O Estado do País

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Estado
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...O crescimento ambientalmente sustentável, a promoção do emprego, o investimento público, a justiça fiscal, a defesa do Estado social terão de voltar ao vocabulário político através de entendimentos eficazes entre o Bloco de Esquerda, o PCP e os socialistas que apoiam convictamente o projeto alternativo de Manuel Alegre.

Toda esta balela é inútil se pensarmos que o estado é o motor da economia.
E ainda mais com convicções puras e duras de uma esquerda que apesar de tudo é radical e irredutível na defesa das suas ideias e ideais.
Por mais que se advogue que o estado social é o garante de uma segurança das classes menos favorecidas, nada mais errado será pensar que se não for a iniciativa privada se criará riqueza para se manter este estado social.

Mostrem onde países de esquerda evoluíram ao ponto de ter esta garantia de protecção eficaz do estado e eu concordarei...mas por mais que tentem nenhum estado de ideologia socialista o conseguiu.

Há efectivamente princípios que eu também defendo: não só defendo o estado social como defendo a promoção do emprego (mas que só a iniciativa privada o pode operar), uma justiça fiscal em que eu sou trabalhador e deva ser reconhecido o meu ESFORÇO e respectiva recompensa financeira (ao contrário do pensamento dos ilustres de esquerda com o Manuel Alegre à cabeça, 2º os quais deverei contribuir para aqueles que pouco tem - mas não se esforçam por ter), e por um crescimento ambientalmente sustentável - o planeta terra é limitado nos recursos necessários.
Por último o investimento público. Este investimento tem sido fatal a Portugal, e fatal no sentido de gastarmos o que temos e o que não temos, na maioria dos casos em projectos de não retorno de investimento (seria fastidioso inumerar), não cabendo aqui os investimentos na saúde e na educação por serem uma necessidade humana básica.

Não me falem no BE, no PCP, nalguns socialistas e no projecto do Alegre...daí pouco virá que possa contribuir para o nosso efectivo desenvolvimento.
Os ideais liberais não são perfeitos, muito menos os socialistas como se tem visto. A virtude terá sempre que ir buscar ideias a um lado e a outro. E para isso todos sem excepção trabalhar no mesmo sentido.

Eu pelo menos penso que ainda estamos a tempo de evoluir (e não a regredir enquanto civilização).
 
“Não há uma espécie de oferta de brindes para as pessoas virem para as Novas Oportunidades”
Foi a Agência Nacional para a Qualificação que denunciou o caso das vendas de trabalhos para os alunos das Novas Oportunidades na Internet. O seu director quer que os adultos saiam com as competências todas.

A ex-ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues foi buscar Luís Capucha à escola de ambos, o Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), em Lisboa, para o colocar numa das direcções-gerais do ministério. Quando a Agência Nacional para a Qualificação (ANQ) foi criada para acolher a Iniciativa Novas Oportunidades (INO) e o ensino profissional e artístico especializado, Capucha abraçou o projecto e defende-o com unhas e dentes. O ensino e formação dos jovens e dos adultos é essencial para o país. Graças a ele o panorama escolar já está a mudar, não só para os que participam, como para as próprias famílias. Há mais gente a valorizar a escola, acredita. Por isso, a INO merece o reconhecimento de todos, diz quem, em tempos, foi operário, trabalhador-estudante e é hoje professor universitário.

A opinião publicada tem colocado reservas à INO. Muitos dizem que esta só serve para dar diplomas. É assim?


Surgem críticas, mentiras e afirmações de quem não quer mentir mas fala do que não sabe. A INO tem uma grande diversidade de ofertas. Na via dos adultos há Cursos de Educação e Formação, há formações por módulos e o processo de Reconhecimento , Validação e Certificação de Competências (RVCC), que podem variar de alguns meses até alguns anos. A média é de dez a 12 meses.

Esse é um dos pontos polémicos. Por exemplo, no processo de RVCC, as pessoas são avaliadas pelo que sabem e não pelo que aprenderam. Concorda?


O acesso à certificação obedece à avaliação daquilo que é o resultado das aprendizagens. Todas as vias oferecidas têm os seus métodos, as suas regras de avaliação que avaliam as competências das pessoas, de carácter mais cognitivo, quer mais operacional, do saber fazer e do saber aprender.

Como?


Os alunos quando obtêm um diploma, esse corresponde às competências que têm. Existem referenciais que estabelecem as áreas de competências que têm que ser possuídas e toda a avaliação de conhecimentos e os júris de certificação garantem que as pessoas possuem essas competências. Há dois grandes indicadores que mostram que as pessoas saem mais capacitadas, preparadas para os desafios: a adesão das empresas à INO e os testemunhos das pessoas.

Os processos de certificação são avaliados?


Sim, há avaliação externa, o que implica que há regras e que as competências certificadas correspondem às possuídas.

Uma das críticas é que os adultos não aprendem disciplinas formais

Desminto. Há regras a cumprir que têm a ver com o cumprimento dos procedimentos necessários.

Um adulto pode chegar com o 6.º ano e sair, em poucos meses, com o 12.º?


Pode acontecer. Há uma ruptura com a lógica de disciplinas, das metodologias de ensino e aprendizagem para uma lógica mais abrangente de evidenciar o que o adulto sabe e integrar a sua experiência. Um autarca com o 6.º ano não tem experiência e competências que lhe permita terminar o secundário? Não tem mais do que um jovem de 18 anos que conclui o secundário? Não vou preocupar-me com o tempo que as pessoas levam a adquirir um certificado. Eu preocupo-me se o mecanismo da avaliação está a ser cumprido com rigor. Quem passar pela INO tem que passar por todos os saberes. Os nossos alunos têm que demonstrar competências.

Há quem receba subsídios para estar na INO?


Só os adultos que frequentam cursos de educação formação profissionais.

Não são os desempregados?

O problema é que para frequentar esses cursos, implica estar desempregado.

Mas não se paga aos adultos para ir para as INO?

Não. Não há uma espécie de oferta de brindes para as pessoas virem para as INO. Têm vindo porque sentem necessidade em se qualificar. Essa é de longe a principal razão. A crise tornou claro que sem qualificações nao há futuro e que os empregos que desapareceram foram os que exigiam menos qualificações.

Não se qualificam pessoas para ficar bem nas estatísticas, como dizem alguns críticos?

Que mal é que existe em o país ter uma boa imagem? Essas pessoas preferiam que apenas 20 por cento dos adultos activos possuíssem o ensino secundário? Essa era a imagem do país.

Nessa crítica está implícita a rapidez com que todo este processo é feito.

O que há a criticar é não ter sido feito antes. Foi feito com rapidez, mas nestas coisas da educação é preciso agir com rapidez. A grande diferença é que as medidas que constam da INO foram tomadas como prioridades pelo Governo e foram associados meios para atingir estes resultados. Os centros RVCC já existiam, assim como o ensino profissional, a formação de adultos... Porque é que não produziam resultados? Porque faltava a prioridade política, os meios e a massa crítica. Com aquele ritmo levaríamos 60 anos, neste momento, são precisos menos de dez anos para convergir com a Europa. Há movimentos que ocorrem numa grande velocidade.

Nessa velocidade não se perde qualidade?

O primeiro pilar da qualidade é a quantidade. Digo-o com toda a convicção. Sabemos que alunos de determinadas vias de ensino aprendem a fazer exames e a tirar notas, mas não sabemos se sabem alguma coisa quando acabam. Isso não acontece com os nosso alunos porque são obrigados a demonstrar competências.

Porque é que não se fez antes esta mudança?

Porque há um factor social muito forte que tem a ver com o valor dos diplomas escolares. São muito valorizados. A democratização de acesso implica verdadeira abertura social e de mobilidade, o que cria pressão junto de determinadas elites que não deixaram de reagir. Há uma democratização mal tolerada do acesso aos diplomas escolares.

A INO é um ensino mais caro?

Não sei.

Os métodos de ensino são diferentes, há turmas mais pequenas...

Não, não. São métodos organizativos diferentes. Quanto é que poupava com a diminuição do abandono precoce ou com a retenção escolar? É preciso fazer as contas de ambos os lados. A maneira como a escola se organiza para atender os alunos, em vez destes serem todos tratados por igual e depois cada um tira aproveitamento se for capaz.

Têm sido feitas muitas campanhas publicitárias. Gasta-se muito dinheiro?

Não sei, os resultados são claramente positivos. Sem ela não teríamos atingido tantos adultos. A marca da INO é uma boa marca, tem boa imagem, dizem os estudos de avaliação. Nem as críticas conseguem destruir a imagem positiva que tem a INO. Mas seria trágico que depois de criado o sistema, deixássemos passar a ideia que desapareceu, porque a presença pública é importante. Fazem-se campanhas a favor da qualificação, pode haver dinheiro mais bem gasto do que este?

Vê com maus olhos a possibilidade de alterar a lei de acesso ao ensino superior por causa do aumento do número de alunos que entram pela INO?

Há pessoas que fazem percursos brilhantes numa modalidade que não lhes dá acesso ao superior e para isso têm que fazer um exame. Se o ensino superior decidir alterar as regras, que faça o que entender. Não vejo que os adultos que entram sejam piores do que os outros e são muito úteis.

Porquê?

Porque o nosso sistema precisa de qualificações, não temos licenciados a mais, são pessoas que fazem um enorme esforço, que dão um enorme contributo. Fico muito satisfeito que os nossos alunos tirem muito boas notas nos exames do secundário.

Público
 
"Nessa velocidade não se perde qualidade?

O primeiro pilar da qualidade é a quantidade. Digo-o com toda a convicção. Sabemos que alunos de determinadas vias de ensino aprendem a fazer exames e a tirar notas, mas não sabemos se sabem alguma coisa quando acabam. Isso não acontece com os nossos alunos porque são obrigados a demonstrar competências."

Talvez mais alguém por aqui tenha frequentado algum Centro de Novas Oportunidades com o objectivo de colmatar e completar ciclos de ensino com vista a um processo de qualificação que lhe permita obter acesso a um Certificado de competências ao nível do 2º Ciclo do ensino Básico com equivalência ao 9º ano, ou até do ensino Secundário com equivalência ao 12º ano de escolaridade obtendo assim o acesso ao Ensino Superior.

Seria bom que surgissem testemunhos e que estes servissem para de alguma forma desmistificar este processo tão sujeito às mais variadas opiniões, muitas vezes baseadas na simples ignorância que não raro culminam em críticas pouco construtivas!
É um processo que como tantos outros passou por um gradual amadurecimento e aguardei algum tempo após o seu início.
Eu também frequentei um destes Centros com o objectivo de preencher de vez um espaço que havia deixado para completar o 12º ano visto que não o havia concluído há alguns anos devido a circunstâncias pouco favoráveis e lhe desse a devida continuidade, eis que ao surgir esta oportunidade, obviamente não era de desperdiçar! Teve a duração de quase 9 meses e não se pense que obtive o Certificado de mão beijada! Foi de facto muito intensivo e para não me alongar aqui muito mais, o facto de no decorrer dos anos até então ter adquirido conhecimentos diversos na vertente profissional entre outros, contribuiu para que o grau de exigência ao longo do processo aumentasse significativamente!

É um facto, a componente teórica, comparada com o que se passa em outros países é sobrevalorizada em detrimento da prática que ainda que muito lentamente vai tendo alguma expressão nos vários ramos de ensino e quem já passou por tudo isto certamente concluiu que uma fatia significativa dos conteúdos desenvolvidos, sobretudo desde o 9º até 12º ano carecem da tão desejada utilidade prática como resposta às diversas áreas técnicas existentes e emergentes no mercado de trabalho.
Quiçá o programa das Novas Oportunidades venha de alguma forma contribuir para que realmente se reconheça que o Ensino necessita de uma reestruturação, com resultados visíveis e que acima de tudo dignifique o país, credibilizando-o, tornando capaz de enfrentar muitos dos actuais e futuros desafios.

Ah, quanto à hipotética "oferta de brindes" mencionada, só posso reagir assim: :lmao: :rolleyes:
 
Mundiais 2018/2022: FIFA quer "provas" de alegada corrupção envolvendo Portugal

A FIFA quer as “potenciais provas” de corrupção nas candidaturas ao Mundiais de 2018 e 2022, após o antigo secretário geral Michel Zen-Ruffinen ter dito que Espanha/Portugal e Qatar negociaram votos, refere hoje a agência Associated Press.
O antigo secretário geral da FIFA foi filmado através de uma câmara escondida por dois jornalistas do Sunday Times, aos quais disse que as candidaturas de Espanha-Portugal e Qatar fecharam um acordo, em que cada um receberia sete votos dos 24 membros do comité executivo.

Portugal e Espanha concorrem à organização do Mundial de 2018, enquanto o Qatar pretende acolher o campeonato em 2022, e cada candidatura necessita de 13 votos para garantir a organização da prova.

“Eles começariam com sete (votos), o que não seria esperado pelos outros candidatos. Isto não é um rumor, é um facto”, disse Zen-Ruffinen, sem saber que estava a ser filmado e perante jornalistas ingleses que se fizeram passar por representantes de uma sociedade que trabalharia para a candidatura norte-americana.

Na conversa com o Sunday Times, o antigo dirigente disse também que existem membros do comité executivo que podem ser subornados com a oferta de dinheiro ou de mulheres.

O assunto já chegou à FIFA, que pretende agora levar a questão à sua comissão de ética, que na última semana abriu um inquérito à alegada corrupção em torno dos Mundiais que são atribuídos a 02 de dezembro.

“A FIFA exigiu imediatamente a receção de todos os documentos e potenciais provas que o jornal (Sunday Times) tenha em relação a esta matéria, e irá, em qualquer caso, analisar as provas disponíveis”, disse o organismo em comunicado.

O organismo diz ainda que, juntamente com a sua comissão de ética, tem “tolerância zero” para qualquer quebra do código de ética e dos processos de candidatura.

“A FIFA e a comissão de ética estão determinados a proteger a integridade do processo de candidaturas aos Mundiais de 2018 e 2022”, acrescenta.

Também de acordo com o Sunday Times, o painel de ética investiga ainda dois membros do atual comité executivo e quatro ex-membros.

Amos Adamu, da Nigéria, e Reynald Temarii, do Tahiti, foram filmados a alegadamente oferecerem os seus votos em troca de financiamentos para projetos de futebol, levando à suspensão de ambos.

Os quatro antigos membros são Slim Aloulou, da Tunísia, Amadou Diakite, do Mali, Ismael Bhamjee, do Bostwana, e Ahongalu Fusimalohi, de Tonga.

Na corrida ao Mundial de 2018 estão Inglaterra, Rússia e as candidaturas conjuntas de Portugal e Espanha e Bélgica e Holanda, enquanto para 2022 concorrem Estados Unidos, Austrália, Japão, Coreia do Sul e Qatar.

Fonte: Observatório do Algarve

Até para trazermos o mundial de futebol andamos na corrupção. :D
 
Ainda não sabemos com o que contar em definitivo para o próximo ano. mas deverá ser mauzinho...:angry:
Por isso aqui vai a minha contribuição que mostra de forma simples o que se passará.:D

O aumento do crime será uma realidade

umladraoaindamaiormediu.jpg


A falta de dinheiro levará a situações caricatas

oscompadres1021.gif


Há que repensar as férias para 2011

freeport.jpg


Alguma semelhança com a realidade?:facepalm:
 
Ainda não sabemos com o que contar em definitivo para o próximo ano. mas deverá ser mauzinho...:angry:
Por isso aqui vai a minha contribuição que mostra de forma simples o que se passará.:D

O aumento do crime será uma realidade

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A falta de dinheiro levará a situações caricatas

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Há que repensar as férias para 2011

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Alguma semelhança com a realidade?:facepalm:

Nao,é apenas impressao nossa :angry:

Bom retrato, do que infelizmente podera vir a acontecer com maior frequencia no futuro.

:thumbsup:
 
Parece que agora é que isto vai afundar de vez...

ORÇAMENTO
FALHOU ACORDO

Fonte próxima das negociações garantiu ao Económico que Governo e PSD não chegaram a um acordo que viabilize o Orçamento.

Após cinco dias intensivos de negociações, as equipas de Teixeira dos Santos e de Eduardo Catroga não conseguiram conciliar posições de forma a chegar a um entendimento que pudesse viabilizar o Orçamento do Estado para 2011.

Governo foi insensível à nossa argumentação”
Eduardo Catroga oficializou hoje, no Parlamento, a ruptura nas negociações entre Governo e PSD com vista a viabilizar o Orçamento.

O chefe da equipa social-democrata revelou que convenceu Passos Coelho a aceitar a subida do IVA a 23%, mas que "o Governo foi insensível à nossa argumentação", que defendia, entre outros pontos, a descida da taxa social única, a manutenção do cabaz de produtos sujeitos às diferentes taxas de IVA e cortes adicionais na despesa. Tudo sem comprometer o objectivo de baixar o défice para 4,6% do PIB em 2011.

PSI 20 cai mais de 1% com todos os títulos no vermelho
O índice de referência da bolsa portuguesa reagiu negativamente à ruptura das negociações entre PSD e Governo.

Depois de uma abertura em baixa, o PSI 20 seguia, a meio da manhã, a ganhar perto de 0,6% e próximo dos máximos da sessão. No entanto, nos 20 minutos que se seguiram à notícia da ruptura das negociações, o PSI 20 caiu mesmo para o vermelho, verificando-se pressão vendedora. Às 11:32 horas, o índice perdia já 1,26% com todas as cotadas a perder terreno.

in http://economico.sapo.pt/index.php
 
Venha o FMI ou desenterram o Salazar ou o Marcelo da campa. Não vejo mais nenhuma solução.

É impossível não se ser sebastianista neste país.

O Marcelo está no Brasil, não quis voltar para este País depois da traição que lhe foi feita, nem depois de morto ele deve querer voltar.

Parece que estava ele a adivinhar...

Eu defendo a entrada do FMI em Portugal, já que é para dar a estocada final que se dê logo de uma vez, não é para andar a sofrer.
 
Venha o FMI...

Isso é que os nossos políticos querem, assim podem avançar com medidas pouco ou nada populares e não perdem votos. Duvido muito que o FMI vá meter ordem nisto, e quando digo "meter ordem nisto" refiro não à estabilização do défice e da dívida pública, que isso consegue, mas sim ao regabofe de dinheiro distribuido a construtores civis amigos, a fundações de amigos, a bancos amigos... Basta ver que as propostas da OCDE divulgadas há uns tempos para Portugal sair do vermelho eram diminuir salários e aumentar impostos. Ponto. Mais nada.

Deixo o artigo de Boaventura Sousa Santos, já postado pelo Agreste:

“Se nada fizermos para corrigir o curso das coisas, dentro de alguns anos se dirá que a sociedade portuguesa viveu, entre o final do século XX e começo do século XXI, um luminoso mas breve interregno democrático. Durou menos de 40 anos, entre 1974 e 2010. Nos 48 anos que precederam a revolução de 25 de abril de 1974, viveu sob uma ditadura civil nacionalista, personalizada na figura de Oliveira Salazar. A partir de 2010, entrou num outro período de ditadura civil, desta vez internacionalista e despersonalizada, conduzida por uma entidade abstrata chamada ‘mercados’.

As duas ditaduras começaram por razões financeiras e depois criaram as suas próprias razões para se manterem. Ambas conduziram ao empobrecimento do povo português, que deixaram na cauda dos povos europeus. Mas enquanto a primeira eliminou o jogo democrático, destruiu as liberdades e instaurou um regime de fascismo político, a segunda manteve o jogo democrático mas reduziu ao mínimo as opções ideológicas, manteve as liberdades mas destruiu as possibilidades de serem efetivamente exercidas e instaurou um regime de democracia política combinado com fascismo social. Por esta razão, a segunda ditadura pode ser designada como ‘ditamole’.

Só erra na data, estamos em "ditamole" há já vários anos.
 
O problema é que caso o FMI intervenha em Portugal não irá fazer as reformas ao Estado que são necessárias, sem falar na fuga de investimentos face à incógnita que seria a política financeira portuguesa, etc.

Caso o orçamento não seja aprovado (algo que não tem qualquer cabimento, tendo o PSD se colocado numa posição em que será o culpado desta situação vergonhosa) deverá existir uma dissolução do Governo.

Fico com uma dúvida, caso o PSD não aprove o orçamento, irá o CDS regredir na intenção já afirmada?
 
O Marcelo está no Brasil, não quis voltar para este País depois da traição que lhe foi feita, nem depois de morto ele deve querer voltar.

Nem de propósito. Faz este ano 30 anos que morreu.

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Exclusivo
A vida de Marcello Caetano - ensaio de Rui Ramos
27-10-2010

Por Rui Ramos, historiador

Marcello Caetano morreu há 30 anos. Morreu revoltado com o País, para onde não quis regressar nem depois de morto. Sentiu-se sempre incompreendido e traído por todos. Hoje é costume recordar o professor de Direito, autor de uma prosa límpida, com estima, mas o político, metido numa chaimite no largo do Carmo, com algum menosprezo. O que correu mal de 1968 a 1974, quando esteve à frente do Estado Novo? Falta de energia de um homem que chegara ao poder demasiado tarde, com 62 anos, problemas cardíacos e a mulher doente? Falta de jeito ou de ousadia de alguém que, apesar do orgulho de catedrático, duvidava e hesitava de mais?

As questões sobre o marcelismo são geralmente duas. A primeira é saber o que Marcello quis de facto fazer quando dirigiu a ditadura – pensou realmente numa transição democrática? A segunda é saber se alguma vez, nalgum momento, ele teve hipóteses de sucesso, isto é, de evitar o que lhe aconteceu a 25 de Abril de 1974. São duas questões, mas o que acontece é que, geralmente, são tratadas como uma só. Isto quer dizer que, para a maioria dos cronistas e historiadores, perguntar se Marcello poderia ter sucesso é a mesma coisa que perguntar se ele queria fazer uma democracia. Parte-se do princípio de que Marcello tinha um problema para o qual a democracia era a solução e de que o seu destino foi traçado pelo modo como adoptou ou não esta solução. Muito provavelmente, essa não é a melhor maneira de o compreender.

O filho pródigo

Entre 1955 e 1958, Marcello Caetano, ministro da Presidência, fora o número dois de Salazar. Mas depois da sua saída do governo muitos salazaristas passaram a ver Marcello como uma espécie de chefe da “oposição interna” ao Estado Novo. Constava que tanto o Presidente Craveiro Lopes, em 1958, como os altos comandos militares que encararam a hipótese de derrubar Salazar em 1961 haviam pensado em Marcello para chefe de governo. O antigo delfim era agora um usurpador.

De facto, Marcello Caetano tinha sido sempre o filho pródigo de Salazar. Marcello começou a colaborar com Salazar muito novo, como consultor jurídico do Ministério das Finanças (1929). Foi um dos “pais--fundadores” do Estado Novo. Tal como Salazar, era professor de Direito e filho de uma família modesta, mas nunca tiveram um relacionamento fácil. Marcello era muito susceptível e com uma noção rígida de protocolo. A primeira zanga aconteceu logo em 1934. Durante a II Guerra Mundial, Marcello escreveu cartas duras ao chefe do governo: “O governo só se afirma pela repressão.” Salazar tolerou a irreverência, com razão. Em 1944, chamou Marcello para fazer parte de um governo que, no ambiente criado pela derrota da Alemanha, poderia ter sido o último do Estado Novo. Outro ter-se--ia talvez resguardado. Marcello aceitou. Por maiores que fossem as discordâncias, era um salazarista.

Por casamento, Marcello estava ligado a uma família da oposição de esquerda. Lia muito, permitindo-se citações inesperadas (Sartre, por exemplo). Por tudo isso, foi frequentemente visto, na década de 1950, como um “liberal”, por contraste com uma linha “conservadora” encabeçada pelo ministro da Defesa Fernando Santos Costa. Mas tratava-se sobretudo de posições relativas dentro do salazarismo. Marcello não acreditava na democracia. Acreditava simplesmente no Estado Novo, não no que o regime era, mas no que podia ser. Para Santos Costa, o Estado Novo era uma ditadura militar num país onde só à força poderia haver a ordem e o equilíbrio necessários a um progresso sustentável. Marcello nunca aceitou essa visão céptica. Também desconfiava da oposição. Também desprezava partidos e eleições. Também estava disposto a recorrer à força. Mas acreditou que o Estado Novo podia ser popular, através da protecção social e da proximidade dos dirigentes.

Salazar consentiu esta polarização entre Marcello e Santos Costa, segundo a lógica de dividir para reinar. E quando, em 1958, teve de afastar um deles, afastou os dois, para que nenhum pudesse parecer que vencia. A partir daí, constou que Marcello discordava de tudo. Incluindo da maior decisão do regime: a defesa do ultramar. Dizia-se que admitia uma federação, o que, para os defensores da “integridade da Pátria”, era uma heresia quase tão grande como a independência das colónias. No entanto, num País em que só havia vida política de bastidores, nada era claro. Marcello nunca expressou divergências em público. Salazar, pelo seu lado, era ambíguo. Em privado, definia Marcello como “uma pessoa muito difícil, do mais difícil que tenho encontrado”, mas ao mesmo tempo como “um belo espírito”, com “grandes faculdades de trabalho”.

Renovação na continuidade

Em Setembro de 1968, o Presidente Américo Thomaz escolheu Marcello para suceder a Salazar, inválido. A escolha não resultou simplesmente das manobras dos marcelistas, mas da percepção geral de que o regime precisava de dar um sinal de abertura. Estava-se no ano da revolta estudantil de Paris e da Primavera de Praga.
Marcello era um grande professor. Na década de 1960, de regresso à faculdade de Direito de Lisboa, conhecera novas gerações. Tinha fé no poder da sua persuasão e percebera a importância dos meios de comunicação. Saiu à rua, ao contrário de Salazar, e iniciou umas célebres Conversas em Família na RTP. Nunca lhe ocorreu dar às oposições de esquerda a possibilidade de disputar o poder em pé de igualdade. Mas preocupou-o recuperar muita gente que estava de fora ou mesmo contra o regime.

Quase todos aceitaram então falar com ele ou com os seus emissários, e muitos aceitaram integrar-se na vida pública da ditadura. Entre os que mantiveram contactos, embora tivesse recusado submeter-se, esteve Mário Soares; entre os que entraram, Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e os outros membros da depois chamada “ala liberal”. Mas este êxito veio à custa de equívocos. No caso da “ala liberal”, Marcello julgou que o vinham apoiar, e os liberais julgaram que ele iria fazer o que eles queriam (a democratização do regime).

Em 1968, um dos seus mais velhos amigos, o escritor Joaquim Paço d’Arcos, viu-o como um homem “só, imensamente só perante o drama e os trabalhos” que tinha pela frente. Marcello, como compreendeu o seu crítico Adriano Moreira, tentou dotar-se com o poder que Salazar tivera. Manteve a repressão, variando apenas a intensidade e a nomenclatura. Nunca abdicou da censura e da polícia política, até porque o Estado Novo não desenvolvera recursos para prevalecer de outra maneira – a União Nacional quase não existia e os políticos do regime eram mais funcionários do que líderes públicos. Tentou recriar, dentro do regime, uma pluralidade de correntes que lhe pudesse dar margem de manobra. O seu contacto com os liberais é conhecido. Mas, antes de 1968, também se aproximara dos conservadores, especialmente do Presidente Thomaz.

Marcello precisava de todo o poder para os seus projectos: construir o Estado Social, mas sem pôr em causa os equilíbrios financeiros; fazer as classes médias sentirem-se representadas e informadas, mas sem democracia; e pôr termo à guerra em África, mas sem entregar os territórios aos partidos independentistas. Era a “renovação na continuidade”.

A renovação era necessária porque o País e o mundo mudavam. Portugal, através da industrialização e da emigração, estava a deixar de ser uma sociedade rural, onde era possível confiar na Igreja para disciplinar o povo e no comunismo para assustar a classe média. Todas as potências ocidentais haviam retirado de África. Uma nova cultura pop, de origem anglo-americana, marcava uma ruptura de gerações.
Mas a continuidade também era possível. A integração económica na Europa, por via da EFTA (1959), da emigração e do turismo, suscitara a maior prosperidade de sempre em Portugal, diluindo descontentamentos. Em África, os separatistas não eram suficientemente poderosos para sujeitar os portugueses a uma guerra equivalente à da Argélia ou à do Vietname. A Espanha mantinha-se uma ditadura, dando companhia aos torcionários e censores portugueses.

A herança mais difícil

Marcello mudou mesmo muita coisa. Reformou a classe política: 65% dos deputados eleitos em 1969 eram estreantes. A renovação legislativa foi a maior desde a década de 1930. Marcello foi o verdadeiro pai do Estado Social – uma expressão que em Portugal começou a ser usada por ele. Em 1960, havia 56.000 pensionistas; em 1974, 701.000. Foi ele que implantou a rede de 300 centros de saúde que seria a base do SNS e expandiu a escolarização: os alunos matriculados no 5.º e no 6.º ano triplicaram. Para muita gente, o tempo de Marcello, sempre com a censura e a PIDE, foi no entanto de uma melhoria de condições de vida e de aspirações sem paralelo no passado.

A ideia que ficou é que tudo teria corrido bem até à eleição presidencial de 1972, quando lhe faltara a “coragem” para consagrar a renovação através do afastamento do idoso almirante Thomaz da Presidência da República. É o ponto de vista liberal, que identifica sucesso com “liberalização”. Aos 78 anos e cada vez mais convencido de ser o guardião do salazarismo, Thomaz constituía um risco. Mas era também uma maneira de evitar o risco, ainda maior, da sua substituição.

No seu Depoimento, de 1974, Marcello escreveu: “Toda a minha actuação de governante foi condicionada pela questão ultramarina.” O seu antecessor deixara-lhe o que ele considerou “a mais difícil herança da história de Portugal”. Salazar pensara a guerra em África como uma guerra muito longa, e por isso necessariamente barata, rotineira e com uma justificação simples: a defesa do território pátrio. Marcello não acreditou na viabilidade de um esforço militar indefinido. Alterou, por isso, os termos de referência. Em vez da defesa do território, começou a falar da protecção das populações. Em vez de uma rotina executada por comandantes anónimos, fez da guerra uma sucessão de grandes operações, espectacularmente dirigidas por comandantes com poderes inéditos, como os generais Spínola, Kaúlza de Arriaga ou Costa Gomes. Mas, ao suscitar a possibilidade de um fim próximo da guerra, acabou por a tornar insuportável. Pior: pela primeira vez desde a I Guerra Mundial, Portugal tinha comandantes militares carismáticos, cheios de aspirações políticas. Em 1972, Spínola ou Kaúlza estavam disponíveis para herdar o lugar de Thomaz. A recondução deste poupou Marcello a essa experiência. Mas não o poupou à pressão dos comandantes-chefes, que começaram a conspirar para o derrubar e deram cobertura à insubordinação dos oficiais mais jovens.

Marcello tentou jogar como Salazar atirando uns contra os outros. Entre 1973 e 1974, deu a Costa Gomes e Spínola a chefia das forças armadas e depois afastou-os. Deixou sair o livro de Spínola, Portugal e o Futuro, e depois criticou-o. Pedia a todos que lhe dessem “tempo”, mas era o que começava a faltar-lhe. A crise do petróleo de 1973 gerou inflação ameaçando os equilíbrios financeiros. A economia portuguesa afastava-se de África e ligava-se à Europa. Os liberais romperam com ele e aproximaram-se da oposição. Tudo se tornou incerto, e Marcello, na sua tentativa de ir à frente dos acontecimentos (chegou a pensar em preparar a independência de Angola), tornou tudo ainda mais incerto. Por alguma razão, no momento final, não encontrou quem o defendesse.

Marcello não foi tímido nem mole. Simplesmente, tentou resolver problemas sem solução nos termos em que ele os punha. A 25 de Abril de 1974, refugiado no quartel do Carmo, ainda procurou ter um papel, tomando a iniciativa de falar com o general Spínola. Exilado no Brasil, foi, de entre os salazaristas, dos poucos que não se calou, dando entrevistas e publicando livros. Esteve sempre convencido de que fizera o que devia ter feito – e que ninguém lhe agradecera. As classes altas, de facto, nunca lhe perdoaram. As classes médias e baixas, porém, não esqueceram os anos das vacas gordas do seu governo. Em 1978, segundo uma sondagem do Instituto de Estudos de Desenvolvimento, consideravam-no o político que melhor governara o País nos últimos 10 anos, por comparação com Salazar e os chefes de governo da democracia. Mas só a liberdade, que ele não dera aos portugueses, permitiu provar esse apreço.

Sábado

Artigo esplêndido.
 
Muitos devem pensar que o Orçamento é aprovado e acaba tudo, e regressa tudo à normalidade. Eu acredito mais no Pai Natal do que neste Orçamento de Estado se eu fosse presidente do PSD mandava isto abaixo e pedia a intervenção do FMI em Portugal, já não era a primeira vez em 1983 também esteve cá. Aí com a entrada do FMI em Portugal, não havia TGV's, não havia aeroportos e não havia o desperdício que existe no Estado, não era só a classe média que pagava pagavam todos e quando o actual ministro das finanças afirma que não sabe onde cortar as despesas, é tapar o sol com uma peneira aos portugueses, tenham dó.

Tenho um amigo economista diz com a entrada do FMI em Portugal acabava com os amigos, os padrinhos, os primos, as tias e etc...

Aprovar um Orçamento de Estado só para aliviar os mercados, quem diz a vocês que isto vai resultar? Será que vai mesmo? Olhem que as receitas tanto em 2009 e em 2010 estão abaixo das previstas pelo governo, e em 2011 vai tudo comprar para aumentar as receitas. :D

Se muitos acham que a subida do IVA para 23% vai aumentar as receitas, ai vai vai, se o povo não tem dinheiro, logo passa a comprar o que é necessário, e em Abril estamos novamente a bater na mesma tecla, e mais um PEC 4 que o PEC 3 não está a corresponder às expectativas, e depois o PEC 5, o PEC 6 e vamos andar até 2013 de 3 em 3 meses com um PEC novo, olha que engraçado.

Em 2011, os transportes públicos aumentam 5 %, o IVA aumenta mais 2% tirando bens essenciais que chegam a sofrer aumentos de 17% deplorável, a luz aumenta, a água aumenta, em 2011 tudo aumenta e o salário diminui, vamos assistir a mais criminalidade violenta, onde roubar neste país compensa.
 
Pareceu-me sintomático o facto de haver um princípio de acordo entre as partes ao início da tarde, e depois da reunião entre o sócrates e o Teixeira dos Santos tudo ir por água abaixo...

Que motivos terão levado o sócrates (isso mesmo, em letra pequena que ele nada vale como pessoa, muito menos como político e governante) e companhia a dar o dito por não dito? E para mais apresentando propostas que até ao momento ainda não tinham apresentado? Será isto seriedade? Não! Seriedade é colocar as cartas todas na mesa e discutir os assuntos olhos nos olhos, sem subterfúgios.

Agora cabe ao partido no governo colocar a culpa toda no PSD, como se fosse este último o verdadeiro causador da imundície em que está este país.

Este é claramente um mau orçamento, mesmo para nós leigos. Das medidas anunciadas como se compreende que se vá dar 587 milhões de euros à "Ascendi" como forma de equilibrar as contas (sustentabilidade financeira como lhe chamam) de uma empresa privada? Como se compreende que se injecte 400 milhões de euros no BPN para se privatizar o mesmo por 180 milhões? Juntando os 2 montantes são cerca de 1000 milhões de euros, precisamente o que querem poupar com as medidas de corte salarial na função pública!

Caia de vez a máscara destes senhores que nos (des)governam; por mim pior não fica...
;)
 
Sem dúvida chocantes os textos, crimes de guerra autênticos e bárbaros. Foi de uma teimosia e estupidez enorme fazer a guerra colonial, sempre fui e sempre serei contra isso, foi isso que matou o regime, e deixou mal visto em grande parte o Estado Novo. Não se tinha qualquer necessidade de manter as colónias, podíamos perfeitamente ter-lhes dado a independência depois da 2º Guerra mundial, ou até mesmo antes.
 
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