É importante porque a quase totalidade das infrasestruturas de captação, tratamento e distribuição em alta foram feitas com fundos comunitários assim como o saneamento. Isso significa que se a água e o saneamento se transformarem num negócio, privatizando a Águas de Portugal, e se o preço subir acima do custo de manutenção/aprovisionamento/moderação de consumos, isso implica a devolução de todo o dinheiro comunitário aplicado nos diversos programas conforme a UE já fez saber. É por isso que apesar da enorme vontade do BES em entrar no negócio ninguém ousa falar na privatização da água.
Aqui a questão da privatização da água e saneamento, coloca-se nos seguintes moldes: falta de recursos financeiros/necessidade de investimentos para aumentar a capacidade produtiva e manutenção/obtenção de ajudas comunitárias. Eu posso falar do assunto porque trabalhei para os SMAS C.Branco e pude assistir ao processo de venda do negócio de exploração em alta da água e saneamento (ETAS e ETAR'S), para a empresa Águas do Centro que pertence ao grupo Águas de Portugal. Com o objectivo de triplicar a capacidade de produção de água, e de implementar o tratamento terciário nas Etares (eliminação de nutrientes do afluente das mesmas), o montante necessário para investir ultrapassava em muito as capacidades da autarquia, pelo que a solução passou por obter as ajudas europeias que têm regras como sabem (o investimento não pode ser 100% da união europeia, tem de haver capital europeu, público e privado)! O capital foi constituído, originando a empresa Águas do centro, da seguinte forma:
- 20% Câmara Municipal de C.Branco (investimento público)
- 40% Águas de Portugal (investimento privado)
- 40% Fundos europeus
Como funciona a empresa águas do centro? A empresa factura aos SMAS de Castelo Branco o que o concelho consome e por sua vez, os SMAS facturam aos munícipes. A autarquia é sócia em 20% da empresa águas do centro, por ter investido com capital nas infraestruturas do concelho. Atenção que a empresa águas do centro explora água e saneamento nos concelhos de c.branco, fundão sul, idanha-a-nova, penamacor, vila velha de rodao, proença-a-nova, sertã, oleiros, pampilhosa da serra, mação, parte do entroncamento e algo mais, portanto não se limita por distritos. Aliás esta é outra das vantagens, que é poder explorar e fornecer serviços entre concelhos diferentes, algo que era uma barreira política entre concelhos diferentes e agora é apenas uma questão de mercado!
Apesar da câmara municipal de castelo branco ter investido em 20% na constituição da empresa águas do centro, não se ficou por aqui, pois vendeu o negócio da exploração em alta de água e saneamento do concelho o que lhe valeu recolher cerca de 21 milhões de euros pagos em tranches por 7 anos, salvo erro. Por um lado, tem a desvantagem de deixar de ter uma fonte de rendimentos por parte dos serviços municipalizados, embora estes possam continuar a facturar o que quiserem, assegurando uma certa margem de lucro de revenda (se quiserem), por outro lado, tem a vantagem de obter dinheiro fresco, necessário para que fosse possível o desenvolvimento do concelho, continuando a autarquia com uma boa saúde financeira (pagamentos a max 5 dias a fornecedores) e sem quaisquer buracos ou dívidas a crédito. Sem esta privatização de serviços, castelo branco não seria o que é hoje, saudosismos à parte, pois me custou muito ver o negócio passar para privados, foi na realidade um óptimo negócio! O problema é quando esta rica quantia de dinheiro se acabar.. Paciência, tínhamos de nos desenvolver e atrair outros investimentos! Enfim, tudo tem prós e contras..