O Estado do País

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Se já tínhamos os médicos a fazerem contas na hora da prescrição, por ser necessário ajustar a terapeutica à condição económica do paciente...

Passaremos também a ter os idosos, doentes crónicos e população rural em geral a fazer contas ao transporte não urgente que passa a estar sujeito a prova de carência económica e declaração de necessidade absoluta passada pelo médico. Já os estamos a ver a pedir ao senhor doutor para fazer a cruzinha no quadrado em que disser: Sou pobre e não posso pagar o transporte para ir à consulta no hospital...

Tudo isto faz parte do desmantelamento da Segurança Social e isto sim envergonha a esquerda.

Toda a narrativa é fácil de identificar:

- Não combater os abusos de modo a que o sistema se torne ingovernável...
- Aplicar medidas de gestão erradas, descredibilizando, tornando a posição central do Estado inútil...
- Abandonar o sistema por não ser eficaz nem punir nem gerir melhor, deixando cada um à sua sorte com acesso a um serviço mínimo. Um exemplo serão os futuros cheques saúde escolhendo entre o público (cada vez mais vazio) e o privado (cheio de falsas virtudes de eficiência e cada vez mais caro)...
 
Nem mais...disseste tudo em poucas palavras.;)


É triste verificar o óbvio: a coberto do nome "socialismo" este governo não só toma medidas chamadas de "direita", como consegue ir muito mais além do que os partidos da "direita" queriam ir...destroem o sistema de saúde sob o falso pretexto de quererem manter o chamado "estado social".
Uma política chamada de direita diz que quem pode e quem quer deve ter o direito de optar pela entidade que lhe presta o melhor serviço de saúde. Para os restantes que ou não podem ou não querem o estado deve garantir serviços privados ou públicos de qualidade, baseados numa lógica de mercado de que deve-se procurar rentabilizar o dinheiro que há disponível para isso.

Infelizmente tem havido erros de concepção, a que não estão alheios a totalidade dos partidos, no que deve ser a participação do estado como garante destes serviços, seja na qualidade de mero prestador, seja na qualidade de regulador.

E meus amigos: conhecendo o serviço público e o privado como conheço há virtudes dos dois lados...mas garanto-vos que neste momento devíamos olhar para os dois sectores com atenção e ver as falhas enormes que cada um deles tem (e são muitas!).:confused:
 
Neste momento temos um partido socialista no Governo que aumenta impostos e erode o SNS e a «Escola Pública», ou que não investe em «serviços públicos» como os comboios regionais, com o fim último de manter a corte e a nobreza do Regime, composta por aqueles que ocupam uma infindável lista de cargos públicos desnecessários, ou pelas empresas que gravitam em torno do Estado. Há que manter os governadores civis, as empresas municipais ou o sector das obras públicas.
 
Aqui no sotavento algarvio a emigração está a voltar em força, não há emprego e muita gente está a partir para os EUA, Canadá, Alemanha ou Angola, essencialmente para trabalhar no sector da construção civil.

Os grandes projectos urbanísticos que incluíam campos de golfe e áreas residenciais estão a revelar-se uma desilusão, o número de empregos que oferecem contam-se pelos dedos, têm falta de clientes e segunda consta, alguns estão a ultrapassar sérias dificuldades financeiras por não conseguirem vender as habitações de luxo. Conheço um caso de um PIN onde foram construídas perto de 200 moradias e só três foram vendidas nos últimos anos.

Ao contrário do que sucedia nos anos oitenta, a agricultura ou a indústria já não existem, tudo se resume a uma ou outra panificadora, alguns pomares de pequena e média dimensão, umas alfarrobeiras antigas e uma ou outra estufa.

Mas desta vez, as famílias estão altamente endividadas, e sei de casos de gente com dificuldades financeiras que partiu para as Caraíbas ou para o Sul de Espanha, com o fim de festejar a passagem de ano -tudo a crédito!

Ainda estou para ver o fim do centro comercial de Tavira e do de Olhão, agora que se fala na abertura de um novo centro comercial entre Faro e Loulé...

Alguns empresários da hotelaria de Monte Gordo e Tavira estão a queixar-se da falta de estrangeiros, e já há quem reclame pelo regresso do escudo dentro do sector...

Em suma, vejo o sotavento mais feio, mas betonizado, mais descaracterizado, mais endividado, e com más perspectivas de futuro.
 
Roma na decadência - Thomas Couture

decadenc.jpg


Sátira de um suicídio romântico - Leonardo Alenza y Nieto

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Em suma, vejo o sotavento mais feio, mas betonizado, mais descaracterizado, mais endividado, e com más perspectivas de futuro.

É com imensa pena que assim é não fosse um dos meus destinos de férias de Verão pelo menos até há 3 anos. Não só por lá, mas sendo uma das principais regiões do país com maior índice de criação de elefantes brancos, realmente não é de estranhar e seria inevitável o resultado. Destaco no entanto que ao longo de vários anos durante as férias, sobretudo nos mais recentes, notei um decréscimo muito acentuado de veraneantes ainda em idade jovem; portugueses e estrangeiros na sua maioria aparentando a meia idade não faltavam por onde quer que fosse! :rolleyes:
 
Aqui no sotavento algarvio a emigração está a voltar em força, não há emprego e muita gente está a partir para os EUA, Canadá, Alemanha ou Angola, essencialmente para trabalhar no sector da construção civil.

Os grandes projectos urbanísticos que incluíam campos de golfe e áreas residenciais estão a revelar-se uma desilusão, o número de empregos que oferecem contam-se pelos dedos, têm falta de clientes e segunda consta, alguns estão a ultrapassar sérias dificuldades financeiras por não conseguirem vender as habitações de luxo. Conheço um caso de um PIN onde foram construídas perto de 200 moradias e só três foram vendidas nos últimos anos.

Ao contrário do que sucedia nos anos oitenta, a agricultura ou a indústria já não existem, tudo se resume a uma ou outra panificadora, alguns pomares de pequena e média dimensão, umas alfarrobeiras antigas e uma ou outra estufa.

Mas desta vez, as famílias estão altamente endividadas, e sei de casos de gente com dificuldades financeiras que partiu para as Caraíbas ou para o Sul de Espanha, com o fim de festejar a passagem de ano -tudo a crédito!

Ainda estou para ver o fim do centro comercial de Tavira e do de Olhão, agora que se fala na abertura de um novo centro comercial entre Faro e Loulé...

Alguns empresários da hotelaria de Monte Gordo e Tavira estão a queixar-se da falta de estrangeiros, e já há quem reclame pelo regresso do escudo dentro do sector...

Em suma, vejo o sotavento mais feio, mas betonizado, mais descaracterizado, mais endividado, e com más perspectivas de futuro.

Curioso, é o novo hotel de 5 estrelas em Olhão ter estado fechado durante um mês, é o reflexo da crise, já houve despedimentos, Olhão nunca será uma cidade de 5 estrelas para o turismo, onde está o investimento da CMO para atrair turistas neste final de ano. Portimão e Albufeira isso sim, são apostas ganhas quantos milhares de pessoas estarão em Portimão para assistir ao concerto de Tony Carreira e em Albufeira na Praia dos Pescadores.

Se Olhão é uma cidade 5 estrelas como afirma o presidente da CMO, se não fosse o hotel a brindar-nos 2011 com fogo de artíficio, que tristeza era este início do ano para as gentes olhanenses. Há que apostar forte, no turismo em Olhão, senão ainda vou ver o hotel Real Marina a fechar as portas definitivamente em Olhão.

Um grande 2011 a todos.:thumbsup:
 
Roma na decadência - Thomas Couture
decadenc.jpg

Este é o retrato mais fiel da sociedade ocidental daqui a uns anos; se não houver uma mudança séria na mentalidade e na moral dos povos do ocidente, não seremos diferentes do que o foram os romanos.

Os romanos tiveram na sua época riqueza, conhecimento, cultura...mas um povo sem uma moral sólida, sem respeito pelos demais, é um povo que se agarra ao imediato, ao prazer puro, à adoração de ídolos e estereótipos sem um fundamento sólido.
Os romanos enquanto geração acabaram? Sim...mas também outras culturas se perderam pelo mesmo motivo. Muitas afinal tiveram o mesmo destino: os gregos, os cartagineses, os egípcios, etc.. De bom apenas nos deixaram escritos a comprovar a grandiosidade que tiveram a seu tempo. E que nos mostram que já nesses tempos uns e outros alertavam para o fim das civilizações devido aos excessos cometidos. Tal como hoje...:(
 
Curioso, é o novo hotel de 5 estrelas em Olhão ter estado fechado durante um mês, é o reflexo da crise, já houve despedimentos, Olhão nunca será uma cidade de 5 estrelas para o turismo, onde está o investimento da CMO para atrair turistas neste final de ano. Portimão e Albufeira isso sim, são apostas ganhas quantos milhares de pessoas estarão em Portimão para assistir ao concerto de Tony Carreira e em Albufeira na Praia dos Pescadores.

Se Olhão é uma cidade 5 estrelas como afirma o presidente da CMO, se não fosse o hotel a brindar-nos 2011 com fogo de artíficio, que tristeza era este início do ano para as gentes olhanenses. Há que apostar forte, no turismo em Olhão, senão ainda vou ver o hotel Real Marina a fechar as portas definitivamente em Olhão.

Um grande 2011 a todos.:thumbsup:

Olhão é um caso que deveria ser bem estudado pelas gerações futuras, impressionante como uma das vilas mais belas de Portugal, com os seus chalés e moradias típicas, a famosa vila cubista, um conjunto arquitectónico único em todo o país, foi destruído por décadas de incúria. Eu nunca gastaria dinheiro para ficar num hotel 5 estrelas em Olhão, não depois da destruição vergonhosa dos seus edifícios. Neste momento a cidade tem para oferecer mamarrachos, marquises, fábricas em ruínas, portas de alumínio...
 
Olhão é um caso que deveria ser bem estudado pelas gerações futuras, impressionante como uma das vilas mais belas de Portugal, com os seus chalés e moradias típicas, a famosa vila cubista, um conjunto arquitectónico único em todo o país, foi destruído por décadas de incúria. Eu nunca gastaria dinheiro para ficar num hotel 5 estrelas em Olhão, não depois da destruição vergonhosa dos seus edifícios. Neste momento a cidade tem para oferecer mamarrachos, marquises, fábricas em ruínas, portas de alumínio...

E o problema da linha do comboio....

Olhão é o lugar mais densamente povoado do Algarve. Não houve décadas de incúria. O tecido industrial foi reduzido à expressão mínima e a direcção económica orientou o negócio para o imobiliário de retorno rápido. Os novos bairros de Olhão eram os mais baratos da região embora também se soubesse da fraca qualidade dos materiais. A vila cubista é um museu mas não acomoda 30 mil pessoas. Mesmo assim o 5 estrelas é um bom projecto. Estamos agora numa outra fase de escolha das actividades produtivas mais democrática e mais participativa porque para o bem e para o mal, o dinheiro escasseia.
 
...Infelizmente em Portugal a maioria das pessoas ainda pensa que as boas gestões públicas são aquelas que dão circo ao povo. Aplaudem as festas e não se dão ao trabalho de olhar para as dívidas. Estes próximos anos vão ser muito dolorosos para quem tem estado habituado à festa permanente suportada em endividamento. Com o fim do dinheiro fácil é que se vai finalmente perceber quem são as cigarras e quem são as formigas, quais são os municípios geridos de forma sustentável e os que não são. Vai haver muitas surpresas. No empobrecimento geral que vamos assistir nos próximos anos vai haver regiões onde isso se vai notar de forma mais profunda, e na minha opinião pessoal, será em regiões como o Algarve ou a Madeira que a mudança será mais dolorosa. Outras regiões esquecidas que nunca se habituaram a esta falsa prosperidade assente em endividamento serão as que mais rapidamente se vão adaptar à crise e a sair da mesma.


Concordo totalmente com esta análise. Infelizmente...
 
Desde há muito que tenho também essa noção de estado de coisas!

O que poderia ser melhor para este país senão uma purga, recauchutagem para que ele ande pelas próprias rodas? Se Portugal precisa de um bom teste à sua capacidade para evoluir disciplinadamente com conta e medida, poderá ser este o derradeiro teste.
Acredito que o tal Sr. Oliveira afirmou isso num tom irónico, mas a bem da verdade não me parece que esteja errado... :rolleyes:
 
Concordo com este ponto de vista...;)

Para mim a purga final é a política. Só quando essa for executada de vez é que poderemos aspirar a ser finalmente uma nação de progresso, igualdade, fraternidade, etc., etc....

Quando a classe política deixar de se entreter e entreter o povo, o país irá entrar nos eixos. Quando a gestão passar a ser dirigida às pessoas e não ao clientelismo e\ou auto-promoção teremos certamente um futuro risonho pela frente.

Gosto de Portugal, gosto do meu cantinho. Mas há tanto para mudar que se não for feito já, temo que muita gente de valor se irá embora desgostosa com a pátria amada.:unsure:

P.S.: Razão tinha aquela senhora apelidada de "salazarenta", de seu nome Manuela Ferreira Leite no pós-Guterrismo...queria ela fazer sofrer o país e os Portugueses logo naquela altura para evitar males maiores. Muita e muita gente se levantou em protesto (dentro e fora do partido) e não a deixaram acabar o que pretendia...foi o adiar de dias ainda piores!
Razão tinha também um certo senhor de seu nome Durão Barroso que um dia disse "-Deixaram o país de tanga!"...Muitos e muitos se riram, mas a verdade veio ao de cima.:(
 
2011 começou com uma fuga dos consumidores da metade oriental do sotavento algarvio para Ayamonte e Huelva. Combustíveis, electrodomésticos, mobiliário, material informático, roupas, calçado e alguns alimentos a preços bem mais baixos estão a motivar a fuga de dinheiro lusitano para terras andaluzas. Só no gasóleo a diferença pode ser superior a 20 cêntimos por litro.
 
2011 começou com uma fuga dos consumidores da metade oriental do sotavento algarvio para Ayamonte e Huelva. Combustíveis, electrodomésticos, mobiliário, material informático, roupas, calçado e alguns alimentos a preços bem mais baixos estão a motivar a fuga de dinheiro lusitano para terras andaluzas. Só no gasóleo a diferença pode ser superior a 20 cêntimos por litro.

Não levem a mal o que vou dizer, pois é em tom ironico e destina-se exclusivamente a criticar o nosso querido estado:

O que o estado tem a fazer para evitar a fuga do consumo interno para terras de espanha, é por já em prática, quanto antes, as portagens automáticas e aumentar o preço/km o bastante para evitar as fugas para espanha! Ok, vila real de santo antonio e arredores safam-se sempre, mas o resto (2/3 oeste do algarve) não se escapa aos tentaculos do nosso querido estado!

Como diria um amigo meu: "Num país onde uma revolução se fez com cravos, o que é que estavam à espera?!" lol :)
 
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