O Estado do País

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Em primeiro lugar, os salários dos funcionários públicos não representam 70% do défice! Mas nem de perto!

Em segundo lugar, quem daria milhares de milhões de euros para indemnizar 100mil funcionários?
Acho que nem cabe na calculadora, mas 100mil x salário médio de 700eur x (10anos, 20 anos ou 30 anos) x 1mês de salário, daria
quanto em euros? E demoraria quanto a negociar com 100mil pessoas? E demoraria e custaria quanto a pagar anos de subsídio de desemprego? Já pensaram nisso? Já agora, quando estivesse pago já estaríamos fora da crise e já estaríamos a contratar funcionários públicos de novo! Deixem-se de demagogias, sem apresentar números!


Em terceiro lugar, tirar consequências políticas: onde é que tiravamos os tais 100mil? Seriam médicos, professores, polícias, pessoal das finanças, ou das autarquias que ninguém toca? Escolham!

Sim, estes sem duvidas são normalmente três malandros por cada autarquia (presumo local) e claro cada um ganha 700€/mês isto a multiplicar por +-4260 freguesias sem duvida um bom corte...dá para aí uns 100 e tal milhões:lol::lol:
Será que me enganei algures no meu raciocinio:lol::lol::lol:
Para não falar nas presenças dos membros das assembleias: 300€ por cada um e por cada uma:lol::lol:
 
Estive num seminário há dois anos com professores de economia da UP. Estavam lá também nomes sonantes como Pacheco Pereira ou João Salgueiro. Pina Moura falou por teleconferência. E foram mostrados relatórios internacionais, do Banco Mundial, da OCDE ou do FMI. E foi frisado que as nossas leis laborais eram das piores do mundo, as nossas, as da Espanha e as da França. As melhores leis laborais eram as da Dinamarca.

Esses relatórios são consultados por quem vem para cá investir.

Suponho que sejam das melhores leis. Na Dinamarca 80% dos trabalhadores são sindicalizados.

Por aqui nesta parvónia temos pouco mais de 20% de sindicalizados, menos de 15% na Espanha e ainda menos em França. A França é o país com menos sindicalizados na Europa.
 
O principal entrave para a vinda de mais empresas e que torna portugal num país pouco competitivo é só um! Para compreendermos as razões, temos de perguntar 1,2,3.. n vezes porquê:

1) salários baixos e custo de venda elevado.

Porquê:

2) Impostos elevados das empresas e dos contribuintes singulares

Porquê:

3) Financiamento caro

Porquê:

4) Elevado risco de incumprimento da dívida pública e da dívida privada

Porquê:

5) Crescimento insustentavel da dívida

Porquê:

6) Falta de reformas do estado, negócios ruínosos do estado, défice no orçamento da segurança social, política fiscal que beneficia a desigualdade entre cidadãos e empresas. Falta de regulamentação das instituições bancárias, e do crédito pessoal.

Porquê:

7) Envelhecimento populacional, taxa de execução dos apoios comunitários próxima do medíocre. Falta de visão dos nossos empresários. Formação demasiado teórica com claro défice na via profissionalizante. Legislação obsoleta, desequilibrada, ineficiente.

Porquê:

8)
Justiça: não funciona com as leis produzidas com o estado.

Estado: prometem o que não podem, logo não cumprem e apenas são responsabilizados politicamente, anos mais tarde, o que sai demasiado caro e por vezes irreversível para o futuro do país. Não produzem leis que permitam a justiça funcionar. São na sua grande maioria corruptos passivos, embora com futuro certo e garantido.

Povo: Culturalmente muito fraquinho, deixa-se levar por falsas promessas, ou falsas soluções. Prefere votar no corrupto desde que sobre alguma esmola para ele. Tem memória curta e prefere não pensar, pois acha que para isso estão lá os políticos. Acredita piamente que o estado ainda fábrica dinheiro.

Presidente da república: não serve para nada. Representa uma dívida enorme ao país, mesmo depois de regressar à vida civil, os custos dos ex-presidentes estendem-se até à sua morte.

Empresas: falta de visão, de estratégia, de coragem para se internacionalizar, de repensar todo o negócio e até mudar de ramo se necessário. Chefias ligadas à produção, receiam por vezes a valorização dos seus melhores colaboradores, preferem valorizar quem menos merece que seja amigo ou amigo do amigo.

Sindicatos: pretendem conseguir defender os trabalhadores, sem preocupação pelo futuro da empresa, o que constitui um paradoxo.
 
Boa noite

Pois é...em 2003 ou coisa parecida;), já uma senhora queria fazer reformas profundas mas não a deixaram. Muita pressão, inclusivé dentro do próprio partido, não a deixaram fazer o que pretendia. Apenas cerca de 10 anos mais tarde é que um governo faz o que ela entendia.
A diferença é que neste momento é reformada pelo estado, e não são apenas os trabalhadores do estado a sofrer quase em exclusivo na pele a austeridade pretendida.
Pois é...Drª Ferreira Leite, agora que está do outro lado vê com maus olhos a coisa. O necessário nem sempre é o desejado...
Serve isto para dar o meu Altíssimo e Abrangente:rolleyes: ponto de visão sobre a questão, apenas isso.
.......

Bem, passando agora a outro tema.
Esta notícia passou um bocado despercebida, saiu já em 29 de agosto no dinheirovivo.pt. Podem ler AQUI a notícia.
Médio prazo. Governo PS contraiu créditos de emergência no valor de 2,6 mil milhões de euros. Gaspar ainda tem de pagar 1,4 mil milhões
Gaspar paga metade da dívida ‘secreta’ de Teixeira dos Santos

Teixeira dos Santos
D.R.
29/08/2012 | 13:01 | Dinheiro Vivo
Dos quase 2,6 mil milhões de euros em empréstimos ‘secretos’ que o anterior Governo contraiu, o atual Executivo já pagou cerca de metade (44%).
De acordo com o IGCP, a maior amortização de todas ocorreu em julho deste ano, mês em que venceu um cupão no valor de 933 milhões de euros. Tudo somado, faltam saldar cerca de 1461 milhões de euros (56%) neste tipo de empréstimos.
É preciso recuar a novembro de 2010 para perceber a pressão a que a República ficou submetida, com as taxas de juro cobradas nos mercados normais a subirem de forma descontrolada.
Nesse mês, o Tesouro decidiu inaugurar a modalidade das MTN (“medium term notes” ou notas de médio prazo, que costumam vencer ao fim de dois anos, no mínimo) nos meses de aflição que antecederam o pedido para aderir ao programa de ajustamento e um envelope financeiro do FMI e da UE de emergência.
Tal como escreveu o DN em fevereiro do ano passado, vivia-se então uma verdadeira corrida contra o tempo. O Governo usava todos os expedientes possíveis e a uma velocidade nunca vista para contrair empréstimos nos mercados internacionais e conseguir chegar ao final do primeiro semestre sem entrar em incumprimento e ter de recorrer a ajuda externa.
Um dos instrumentos privilegiado para aliviar o aperto foi a emissão sigilosa de dívida, as chamadas colocações “privadas” junto de investidores estrangeiros, muitos de fora da zona euro.
Pelo alto sigilo do negócio nunca se confirmaram os países de origem, mas fontes do mercado referiram nomes como China, Brasil e alguns países árabes.
O próprio IGCP explica as colocações de MTN, pouco ou nada usadas no passado, “tornam possível alcançar bases de investidores que de outro modo não seria possível”. É um veículo “alternativo” e em que o Estado, que contacta diretamente o investidor, consegue, caso feche negócio, evitar as taxas de juro exorbitantes cobradas no mercado regular.
A primeira emissão do género (50 milhões de euros) aconteceu em novembro de 2010 e o primeira grande empréstimo (1300 milhões) foi acordado no mês seguinte. Em janeiro de 2011, faltavam três meses para o país capitular, nova operação (1142 milhões. E mais em fevereiro e abril (50 milhões de euros cada). Depois parou. Em abril Portugal “aderiu ao resgate” e desde então que este instrumento não é usado.
Os primeiros pagamentos surgiram logo em 2011, caindo no colo de Vítor Gaspar: 99 milhões em julho, mais 50 milhões em outubro.
Não há informação sobre quando cairão as próximas faturas.

Será esta uma das razões para o 1º ministro Passos Coelho ter dito que a situação que encontrou era pior do esperava? Se era isto, podia e deveria ter explicado melhor para todos percebermos a real necessidade da austeridade. A grande contestação resultou, em parte, pela ignorância do povo. Urge ter um povo melhor informado.:hehe:
Contas e mais contas a surgir, para além das badaladas PPP´s, complicam e de que maneira a governação.
Cabe então aos oposicionistas do regime apresentar soluções para o problema.
- Ahhhh?! Soluções? Hummmmm, deixa cá ver se arranjo uma assim fácil de perceber e que o povinho goste. Hummmm, talvez se deixar tudo como estava há 1 ano e 3 meses...Sim, é isso!
 
Penso que no curto prazo parte da solução para os nossos problemas passa por investimento estrangeiro, como diz Medina Carreira. A redução da TSU torna o país mais atractivo, bem como as alterações feitas pelo Ministro Álvaro dos Santos Pereira à lei do trabalho. É claro que os frutos destas mudanças só serão visíveis dentro de 2 a 3 anos! Neste momento competimos com a Europa de Leste por investimento, portanto...
 
Frederico, concordo em absoluto com isso.
Mas temos neste momento um contra: a instabilidade social pode desaconselhar os investidores.

Penso que para acalmar os ânimos é necessário que o governo explique muito bem tudo o que envolve estas alterações, bem como a austeridade em si, o que é e para que serve.
Há muita confusão instalada, muitas sumidades (por vezes com o seu quê de desonestidade intelectual) vão intoxicando a opinião pública em vez de a melhor informar.

E por último: o governo tem de dar o verdadeiro exemplo que o povo precisa - fazer cortes significativos nos salários dos políticos e nas mordomias que os sustentam.
A bem da paz social que deveríamos ter. Não do silêncio do povo, mas para que o povo tenha uma participação na saída da crise. É que sem o povo ao seu lado, nem o maior general sai vitorioso de uma pequena batalha - quanto mais de uma grande batalha como a que temos pela frente.

P.S.: Aqui também se pode discutir meteorologia!
O clima económico está a arrefecer mas os ânimos estão a aquecer. É o verão no seu fim, e o outono a começar. ;)
 
A troika recomendou cortes nos suplementos e convergência dos rendimentos reais de certas profissões com os salários base. Por exemplo, os juízes recebem um subsídio de arrendamento que poderá ser reduzido ou terminar. Serão também afectados médicos ou diplomatas. Esperem portanto mais gritaria :eek:

Os pobres já o são assim há muito tempo. Não sabem o que são férias, idas ao restaurante, empréstimos para casa e carro. Vivem com o salário mínimo ou pouco mais.

Mas agora vai-se tocar em quem realmente vive acima das suas possibilidades, a classe média criada pelo Estado!

Em Portugal instalou-se uma mentalidade de enriquecer, directamente ou indirectamente, à custa do Estado! Quando deveria ser o contrário, deveríamos ter gente a querer enriquecer com projectos empresariais individuais, por sua conta e risco!

Pois é, acabaram as casas e os apartamentos de férias no Algarve, os fins-de-semana em herdades alentejanas, as semanas no Nordeste brasileiro, acabou o carro aos 18 anos, a empregada doméstica, os festivais de música, as roupas de marca...
 
E por último: o governo tem de dar o verdadeiro exemplo que o povo precisa - fazer cortes significativos nos salários dos políticos e nas mordomias que os sustentam.

Last but definitely not least
Acho que o povo está todo à espera desse exemplo. A ocorrer tais cortes, penso que o povo aceitaria melhor as dificuldades que vai ter que passar e as drásticas soluções. O problema é que eles estão lá a governar-se e o povo que se lixe, como já é costume.
 
Pois é CptRena, o exemplo por vezes faz mais do carradas de entrevistas ou explicações nos media;)

No 31 da armada brincam seriamente com a "proposta":huh: do Sr. Seguro. Seriedade?! Hum........
A entrevista é real:
é fazer as contas

RTP: - Propos um imposto sobre as PPP. Quanto é que esse imposto iria render aos cofres do Estado?
AJS: - Neste momento, os técnicos que trabalham comigo estão a ultimar essa proposta no sentido de ela ser apresentada no debate na especialidade do Orçamento.

- Ainda não fez as contas.
- Não é o problema de não fazer as contas... é um problema de garantir que a medida que vai ser aplicada... é uma... medida... que... pode ser aplicada... naturalmente isso reduz os sacrifícios dos portugueses...

- Mas quando se coloca a questão de fazer as contas é saber o impacto que essa medida teria..
- Mas a medida vai ter impacto... isto é... vai gerar...

- Quanto?
- Vai gerar... O orçamento na especialidade vai ser discutido em Outubro.

- Mas como era uma medida simbólica apresentada pelo António José Seguro pensei que já tinha feito as contas.
- Vai ser apresentado... em Outubro... essa proposta...

As ideias deste senhor e de muitos que cospem cobras e lagartos, dão para editar um livro - será um candidato ao célebre "Pulitzer" das finanças
Programa.jpg
 
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=578915

Sempre defendi a permanência de Portugal no Euro. Mesmo que à custa de sacrifícios para ultrapassar os erros de política económica dos últimos 15 anos

Mas na semana passada percebi que não temos mentalidade para lá estar. E que, por isso, o melhor é sair. Assim poderemos voltar a crescer desvalorizando o “novo Escudo” em pelo menos 40% face ao Euro. Isso provocará um disparo da inflação? Sim, mas é a única forma de provocar perdas salariais (reais) de 15 ou 20% para ajustar a economia. Teremos crescimento? Sim, mas à custa de baixos salários (até voltaremos a ter empresas de mão-de-obra barata). Mas nós merecemos!

Estar no Euro implica não gastar mais do que se tem e apostar na produtividade. No primeiro caso para evitar que o Estado se endivide para além do sustentável. No segundo porque só o aumento da produtividade garante aumentos contínuos de salários. O problema é que o país não está preparado para isso. Nem quer aprender. Veja-se quanta gente, nos três partidos do Poder, continua a pedir mais tempo para cumprir o défice. Esquecendo que mais tempo significa mais dívida. E veja-se quanta gente defende aumentos salariais sem crescimentos de produtividade, que só geram défices comerciais brutais e desemprego elevado.

Portugal não tem nem políticos nem cidadãos preparados para estar no Euro. É melhor assumir isso e negociar uma saída ordenada. Daqui a dez anos estaremos arrependidos? Sem dúvida. Mas pode ser que, entretanto, tenhamos dado uma vassourada na miserável classe política que levou o país à falência três vezes em 34 anos. E pode ser que até lá os cidadãos percebam que as desvalorizações da moeda são o caminho mais curto para empobrecer um país.
 
Os efeitos na economia portuguesa caso se dê a saida do euro são imprevisíveis. Se por um lado este cenário favorece as exportações, devido à provável desvalorização do escudo a taxa de inflação dispara brutalmente.

Com isto, as taxas de juro deixarão de acompanhar a euribor, talvez volte a Lisbor, acompanhão a inflação, o que limitará desta forma o acesso ao crédito por parte das empresas, desinvestindo estas em tecnologia, em conhecimento, no fundo, perderão competitividade numa escala europeia ou mundial.

Talvez passaremos a ter as tais industrias de mão de obra barata, com uma dependencia maior das crises ciclicas mundiais.

As poupanças desvalorização uns 20, 30% tal como a moeda, se bem que daqui não virá o pior, pois com o aumento dos juros compensarão algumas das perdas. Ao contrário quem não as tem que verá perder o seu poder de compra substâncialmente, pois perderá esta percentagem em salário sem qualquer outra compensação.

O aumento de produtos importados sofrerão um grande revés, principalmente tecnologia, voltaremos ao tempo que para comprar uma tv seria preciso suar bastante. Todas as industrias dos setores de consumo estrangeiro também serão penalizadas.

O estado tem vários mecanismos de gerir o valor cambial, este, poderá sempre usar uma taxa de câmbio fixo em vez de deixar a moeda ao livre arbitrio do mercado, no entanto não deixará portanto de ser um valor virtual.

A divida do País aumentará com o desvalorizar da moeda, poderá ser necessário uma intervenção do FMI para honrar compromissos, já vi um economista dizer que andará nos 50 mil milhões de euros, porque as empresas também ficarão mais individadas.

A fuga de cerebros será uma realidade, ficará cá a mão de obra não qualificada, as estradas e infa-estruturas envelhecerão e as cidades voltarão a ser parecidas com o que eram nos anos 80. Parece um cenário, propicio à nostalgia salazarista.

Mas pode haver pontos positivos, neste cenário, pode ser que os Portugueses abram os olhos, os politicos deixem de pensar apenas no próprio umbigo, as pessoas reforcem a sociedade civil e quiçá, sairemos disto tudo mais fortes e mais unidos.

Era bom ter uma bola de cristal.....
 
Mas como vai aumentar as exportações? O mal vem do passado, vem do PREC e das nacionalizações, e do abandono da agricultura, das pescas e das indústrias tradicionais na década de 90. Nos arredores do Porto abundam as fábricas abandonadas, em ruínas, tudo o que fechou nas décadas de 70, 80 e 90. Vastas zonas outrora agrícolas estão agora ao abandono, um bom exemplo é o Algarve. A frota pesqueira sofreu uma redução brutal e há cotas pesqueiras por alcançar.

Como vamos viver fora do euro durante os primeiros anos? Quem nos emprestará dinheiro para revitalizar o sector produtivo destruído nas últimas décadas?
 
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