O Estado do País

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Quem conhece o Vince e não sou nenhum advogado de defesa, que ele bem sabe se defender;), não pode deixar de sentir desconforto ao ler estas acusações:mad:.

Estaremos a descambar neste tópico, à semelhança do que se passou com o futebol?
:(

Também me parece que este tópico está a descambar, várias vezes o tema da conversa foi bem além ao tema " o estado do País":(

Knyght... vai chamar cubano ao Fidel Castro, esse sim é que é cubano:rolleyes:
 
Vince que sabes tu da Madeira? Tens noções erradas e gritantes da Madeira mas adoras falar e tens um gosto particular pela gente (irónico).

Houve um post que não o meu, que foi para aquecer e só deviam se picar os utilizadores da freguesia de Cuba no Alentejo.

Além destas duas consideração, habituem-se que os Madeirenses lutam pela sua terra e pelos seus, a maioria é unida não em torno de um Homem como gostam de pintar.

Finalizando a verdade é que Portugal precisa mais da Madeira, que a Madeira de Portugal. Estudem bem quão estratégico é para Portugal manter Madeira e os Açores.

Não vou tecer mais considerações e responder a mais alucinações de alguns utilizadores, só para o topico arrefecer :rolleyes:
 
Agora que já somos oficialmente lixo, talvez seja altura de reciclarmos as ideias neoliberais. É altura de renegociar a dívida e actuar contra o "mercado".
 
Agora que já somos oficialmente lixo, talvez seja altura de reciclarmos as ideias neoliberais. É altura de renegociar a dívida e actuar contra o "mercado".

Agreste, não seja intelectualmente desonesto, o que se passou em Portugal e noutros países europeus ou mesmo nos EUA desde 2007 nada tem de neoliberal. Houve crescimentos desmesurados da dívida pública em percentagem do PIB para aplicar medidas de Keynes que segundo muitos economistas não faziam sentido nenhum nas actuais condições políticas e económicas do século XXI, com mercados abertos. Qualquer liberal, seja clássico seja neoliberal não teria deixado que as dívidas públicas tivessem tamanho crescimento! Olhando para o caso português, teria implementado medidas de estímulo à economia real, cortando no despesismo, criando condições para reduções de impostos, privatizando empresas, etc. O que se fez foi totalmente o contrário, e não foi só o PS em Portugal! O Obama também aumentou demasiado a despesa americana, o Zapatero em Espanha, o Berlusconi em Itália... em suma, o que se passou desde 2007 nada teve de neoliberal.
 
O que se passou em Portugal nada tem de neoliberal, mas o que se passou nos EUA sim, casos Madoff, o Lehman Brothers, entre outros, não são propriamente desvarios socialistas. Não esquecer também que os EUA gastam, anualmente, cerca de um bilião de dólares em esforço de guerra, estão neste momento envolvidos em 3 cenários complicados, onde se meteram inutilmente, e provavelmente em nenhum vão ser totalmente bem sucedidos.
Em Espanha também ocorreu o rebentamento da bolha imobiliária, que potenciou muito a crise, que não é igualmente um desvario socialista.
 
Tenhamos esperança. João Duque também a tem...

Esforço e muita dureza. Talvez como o cimento, duro mas com pouca resistência à tensão que se vai seguir. Isto quando é a malta do plano inclinado a puxar a carroça é diferente...

«João Duque desvaloriza corte de 'rating' e confia em reviravolta nos mercados

por LusaHoje

O economista João Duque desvalorizou hoje o corte do 'rating' de Portugal feito pela agência de notação financeira Moody's, acreditando numa reviravolta nos mercados até final do ano.

"Prefiro uma crise em 'v', afundar rápido para depois começar a subir, que uma crise que não tem 'v', é só um dos lados, é um plano inclinado", disse o economista à agência Lusa, no dia em que a Moody's cortou em quatro níveis o 'rating' de Portugal de Baa1 para Ba2, colocando a dívida do país na categoria de 'lixo'.

Com "algum esforço e muita dureza" Portugal pode "voltar rapidamente aos eixos", e o importante agora, frisa João Duque, é mostrar "até final do ano" que o país está a cumprir o acordo firmado com a 'troika' internacional.

"De certa maneira, este 'downgrade' tem uma grande vantagem, que é podermos, espero, até final do ano, fazer um balanço e mostrar que estamos a cumprir o que tínhamos acordado e que os portugueses nos momentos difíceis são capazes de dar a palavra e cumprir", sustenta o presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).

"Temos todos de tentar fazer o melhor para que Portugal tenha sucesso no cumprimento das metas a que se comprometeu", sublinha, destacando que as mesmas foram assinadas por três partidos (PSD, PS e CDS-PP) e têm "um suporte de um conjunto muitíssimo alargado" da população "empenhada em sair da situação em que está".

O Governo, através do ministério das Finanças, considerou que a agência Moody"s "ignorou" o anunciado corte do subsídio de Natal e "não terá tido em devida conta" o "amplo consenso político que suporta a execução das medidas acordadas com a 'troika'".»


Já tentei explicar aqui isto das agências, deverias estar contente por teres razão antes do tempo. A agência limitou-se a dizer o mesmo que tu já tens dito e defendido, ou seja, que estamos agora mais próximos duma renegociação da dívida.

Não só por isso. Por exemplo os pontos 2 e 3 da análise da Moody's são excelentes.

Critica-se o Governo por ser incapaz de baixar o défice aplicando medidas de redução da despesa (ponto 2).

Critica-se novamente o Governo pelos resultados que esse corte de despesa, se for bem sucedido, terão na actividade económica baixando a colecta de impostos e impedindo a consolidação do défice (ponto 3).

Portanto baixa-se a classificação porque o medicamento não vai ser bem aplicado. Mas se for bem aplicado baixa-se a classificação, porque os resultados não vão alterar a situação actual.

Isto é bastante original!
 
Já que uma agência colocou a nossa dívida ao nível de LIXO, talvez seja melhor começar a pensar num plano B. Renegociacão da dívida não interessa, a não ser que alargassem as prestações até 30anos a um juro muito, mas muito baixo. Mas sabemos que isso nunca vai acontecer, a renegociação da dívida significaria sempre uma redução de apenas 2 ou 3% no juro com alargamento em 10 anos das prestações. Nem a renegociação da dívida irá salvar a Grécia, que está rotundamente falida! Completamente falida, sem hipóteses algumas! A alemanha e a frança só estão a dar tempo para que os seus bancos credores da grécia ainda recebam algum (considerando os juros altíssimos), e depois despacham a Grécia!

O plano B, seria um plano que nos prepare para o cenário provável que nos coloca fora do Euro, talvez até da UE. Imagino que só pagariamos a dívida aos países com quem temos relações comerciais (importações/exportações). Provavelmente, se tudo correr mal estaremos daqui a 4anos, fora da UE, de volta ao escudo a valer 30% menos (140$/eur) e com uma inflação de 10 ou 20% ao ano, até equilibrar a balança comercial. Ao fim de 5 anos quem agora ganha 1000eur, irá receber 500eur (ou melhor, uns 70contos/mês).

Parece um pesadelo este cenário, não parece? Ridículo a 5anos? Talvez.. :) Ainda tenho alguma esperança, que a agência Moodys nos tenha cotado como LIXO tão só e apenas por estarmos com 7.7% de défice no 1o trimestre do ano, quando o objectivo seria 5.4% ao fim do ano!
 
Pagar juros a 5,5% entrando em recessão já se adivinha o nosso futuro, mesmo sem ter-mos uma bola de cristal. Imaginem um individuo que estava numa situação de não conseguir arranjar dinheiro para pagar a prestação da casa, então chega ao banco e pede outro empréstimo, para ir pagando o anterior. Mas não vai ganhar mais dinheiro por mês tem o salário congelado ou em recessão, mas vai ter que pagar o anterior crédito e mais este.

Adivinham já o final da história... O mesmo se passa em Portugal, Grécia, etc.

Não é preciso ser economista para se saber isto, não sei como ainda há tanta gente neste País que acreditou nos milagres dos suspeitos do costume.
 
O caso de Portugal é diferente do caso grego num pormenor. Se Portugal cair, não duvido que arrastaremos de imediato a Espanha. Sabem o que isso significa?
 
Um dia acordamos, e sem nos darmos conta, vivemos num país a caminho do comunismo, com a população de olhos tapados, a cuidar que vive numa ilusão repetida até à exaustão pelas vozes da realidade envolvente.

Tribunal arresta bens e cancela contas da Empresa Municipal de Vila Real de Santo António
05-07-2011 17:48:00

A Sociedade de Gestão Urbana (SGU) de Vila Real de Santo António tem “os bens imóveis e créditos” arrestados pelo o Tribunal Judicial até ao valor de 1,717 milhões de euros. Empresa municipal tem as contas congeladas.

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Ao que o Observatório do Algarve apurou, um edital com a decisão judicial do arresto foi afixado na sede da SGU e igualmente nos paços do concelho, por serem propriedade da EM, a quem o Município paga uma renda mensal que ronda os 25 mil euros.

O edital (foto 2) remete para o processo 445/11- OC-TB- VRSA e ordena o arresto, seja dos bens móveis (inclua-se também o parque de campismo) daquela empresa municipal, como dos créditos e outros ativos, como conclusão de uma providência cautelar de dois dos acionistas da Cidademar - Pescas e Produtos Alimentares, S.A., empresa sediada em Vila Real de Santo António.

SGU “indignada” com decisão do Tribunal

Manifestando-se “indignada com a decisão do tribunal” a SGU de Vila Real de Santo António reage, em comunicado, afirmando ter sido “hoje surpreendida com o arresto dos seus imóveis e créditos, decretado pelo Tribunal de Vila Real de Santo António, sem que tivesse tido conhecimento da providência cautelar”.

A empresa municipal salienta que “como entidade municipal nunca se furtou às suas responsabilidades” considerando também que sendo “parte integrante no processo, deveria ter sido ouvida pelo Tribunal, antes que a sentença tivesse sido proferida”.

Compra da sociedade e dos seus bens na origem do diferendo

Em 2008 a empresa municipal assinou um contrato de promessa de compra e venda com a Cidademar, SA para a aquisição da mesma, tendo ficado definido que o pagamento dos 2,160 milhões de euros do valor da aquisição seria “em diferentes tranches”.

“O arresto agora decretado diz respeito à última tranche do contrato promessa de compra e venda”, assegura a SGU.

Segundo a entidade municipal “o único ativo da empresa era um terreno situado em Vila Real de Santo António”.

O Observatório do Algarve apurou que o terreno referido inclui os respetivos armazéns e situa-se na marginal de Vila Real de Santo António, confinando com a antiga fábrica de conservas Ramirez, cujo lote foi entretanto adquirido por um investidor do Norte, localizando-se ainda nas proximidades do cemitério.

Toda esta zona é abrangida pelo Plano de Pormenor, que altera a perequação do local, ou seja, a fórmula que permite determinar a altura dos edifícios e da capacidade de ocupação.

A empresa municipal alega no documento enviado à imprensa que para lá do pagamento do sinal acordado “foi entregando outras tranches, sendo que, por falta de liquidez, não foi efetuado no prazo previsto o pagamento da última tranche” citada no edital reclamado pelos credores um valor superior a 1,7 milhões de euros, acrescidos de custas judiciais.

“Para tentar corrigir esta situação, a SGU foi apresentando alternativas e soluções de pagamento aos ex-acionistas da Cidademar, tendo chegado a assinar letras no valor de 400 mil euros, nunca descontadas”, reitera o responsável da empresa municipal.

O administrador da SGU garante que ao longo do processo a entidade municipal “foi estando sempre em contacto com os ex-acionistas da Cidademar, para que fosse encontrada a melhor solução para o pagamento da última tranche”.

Pedro Alves manifesta, por isso ter sido “com surpresa que fomos notificados desta decisão, sem que tivesse havido, primeiro, uma tentativa final para encontrar uma solução".

"Mas apesar deste ato consumado, a SGU quer honrar os seus compromissos, e estamos já a trabalhar com os ex-acionistas da Cidademar na resolução do problema”, assegura.

É “inexplicável” decisão do Tribunal

O arresto cancelou as contas bancárias da Sociedade de Gestão Urbana e, para o administrador da SGU, “é inexplicável que o tribunal tome uma decisão que paralisa a atividade da empresa, com reflexo direto no funcionamento dos serviços sociais da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, quando apenas estava em causa a última tranche do contrato”.

Estarão também em causa os ordenados dos funcionários da empresa que está encarregue, por exemplo, da gestão da limpeza urbana.

A Sociedade de Gestão Urbana de Vila Real de Santo António lembra ainda que “após a recente aprovação do Plano de Pormenor da zona, está a proceder ao reparcelamento do respetivo plano para efetivar a venda de lotes, de modo a obter liquidez necessária para saldar os seus compromissos”.

http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/noticias_ver.asp?noticia=46232





Temos então uma empresa municipal, pública, que anda a fazer especulação imobiliária. Mas onde é que chegámos? Como? Como é possível isto? Uma empresa criada numa autarquia a fazer esta concorrência desleal às empresas privadas? Mas estamos a caminho de uma URSS? Como é que a população deixa que isto ocorra? Ninguém diz nada? Investimentos que deveriam ser feitos pelo sector privado feitos com dinheiro públicos? Não, isto é INADMISSÍVEL. Que venha depressa uma bancarrota e a expulsão do euro.

Mais informação aqui:http://aeiou.expresso.pt/vrsa-empresa-municipal-parada-com-bens-congelados=f659703
 
O que se passou em Portugal nada tem de neoliberal, mas o que se passou nos EUA sim, casos Madoff, o Lehman Brothers, entre outros, não são propriamente desvarios socialistas. Não esquecer também que os EUA gastam, anualmente, cerca de um bilião de dólares em esforço de guerra, estão neste momento envolvidos em 3 cenários complicados, onde se meteram inutilmente, e provavelmente em nenhum vão ser totalmente bem sucedidos.
Em Espanha também ocorreu o rebentamento da bolha imobiliária, que potenciou muito a crise, que não é igualmente um desvario socialista.

???

No Iraque consegui-o já o controle do petróleo, no Afeganistão o controle da Papoila e bom fornecimento de droga e finalmente na Líbia o controle dos pipeline's.

E finalmente tem tido as suas brilhantes saídas como o Iraque ter de vir a pagar, claro em petróleo, a sua "libertação" como se a desculpa de ataque não tenha sido o desmantelamento de armas de destruição massiva, que foi informação falsa para eludir a opinião publica. Uma nova escravatura encoberta no século XXI pelos EUA já circula pelo senado e estou aqui para ver se a ideia vai pra frente e a comunidade internacional aceita esta loucura!!!


Tanto nas guerras como na economia os ataques vem sempre dos EUA, espero que tenham reparado bem já este pormenor!
 
Atenção. Um erro muito comum. A palavra «massivo» não existe na nossa língua. Diz-se (e escreve-se) maciço.

Desde sempre o meu forte não foi o Português mas...

http://pt.thefreedictionary.com/massivo
http://pt.wiktionary.org/wiki/massivo

este dicionário é oficial http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx?pal=massivo

Contudo atendendo ao seguinte site tens razão:

http://www.ciberduvidas.pt/pergunta.php?id=9107 :thumbsup:

Finalizando eu recuso-me a escrever ou a dizer sitio, a um site de internet.
 
You bastards

Pedro Santos Guerreiro - [email protected]

Choque. Escândalo. Lixo. Resignação? Não. Mas sim, lixo, somos lixo. Os mercados são um pagode, e nós as escamas dos seus despojos.
Isto não é uma reacção emotiva. Nem um dichote à humilhação. São os factos. Os argumentos. A Moody's não tem razão. A Moody's não tem o direito. A Moody's está-se nas tintas. A Moody's pôs-nos a render. E a Europa rendeu-se.

As causas da descida do "rating" de Portugal não fazem sentido. Factualmente. Houve um erro de cálculo gigantesco de Sócrates e Passos Coelho quando atiraram o Governo ao chão sem cuidar de uma solução à irlandesa. Aqui escrevi nesse dia que esta era "a crise política mais estúpida de sempre". Foi. Levámos uma caterva de cortes de "rating" que nos puseram à beira do lixo. Mas depois tudo mudou. Mudou o Governo, veio uma maioria estável, um empréstimo de 78 mil milhões, um plano da troika, um Governo comprometido, um primeiro-ministro obcecado em cumprir. Custe o que custar. Doa o que doer. Nem uma semana nos deram: somos lixo.

As causas do corte do "rating" não fazem sentido: a dificuldade de reduzir o défice, a necessidade de mais dinheiro e a dificuldade de regressar aos mercados em 2013 estão a ser atacadas pelo Governo. Pelo País. Este corte de "rating" não diagnostica, precipita essas condenações. Portugal até está fora dos mercados, merecia tempo para descolar da Grécia. Seis meses, um ano.

Só que não é uma questão de tempo, é uma questão de lucro, é uma guerra de poder. Esta decisão tem consequências graves e imediatas. Não apenas porque o Estado fica mais longe de regressar aos mercados. Mas porque muitos investidores venderão muitos activos portugueses. Porque é preciso reforçar colaterais das nossas dívidas. Porque hoje todos os nossos activos se desvalorizam. As nossas empresas, bancos, tudo hoje vale menos que ontem. Numa altura de privatizações. De testes de "stress". Já dei para o peditório da ingenuidade: não há coincidências. Hoje milhares de investidores que andaram a "shortar" acções e dívidas portuguesas estão ricos. Comprar as EDP e REN será mais barato. Não estamos em saldos, estamos a ser saldados. Salteados.

Portugal foi um indómito louco, atirou-se para um precipício, agarrou-se à corda que lhe atiraram. Está a trepar com todas as forças, lúcido e humilde como só alguém que se arruína fica lúcido e humilde. Veio a Moody's, cuspiu para o chão e disse: subir a corda é difícil - e portanto cortou a corda.

Tudo isto não é por causa de Portugal, é por causa da guerra entre os EUA e a Europa, é por causa dos lucros dos accionistas privados e nunca escrutinados das "rating". Há duas semanas, um monumental artigo da jornalista Cristina Ferreira no "Público" descreveu a corrosão. Outra jornalista, Myret Zaki, escreveu o notável livro "La fin du Dollar" que documenta o "sistema" de que se alimentam estas agências e da guerra dólar/euro que subjaz.

Ontem, Angela Merkel criticou o poderio das agências e prometeu-lhes guerra. Não foi preciso 24 horas para a resposta: o aviso da Standard & Poors de que a renovação das dívidas à Grécia será considerado "default" selectivo; a descida de "rating" da Moody's para Portugal.

Estamos a assistir a um embuste vitorioso e a União Europeia não é uma potência, é uma impotência. Quatro anos depois da crise que estas agências validaram, a Europa foi incapaz de produzir uma recomendação, uma ameaça, uma validação aos conflitos de interesse, uma agência de "rating" europeia. Que fez a China? Criou uma agência. Que diz essa agência? Que a dívida portuguesa é BBB+ (semelhante ao da canadiana DBRS: BBB High). Que a dívida americana já não é AAA. Os chineses têm poder e coragem, a Europa deixou-se pendurar na Loja dos Trezentos... dos americanos.

Anda a "troika" preocupada com a falta de concorrência em Portugal... E a concorrência ente as agências de "rating"? Há dois dias, Stuart Holland, que assinou o texto apoiado por Mário Soares e Jorge Sampaio por um "New Deal" europeu, disse a este jornal: é preciso ter os governos a governar em vez das agências de 'rating' a mandar.

Não queremos pena, queremos justiça. A Europa fica-se, não nos fiquemos nós. O Banco Central Europeu tem de se rebelar contra esta ditadura. Em Outubro, o relatório do Financial Stability Board, que era liderado por Mário Draghi, aconselhava os bancos e os bancos centrais a construírem modelos próprios para avaliarem a eligilibidade dos instrumentos financeiros por estes aceites e pôr termo ao automatismos das avaliações das agências de rating. Draghi vai ser o próximo presidente do BCE. Não precisa de acabar com as agências de "rating", precisa de levantar-se destas gatas.

Este corte de "rating" é grave. É uma decisão gratuita que nos sai muito cara. Portugal é o lixo da Europa. As agências de "rating" são os cangalheiros, ricos e eufóricos, de um sistema ridiculamente inexpugnável. As agências garantem que nada têm contra Portugal. Como dizia alguém, "isto não é pessoal, apenas negócios". Esse alguém era um padrinho da máfia.

http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=494491
 
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