O Estado do País

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Estamos a assistir a um embuste vitorioso e a União Europeia não é uma potência, é uma impotência. Quatro anos depois da crise que estas agências validaram, a Europa foi incapaz de produzir uma recomendação, uma ameaça, uma validação aos conflitos de interesse, uma agência de "rating" europeia. Que fez a China? Criou uma agência. Que diz essa agência? Que a dívida portuguesa é BBB+ (semelhante ao da canadiana DBRS: BBB High). Que a dívida americana já não é AAA. Os chineses têm poder e coragem, a Europa deixou-se pendurar na Loja dos Trezentos... dos americanos.

Podemos ficar só com esta parte?
 
Terias portanto escrito o mesmo.

Criticar o Governo por ser incapaz de aplicar com rigor as medidas de redução da despesa de modo a baixar o défice (ponto 2).

Criticar o Governo porque mesmo que aplique com rigor o ajustamento previsto, os resultados dessas medidas vão ter um impacto na actividade económica, na colecta de impostos prevista e impedirão que se atinjam os objectivos da descida do défice (ponto 3).

Talvez seja a primeira vez que eu concordo (ou eles é que concordam comigo) com os tipos que vão desfilando ai pelos media do regime. Ouvir coisas como terrorismo económico, falsidade, estupidez dos "mercados" já eram verdade no empréstimo da Grécia.

Perdemos 2 anos com esta palhaçada dos ratings americanos. Talvez seja agora o momento de acabar com esta irracionalidade económica até porque a Espanha está já aqui ao lado.
 
O Governo já fraquejou em duas coisas, a primeira foi o adiar da venda da RTP1, a segunda foi o dar a entender que não haverá fusões de municípios, mas só de juntas de freguesia -o que seria de esperar, pois as câmaras municipais portuguesas são um dos bastiões do PSD. No Algarve poderiam juntar já Castro Marim e Alcoutim com Vila Real de Santo António, ou Aljezur com Vila do Bispo, ou Aljezur com Monchique e Vila do Bispo com Lagos.
 
O que vou dizer, significa quase suicídio, mas é a realidade, e quanto mais a adiarmos mais alimentamos a pança das agências de rating:

Já repararam que o poder decisor da União Europeia não quer saber de nós nem da Grécia, estão apenas adiando para que os seus bancos credores recebam algum dos altos juros, até chegar ao ponto do incumprimento total, é esse o destino! Infelizmente..

O que podemos fazer é começar a preparar-nos quanto mais rápido melhor, para fechar a torneira do acesso ao crédito! É a única forma, mas a única mesmo, de evitar estarmos submissos aos ratings! É isso mesmo, não pedir nada, e ponto final! Tudo o que pedimos a partir de agora virá acrescido de juros crescentes, somos lixo, por mais medidas austeras que venham, é um rodopio em espiral rumo ao abismo dos abismos!

As consequências de não aceder ao crédito são fatais, mas pagar mais juros será ainda pior ou não?

Onde Portugal errou? Errou onde não se podia errar, fizeram-se obras públicas com a economia em crescimento (mesmo que fraco), e agora que estamos já para lá horizonte dos acontecimentos deste buraco negro, falta-nos o dinheiro para revitalizar a economia! Foi erro brutal da esquerda à direita meus caros, o estado deveria ter regulado apenas quando deveria regular a economia, e agora sim investir!

Estamos completamente perdidos.. Um conselho: não se lembrem em investir em acções neste momento, por muito baratas que estejam neste momento (hoje desceram em média 5%) mas já depreciaram para 1/3 do valor há 2 anos, mas a depreciação irá continuar por muito, muito tempo! Eu não sei onde é o fundo do poço, nem ninguém sabe!

O destino de Portugal deveria ser já repensado quanto antes, se a inevitabilidade do incumprimento das obrigações for uma realidade! Desculpem lá esta má notícia..
 
Por mim não cortava era em mais nada, depois de um sinal que estava-mos a seguir religiosamente a troika, até melhor, pois este corte no subsidio de Natal nem estava previsto na Troika, eis que surgem os paladinos do Capital, (Agências de Rating) e colocando-nos no lixo financeiro.

O mais incrivel é que os média continuam a dar muita atenção a essa treta.

Muito sinceramente se calhar com grandes cortes já lá não vamos, pois eles entendem que os cortes estrangulam as economia. Acho que deviamos era apostar em dinamiza-la, criando formas de sermos o mais possíveis auto-suficientes. É dificil sair deste beco, pois neste País compra-se uma mera chave de estrela e vamos ver! Made In Taiwan. Não produzimos mesmo nada....
 
O que vou dizer, significa quase suicídio, mas é a realidade, e quanto mais a adiarmos mais alimentamos a pança das agências de rating:

Já repararam que o poder decisor da União Europeia não quer saber de nós nem da Grécia, estão apenas adiando para que os seus bancos credores recebam algum dos altos juros, até chegar ao ponto do incumprimento total, é esse o destino! Infelizmente..

O que podemos fazer é começar a preparar-nos quanto mais rápido melhor, para fechar a torneira do acesso ao crédito! É a única forma, mas a única mesmo, de evitar estarmos submissos aos ratings! É isso mesmo, não pedir nada, e ponto final! Tudo o que pedimos a partir de agora virá acrescido de juros crescentes, somos lixo, por mais medidas austeras que venham, é um rodopio em espiral rumo ao abismo dos abismos!

As consequências de não aceder ao crédito são fatais, mas pagar mais juros será ainda pior ou não?

Onde Portugal errou? Errou onde não se podia errar, fizeram-se obras públicas com a economia em crescimento (mesmo que fraco), e agora que estamos já para lá horizonte dos acontecimentos deste buraco negro, falta-nos o dinheiro para revitalizar a economia! Foi erro brutal da esquerda à direita meus caros, o estado deveria ter regulado apenas quando deveria regular a economia, e agora sim investir!

Estamos completamente perdidos.. Um conselho: não se lembrem em investir em acções neste momento, por muito baratas que estejam neste momento (hoje desceram em média 5%) mas já depreciaram para 1/3 do valor há 2 anos, mas a depreciação irá continuar por muito, muito tempo! Eu não sei onde é o fundo do poço, nem ninguém sabe!

O destino de Portugal deveria ser já repensado quanto antes, se a inevitabilidade do incumprimento das obrigações for uma realidade! Desculpem lá esta má notícia..

Portugal tem pouco mais de 10 milhões de habitantes, e um PIB per capita que é 65% do PIB per capita médio da antiga UE a 15. Vejamos, na Primeira República tínhamos um PIB per capita que era 50% da média das nações mais ricas da Europa. Depois de tantos empréstimos, tantos apoios da UE, e de terem passado tantos anos, não deveríamos estar muito mais próximos dos outros países da Europa Ocidental? Nem fomos destruídos pela Segunda Guerra Mundial! E pior, só nos últimos 30 anos de ditadura é que a economia portuguesa teve um crescimento económico expressivo! O problema é cultural, é nosso, somos nós, como povo, que infelizmente, não «damos muito mais que isto».

Recentemente, li algures declarações de um alemão ou holandês sobre a nossa saída do euro, e da Grécia. Dizia ele que não representamos mais de 3% do valor da moeda única. Ou seja, para darmos problemas, mais vale sermos postos fora...
 
Por mim não cortava era em mais nada, depois de um sinal que estava-mos a seguir religiosamente a troika, até melhor, pois este corte no subsidio de Natal nem estava previsto na Troika, eis que surgem os paladinos do Capital, (Agências de Rating) e colocando-nos no lixo financeiro.

O mais incrivel é que os média continuam a dar muita atenção a essa treta.

Muito sinceramente se calhar com grandes cortes já lá não vamos, pois eles entendem que os cortes estrangulam as economia. Acho que deviamos era apostar em dinamiza-la, criando formas de sermos o mais possíveis auto-suficientes. É dificil sair deste beco, pois neste País compra-se uma mera chave de estrela e vamos ver! Made In Taiwan. Não produzimos mesmo nada....

Não deviamos cortar mais nada?! Que rotundo engano.. Então e onde irias buscar o dinheiro, se não queres cortar em nada?? Sem cortar em nada continuamos a precisar de mais crédito e cada vez mais submissos às agências de rating!! Se é que podemos descer mais do que lixo.. Acho que ainda mais 2 ou 3 níveis abaixo!

É necessário cortar no peso do estado, e ainda assim não chega, é preciso mais alguns impostos e menos subsídios. Não se pode gastar o que não se tem!! O preço são os juros altíssimos e daí não saímos nunca!

O ideal seria não depender-mos de mais ninguém em termos de crédito. Pelo menos até passar esta crise! Se não o fizermos apenas estaremos penhorando a vida dos nossos filhos, netos..

A mesma agência moddy's foi aquela que cotou a empresa que deu origem ao descalabro financeiro mundial, como de elevada confiança AAA!

Por aqui se vê que os americanos têm um objectivo em concreto, retirar-nos dinheiro para pagar os seus descalabros. E a alemanha e a frança já aprenderam, pois estão a fazer o mesmo só que lhe chamam renegociação (com juros mais altos do que o crescimento da economia permite pagar, ou por anos e anos a pagar), trata-se de garantir a sobrevivência dos seus bancos!

Isto é um abre-olhos, quanto antes acordarmos para a vida tanto melhor para nós!
 
O Governo já fraquejou em duas coisas, a primeira foi o adiar da venda da RTP1, a segunda foi o dar a entender que não haverá fusões de municípios, mas só de juntas de freguesia -o que seria de esperar, pois as câmaras municipais portuguesas são um dos bastiões do PSD. No Algarve poderiam juntar já Castro Marim e Alcoutim com Vila Real de Santo António, ou Aljezur com Vila do Bispo, ou Aljezur com Monchique e Vila do Bispo com Lagos.

Tendo por base, os últimos censos, essa junção seria o ideal, há 2 semanas atrás circulou uma notícia nos media algarvios onde está prevista a junção de Faro com São Brás. São Brás nos últimos censos têem pouco mais de 10 mil habitantes.
 
Um dos nossos maiores problemas: poder local.


De acordo com um estudo recente:

- Em 2008, 85.1% dos nossos municípios registaram défices orçamentais;
- Nesse mesmo ano, a dívida das autarquias lusas ascendeu a 7.1 mil milhões de euros;



- O défice da administração local e regional aumentou de 300 milhões de euros, em 2008, para 1000 milhões de euros, em 2009, devido ao acréscimo da despesa, acompanhado de forte redução da receita;

- Em 2009, existiam 71 câmaras com excesso de endividamento líquido face ao legalmente permitido;

- No final de 2009, 100 municípios enfrentavam dificuldades para pagar as suas dívidas;

- No final de 2009, 50 municípios não tinham condições para pagar o seu endividamento;



Agora eu pergunto, como se chegou aqui?

EDIT: dados tirados do Expresso desta semana.
 
Como se chegou aqui... eis algumas respostas.

1) Concertos oferecidos pelas autarquias. De acordo com um estudo recente do DN, Tony Carreira recebeu em média 600 mil euros por ano nos últimos anos, do dinheiro dos contribuintes.

2) Dinheiro dado mensalmente ou anualmente a associações desportivas, colectividades, agremiações, sedes de columbófilas, grupos de caçadores e pescadores, recreativas, etc., sendo que muitas dessas entidades recebem largos milhares de euros por ano, e por autarquia, chegam a ser às dezenas. Agora é fazer as contas. Poderemos estar a falar de largos milhões de euros por ano. E para quê? Se a maioria dessas associações não presta nenhum serviço de carácter social ou cultural às populações? Se se limitam a organizar caçadas, jantaradas, bailaricos, largadas de pombos? Mais. Muitas associações locais estão em edifícios cedidos pelos autarquias, e ou não pagam rendas, ou pagam rendas reduzidas.

3) Obras públicas desnecessárias. O Estádio do Algarve, que consome 5000 euros por dia, é um caso emblemático. Mas há mais. Piscinas, pavilhões, rotundas, fontanários, auditórios, o que não faltam são obras cuja real necessidade é duvidosa.

4) Excesso de funcionário públicos. No últimos anos, o número de funcionários do poder local continuou a aumentar. São mais de 130 mil. E ainda há as empresas municipais...

5) Benefícios algumas empresas privadas em particular. O Autódromo do Algarve é um bom exemplo.
 
Um dos nossos maiores problemas: poder local.


De acordo com um estudo recente:

- Em 2008, 85.1% dos nossos municípios registaram défices orçamentais;
- Nesse mesmo ano, a dívida das autarquias lusas ascendeu a 7.1 mil milhões de euros;



- O défice da administração local e regional aumentou de 300 milhões de euros, em 2008, para 1000 milhões de euros, em 2009, devido ao acréscimo da despesa, acompanhado de forte redução da receita;

- Em 2009, existiam 71 câmaras com excesso de endividamento líquido face ao legalmente permitido;

- No final de 2009, 100 municípios enfrentavam dificuldades para pagar as suas dívidas;

- No final de 2009, 50 municípios não tinham condições para pagar o seu endividamento;



Agora eu pergunto, como se chegou aqui?

EDIT: dados tirados do Expresso desta semana.

1. As câmaras puderam endividar-se porquê? Porque aproveitaram um buraco que o anterior governo meteu na lei, que permite às autarquias estimar quanto vão receber! Na prática, não recebem metade do que estimaram! Não é segredo nenhum, estimaram receber o dobro das receitas para se poderem endividar para além do permitido. Segredo desvendado! :)

2. Existem algumas câmaras que parecem não se ter endividado. Quais são? São aquelas que venderam o negócio de exploração das águas, à empresa respectiva, do grupo Águas de Portugal. Isto acontece desde à 5 ou 6 anos para cá, e as câmaras ainda estão recebendo receitas desse negócio. Exemplo: em castelo branco o negócio rendeu qualquer coisa como 21 milhões de euros pagos ao longo de 7 anos. :)
 
1. As câmaras puderam endividar-se porquê? Porque aproveitaram um buraco que o anterior governo meteu na lei, que permite às autarquias estimar quanto vão receber! Na prática, não recebem metade do que estimaram! Não é segredo nenhum, estimaram receber o dobro das receitas para se poderem endividar para além do permitido. Segredo desvendado! :)

2. Existem algumas câmaras que parecem não se ter endividado. Quais são? São aquelas que venderam o negócio de exploração das águas, à empresa respectiva, do grupo Águas de Portugal. Isto acontece desde à 5 ou 6 anos para cá, e as câmaras ainda estão recebendo receitas desse negócio. Exemplo: em castelo branco o negócio rendeu qualquer coisa como 21 milhões de euros pagos ao longo de 7 anos. :)

E ainda foram criadas as empresas municipais, que se meteram a endividar na Banca como entidades privadas, mas que no fundo são mais uma entidade pública. Chocante, pois antes não havia este sistema e as autarquias forneciam os mesmos serviços essenciais com a mesma qualidade. Mas com estas empresas municipais duplicaram os tachos e jobs para os boys dos partidos.
 

A crítica não é para si, vinc7e, mas para todos, para a sociedade, estes grupos não passam de diletantismos, brincadeiras, gastos de energia desnecessários que nada resolvem. Aderir a um grupo, assinar uma petição online, é muito fácil, mas nada resolve, agora eu, o caro, todos mudarmos e corrigirmos os nossos defeitos, isso sim custa, é moroso, exige força de vontade, e talvez nem 90% da população queira mudar, ou saiba como mudar, ou saiba que está errada.
 
Se calhar vão ficar chocados com o que digo, mas eu se fosse uma agência de rating teria feito exactamente a mesma coisa.

E explico porquê. Eu esperava um grande sinal do novo governo e não vi nada que me tranquilizasse. Não são viagens em económica da TAP, ou uns governadores civis a menos, ou uns quantos subdirectores da segurança social que farão a diferença. Vi foi um aumento de impostos, sempre a solução fácil que se pratica há mais de uma década em Portugal, assim não vamos lá.

Portanto não compreendo o espanto das pessoas. Enquanto não dermos sinais substanciais de mudança da forma como vivemos e nos governamos, mudar todo o nosso modelo económico, encaro com naturalidade a degradação continua dos nossos "ratings". Não temos objectivamente forma alguma de pagarmos tudo o que devemos.

Nós como país estamos completamente falidos, mas pelos vistos muita gente ainda não assimilou essa realidade.

Concordo.

E acrescento. A Moody's salienta um pormenor muito interessante. A sociedade portuguesa de uma forma ou de outra depende, na sua maioria, de dinheiro públicos. Ora, o que acontece se o Estado põe a casa em ordem? Vejamos. O Estado tem de despedir 1% ao ano até 2014, e 2% ao ano no poder local, também até 2014. Estamos a falar de milhares de portugueses que ficarão sem poder pagar as prestações do carro ou da casa, ou que não irão gastar dinheiro aos centros comerciais. O Estado cortará 50% do subsídio de Natal, portanto estamos a falar de centenas de milhar de portugueses que se inibirão de consumir demasiado no Natal, o que se traduzirá em possíveis encerramentos de lojas depois da época de saldos de Inverno do próximo ano. Logo, mais gente no desemprego, mais crédito malparado. O Estado tem de cortar nas obras públicas, no betão. Menos dinheiro para as construtoras, mais desemprego.

Tudo isto não seria trágico se houvesse um sector privado dinâmico que absorvesse estes desempregados. Se tivéssemos mais agricultura, mais indústria, mais turismo. Mas não temos.

O que a Moody's sabe é que:

1) Se o Estado não impõe austeridade, falimos;

2) Se o Estado põe as contas em dia, a economia afunda em queda livre.

Em suma, estamos provavelmente num beco sem saída.
 
Estado
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