O Estado do País

  • Thread starter Thread starter Rog
  • Data de início Data de início
Estado
Fechado para novas mensagens.
Há muitas formas de o país poupar sem cortar nos serviços públicos prestados. Penso que cortar 30% como defende Medina Carreira não é nenhuma calamidade, se se analisar grão a grão dá uma soma astronómica, acreditem!

Com o corte nos impostos os empregos no sector privado poderiam ser segurados, e até a médio e longo prazo haveria mais criação de emprego, permitindo ao Estado uma redução faseada do número de funcionários públicos. Conforme as pessoas fossem saindo da função pública, seriam absorvidas pelo sector privado. Para sermos competitivos é importante que tenhamos, por exemplo, impostos mais baixos que a Espanha. Quais as vantagens? Beneficia, por exemplo, o turismo no Algarve e na Madeira, que rouba assim clientes à Andaluzia e às Canárias; beneficia o comércio das cidades fronteiriças; e entre Espanha e Portugal, com salários mais baixos por cá, e impostos mais baixos, as empresas estrangeiras prefeririam o nosso país.

Ora o que está a ser feito, na minha opinião, é um erro. Aumentam-se impostos, aumentam-se taxas moderadores, colocam-se portagens! O Estado deveria sim cortar despesa e reduzir impostos.

Conheço muitas alternativas para o Estado cortar despesa, certamente que os leitores do fórum também conhecem muitos abusos. Agora imaginem o que seria juntar todas as situações que conhecemos, e dar uma solução. Quanto se pouparia?

Vou dar exemplos práticos, de situações a nível local, na minha freguesia.


- Antigamente os jovens iam para a Secundária de comboio. Agora vão de autocarro, ora o autocarro é de uma empresa privada. O passe de autocarro custa o dobro, e como a autarquia financia os passes estes acabam por ficar muito mais caros. Se a autarquia financiasse apenas os passes de comboio poderia poupar muito dinheiro.

- Antigamente os bailaricos eram organizados no antigo cinema, por um grupo de sócios. Por lá passaram entre outros Marco Paulo, Doce ou José Malhoa, isto nos anos 80. Quem ia assistir pagava bilhete. E agora? O salão de festas fechou há quase 20 anos, e quem organiza agora as festas, e paga aos artistas, é a autarquia. E claro, fica muito mais caro, assim com o poder local a pagar os artistas recebem muito mais do que quando eram os privados a pagar e a organizar as coisas! Ora se a autarquia deixar de organizar as festas locais estas passariam a ser organizadas por privados abrindo até espaço para a criação de negócios e emprego.

- Antigamente não havia empresa municipal. Tudo era resolvido pelos gabinetes da autarquia. E não havia a contratação de empresas para prestas serviços, a autarquia ou tinha os seus recursos ou utilizava recursos públicos. Agora, por exemplo, para consultadoria de impacto ambiental, até se paga a privados! Para que servem então as Universidades ou os Institutos?

- Antigamente as associações locais e desportivas ou não recebiam dinheiro da câmara ou recebiam muito pouco. Agora, mesmo em crise, recebem milhares e milhares por ano. Deveriam ser pagas pelos sócios, mas não são. E nunca houve tantas como agora.


Agora pensem que há mais de 300 concelhos. Pensem que esses concelhos podem poupar e baixar impostos ou retirar parquímetros. E que esse dinheiro deixa de sair do bolso dos cidadãos e das empresas. E serve para nós consumirmos, investirmos ou pouparmos!
 
Medidas encantadoras enquadradas na teoria económica dominante mas que evidentemente não resolvem nenhum problema. Trata-se apenas de fingir que se resolve alguma coisa enquanto a transferência de valor se continua a fazer para os que mais têm e que continuam a passar ao lado da crise.

O problema é este: os salários são baixos e o rendimento disponível é zero. Não havendo rendimento disponível as pessoas recorrem ao crédito bancário para substituir a ausência de rendimento. Se não houver crédito disponível, deixa de haver consumo. E se...

Não há consumo, não há vendas.

Não há vendas, não há produção.

Não há produção, não há emprego.

Não há emprego, não há rendimento disponível.

Não há rendimento disponível, não há consumo.


Ainda ninguém explicou porque é que se escolheu um salário de 400 euros na realidade espanhola e não um de 200 euros. Se o objectivo é estatístico seria mais útil pagar 200 euros, o "ajustamento" (agora já não se diz pobreza nem miséria, segundo o léxico neoliberal actual) seria mais rápido.

Eu pagando 200 euros contratava 2 trabalhadores pelo preço de 1 e aumentava o rendimento do trabalho 2x.

E se não lhes pagasse nada, contratava todos os trabalhadores que quisesse e o rendimento do factor trabalho seria infinito. Então porque não pagar ZERO euros ao factor trabalho?

Evidentemente que o esforço de recuperação será feito pela parte do capital com fortíssima regulação financeira, nacionalizações, encerramento de "mercados de derivados" e outras gavetas fiscais onde o dinheiro se esconde, no fundo redistribuindo de volta todo o dinheiro acumulado por 40 anos de desregulação financeira, golpes de estado e ditaduras disfarçadas de economia democrática.
 
Acrescento ainda que ao contrário do que dizem, acredito que é possível cortar imenso nas despesas do Ensino Superior, e ainda baixar propinas e pegar nas poupanças para investir no sector. Por exemplo, precisamos imenso de mais residência públicas. Há uma especulação desmesurada no arrendamento de quartos a estudantes, e muitos abusos. A maioria de quem arrenda, por exemplo, não passa recibo. Uma cama em quarto duplo em algumas cidades portuguesas pode chegar aos 200 euros, num apartamento medíocre, e um quarto individual aos 300 euros, num T2 ou T3 sem sala (sala transformada em quarto). Quem faz Erasmus ou viaja sabe que esta realidade é muito portuguesa, no estrangeiro até há professores universitários que vivem em residências das universidades e não têm casa própria!

E como poupar no Superior? Em primeiro lugar, há excesso de vagas e de cursos nalgumas áreas. Não precisamos de tantos cursos de Direito, Enfermagem ou Medicina. Não precisamos dos Ciclos Básicos que há para alguns cursos na Madeira e nos Açores, os quais obrigam o Estado a pagar viiagens semanais a professores das Universidades do Porto, Coimbra ou Lisboa. Há um excesso, um grande excesso de reprovações que tem de terminar. Há cursos de 3 anos em Portugal cuja média para conclusão é de 6 anos. Enquanto isso, os alunos brincam às praxes e fazem noitadas no Bairro Alto ou na Baixa do Porto; e no dia seguinte faltam às aulas, estão de ressaca e não estudam. A solução seria punir quem não fosse estudante-trabalhador e reprovasse com propinas muito mais altas no ano lectivo seguinte. Por causa das reprovações no Ensino Superior o Estado é obrigado a dispender somas astronómicas! O Ministério deve também saber o que se passa em disciplinas e gabinetes onde as taxas de reprovação são consecutivamente superiores a 60 ou 70%, e que chegam a acumular perto de 1000 alunos inscritos! Nos EUA, nas melhores universidades, considera-se que uma taxa de reprovação não deve superar os 10%, e se tal sucede a culpa é do professor! E em Portugal parte da culpa das reprovações é dos professores. Por exemplo, já me sucedeu muitas vezes fazer exames com matéria que não foi falada nas aulas, em disciplinas sem uma bibliografia recomendada; e o nosso suporte acabam por ser aulas gravadas, estudar por aulas gravadas e ver perguntas de exames de anos anteriores! Nem uma folha de bibliografia recomendada com livros e capítulos/páginas os professores se dão ao trabalho de preparar!

Também não faz sentido haver cursos com 20 vagas aqui, 30 acolá, 50 ali. Há mais qualidade se houver apenas 100 ou 150 vagas num dado local. Também não faz sentido haver tantos cursos especializados numa dada área, isso é mais notório nas Engenharias. Basta haver uma formação geral e depois um mestrado. Por exemplo, em vez de Biologia e Biologia Marinha apenas Biologia e depois mestrado em Biologia Marinha. Alguns cursos podem ser fundidos com outros, parcialmente. Os alunos de Medicina Dentária poderiam ter aulas com os Medicina nos 3 primeiros anos, pois as cadeiras são comuns, e poupar-se-ia muito, muito dinheiro.

Muito mais poderia aqui acrescentar...
 
Medidas encantadoras enquadradas na teoria económica dominante mas que evidentemente não resolvem nenhum problema. Trata-se apenas de fingir que se resolve alguma coisa enquanto a transferência de valor se continua a fazer para os que mais têm e que continuam a passar ao lado da crise.

O problema é este: os salários são baixos e o rendimento disponível é zero. Não havendo rendimento disponível as pessoas recorrem ao crédito bancário para substituir a ausência de rendimento. Se não houver crédito disponível, deixa de haver consumo. E se...

Não há consumo, não há vendas.

Não há vendas, não há produção.

Não há produção, não há emprego.

Não há emprego, não há rendimento disponível.

Não há rendimento disponível, não há consumo.


Ainda ninguém explicou porque é que se escolheu um salário de 400 euros na realidade espanhola e não um de 200 euros. Se o objectivo é estatístico seria mais útil pagar 200 euros, o "ajustamento" (agora já não se diz pobreza nem miséria, segundo o léxico neoliberal actual) seria mais rápido.

Eu pagando 200 euros contratava 2 trabalhadores pelo preço de 1 e aumentava o rendimento do trabalho 2x.

E se não lhes pagasse nada, contratava todos os trabalhadores que quisesse e o rendimento do factor trabalho seria infinito. Então porque não pagar ZERO euros ao factor trabalho?

Evidentemente que o esforço de recuperação será feito pela parte do capital com fortíssima regulação financeira, nacionalizações, encerramento de "mercados de derivados" e outras gavetas fiscais onde o dinheiro se esconde, no fundo redistribuindo de volta todo o dinheiro acumulado por 40 anos de desregulação financeira, golpes de estado e ditaduras disfarçadas de economia democrática.

Eu não concordo com a medida proposta para Espanha, o que eu tentei mostrar é que há alternativas à desvalorização do trabalho (e creio que o Frederico também, e até a ideia dos mini-jobs avançada pelo Vince também é uma alternativa à diminuição dos salários mínimos de quem cumpre a totalidade do horário).

O que se propõe é que se reduzam os gastos com pessoal através da redução de impostos e contribuições e não através da redução do salário líquido. E isso só será possível com o emagrecimento do Estado, e como consequência diminuindo, e muito, a sua despesa.
É o paradoxo de todo o arco político em Portugal, na esquerda é ideológico, na direita e no centro é caciquista, mas ninguém tem interesse em reduzir o peso do Estado, e assim:

- Não se baixam impostos nem contribuições, as empresas ou despedem, ou pagam ordenados baixos;

- Havendo mais desemprego e salários baixos, não há consumo;

- Não havendo consumo, não há vendas;

- Não havendo vendas, não há produção;

- Não havendo produção nem redução de impostos e contribuições, as empresas continuam a pagar salários baixos e a criar poucos empregos.
 
Acrescento ainda que ao contrário do que dizem, acredito que é possível cortar imenso nas despesas do Ensino Superior, e ainda baixar propinas e pegar nas poupanças para investir no sector.(...)

As vagas que abririam no sector público deviam estar indexadas, e à proporção próxima de 1:1, com o número de empregos criados nessa área de formação no ano anterior. Apenas os cursos de pleno emprego (há 5 anos eram 3, hoje não deve haver nenhum), poderiam aumentar vagas. Os restantes podem ir para o privado.

Nos EUA o ensino superior é privado. Mas é um mercado altamente competitivo, o que origina um sistema semelhante ao de Portugal, mas sem intervenção do Estado. Cada universidade tem interesse em obter os melhores resultados, proporcionando bolsas muito vantajosas aos melhores alunos, para os atrair. Isto é um sistema muito parecido ao das médias para entrar no ensino superior público, em que os melhores cursos estão vedados à grande maioria dos candidatos, devido às elevadas médias.
Acresce a isto que, também os melhores desportistas têm bolsas, devido às diversas competições universitárias que existem. Portanto, graças a uma cultura muito diferente da latina (não tenho ilusões, é impossível neste momento, que isto funcione em Portugal), os melhores alunos têm um ensino superior financiado, e o Estado não gastava um tostão (agora há uma ajuda implementada por Obama, semelhante ao plano de saúde, mas não deixa de ser um sistema totalmente privado).

E não é fundamental nem vital para um país que a maioria da população tenha ensino superior. Até acho que mais importante seria, de uma vez por todas, alfabetizar a totalidade da população e diminuir os níveis de iletracia, que são extremamente elevadas, mesmo em pessoas com cursos superiores.
 
A minha família tem uma pequena empresa e o problema não está nos salários. O problema está na carga fiscal e na legislação. Por exemplo, temos de pagar anualmente milhares de euros a uma empresa de segurança alimentar quando há dez anos tal não sucedia. Essa empresa pouco mais faz que prestar «aconselhamento». Para isso bastaria que o Ministério da Economia lançasse anualmente um livro com as regrar a cumprir. As empresas poupariam imenso! Reduzindo a carga fiscal baixavam os combustíveis, a energia, as máquinas, etc. Os empresários não precisam de uma redução do salário mínimo, precisam sim de uma redução dos impostos e de alterações na legislação.

E o David falou muito bem na Justiça.

Imaginem a seguinte situação. Têm um terreno, e um vizinho faz uma garagem no vosso terreno. Vocês pensam, bem apresento os documentos a provar que o terreno é meu e ele é obrigado a demolir. Mas não é bem assim. O tribunal obriga a que haja testemunhas que provem de quem é o terreno. Os documentos não chegam. E o caso pode arrastar-se mais de 15 ou 20 anos em primeira instância. Por que razão nestas situações pura e simplesmente não se resolvem as coisas na hora? O dono do terreno prova a propriedade, e há demolição! E há muitos casos assim pelo país fora! Claro que os tribunais entopem, e os advogados enchem os bolsos!

Há muitos casos que não deveriam ir parar aos tribunais, deveriam ser resolvidos na hora de outra forma, sem necessidade dos cidadãos estarem enrolados anos e anos a fio.
 
O número de pessoas que em média, por ano, ingressa no Superior no nosso país está dentro da média dos países mais desenvolvidos da Europa. O nosso problema está no facto de durante décadas termos tido um baixo acesso ao Superior, é um problema estatístico que só se resolverá com o passar dos anos, como o analfabetismo.

Mas nem na Noruega toda a gente vai para o Superior. Nos países mais desenvolvidos ´cerca de 40 a 50% das pessoas são licenciadas. As restantes têm o 12.º ano. E das licenciadas, uma boa parte cria os seus negócios ou vai para as empresas da família. Em Portugal estuda-se para se trabalhar na função pública ou numa grande empresa do Regime.

Mais importante do que formar muita gente, que depois não terá emprego na sua área, é garantir que as pessoas têm um bom 12º ano. E isso não sucede em Portugal, o nosso 12.º ano não prepara os jovens para viverem numa economia de mercado e numa sociedade competitiva e com cultura financeira.
 
Quanto às médias elevadas, o problema nacional está no acesso, que deveria ser separado da conclusão do Secundário.

A média de Medicina está inflacionada porque há um conjunto de colégios que «vendem» médias de Secundário. Isto é público nalguns meios, mas como quem lá anda são os filhos e netos do Regime, não interessa portanto mudar o sistema.

Um conhecido colégio do Porto, por exemplo, mete mais de 100 alunos por ano em Medicina, e a diferença entre a média interna e a média de exames costuma rondar os 4 valores.

Este sistema corrupto só acaba no dia em que o acesso ao Superior for igual para todos, isto é, apenas com a média de exames nacionais de acesso ao Ensino Superior.

Se contasse apenas a média de exames de acesso ao Superior, aposto que a média de Medicina seria inferior a 17 valores, e muita gente nunca cá teria entrado, nunca.
 
A minha família tem uma pequena empresa e o problema não está nos salários. O problema está na carga fiscal e na legislação. Por exemplo, temos de pagar anualmente milhares de euros a uma empresa de segurança alimentar quando há dez anos tal não sucedia. Essa empresa pouco mais faz que prestar «aconselhamento». Para isso bastaria que o Ministério da Economia lançasse anualmente um livro com as regrar a cumprir. As empresas poupariam imenso! Reduzindo a carga fiscal baixavam os combustíveis, a energia, as máquinas, etc. Os empresários não precisam de uma redução do salário mínimo, precisam sim de uma redução dos impostos e de alterações na legislação.

Esses, e todas as ASAEs e derivados, são mais uns quantos a "mamar na teta" do Estado, em que se podia cortar. Quem tem mais interesse na segurança alimentar? A empresa que produz, e que caso haja algum problema fica com o nome manchado, e provavelmente fica com o negócio totalmente arruinado, ou funcionários do Estado, que estão a cumprir um dever, e que se não forem extremamente escrupulosos, estão à mercê de subornos ou pedidos para fecharem os olhos?

No outro dia, na Feira do Montado, cheguei a um dos "stands" que vendem bifanas. A senhora estava a lavar as mãos à minha frente. Acaba de lavar as mãos, e fica que nem uma "barata tonta" à procura de alguma coisa. Ao fim de alguns segundo, pergunto-lhe o que procurava, que as bifanas estavam mesmo aqui expostas, ao pé de mim. Ela disse que procurava as luvas, pois se a ASAE passasse e a visse a servir sem luvas, levava uma multa superior ao que lhe renderam os 5 dias da Feira. Lá encontrou as luvas, após cerca de um minuto à procura, mas faria algum mal, tendo acabado de lavar as mãos, que provavelmente amassaram o pão onde estava a bifana dentro, se ela me desse o pão com a mão descoberta?
 
Para demonstrar a duplicação de serviços, dou o exemplo da Loja do Cidadão de Tavira. Desnecessária, na minha opinião. Em primeiro lugar, está mal localizada, muito longe do centro da cidade. Se a Câmara tivesse visão estratégica teria instalado a Loja do Cidadão na Baixa, para beneficiar o comércio local. Depois, há duplicação de serviços. Em boa verdade, serve apenas para que o Estado pague uma renda milionária a uma grande superfície, o Gran Plaza, e para atrair clientela para essa mesma grande superfície. Se encerrar ninguém dará pela sua falta. Aliás, nem deveria ter aberto.
 
O problema deste País é o Estado, e toda a oligarquia corrupto privada-estatal que vive à conta do Estado. Insisto, sempre, que quando conseguirmos romper com essas ligações de dependentes do Estado poderemos ser um País muito melhor.

A conta disto corremos para o reforço do Estado Central, maior e mais forte.

Creio que a tua ideia assim vai vingar. Espera-te...

Olha a Madeira asfixia financeira para baixo:
Governo português assina protocolos com vários off-shore
“Matam” a Zona Franca e fazem acordos lá fora


O Governo português acaba de assinar Acordos sobre a Troca de Informação em Matéria Fiscal (ATI) com Andorra, Gibraltar, Caimão e Jersey.

O Governo português acaba de assinar Acordos sobre a Troca de Informação em Matéria Fiscal (ATI) assinados entre Portugal e Andorra, Bermudas, Gibraltar, as Ilhas Caimão e Jersey.
Estes acordos surgem num tempo em que Lisboa chumbou a pretensão da Madeira de prolongamento dos benefícios fiscais no Centro Internacional de Negócios, contribuindo para a fuga de empresas da praça madeirense e beneficiando praças concorrentes internacionais, com as quais agora Portugal faz acordos. «É um escândalo», referem fontes próximas do processo.
Os avisos que tornam pública a entrada em vigor dos Acordos, foram publicados em Diário da República, nos dias 2 e 6 de Dezembro.
Os ATI (Acordos sobre Troca de Informação Fiscal) constituem um instrumento legal que habilita as autoridades fiscais portuguesas a solicitar às autoridades competentes das jurisdições envolvidas os elementos que considerem relevantes para a correcta avaliação da situação tributária de um contribuinte específico, incluindo informações sobre a movimentação de fundos, bem como sobre a titularidade de sociedades, fundações, trusts, fundos de investimento ou outras entidades.

Melhor dar uns trocos a pedintes... Acredita!
 
O estado pode fazer muito para cortar na despesa, e aumenta-la onde é mais é preciso (na segurança, e na justiça). Mas também produzindo/revendo leis com qualidade, que sejam exequiveis e não esquivas que só servem para conduzir a um rodopio de recursos e outras maroscas para quem tem dinheiro. Quanto aos salários de gestores de empresas participadas pelo estado, eu cortava-os em metade! E quem não quisesse, mais pessoas haveriam para o seu lugar.

O estado pode também melhorar na justiça fiscal, nos licenciamentos, enfim na balburdia burocratica de tudo um pouco, e até de tratar saber quem é dono das terras fazendo um recenseamento total e obrigatório das propriedades. As terras que sobrassem seriam perdidas para o estado e de novo redistribuidas. De que valem os baldios que nem reservas naturais são? Há muito a inventáriar, tributar, ou reinvestir para agricultura e floresta.

A ASAE surgiu num tempo em que o estado ainda pensava ser novos-ricos, foi criada com a escusa de fazer cumprir/garantir/fiscalizar os regulamentos europeus para a actividade económica.

Mas deixemo-nos de ilusões, tudo o que o estado possa e deve fazer, é uma boa ajuda, mas ainda assim insuficiente para resolver esta crise! Para além de uma crise de valores, e de uma desigualdade na distribuição de riqueza, existe um problema sério que já foi referido nos vossos posts atrás, que é o empolamento dos preços (não tanto como noutros países, não há bolhas), mas o suficiente para minar a sustentabilidade de muitas famílias e empresas, dados os compromissos assumidos com os bancos e por outro lado, com o estado. Aprendemos que a crise financeira só se resolve quando tivermos de novo uma economia equilibrada e em crescimento. Infelizmente, chegados a este patamar de desgraça, e sem dinheiro para investir a juros comportaveis, apenas nos resta esperar que a crise faça o resto e nos deixe num certo ponto de inflexão de novo crescimento, mas a um nível de vida mais baixo, embora mais competitivo. Muitos dirão que esse é o caminho errado, que o certo é ganharmos mais para aumentarmos o consumo interno, mas falta algo muito essencial: dinheiro! E na falta deste precioso elemento, não haverá aumentos de ordenados, e por essa razão, só nos resta esperar que o tempo e a economia estabilizem!

Ou muito me engano, ou mesmo que o estado tivesse as suas contas limpas, com um défice baixo, não valeria de muito, porquê? poderíamos financiar-nos a um custo aceitável, mas não acredito que a banca tenha aprendido a lição, o investimento iria de novo para a construção e obras públicas, de certeza! Estou a ver o estado a providenciar programas de investimento para PME's, não estou é a ver que os "pequenos" investidores desde um agricultor/pescador/produtor florestal/ ou de uma loja de esquina, sejam beneficiados (que seus investimentos sejam tidos em consideração).

É uma imagem negra, mas claro que tudo se irá resolver, mas não em 1 ano ou 2.. :)
 
Dizes que o dinheiro da Banca iria para cimento. Então pergunto para que serve a CGD. Pois parece que também não quer emprestar dinheiro à indústria ou à agricultura. E consta por aí que já há quem vá pedir dinheiro ao estrangeiro para montar negócios em Portugal. Isto porque as condições oferecidas pela Banca portuguesa ao sector produtivo são péssimas. Mas repito: então para que serve a CGD?

Quanto ao inventário das terras. Falou-se nisso há uns tempos. Parece que custaria 750 milhões de euros. Muito caro. O Governo de Sócrates preferiu assinar os contratos das auto-estradas e do TGV.

Há casas a cair no Porto com 10 herdeiros. Nunca dividaram a herança e não se entendem. E se a casa vale no mercado 200 mil euros, bem cada um quer ganhar 200 mil euros. E pedem 2 milhões. Claro que ninguém compra. E enquanto não cair uma casa em cima de um político provavelmente não haverá uma solução. Se isto funcionasse, haveria um prazo de x meses para a divisão amigável de bens herdados. E x meses para o tribunal resolver o problema. Quem não respeitasse os prazos, ou pagaria multas ou perderia tudo para o Estado. Simples.
 
Dizes que o dinheiro da Banca iria para cimento. Então pergunto para que serve a CGD. Pois parece que também não quer emprestar dinheiro à indústria ou à agricultura. E consta por aí que já há quem vá pedir dinheiro ao estrangeiro para montar negócios em Portugal. Isto porque as condições oferecidas pela Banca portuguesa ao sector produtivo são péssimas. Mas repito: então para que serve a CGD?

Quanto ao inventário das terras. Falou-se nisso há uns tempos. Parece que custaria 750 milhões de euros. Muito caro. O Governo de Sócrates preferiu assinar os contratos das auto-estradas e do TGV.

Há casas a cair no Porto com 10 herdeiros. Nunca dividaram a herança e não se entendem. E se a casa vale no mercado 200 mil euros, bem cada um quer ganhar 200 mil euros. E pedem 2 milhões. Claro que ninguém compra. E enquanto não cair uma casa em cima de um político provavelmente não haverá uma solução. Se isto funcionasse, haveria um prazo de x meses para a divisão amigável de bens herdados. E x meses para o tribunal resolver o problema. Quem não respeitasse os prazos, ou pagaria multas ou perderia tudo para o Estado. Simples.

Exactamente!

Quanto à CGD, sei/sabemos para que deveria servir, mas não é o que acontece. Na prática serve para as engenharias financeiras do estado, e ponto final! Para que deveria servir? Deveria ser o banco que a todos levasse atrás, com menor margem de lucro (juros de poupança mais elevados, e juros de crédito mais baixos), e todos os restantes bancos iriam atrás. Deveria ser o banco piloto timoneiro, a dar o exemplo daquilo que são bons investimentos e não apenas no betão. Bons investimentos duram por muitos anos, geram emprego e crescem até.
 
Por falar em leis absurdas.

A Nova Zelândia prepara-se para proibir a produção própria de alimentos. De acordo com a lei prevista, produzir fruta ou vegetais num quintal para consumo próprio, dar alimentos de produção caseira a amigos e vizinhos, ou mesmo sementes ou ervas medicinais será proibido. Para tal, será necessária uma autorização prévia do Governo, e uma fiscalização, em nome da segurança alimentar. Imaginem se a lei é aprovada... e a moda pega!

Em Portugal não estamos tão distantes dessa realidade... consta por aí que já não se pode fazer matança de porco nas aldeias, e trata-se de carne para consumo próprio... nem vender uns ovos caseiros aos vizinhos... portanto não me admira que a moda pegue por cá.

E assim, paulatinamente, o totalitarismo vai-se instalando.
 
Estado
Fechado para novas mensagens.