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Monte Gordo: Protestos contra parques pagos

Estacionamento pago na praia


Pagar um euro aos fins-de-semana para estacionar uma hora nos parques camarários, junto à praia de Monte Gordo, está a causar polémica entre moradores e veraneantes. Para agravar a situação, só um parque funciona, depois de utentes se queixarem de choques eléctricos quando retiravam os talões dos parquímetros.

"Numa altura de crise, isto só afugenta os poucos clientes que tínhamos", queixa-se Maria do Rosário, comerciante na zona. "As pessoas, aos fins-de-semana, andam às voltas à procura de um buraco para estacionar e acabam por ir para outra praia", explica.

"Na semana passada, apanhei um esticão ao retirar o talão, fui protestar, mas só dias depois desactivaram o sistema", conta ainda Maria do Rosário, que classifica o pagamento como uma "nova taxa".

Os choques eléctricos levaram à desactivação do pagamento em dois dos três parques. E isso só causou mais críticas. "Os residentes também estão descontentes" pois "obrigaram-nos a comprar um cartão por 75 € mensais e agora dois parques são grátis", diz Cristina Madeira, dona de uma pastelaria.

Luís Gomes, presidente da Câmara de Vila Real de Santo António, argumenta que foi tido em conta "a existência de parques gratuitos junto ao estádio do Beira-Mar e na Aldeia Nova, com transporte de autocarro até à praia". E "tivemos em conta os deficientes, que nada pagam e situações especiais para comerciantes e residentes", acrescenta, reconhecendo "deficiências técnicas" que impediram a activação, para já, de todos os parques e "algumas falhas" que causaram incómodos, "sem pôr em causa a saúde pública", referiu.

Fonte: Correio da Manhã

Uma verdadeira palhaçada, como outras que existem neste país. E a realidade é mesmo esta, a praia onde costumo frequentar tem muito mais gente este ano, do que os noutros anos. Por isso, viva o município de Castro Marim e abaixo o munícipio de Vila Real de Santo António. Em Monte Gordo os comerciantes já falam em prejuízos e ainda a festa não começou.:lol::lmao: E que tal o presidente da Câmara de VRSA também cobrar uma taxa pelas pessoas que estão com a toalha na praia. Se eu fosse o presidente de VRSA colocava o parque gratuito no Azinhal.:lmao::lmao: E uma coisa que eu notei que estava muitos espanhóis e encontrei um amigo espanhol que me disse que em Espanha não se paga estacionamento na praia e ele disse-me que muitos fugiram das praias de Monte Gordo e Manta Rota para não pagarem estacionamento. Então, não querem uma praia para ricos, deve ser os ricos que vão dar lucro ao comércio local verdadeiramente anedótico como algumas pessoas pensam.
 
E uma coisa que eu notei que estava muitos espanhóis e encontrei um amigo espanhol que me disse que em Espanha não se paga estacionamento na praia e ele disse-me que muitos fugiram das praias de Monte Gordo e Manta Rota para não pagarem estacionamento. Então, não querem uma praia para ricos, deve ser os ricos que vão dar lucro ao comércio local verdadeiramente anedótico como algumas pessoas pensam.

Há 2 anos, última vez que passei uns dias de férias em Monte Gordo depois de ter feito o meu habitual circuito pelo sul de Espanha, é curioso que notei em algumas áreas onde por exemplo se estacionava em cima de passeios e esses mesmos espaços foram repavimentados e com traçado para estacionamento, apesar de não haverem parquímetros pensei logo que em breve eles estariam lá, agora não sei!
Quando estive por Espanha, mesmo em anos anteriores, várias foram as praias que frequentei, excluindo o facto de boa parte dessas ser de areia mais escura, todas apresentavam excelentes condições a vários níveis que Monte Gordo e muitas mais praias se limitariam a sonhar com elas e penso que nem em tempo de "vacas gordas" veriam isso como realidade! Pois para além de em algumas ter por vezes dificuldade em conseguir sítio para estacionar por haver muita gente, jamais tive que pagar o que quer que fosse pelo espaço ocupado.
Há por cá grande défice de inteligência (grande novidade!) pelo facto de ainda não se ter percebido que quem alimenta as receitas de economias como estas baseadas quase exclusivamente no turismo são todos os que por lá passam e ao invés de serem bem recebidos são explorados e desta forma afugentados! Realmente uma péssima medida para obter receitas... :disgust:
 
O comentário do José Oliveira é de 5 estrelas.:thumbsup:

Só para terem uma ideia, a praia que eu frequento virou uma autêntica romaria, até filas no meio, filas em 2ªfila, bilhetes com nº de telemóvel a dizerem se quiser sair ligue-me. Hoje a praia Adão e Eva parecia ser uma praia sobrelotada onde não havia 20 cms de areia livre e há muitos anos que vou à aquela praia nunca vi coisa igual. A maioria do pessoal era de Lisboa basta ver a matrícula e ver o stand onde compraram e muitos espanhóis. Onde havia muita gente a criticar o estacionamento pago em Monte Gordo e Manta Rota, era a conversa que ouvia-se mais no areal.:D
 
O impacto na economia local desta medida dos estacionamentos pagos só poderá ser avaliado daqui a dois ou três anos, não agora. E o que está a suceder na Praia de Adão e Eva, era o que sucedia em Monte Gordo ou na Manta Rota. Não precisamos de ter uma praia a rebentar pelas costuras e carros em todos os cantos. Continuo a defender esta medida do Presidente Luís Gomes, e espero que seja para manter nos próximos anos. Tem que haver locais para diferentes nichos, porque senão afasta-se um certo tipo de clientela. Quanto às praias espanholas, se são assim tão boas, pergunto-me por qual razão os espanhóis passam a vida na Praia da Manta Rota ou da Fábrica, seja Verão ou seja Inverno.
 
Talvez daqui a 2 ou 3 anos os resultados dessa medida se traduzam em lucro para a autarquia de V.R.S.A., já o comércio local acredito que o saldo obtido não seja muito animador; onde é que eu já vi este filme?! Autarquia com lucro estável obtido à força e estabelecimentos em dificuldades sem bonificação nos impostos pagos! Fantástico...:rolleyes: continuar assim é palavra de ordem!

Quanto a praias a rebentar pelas costuras, nos vários anos que estive em Monte Gordo em meses como Julho e Agosto já deu para conhecer minimamente de como as coisas por lá se passam e nunca vi a sua grande extensão de areal nessas condições, porque realmente comparada com muitas praias do Algarve, nesta espaço não falta e quanto ao estacionamento nada também de tão alarmante face a outros locais!

Não sou porta voz do povo menos endinheirado mas penso que falta aqui um certo equilíbrio numa questão importante. Os turistas espanhóis e de outras nacionalidades que frequentemente se instalam nos hotéis da localidade, excepto os primeiros e tal como os portugueses, mais assíduos na hora de ponta do consumo que é a partir do final da tarde até sensivelmente 00/01h, os restantes (muitos nórdicos mais abastados) boa parte do dia parecem não abdicar do conforto do AC bem como das refeições onde estão alojados, no entanto muitas peles pálidas são visíveis a deambular ao início da manhã e pelo que frequentemente ouvia dizer não eram muito gastadores face aos restantes.

Se o que se procura aqui é criar uma selecção para vários tipos de clientela então a Autarquia terá que criar condições para o fazer e determinar não só a partir do médio prazo, porque isso não passa de meros valores que poderão na prática não ser atingidos, mas também a curto prazo porque isso é que permite calcular a capacidade de resposta da economia local como rampa para o futuro.

Se há espanhóis que escolhem aquelas praias e isso passa-se muito por exemplo com os que moram ali mais próximo da fronteira, uma opinião que ouvi foi que para além de alterarem a rotina das praias que frequentam, um factor importante é a cor da areia que só a encontrariam do lado espanhol a partir de Huelva na linha de costa por exemplo de Punta Umbria. Só como exemplo, a praia de Isla Canela do outro lado da foz do Guadiana até parece ser composta de canela! :p
De facto gosto de algumas praias espanholas como também de algumas portuguesas e igual sentimento têm os espanhóis porque além de isso ser muito subjectivo o importante é variar e descobrir... ;)
 
Talvez daqui a 2 ou 3 anos os resultados dessa medida se traduzam em lucro para a autarquia de V.R.S.A., já o comércio local acredito que o saldo obtido não seja muito animador; onde é que eu já vi este filme?! Autarquia com lucro estável obtido à força e estabelecimentos em dificuldades sem bonificação nos impostos pagos! Fantástico...:rolleyes: continuar assim é palavra de ordem!

Quanto a praias a rebentar pelas costuras, nos vários anos que estive em Monte Gordo em meses como Julho e Agosto já deu para conhecer minimamente de como as coisas por lá se passam e nunca vi a sua grande extensão de areal nessas condições, porque realmente comparada com muitas praias do Algarve, nesta espaço não falta e quanto ao estacionamento nada também de tão alarmante face a outros locais!

Não sou porta voz do povo menos endinheirado mas penso que falta aqui um certo equilíbrio numa questão importante. Os turistas espanhóis e de outras nacionalidades que frequentemente se instalam nos hotéis da localidade, excepto os primeiros e tal como os portugueses, mais assíduos na hora de ponta do consumo que é a partir do final da tarde até sensivelmente 00/01h, os restantes (muitos nórdicos mais abastados) boa parte do dia parecem não abdicar do conforto do AC bem como das refeições onde estão alojados, no entanto muitas peles pálidas são visíveis a deambular ao início da manhã e pelo que frequentemente ouvia dizer não eram muito gastadores face aos restantes.

Se o que se procura aqui é criar uma selecção para vários tipos de clientela então a Autarquia terá que criar condições para o fazer e determinar não só a partir do médio prazo, porque isso não passa de meros valores que poderão na prática não ser atingidos, mas também a curto prazo porque isso é que permite calcular a capacidade de resposta da economia local como rampa para o futuro.

Se há espanhóis que escolhem aquelas praias e isso passa-se muito por exemplo com os que moram ali mais próximo da fronteira, uma opinião que ouvi foi que para além de alterarem a rotina das praias que frequentam, um factor importante é a cor da areia que só a encontrariam do lado espanhol a partir de Huelva na linha de costa por exemplo de Punta Umbria. Só como exemplo, a praia de Isla Canela do outro lado da foz do Guadiana até parece ser composta de canela! :p
De facto gosto de algumas praias espanholas como também de algumas portuguesas e igual sentimento têm os espanhóis porque além de isso ser muito subjectivo o importante é variar e descobrir... ;)

Daqui a dois ou três anos já metade do comércio fechou.:lol: Ainda o mais absurdo é os comerciantes terem de pagar o estacionamento cerca de 65 euros por mês, que medida ridícula, mas como o Joseoliveira tem a mesma opinião não vai a pena bater mais ceguinho. É preciso é que não comecem a fechar os estabelecimentos nessas zonas, porque o pessoal fugiu aí vão pedir dinheiro às tias de Cascais talvez elas emprestem para que o estabelecimentos não fechem com o prejuízo.:lol: Eu já fui várias vezes à Isla Canela só a cor da areia muda, tudo o resto é igual.:D Se estão a pensar que são os espanhóis ou os franceses que a maioria vão pagar 1 euro por hora, para estar na praia. Uma pessoa que passa na praia 5 horas por dia durante 15 dias, paga uma modéstia quantia de 75 euros para ir à praia. Quando a uns meros 5 kms têm praias ao lado que não se paga, só se for mesmo pouco inteligente seja nacional ou estrangeiro é que vai para essas praias.:assobio: Com esses 75 euros já dá para outras coisas, mas como o Algarve é uma região riquíssima e onde não existe desemprego logo podemos pagar à vontade.:lmao::lmao:
 
O sempre interessante boato...

José Mourinho sugeriu que iria investir numa unidade turística de luxo na Quinta do Lago e vários ingleses foram atrás da ideia. Agora, alegam incumprimento e pedem o dobro do sinal.

As letras que anunciavam, num painel publicitário, as seis estrelas da unidade de luxo em construção, às portas da Quinta do Lago, foram tapadas há vários meses. Alguns operários - poucos - continuam na obra e o Conrad Palácio da Quinta Resort & SPA - o empreendimento onde José Mourinho sugeriu, há dois anos, que iria investir na compra de um ou mais apartamentos, está em dificuldades. A seguir à operação promocional protagonizada pelo special one, muitos ingleses tornaram-se compradores, atraídos por um empreendimento publicitado como sendo "único" na Europa. Os apartamentos T1 foram vendidos por 1,2 milhões de euros e os T3 por 4,2 milhões.

A administração da empresa promotora, a Imocom, contactada pelo PÚBLICO, esclareceu que a referência às seis estrelas foi apagada por imperativo legal: "A legislação portuguesa não permite unidades de seis estrelas, mas este é claramente um produto acima do Hilton [cinco estrelas]." No tribunal de Loulé, contudo, já foram registadas sete acções de promitentes compradores britânicos, a reclamar a anulação dos contratos e pedindo o dobro do sinal, alegando incumprimento contratual.

A empresa diz "desconhecer" e não vê motivo para tais acções. "A obra está a decorrer a um ritmo aceleradíssimo", afirma um responsável. Inicialmente estava programada a sua conclusão em 2009, "mas houve um prolongamento estratégico do prazo, por causa da crise conjuntural". O prazo agora previsto para fazer as escrituras, adianta, é Abril de 2011.

Os compradores ingleses, defraudados com as expectativas criadas e com as promessas que não terão sido concretizadas, pedem agora a devolução em duplicado do dinheiro que deram de sinal. Do total de sete acções judiciais entregues, só uma delas pede uma indemnização - no valor de 10,6 milhões de euros.

O treinador que liderou o Chelsea, José Mourinho, na visita que fez ao empreendimento, em Abril de 2008, declarou que o imobiliário é menos arriscado do que o futebol, pelo menos no que a este projecto dizia respeito. "Não sou homem de negócios, nem de grandes investimentos, longe disso. Só quero ter uma vida boa e tranquila com a minha família e amigos". A empresa, questionada sobre se Mourinho tinha investido na unidade, afirmou que essa era uma "questão confidencial". Na altura, o presidente da Imocom, Alejandro Martins, disse: "O Mourinho interessa-se por empresas vencedoras e projectos de qualidade e para nós é uma honra Mourinho dizer que vai investir num ou em vários apartamentos."

O complexo turístico em questão - com um investimento da ordem dos 100 milhões de euros - foi classificado como de Potencial Interesse Nacional (PIN). A sua aprovação gerou controvérsia, porque em circunstâncias normais não poderia ser feito naquele local, por se tratar de uma zona classificada de "florestal" no Plano Director Municipal (PDM) de Loulé.

Para contornar esse obstáculo, o Governo suspendeu o PDM apenas na área do empreendimento. Um comunicado do Conselho de Ministros de Janeiro de 2007 justificou essa medida de excepção com o facto de se tratar de um investimento que "visa permitir a concretização de um projecto hoteleiro, no âmbito da requalificação da oferta turística do Algarve". Na região algarvia, além do Conrad Palácio (hotel, mais 80 apartamentos), a Imocom construiu também o Hotel Hilton, em Vilamoura, e o Monte Santo Resort, no Carvoeiro.

A unidade de cinco estrelas de Vilamoura, inaugurada pelo ex-ministro Manuel Pinho, também foi, recentemente, alvo uma acção judicial que levou à ordem de arresto de alguns bens. Não chegou a concretizar-se porque, no momento da execução judicial, a empresa pagou o milhão de euros que devia à agência mobiliária que moveu a acção por falta de pagamento das comissões de venda.

http://www.publico.pt/Local/apartam...de-euros-no-algarve-chegam-a-tribunal_1448890

Boatos, vigarice, alterações a martelo do PDM e muito, muito dinheiro...
 
salazar13.jpg


Há 40 anos, faleceu o maior nome da História portuguesa do século XX.

SALAZAR NA HISTÓRIA

POR RUI RAMOS

No dia 27 de Julho, passam quarenta anos desde a morte de Salazar: tanto tempo como o que ele esteve no poder (1928-1968). Hoje, é preciso ter mais de 60 anos de idade para ter sido adulto sob o seu governo. Já lhe podemos dar a devida sepultura histórica? E como?

Os quarenta anos de governo de Salazar deixaram um rasto bibliográfico de apenas seis volumes de discursos -- Mário Soares, em apenas uma década de presidência da república, produziu dez. Salazar não falava muito. Nós, em contrapartida, falamos muito de Salazar. Um site livreiro oferece cerca de 60 livros, saídos ou reeditados nos últimos três anos, com o nome de Salazar no título. Salazar “vende”. Dedicamos-lhe mais atenção do que a qualquer outra figura histórica. Mas já é apenas isso que ele é, história?

O atraso.
Salazar foi ditador de um país rural e pobre. E nas características deste país esteve sempre a maneira mais fácil de o despachar historicamente. Eduardo Lourenço, num texto da década de 1960, chamou-lhe “camponês letrado”. De facto, quem melhor do que o filho de “pobres” de Santa Comba Dão, ex-seminarista com sotaque provinciano, que quase não viajou para fora do país, que escrevia como um frade do século XVIII e levava a vida de um pároco rural do século XIX, com governanta, quintal e galinheiro -- quem melhor do que ele para corporizar o “atraso” e carregar a respectiva culpa?

O problema está em que, se quisermos ser exactos, teremos de admitir que foi precisamente com Salazar que Portugal começou a ser menos pobre, menos analfabeto e mais europeu. É verdade que mesmo alguns salazaristas se mostraram impacientes com a sua obsessão financeira. No entanto, os seus orçamentos equilibrados e inflação baixa, se adiaram gratificações, pouparam os portugueses às crises fiscais e da balança de pagamentos que, antes dele e depois dele, destruíram riqueza e frustraram expectativas. A partir da década de 1950 e até 1974, Portugal conheceu as taxas de crescimento mais altas da sua história. A estrutura da economia portuguesa mudou. E não, Salazar não tratou apenas de conter as reivindicações dos empregados e favorecer alguns empresários. Foram os seus governos que estabeleceram os primeiros sistemas de protecção social efectivos e que conseguiram escolarizar pela primeira vez uma geração inteira.
O Estado Social em Portugal foi salazarista antes de ser democrático. Tal como a integração atlântica e europeia, começada com as adesões à OECE (1948), à NATO (1949) e à EFTA (1960). Sem estes sucessos, Salazar não teria durado. Para muitos, o salazarismo viabilizara uma transformação económica e social que outros regimes tinham proposto, mas falhado. É isso que Salazar significa -- Um instrumento brutal de modernização? Mas é um erro reduzi-lo a um fenómeno sócio-económico.



A ditadura.

Quando comparamos a ditadura salazarista com as suas contemporâneas, quer na década de 1930, quer na década de 1960, a contabilidade repressiva é modesta. Não dispôs do “gulag” de Estaline, nem do “paredón” de fuzilamento de Fidel Castro. Nunca teve mais presos políticos do que a I República (2382 no ano de 1912), e no fim tinha até muito menos (128) do que viria a haver nas prisões do PREC em 1975 (cerca de 1000).

Mas não nos devemos enganar. A ditadura de que Salazar esteve à frente desde 1932, quando assumiu a chefia do Governo, foi mesmo uma ditadura, com censura, tortura nas prisões, penas indefinidas e discriminações políticas. Pareceu “moderada”, porque, como explicou Manuel de Lucena, era meticulosamente “preventiva”. Todos em Portugal estavam à mercê do poder, sem real protecção jurídica. Num país pequeno e pobre, com um Estado centralizado e dirigista e uma sociedade civil fraca, não era difícil fomentar o respeito pelos “poderes constituídos”. Salazar não se propôs fundar, como outros ditadores, uma sociedade racialmente pura ou sem classes. Pôde assim aproveitar o efeito disciplinador das hierarquias estabelecidas. Aos eventuais revolucionários, faltou sempre as habituais massas de manobra: nem grandes populações operárias, nem camponeses sedentos de terras.

O Estado Novo era, como Salazar gostava de dizer, um regime suficientemente “forte” para não precisar de ser violento. Mas nunca houve dúvidas de que podia ser implacável. Deixou morrer três dezenas de anarquistas e comunistas no campo do Tarrafal, em Cabo Verde, entre 1936 e 1945. Perseguiu e exilou o bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, em 1958-1959. E pelo menos encobriu ou não investigou o assassinato do general Humberto Delgado por agentes da PIDE em 1965. Salazar fazia ideia do que tudo isto significava. Quando o ministro dos negócios estrangeiros, a 27 de Abril de 1965, lhe comunicou a descoberta do cadáver de Delgado em Espanha, Salazar disse-lhe “em tom ciciado, como se alguém na sala nos pudesse ouvir”: “este assassínio é o tipo de coisas que pode desmantelar um regime”. Foi então o salazarismo simplesmente um intervalo ditatorial da história portuguesa? A história é mais complicada.


Um mal menor.

Salazar foi o primeiro chefe de governo, desde 1834, que não era liberal ou republicano. Era um conservador de tipo tradicionalista. Ora, Portugal, antes de Salazar, não parecia um país para conservadores. As instituições tradicionais, da nobreza à igreja, tinham sido liquidadas ou reduzidas. As maiores forças políticas organizadas eram de esquerda. Salazar subiu ao poder graças à Ditadura Militar, estabelecida em 1926, mas essa ditadura só foi possível pelo colapso político das esquerdas na década de 1920, divididas pelo radicalismo jacobino, desacreditadas pelo descontrole financeiro e confundidas pelo advento do comunismo soviético. Os velhos generais republicanos e maçons que dirigiram a Ditadura Militar entre 1926 e 1932 sobreviveram no poder porque encontraram defensores determinados em jovens oficiais direitistas e aliados compreensivos no clero, mas também porque muitos liberais e republicanos acabaram por optar pela neutralidade ou encostar-se à ditadura. O que lhes trouxe Salazar?

A última impressão que deixou, a do velho de 1968, faz esquecer a primeira impressão, que explica o seu sucesso: a do jovem de 1928, o professor universitário de 39 anos, disciplinado, trabalhador, realista, que não se parecia com ninguém na classe política. Muito magro, com uma voz ciciada, o ministro das finanças não era uma figura imponente, mas fez embasbacar toda a gente com o orçamento sem défice e a moeda estável. Os portugueses votaram com o dinheiro: na década de 1930, voltaram a pô-lo no país, donde o estavam a tirar desde 1910.
Salazar propôs-se “baixar a febre politica”, ensinar os portugueses a “viver habitualmente”. O seu poder assentou na garantia que, com ele, o governo nunca tomaria opções que compelissem todo um sector dos que apoiavam a ditadura a passar à oposição. O cepticismo que o impedia de acreditar nas piedades progressistas, também o coibia de fantasiar a possibilidade de restaurações de qualquer passado. Não haveria domínio da esquerda, nem da direita, mas um equilíbrio flutuante. Teve assim geralmente a seu favor, o presidente da república, o general Carmona, isto é, a hierarquia das forças armadas. Com a guerra civil de Espanha ao lado e depois a II Guerra Mundial em todo o continente, muitos portugueses apreciaram esta paz salazarista

As linhas de confronto nunca foram tão simples como em Espanha, onde a ditadura de Franco emergiu de três anos de guerra civil. Sobre o ministro Duarte Pacheco, o próprio Salazar comentava na década de 1960: “Bastante das esquerdas, mas como tinha grande ambição de poder, adaptou-se com facilidade”. Não por acaso, o Estado Novo proporcionou pessoal a todos os partidos da nova democracia depois de 1974. E isso foi possível porque Salazar teve em seu redor católicos e monárquicos, mas também republicanos e maçons. Até o V Governo Provisório de Vasco Gonçalves, em Agosto de 1975, teve direito a um representante do Estado Novo, na pessoa do professor José Joaquim Teixeira Ribeiro, vice-primeiro ministro.

E a liberdade? Não havia saudade de partidos, de eleições, de imprensa sem censura? Acontece que como Salazar explicou num discurso de 18 de Maio de 1945, “antes de nós e por dezenas de anos --- reconhecemo-lo com tristeza – as ditaduras foram a forma corrente da vida política e vimo-las alternar-se ou suceder-se quase ininterruptamente, sob formas diversas”. Em 1945, Salazar podia confiar em que os seus ouvintes se lembrassem do tempo em que, embora houvesse vários partidos, a rotação no poder só podia ser efectuada pelo Chefe de Estado (como no tempo da monarquia constitucional, antes de 1910) ou em que as oposições eram violentamente perseguidas (como durante o domínio do Partido Republicano, depois de 1910). Nunca, antes de 1926, as eleições, envolvendo apenas eleitorados restritos e tutelados, haviam sido consideradas genuínas ou livres. Ou seja, a separação entre o Estado Novo e os regimes seus antecessores não tinha a clareza da separação entre o Estado Novo e a actual democracia.

Durante a maior parte do regime salazarista também não foi claro que uma democracia como a de hoje fosse a alternativa. Numa exposição de 30 de Maio de 1944, o líder do PCP Álvaro Cunhal reconheceu que as oposições, se vencessem, não estavam em condições de garantir mais liberdade aos seus adversários. O salazarismo não existiu no mundo “pós-histórico” de Francis Fukuyama. Mesmo no ano da morte de Salazar, em 1970, a maior parte do mundo vivia sujeita a autocracias mais ou menos violentas, a começar pela vizinha Espanha.

E havia, para a elite portuguesa, coisas mais importantes do que a liberdade. Ezequiel de Campos, deputado republicano e colaborador da Seara Nova, foi outro dos que se juntou a Salazar. Um dia, confessou ao seu amigo João Sarmento Pimentel, exilado, que sacrificara a sua “ideia de liberdade” para realizar os seus projectos de desenvolvimento. Salazar insistiu em apelar a “todos os homens, independentemente da sua origem e categoria, do seu credo religioso, de suas preferências de regime, de suas antigas filiações partidárias, para um trabalho de conjunto a bem da Nação”. Para dar cobertura a essa colaboração, o regime dispensou outras profissões de fé que não o “repúdio do comunismo” e apropriou-se eficazmente da cultura do patriotismo moderno desenvolvida por liberais e republicanos no século XIX. Utilizou a prioridade que todos atribuíam à tarefa de inverter o processo de suposta “decadência” nacional para pedir que o julgassem pelos resultados, não pelos meios. A cultura política das elites portuguesas, para quem a liberdade se tornara secundária em relação ao desenvolvimento, estava desarmada de argumentos, tanto à direita como à esquerda, perante uma ditadura bem sucedida. Significativamente, os momentos de maior contestação e incerteza do regime coincidiram com dificuldades financeiras, quando pareceu incapaz de proporcionar a prosperidade que prometia (em 1945-1949, por exemplo).



Entre 1928 e 1968, o poder de Salazar não foi sempre o mesmo, nem o pessoal que o rodeou. Mas o salazarismo conseguiu parecer, em vários épocas, simplesmente a organização das elites sociais e intelectuais portuguesas – baseadas numa administração autocrática e centralizada, secundada pela Igreja e pelas Forças Armadas, e na subalternização política da população, já praticada por todos os regimes anteriores – para administrar e desenvolver o país. É verdade que a decisão do regime se manter pela força fazia dele a via única para quem queria exercer influência ou fazer carreira. Mas contou também a habilidade de Salazar. Soube usar as máximas da Antiguidade clássica: o tirano podia ser suportável se desse ideia de que não dominava para interesse pessoal. O “bom tirano” era, em primeiro lugar, um tirano sobre si próprio. E foi assim que Salazar se apresentou – sacrificado ao bem público, privado de ócios, de prazeres, de liberdade ... Nunca ninguém contestou a sua honestidade pessoal. Ouvia muita gente. Fez do “equilíbrio de correntes” um princípio fundamental. Evitou sempre definir-se claramente em relação às questões que sabia serem fracturantes (por exemplo, a forma do regime).

Para muitos, neste contexto, o Estado Novo foi o que Marcelo Caetano disse francamente a Salazar em 1948: “um mal menor que se suporta, mas a que não se adere”. O salazarismo gerou mais colaboração agnóstica do que adesão entusiasmada ou oposição intransigente. Só que, para desespero de Caetano, Salazar comportava-se como se isso lhe bastasse.


Um equívoco.

Alguns dos líderes democráticos europeus ou americanos desculpavam Salazar, admitindo que talvez Portugal não pudesse produzir, em democracia, uma maioria anti-comunista, como os outros países da Europa ocidental. Era mesmo assim? A verdade é que, em 1975, nas primeiras eleições livres e com sufrágio universal, o país começou a provar o contrário. Mas Salazar nunca pensou recorrer à população em pé de igualdade com os seus adversários. Por um lado, como explicou em Fevereiro de 1946, a exigência de liberdade pela oposição de esquerda parecia-lhe um truque de guerra: “sabemos bem que a exigem para vencer e a dispensam para governar”. Por outro, descreu doutrinariamente das vantagens de submeter o poder à competição entre partidos num mercado eleitoral. Os interesses podiam ser representados por corporações e o bem comum melhor defendido por uma autoridade executiva independente. Anunciou ter descoberto uma fórmula política original, salvaguardando em simultâneo a direcção do Estado e a autonomia da sociedade. A verdade, porém, é que nunca acabou de instalar este regime, supostamente alternativo tanto ao comunismo russo, como à democracia liberal de tipo inglês e francês.

O salazarismo viveu de durar. Mas para durar, num século de grandes sobressaltos e deslocações súbitas e num país em mudança, nunca pôde definir-se e estabilizar-se. O tempo foi de transições rápidas. A constituição de 1933 poderia ter servido para vários regimes. E, de facto, foi servindo. Ao longo da década de 1930, perante os triunfos de Hitler e de Mussolini, Salazar fez o Estado Novo lembrar o regime fascista italiano, com milícias, saudações romanas e uma retórica “revolucionária”, embora rejeitando sempre o modelo do “Estado Totalitário” e mantendo-se aliado da Inglaterra. Durante a II Guerra Mundial, aproveitou o facto de os beligerantes terem deixado a península fora da guerra e procurou servir ambos os lados, com lucro. Em 1945, com a vitória das democracias ocidentais, aliadas à União Soviética, enalteceu o seu auxílio à causa anglo-americana, reviu leis, fez logo novas eleições, e começou a falar de “democracia”, embora “orgânica”. Conservou-se, porém, intransigente com a renascida oposição de esquerda.



Enquanto regime, o Estado Novo nunca perdeu o ar de algo inacabado e impreciso, próximo do “começo” – e, portanto, também de um possível fim. Ao longo de décadas, foi mais uma “situação” (como aliás se dizia), um governo, do que propriamente um regime. O corporativismo, por exemplo, nunca saiu completamente do papel. Tudo, de facto, se resumia à “chefia personalizada” de Salazar, que fundamentalmente conservou a estrutura de poder inicial: uma ditadura militar com um chefe de Governo civil que dirigia directamente a censura e a polícia política. Ao passar pela direcção da União Nacional na década de 1950, Marcelo Caetano descobriu que o Governo era “a única realidade política activa, apoiado no aparelho administrativo e nas polícias” (a administração expandir-se-ia de 30-40 mil funcionários na década de 1930 para cerca de 200 mil na de 1960). Adriano Moreira viu o Estado Novo como um edifício de presidências, conselhos, assembleias e outros “órgãos que não tinham funcionado nunca com responsabilidade própria, e apenas estavam apontados na Constituição”. Em 1951, no congresso de Coimbra da União Nacional, Caetano perguntou abertamente: “O Estado Novo será verdadeiramente um regime, ou não será mais do que o conjunto das condições adequadas ao exercício do Poder por um homem de excepcional capacidade governativa?”

A resposta era óbvia. Ao longo do tempo, desenvolveu-se à volta de Salazar uma espécie de vida de corte, cujas intrigas ele próprio alimentava, com o sangue frio que lhe dava a convicção da sua própria superioridade. Em Setembro de 1966, observou a Franco Nogueira que em Espanha “o Franco está fazendo uma experiência, criando um princípio de caos, para depois ter fundamento para fazer regressar tudo ao começo e à sua autoridade”. E quanto a ele próprio, “não se me dava de um bocado de caos e confusão cá dentro, acho divertido”. O poder pessoal, exercido com tanta dureza como malícia, começou a parecer a muitos o motivo egoísta da ditadura. Significativamente, nenhum dos possíveis sucessores – e portanto, potenciais rivais -- do “chefe” alguma vez escapou ao saneamento. Em 1965, numa carta particular, Caetano, uma das vítimas, concluiu: “o Dr. Salazar não queria instaurar um regime, mas sustentar um equívoco que lhe permitisse governar, dividindo”. Isto tinha uma implicação: a aglomeração de facções divididas poderia não sobreviver ao seu manipulador-em-chefe.

E o tempo começava a não lhe perdoar. A 12 de Junho de 1968, “muito pálido, esmorecido”, Salazar repetiu num conselho de ministros a exposição que fizera no do dia anterior. Nenhum dos ministros lhe chamou a atenção. Tinha então 79 anos de vida e 40 de poder. Queixava-se já muitas vezes. Em Abril de 1966, desabafara com Franco Nogueira: “Estou perdendo faculdades. Não posso trabalhar como dantes. Já não acompanho os ministérios, e os ministros fazem o que querem”. No país, a transformação económica e social, de que o regime precisou para se legitimar, fazia desaparecer a velha sociedade rural e hierarquizada. Uma população escolar em expansão (o número de estudantes universitários duplicou então) protagonizou uma ruptura geracional de valores. O Vaticano II minou o clero mais conservador. Em 1970, 75% da população tinha nascido depois da subida de Salazar ao poder: a comparação que para essa gente tinha sentido não era com os regimes anteriores, mas com outros regimes europeus. O crescimento da inflação, depois de 1965, prenunciou desequilíbrios. Tudo começava a precisar de ser refundado, como Marcelo Caetano tentou fazer depois de 1968.

Mas Salazar na década de 1960 não estava preparado para sair de cena. Inventou mesmo, com a opção de manter a administração portuguesa em África, uma última razão para o seu poder. O colonialismo não começou com Salazar. O que ele fez, aliás, foi até acabar com os seus aspectos mais bárbaros. Liberais e republicanos tinham viabilizado as colónias submetendo as populações ao trabalho forçado administrado pelo Estado. Em 1961, Salazar consentiu que Adriano Moreira pusesse fim à sujeição dos “pretitos”, como dizia. Mas decidiu que Portugal seria a excepção entre as potências coloniais europeias. Muitos opositores republicanos fizeram questão, pela primeira vez em trinta anos, de aplaudir o regime. Salazar tomou o partido da resistência à descolonização porque no caso português, com colónias pouco povoadas e subdesenvolvidas, era possível fazê-lo (foi sempre um realista). Mas acima de tudo, porque terá calculado que a “defesa do ultramar” cancelaria a perspectiva de uma “normalização” à maneira ocidental que, em 1961, perante a pressão anticolonial dos EUA, seduziu a hierarquia do exército.

O homem creditado com ter poupado o país à II Guerra Mundial envolveu-o agora no maior esforço militar de uma nação ocidental desde 1945. Salazar explorou então uma mística histórica, assente na presumida actualidade da expansão ultramarina, que levou Eduardo Lourenço a admitir que “o Portugal de Salazar foi o último que se assumiu e viveu como um destino”. Mas era o destino de um beco sem saída, que reduziu de vez o regime a um enorme castelo no ar. A guerra pôde ser feita, mas acabou por tornar-se insuportável. Por isso, o salazarismo, se bem que tivesse sido capaz de organizar uma sucessão interna em 1968, já não conseguiu, ao contrário do franquismo em Espanha, enquadrar uma transição democrática. Terminou num enorme fracasso, como acontecera aos regimes anteriores.

Numa quinta-feira de céu cinzento, a 25 de Abril de 1974, tudo foi derrubado como um cenário de papelão. Nenhum movimento político importante reivindicou, desde então, as ideias de Salazar. Em 2007, a sua vitória num concurso televisivo foi mais um sinal de iconoclastia, contra o velho antifascismo oficial, do que de saudosismo. Valem-lhe os antifascistas para o conservar ameaçadoramente “vivo”. Terá ele imaginado este fiasco final? Nos seus últimos anos de vida, entre 1968 e 1970, não lhe disseram que fora substituído no governo, mas, como notou Adriano Moreira, ele também não perguntou. Nunca quis saber o resto da história.


http://portugaldospequeninos.blogspot.com/
 
Modelo social europeu: 11 meses de trabalho, semana de 5 dias, 48 sábados e domingos, doze feriados anuais, metade dos quais, a ocorrerem à terça ou quinta-feira, com direito a "ponte", 14 ordenados, salário mínimo médio correspondente a oito salários médios chineses, "rendimento mínimo obrigatório" imposto pelo Estado, impossibilidade de facto dos empregadores se verem livres de maus trabalhadores, média anual de quinze dias de baixa por razões de saúde invocadas pelos empregados. Em suma, a Europa, prenhe de entusiasmo globalizador, introduzindo lentamente pela boca o cano da pistola com que se vai matar.

http://combustoes.blogspot.com/
 
salazar13.jpg


Opiniões. Não lhe reconheço qualquer crédito. Estou do lado da história onde estão aqueles que se recusaram a viver com as "verdades do regime", a mansidão do povo e o facto consumado.
 
Modelo social europeu: 11 meses de trabalho, semana de 5 dias, 48 sábados e domingos, doze feriados anuais, metade dos quais, a ocorrerem à terça ou quinta-feira, com direito a "ponte", 14 ordenados, salário mínimo médio correspondente a oito salários médios chineses, "rendimento mínimo obrigatório" imposto pelo Estado, impossibilidade de facto dos empregadores se verem livres de maus trabalhadores, média anual de quinze dias de baixa por razões de saúde invocadas pelos empregados. Em suma, a Europa, prenhe de entusiasmo globalizador, introduzindo lentamente pela boca o cano da pistola com que se vai matar.

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O tipo que escreve esse comparação ou é muito rico ou é muito ignorante porque não conhece o país onde vive. No Portugal que eu conheço, hoje, trabalha-se à semana, ao fim-de-semana, ao feriado, à hora, ao metro, à peça, ao camião, na Páscoa e no Natal, das 9 às 6, depois das 6 e até de madrugada, por turnos que mudam todas as semanas, em horários contínuos de 48h com pouco ou razoável descanso, muitas vezes sem direito a refeição, em arcas frigoríficas de -23ºC ou ao calor de 40ºC, com mais que um emprego simultaneamente e tudo isto na maior parte dos casos por pouco mais de 475 euros. Este Portugal é vivido diariamente por 1/3 dos trabalhadores... :mad:
 
O problema está em que, se quisermos ser exactos, teremos de admitir que foi precisamente com Salazar que Portugal começou a ser menos pobre, menos analfabeto e mais europeu. É verdade que mesmo alguns salazaristas se mostraram impacientes com a sua obsessão financeira. No entanto, os seus orçamentos equilibrados e inflação baixa, se adiaram gratificações, pouparam os portugueses às crises fiscais e da balança de pagamentos que, antes dele e depois dele, destruíram riqueza e frustraram expectativas. A partir da década de 1950 e até 1974, Portugal conheceu as taxas de crescimento mais altas da sua história. A estrutura da economia portuguesa mudou. E não, Salazar não tratou apenas de conter as reivindicações dos empregados e favorecer alguns empresários. Foram os seus governos que estabeleceram os primeiros sistemas de protecção social efectivos e que conseguiram escolarizar pela primeira vez uma geração inteira.
O Estado Social em Portugal foi salazarista antes de ser democrático. Tal como a integração atlântica e europeia, começada com as adesões à OECE (1948), à NATO (1949) e à EFTA (1960). Sem estes sucessos, Salazar não teria durado. Para muitos, o salazarismo viabilizara uma transformação económica e social que outros regimes tinham proposto, mas falhado. É isso que Salazar significa -- Um instrumento brutal de modernização? Mas é um erro reduzi-lo a um fenómeno sócio-económico.

:thumbsup::thumbsup::thumbsup::thumbsup: aqui está algo que defendo muito e muita gente detesta.

Excelente texto.
 
:thumbsup::thumbsup::thumbsup::thumbsup: aqui está algo que defendo muito e muita gente detesta.

Excelente texto.

A parte internacional e o desenvolvimento da economia mundial pós-guerra correspondente aos gloriosos 30 anos de Keynes com o controlo absoluto dos fluxos de capital não tiveram realmente nenhum impacto em Portugal. Foi tudo obra de Santa Comba Dão e do espírito visionário.
 
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Opiniões. Não lhe reconheço qualquer crédito. Estou do lado da história onde estão aqueles que se recusaram a viver com as "verdades do regime", a mansidão do povo e o facto consumado.

Claro. O escritor Rui Ramos é apenas um mero opinador qualquer, ao estilo desses politólogos que pululam nos jornais e nos canais portugueses.

Sabe quem é Rui Ramos? Já leu alguma obra dele?
 
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