O Estado do País

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Dado o actual diagrama de consumo, a nuclear agora não faz qualquer sentido. Talvez daqui a uns anos, quando houver uma industria de automóveis eléctricos cimentada. Mas ainda assim, para nuclear é preciso (além de todos os mecanismos de protecção e cuidados radioactivos), dinheiro e água.

A aliança eólica/hídrica, é para já a melhor aposta. Além de renovável é armazenável. E apesar de não ter os custos do carvão (energia mais barata), dadas as nossas características climáticas e a potência já instalada, facilmente poderemos vender parcelas de energia renovável a quem não tem (por exemplo o Luxemburgo), e ainda ganhar bónus da UE por conseguirmos superar as metas. Agora é esperar que esse dinheiro que entra não seja gasto em prémios chorudos...

Mas sem dúvida que medidas de eficiência energética são fundamentais no nosso país.
 
Sou tendencialmente favorável ao nuclear no nosso país. Senão vejamos...

O petróleo continuará gradualmente a ficar mais caro, pois com o crescimento económico da Índia, da China ou do Brasil as necessidades energéticas serão cada vez maiores: maior procura, preços mais elevados. Por outro lado, visto ser um recurso não renovável, e insubstituível nalguns sectores, a diminuição das reservas também levará a um aumento dos preços.

Na França ou em Itália, tanto quanto sei, está-se a apostar na construção de centrais nucleares de última geração, mais seguras, eficientes e «limpas». A Espanha tem várias centrais nucleares: temos os riscos, mas não temos os benefícios. Grande parte da Europa tem nuclear.

Com a escalada do petróleo, e uma possível popularização dos carros eléctricos, cuidam que as ventoinhas produzirão electricidade suficiente para o país?

Há que não esquecer que a energia eólica tem impactos muito negativos na fauna e na paisagem, tal como as barragens. Pesando os impactos negativos de dezenas de barragens e parques eólicos, e de uma ou duas centrais nucleares... «não sei não»...

Quanto à localização, teria de ficar numa zona pouco sísmica e com água. Penso, por exemplo, no vale do Mondego.

A central, para além disso, daria muito emprego e uma dinâmica à área da Física e da Química, que no nosso país está vergonhosamente abandonada, pois temos preferido a área Biomédica ou as Tecnologias de Comunicação.
 
Bem, lá fora os anúncios de uma possível falência de Portugal não param. Parece que não é só a Grécia que corre risco de default...

No entanto, várias autarquias continuam a atirar dinheiro para a rua, o Governo continua a insistir em grandes obras públicas, não se tomam medidas sérias para reduzir a despesa do Estado... a orquestra toca e o Titanic afunda...

O pior é que os portugueses, e não só o Estado, estão dispostos a mudar... e assim, a maioria inconsciente levar-nos-á a todos para o abismo...
 
Produção em regime especial. (Eólica, Térmica (cogeração), Hidráulica e Fotovoltaica). Ou seja, são aquelas que sempre que disponíveis têm prioridade para entrar na rede.

No total, sabes a percentagem aproximada de energia proveniente de combustível fóssil (gás natural, carvão e petróleo)?
 
A central, para além disso, daria muito emprego e uma dinâmica à área da Física e da Química, que no nosso país está vergonhosamente abandonada, pois temos preferido a área Biomédica ou as Tecnologias de Comunicação.

Tens a certeza?

Ou seria mais uma ajuda às empresas francesas, líderes no mercado energia nuclear?

No total, sabes a percentagem aproximada de energia proveniente de combustível fóssil (gás natural, carvão e petróleo)?

Nos primeiros 3 meses do ano, a energia proveniente de combustível fóssil nas PRE's foi de cerca de 25%, mas em 2008 foi muito superior.
 
Se por outro lado houvesse uma redução considerável da dependência do petróleo e dos gás natural...

Claro que este ano estamos a ter um ano excepcional ao nível de renováveis.
Água e vento não tem faltado. O mesmo já não aconteceu em anos anteriores.

Mas o problema do nuclear na rede, não tem tanto a ver com a percentagem em si, mas com a quantidade. São 2000MW (ou mais), sempre a entrar na rede.
E temos de contar que à noite, há menos consumo de energia.

No futuro, se pensarmos que vamos ter baterias dos automóveis a carregar à noite, permitindo uma homogeneidade do diagrama de consumo, o nuclear fará talvez mais sentido. Mas agora, não creio que seja opção.
 
Claro que este ano estamos a ter um ano excepcional ao nível de renováveis.
Água e vento não tem faltado. O mesmo já não aconteceu em anos anteriores.

Mas o problema do nuclear na rede, não tem tanto a ver com a percentagem em si, mas com a quantidade. São 2000MW (ou mais), sempre a entrar na rede.
E temos de contar que à noite, há menos consumo de energia.

No futuro, se pensarmos que vamos ter baterias dos automóveis a carregar à noite, permitindo uma homogeneidade do diagrama de consumo, o nuclear fará talvez mais sentido. Mas agora, não creio que seja opção.

Hum... e quanto à possibilidade de exportar energia?

EDIT: de qualquer modo, é algo que deveria começar já a ser pensado... pois projectar e construir uma nuclear demora muito tempo...
 
Hum... e quanto à possibilidade de exportar energia?

Até há muito pouco tempo, Portugal importava energia proveniente dos excedentes nucleares franceses a um preço irrisório. Como a produção de energia nuclear francesa, à noite, era superior ao consumo, França era obrigada a praticamente dar essa energia.

Com as renováveis o panorama tem-se vindo a modificar.
Por exemplo, nos últimos 3 meses, Portugal, que até então sempre importou energia, acabou por exportar, dada a elevada produção eólica e hídrica.
O problema é que os actuais contractos (penso que ainda se mantêm), não são benéficos a quem exporta energia. Ou seja, paga-se mais para produzir do que aquilo que se recebe por exportar, porque normalmente quem exporta é porque tem pontualmente em excesso e se quer ver livre dela.
Mas se os contractos fossem dinâmicos, este ano, até tínhamos lucrado bastante. Com uma produção eléctrica nacional excedente, e com a Europa "sendenta de energia" neste inverno frio, teria sido muito bom para nós. São coisas que estão em processo de mudança, ou deveriam estar... penso eu...

Com a chegada do verão, a componente hídrica é cada vez menor, o índice de produtividade eólica também diminui, e devemos voltar a importar energia.
Acontece que acaba também o frio na Europa, diminui o consumo de energia, e voltam os excedentes nucleares que têm de ser vendidos, ainda que a um preço menor do que aquele que custa a produzir.
 
Em complemento ao que o André referiu, ficam aqui os valor previstos da energia, em média para o dia 22/04/2010.

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Fonte: http://www.esios.ree.es/web-publica/
 
Há dias vi um gráfico dos défices dos países europeus. A Noruega vai com um excelente superavit (consta que os noruegueses são uns forretas), e até costuma encabeçar a lista de países mais desenvolvidos do mundo. Ao contrário de outros países com petróleo, a Noruega não gasta os seus rendimentos em megalomanias, mas poupa, para que um dia quando o petróleo acabar as futuras gerações possam ainda usufruir dos seus lucros.

Depois, com algum défice, mas muito reduzido, temos países como a Suécia ou a Dinamarca. Li recentemente que nos início dos anos 90, perante um quadro de impostos elevados e ausência de sustentabilidade a longo prazo das suas contas públicas, houve despedimentos da função pública, redução da carga fiscal, bem como outros reformas que tornaram a Suécia naquilo que conhecemos. Receita idêntica foi seguida pelo Canadá no início dos anos 90, com despedimentos da função pública.

As grandes questões da sustentabilidade do nosso modelo continuam a ser adiadas, e não há ninguém que ponha o dedo da ferida. O Estado português está obeso, controla demasiado o mercado, a justiça não funciona, a educação é facilitista e o compadrio e a corrupção criam graves desigualdades.

E para resolver tamanhos problemas, nenhum partido político defende as medidas que deveriam ser aplicadas. Não se trata propriamente de copiar aquilo que já tenha sido feito noutras latitudes, mas sim adaptar à nossa realidade social, cultural e económica.

Para já, atendamos a alguns números: mais de 700 mil funcionários públicos, 400 000 dependentes do RSI (uma parte substancial são crianças e adolescentes), 10% de desemprego. No 25 de Abril de 1974, havia menos de 200 00 funcionários públicos.

Despedir funcionários do Estado é incontornável. Tal reforma passaria, desde já, pela redução para metade do número de freguesias, e pela fusão de alguns concelhos, seguida pelo despedimento dos funcionários excedentários. Mas não é só o poder local que tem funcionários a mais. O número de deputados deveria ser reduzido, bem como o número de assessores ou motoristas, várias fundações e institutos extintos.

Depois, haveria que reduzir alguns salários. Os economistas sabem que em Portugal vários profissionais da função pública têm remunerações acima daquilo que seria de esperar dada a produtividade do país. Salários mais elevados, talvez acima de 1500 euros, deveriam ser reduzidos pelo menos em 5%. O mesmo para as reformas. Os restantes salários deveriam ser congelados.

No que há poupança diz respeito, o Estado deveria parar de imediato com a atribuição de dinheiro a milhares de fundações e associações que directamente ou indirectamente dele dependem. Os sócios e os fundadores que as paguem.

Falemos agora de corrupção, tráficos de influências, cunhas e afins. A mim não me escandaliza; assisti a vários actos corruptos ao longo da minha curta existência. Dizia Sade que a libertinagem escandaliza mais aos libertinos. A corrupção escandaliza muito os portugueses porque estes são corruptos. Neste campo, só com medidas muito duras poderíamos atenuar está prática que está bem inscrita no genoma da nossa sociedade.

Para já, deveríamos ter uma lei de solos, onde fosse inscrita a cobrança das mais valias imobiliárias. Outros países já o fazem. Por outro lado, teria de haver muita vigilância, para que nas vendas de terrenos não houvesse «envelopes por baixo da mesa», como veículo para fugir à cobrança das mais valias. Assim, a especulação imobiliária sobre terrenos ficaria atenuada. Outra medida seria o fim imediato da aprovação dos PIN.

No acesso a cargos públicos, a escolha dos nomes deveria apenas atender a dados objectivos como o currículo profissional. As nomeações políticas e a escolha com base em entrevista deveriam ter um ponto final.

Quanto à intervenção do Estado no mercado, esta nunca terminará enquanto a CGD for pública. Por exemplo, quase metade da EDP é detida pelo Estado através da Parpública e da CGD. A privatização da CGD deveria ser seriamente pensada. Infelizmente, não interessa a muito boa gente.

No sector da educação, o ensino para prosseguimento de estudos deveria ser separado do ensino profissional, a partir do 10.º ano. Os alunos deveriam ser submetidos a exames no 4.º ano, no 6.º ano, no 9.º ano e em todos os três anos do Secundário, a todas as disciplinas. Aos pais deveria ser dada total liberdade de escolha na escola dos filhos. Para além disso, deveria ser atribuído um voucher a alunos carenciados com mérito que optassem pelo ensino privado. Os programas, por sua vez, precisam de uma reforma radical que vise acima de tudo o rigor e a exigência. Os manuais idem.

(continua)
 
À beira da bancarrota, isto é imoral:

« POLÉMICA
Inês de Medeiros vai ter viagens pagas pelo Parlamento
Hoje


O Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, decidiu acolher o parecer favorável do auditor jurídico da AR e a deputada do Partido Socialista, Inês de Medeiros, vai ter direito a uma viagem por semana para Paris.

Inês de Medeiros foi eleita deputada do PS por Lisboa nas últimas eleições legislativas, mas tem residência em Paris e por isso vai passar a ter direito a uma viagem a casa por semana, avança hoje o jornal "Público".
O auditor jurídico da Assembleia da República entendeu, com base no princípio constitucional que faculta aos parlamentares meios para cumprir as suas funções, que as viagens da deputada socialista devem ser pagas pelo Parlamento.
Jaime Gama concordou com o parecer, tendo decidido a favor da deputada uma vez que já residia em Paris quando foi eleita, mas alertou que o caso de Inês de Medeiros é uma “excepção”.
A deputada do PS mora em Paris e tem uma rotina semelhante à dos deputados eleitos pelos círculos da emigração.
Inês de Medeiros ao ter ajuda financeira nas deslocações a casa, tal como os restantes deputados, obriga a uma mudança no regime de ajudas de custo.»

Fonte: Diário de Notícias
 
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