Ministério de Assunção Cristas confirma
Autarcas do PSD e do CDS nomeados para a Águas de Portugal
Manuel Frexes, presidente da Câmara do Fundão, é um dos nomes escolhidos para a AdP Manuel Frexes, presidente da Câmara do Fundão, é um dos nomes escolhidos para a AdP (Manuel Roberto)
O presidente da autarquia do Fundão, Manuel Frexes (PSD), e o vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, Álvaro Castello-Branco (CDS-PP), foram designados para a administração da Águas de Portugal, confirmou ao PÚBLICO o gabinete de imprensa do Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAMAOT).
O gabinete de imprensa não teceu qualquer comentário ao facto de as nomeações poderem ser encaradas como políticas, preferindo destacar que Manuel Frexes “tem experiência governativa” e “trará a sensibilidade das autarquias, nomeadamente as do interior (com dívidas acumuladas à AdP)”. Até ao final do primeiro semestre de 2011, o município do Fundão devia 8,3 milhões de euros à AdP, segundo dados da empresa.
Manuel Frexes confirmou à Lusa ter aceite o convite e disse que aguarda a formalização do processo "na próxima assembleia-geral da AdP, que ainda não tem data marcada".
Em relação a Álvaro Castello-Branco, que já era presidente da empresa municipal Águas do Porto, o gabinete da ministra defende que “trará a visão de um grande município do litoral”. “Os dois autarcas vão dar um forte contributo no novo ciclo que agora se inicia, na medida em que o relacionamento com os municípios será determinante para o bom sucesso da reestruturação” do sector das águas. O Governo pretende fazer uma reorganização de todo o sector, abrindo espaço a mais concessões a privados, na esperança de captar recursos para os investimentos necessários.
Além dos dois autarcas e de Afonso Lobato Faria, que substitui Pedro Serra na presidência da empresa, o ministério anunciou ainda a nomeação de Manuel Fernandes Thomaz para a administração, actual presidente executivo da Águas da Região de Aveiro. Manuel Thomaz foi ainda, durante três anos, administrador executivo das Águas de Moçambique, cargo que deixou em 2010.
Para o cargo de administrador financeiro da AdP, o MAMAOT escolheu ainda Gonçalo Martins Barata, vindo do Citigroup.
Além dos cargos de topo da AdP, são esperadas mexidas também nas empresas que o grupo detém ou possui participação. É o caso da EGF - a entidade-chapéu da área dos resíduos na AdP -, para onde poderá retornar Domingos Saraiva, ex-vogal da administração da empresa e presidente da alguns sistemas de gestão de resíduos entre 2002 e 2005, durante os Governos de Durão Barroso e Santana Lopes.
Ainda nesta área, o nome de Orlando Borges tem vindo a ser veiculado como uma hipótese para a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), em substituição a Jaime Melo Baptista. Orlando Borges preside actualmente o Instituto da Água (Inag), que será extinto e incorporado na reforçada Agência Portuguesa do Ambiente, para onde irá possivelmente Nuno Lacasta, coordernador do Comité Executivo para as Alterações Climáticas.
As nomeações para os serviços tutelados por Assunção Cristas dependem, porém, da publicação das respectivas leis orgânicas. A própria lei orgânica do MAMAOT, aprovada em 27 de Outubro, ainda não está publicada.