Concordo com o que dizes Vince.
O problema português é por um lado um problema de excessiva lamentação, e por outro, um problema de falta de sentido de responsabilidade. Nisso concordo com o Passos Coelho.
No entanto não me parece que vá sendo a trabalhar ao litro, que Portugal vai sair da crise. Até porque existem outras causas desta crise. E o governo não afronta essas causas.
Obviamente, a cultura do lamúrio, da preguiça e da cunha, não ajudam o país. E são uma das grandes causas de estarmos sempre na cauda da Europa.
Mas a política da troika, a austeridade, não é solução para levantar a moral do país e aumentar a produtividade. Não se aumenta a produtividade, aumento a quantidade de horas de trabalho. Aliás, nos países nórdicos trabalha-se menos e produz-se mais, porque o povo é simplesmente mais eficiente, organizado e responsável. È nisto, que o Passos Coelho (e a troika) precisa de tocar. E eu acredito que até possam ter boas intenções, mas estão a fazê-lo da forma errada. Se esta fosse a forma correcta, já estaríamos a ver resultados na Europa, em Portugal, no Euro.
Portanto embora ache uma pieguice querer defender-se uma tolerância de ponto, não me parece que vá ser o extinguir dos feriados e pontes, que vai resolver a situação do país. E se causa mais revolta social, então só ajuda mais ao problema.
Daí que tenha dito, que quem se vai lamentar mais tarde, vai ser o próprio Passos Coelho. Pois ele agora acredita (e ainda bem) que está a trabalhar para tirar o país da crise. Mas o caminho (austeridade) é errado. Ele ainda não se apercebe disso. Aliás, os políticos frequentemente erram nesta direcção, como testemunha a história mundial das depressões económicas.
Dito de forma sucinta, o pessimismo social resulta em recessão, o optimismo resulta em crescimento e empreendedorismo. Se castramos a população com medidas duras, esta fica mais deprimida, logo não consome nada, não produz tanto, não se motiva tanto, e isto resulta em perdas para as empresas o que alimenta de novo o círculo vicioso. E na pior da hipóteses, a população ainda se revolta o que agrava o problema ainda mais!
Conhecendo o colectivo português, duvido que os portugueses alguma vez acordem e se apercebam que o seu problema é um de cultura e que têm que trabalhar para tirar o país da crise. Duvido que a terapia de choque vá funcionar para tornar os portugueses mais responsáveis e eficientes.
E se a situação do país se agrava, os empresários abandonam o país, e os mercados atacam mais o país. O nosso amigo Passos Coelho ainda não se apercebeu disso.
Falando pessoalmente, eu tal como tu Vince, tal como o Frederico, e muitos outros, gostaria imenso de ver um Portugal de pessoas dignas e cívicas, responsáveis e trabalhadoras. Se Portugal fosse um pouco mais assim, eu estaria logo em Portugal, mas no clima que está hoje em dia, é muito difícil para alguém empreendedor começar um negócio novo, de tanta negatividade e lamúria que existe à volta, e na cultura portuguesa.
Muitas vezes pergunto-me o que é preciso mesmo para o país mudar. Muitos primeiros ministros tentaram diferentes receitas e nenhuma funcionou ainda...
Eu discordo, estou até impressionado nos últimos dias, temos homem. Mas em Portugal ele está obviamente a esticar a corda, as virgens ficam muito ofendidas e o circo toma conta da opinião "publicada", que é uma coisa diferente da opinião pública, ainda se vai tramar pela frontalidade, neste país que sempre gostou mais de retórica e propaganda do que de frontalidade.
Um país que caminha para os 900 mil desempregados e os que tem trabalho passam estes dias indignados por não terem tolerância no Carnaval mete nojo. Asco. Fazem ideia de quantos membros jovens licenciados há aqui só neste fórum, só dos que conheço mais pessoalmente, que não conseguem arranjar emprego, e que em desespero mandam currículos para todo o mundo ? O forum chega a receber currículos de pessoas que pensam que isto é uma empresa tal o desespero. Uma amiga minha a quem construi o site da empresa dela, queixava-se há dias que não recebe contactos de clientes através do site, que apenas recebe dezenas de curriculos por dia. E os restantes portugueses reclamam por causa de um Carnaval ? Epa, não me lixem, o homem nisto tem toda a razão do mundo. Diria mesmo, portugueses, acordem para a vida, que isto não está fácil.
Haja alguma decência, o país precisa que todos nós dêmos o litro nos próximos anos. Fazer das tripas coração. É tão simples como isso. Quem não compreende isso é porque vive no seu casulo protegido e desconhece as dificuldades que muitos enfrentam. Será difícil de compreender que perante dificuldades excepcionais temos que dar o litro como país, e sacrificarmos um pouco as nossas vidas, para ver se conseguimos produzir mais ? Custará assim tanto a cada um sacrificar uns feriados num momento difícil ?