portugal).

Também é importante que os clubes de futebol e afins paguem o que devem ao estado. Não há leis para portugueses de 1a ou de 2a! Segundo a FPF, a dívida actual é de 30milhões de euros, logo há que fazer cumprir a lei, ou pagam, saem da liga, ou fecham as portas.

Seria também de extrema importância que os corruptos de bancos falidos e afins, sejam julgados e paguem o que devem!
 
A dívida da Madeira, por Eduardo Vasconcelos
"Como já cansa estar sempre a ouvir da boca de ignorantes que o povinho lá do continente é que sustenta o buraco da Madeira, e que nós somos chulos, apresento-vos umas contas de mercearia.

A dívida Portuguesa rondava os 332.8 mil milhões, como sou benevolente faremos as nossas contas assumindo 300 mil milhões.

A dívida da Madeira situa-se nos 6.328 mil milhões, e para não dizerem que eu estou a d...efender a minha ilha, vamos considerar 10 mil milhões ( sim é um arredondamento exageradíssimo, mas não importa ).

Todos sabemos que Portugal tem 10 Regiões, tiramos os Açores, que não estão endividados, e a Madeira, pois sabemos a sua dívida, o que nos deixa com 8 Regiões Continentais.

Sabendo que a dívida Portuguesa é de 300 mil milhões e subtraindo a essa quantia a dívida da Madeira, ficamos com 290 mil milhões.

290 dividindo por 8 obtemos 36.25 o que corresponde a 36.250 mil milhões em média por Região.

(...) para aqueles que usam o nome da Madeira para justificarem toda a crise existente em Portugal, (...) a verdadeira crise, e a verdadeira dívida, não veio desta ilha, aliás, a dívida que a Madeira contraiu, corresponde a 3.33% da dívida Portuguesa (calculado com base nos valores de 300 mil milhões e 10 mil milhões respectivamente).

Já diz um velho ditado, o pior cego é aquele que não quer ver."
 
Há uns dias o Ministro da Economia defendeu que o pastel de nata deveria ser exportado. Gerou-se logo um burburinho enorme. Muita virgem ficou ofendida, ridicularizou Álvaro dos Santos Pereira e até já há quem lhe chame «ministro pastel de nata».

Dizem por aí que o pastel de nata já se pode encontrar no estrangeiro, em diversas pastelarias de muitos emigrantes portugueses, e que, portanto, a sugestão do ministro não faz sentido. No entanto, ou pelo QI de parte da população portugueses não ser lá muito elevado, ou pela falta de cultura financeira (ou devido a ambas as hipóteses), esses ditos pastéis de nata vendidos em tais condições em nada beneficiam a nossa economia. ´

Se entrarmos num supermercado de um qualquer país europeus facilmente encontraremos Coca Cola, Pepsi Cola, chocolates Milka, produtos Nestle, massas Buitoni, peixe congelado Pescanova, etc. E produtos portugueses? Encontramos algum? Não. Portanto, o que o Ministro tentou sugerir, sem explicar devidamente, é que alguém deveria instalar uma fábrica de pastéis de nata em Portugal, criar uma marca, publicitar e exportar para todo o mundo. Um pouco como faz a Kinder, a Matutano, a Coca Cola, a Alpen Muesli, a Nestle, entre tantas outras marcas.

Mas isso é pouco digno. Fábricas? Coisa de «fássista». Marketing? Dá muito trabalho. Não depender do Estado? Nem pensar!

Temos a pobreza que merecemos.
 
Mas isso é pouco digno. Fábricas? Coisa de «fássista». Marketing? Dá muito trabalho. Não depender do Estado? Nem pensar!

Temos a pobreza que merecemos.

É totalmente assim, pra mal dos nossos pecados. Bem pior lá vem.
 
Há portugueses lá fora a fazer pastéis de nata, porque abriram pastelarias. Mas pagam impostos e salários nesses países, nós nada lucramos. O que o ministro tentou sugerir quando deu o exemplo dos Donuts é que houvesse cá uma fábrica a exportar para todo o mundo, e que o pastel de nata fosse conhecido como são os Ferrero Rocher ou bolos ingleses. E quem diz o pastel de nata diz os ovos moles de Aveiro ou o pão-de-ló de Ovar.

Os portugueses, de uma forma geral, são pouco ambiciosos. O Estado só deve acomodar-se e gastar de acordo com a riqueza que produzimos. Claro que se o PIB não dá para mais, a Educação ou a Saúde para todos a custo quase zero, ou as prestações sociais, tudo isso tem de ser repensado.
 
Estado
Fechado para novas mensagens.