O Estado do País

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O retrato de quem viu: manifestantes 'só queriam gerar confusão'
«Vi uma série de indivíduos aparentemente a fugir da polícia, enquanto bombardeavam [os agentes] com cadeiras, mesas e garrafas e com tudo o que apanhavam à mão», contou, ao lembrar que a polícia ia «com alguma dificuldade a perseguir os manifestantes», antes de ver a perseguição prosseguir em direcção à Praça Camões.

Ernesto Silva lamentou ainda «a péssima imagem» que os acontecimentos deixaram para os olhos de «turistas e estrangeiros» que se encontravam na zona. Uma imagem que aproximou «ao estilo de Atenas», e que espera ter sido «um caso isolado».

Uns metros mais abaixo, duas funcionárias de uma loja localizada na esquina do cruzamento, que requereram o anonimato, contaram que os desacatos terão sido provocados por um grupo maioritariamente constituído por jovens.

De acordo com as lojistas, o grupo pertenceria à plataforma 15 de Outubro, e que atravessaram a rua «cerca de 15 minutos depois» do ‘pelotão’ geral que integrava os grevistas liderados pela CGTP.

No interior do estabelecimento, e «de portas trancadas», de onde observava o que se passava na rua, uma das lojistas sublinhou as «provocações constantes» dirigidas pelos manifestantes aos agentes policiais que, ao início, se mantiveram «impávidos e serenos».

Para exemplificar tais provocações, a lojista contou que alguns manifestantes chegaram mesmo a «baixar as calças e mostrar os traseiros» à polícia e aos «turistas que estavam a assistir».

http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=44827

Sol

Pra comunicação social os policias são sempre os bad boys.
 
Estas coisas do Chiado são reminiscentes do que já aconteceu no Reino Unido há uns meses. E aconteceu em maior escala na Grécia ou no Norte de África, ou em semelhantes protestos na América.

O sentimento é o mesmo, os protestos são semelhantes.

Seja em Portugal, no Egipto, na China, na Venezuela, ou nos Estados Unidos, é o mesmo. São jovens descontentes e manifestando a sua violência por verem uma sociedade injusta e em crise.

Pessoalmente acho destrutivo este tipo de manifestações, e que se levadas ao extremo resultam em situações instáveis que tanto podem dar em revoluções, como em golpes militares ou em guerras civis.

Mas não quero julgar se é ou não positivo, o facto histórico é de que este tipo de fúria é resultante da fúria das populações face a governos decadentes incapazes de resolver os problemas actuais. E por vezes resolve as situações (caso do Egipto e Islândia), noutros casos só leva a mais caos (Grécia, Síria). Fazer revoluções construtivas é difícil, pois são fenómenos espontâneos.

Acho curioso considerar-se um valor diferente se isto ocorre em Portugal ou se ocorre no Egipto, ou se ocorre em Portugal, ou na China, ou se ocorre em Portugal ou na Venezuela/Cuba, ou se ocorre nos Estados Unidos. Se formos honestos verificámos que todos estes governos caíram na corrupção, não interessa o quadrante político. É mais honesto se chamarmos rebeldes a todos eles. "Arruaceiros" no fundo são todo - numa revolução há sempre violência - mas às vezes é inevitável, se a situação não melhora.

Eu sou pacifista, não gosto de estar perto destas coisas, consigo compreender a revolta destes jovens, mas as emoções frequentemente descontrolam-se e resultam em mais destruição.

Não vejo saída para os problemas na Europa. Sinceramente acho que isto é apenas o inicio e vêm aí guerras civis e protestos violentos. Não vejo solução à vista para a crise, não há vontade de se fazer uma revolução positiva e tranquila de que é necessário. Sendo assim, parece que infelizmente vamos ver mais situações destas. Mas no fundo, a história ensina-nos: o velho sistema está a cair, e naturalmente vai ser através da destruição que irá surgir nova criação. Mesmo que não gostemos disso, este processo já está em movimento e é quase inevitável.

E para um pouco de história...

No século XVIII, as revoluções europeias resultaram nas guerras napoleónicas (uma dura guerra mas que resultou em 100 anos de paz). No século XIX houve violentas revoltas em 1848, que não resultaram em nada, mas inspiraram muitos futuros movimentos políticos. No século XX houve revoltas nos anos 30, nos anos 60 e no mundo comunista nos anos 90. Umas resultaram numa guerra mundial, outras não resultaram em muito excepto mais direitos humanos, as últimas, mudaram um sistema por completo.

Em Portugal, houve duas revoltas, uma em 1910 que mergulhou o país no caos (após o derrube da monarquia), a segunda em 1974 teve resultados mais construtivos.

Resta ver o que vai acontecer com estas revoltas actuais.

 
Óptimo. Um dos nossos melhores clientes vai entrar em crash. Gosto da teoria.

Eu tambem não gosto da ideia, mas duvido que a Espanha aguente muito mais tempo sem recorrer ao FMI.

Mas vá lá, hoje a Espanha e a Itália venderam a sua dívida sem grandes dificuldades..
 
Eu tambem não gosto da ideia, mas duvido que a Espanha aguente muito mais tempo sem recorrer ao FMI.

Mas vá lá, hoje a Espanha e a Itália venderam a sua dívida sem grandes dificuldades..

E Portugal não irá aguentar muito tempo sem ser expulso do euro. Já deveríamos até estar a preparar uma saída organizada.
 
Não há nenhuma forma de sair do Euro sem que isso gerasse uma enorme catástrofe, basta pensar nos créditos à habitação indexados à euroibor que continuam baixos por estarmos no euro, e deixariam de ser se saíssemos. Pode ter sido um grande erro termos entrado no euro, provavelmente foi, mas sair agora não é solução, pelo menos de curto/médio prazo. Essa solução apenas interessa a:

a) radicais que querem ver a sociedade a estoirar em tumultos e pobreza
b) oportunistas que querem ver a sociedade a estoirar para comprarem tudo barato num país falido

Já agora, o sector exportador continua bem, e dizem quase todos que preferem viver numa moeda forte do que viver num país com moeda fraca e instável em que os riscos cambiais mudam a cada dia de forma insuportável.

Compreendo o que dizes. Mas começo a ficar pessimista. O sector exportador que actualmente temos não chega para relançar o crescimento e reduzir o desemprego. As rendas continuam insuportavelmente altas, tal como o preço dos solos, alojamentos ou lotes. Somente a saída do euro e a impossibilidade de importar poderá forçar o país a produzir mais. Ontem viajei para o Porto e devo dizer que nunca vi a A1 com tão pouco trânsito. As facturas estão insuportavelmente altas, tal como os preços das rendas. Se os meus pais não tivessem posses não poderia estar a estudar, ou pelo menos viveria muito mal.

Não acredito que os portugueses suportem estes preços com os rendimentos que têm todos, sejam empresários, operários ou funcionários públicos. Estamos com preços da Europa rica e salários da Europa de Leste, mais tarde ou mais cedo vai dar um estoiro.

Na minha terra natal o comércio está a fechar todo. As pessoas estão a entregar as lojas com vários meses de renda em dívida. Os casos que acabam em tribunal nunca mais se resolvem e os proprietários nem voltam a rever o dinheiro nem conseguem arrendar de novo. E mesmo em crise pedem rendas insuportáveis, quando no tempo do escudo até pediam rendas acessíveis.

Também prefiro que continuemos no euro, pois no escudo arriscamos imenso, já que não temos políticos com cultura financeira. Mas penso que não conseguiremos aguentar o euro, a nossa economia não dá. O futuro será sair do euro e não pagarmos boa parte da dívida. O Estado Social cairá parcialmente por terra e ainda teremos de abandonar parte das obras públicas feitas nos últimos anos por não haver dinheiro para a sua manutenção. A população cairá a pique devido à emigração e as diferenças sociais acentuar-se-ão de forma brutal.
 
A participação privada na nova travessia do Tejo nasceu de um embuste, a tese de que o estado não teria dinheiro para construir a infra-estrutura e recorria ao apoio dos privados, a quem mais tarde pagaria determinadas rendas. Nada mais errado! Até porque os privados entraram com apenas um quarto dos 897 milhões de euros em que orçava o investimento. O restante foi garantido pelo estado português, através do Fundo de Coesão da União Europeia (36%), da cedência da receita das portagens da Ponte 25 de Abril (6,0%), e por um empréstimo do Banco Europeu de Investimentos (33%). O verdadeiro investidor foi o estado português, que assim garantiu a privados uma tença milionária ao longo de anos. Só em 2010, as receitas das portagens atingiram quase 75 milhões de euros.
Ao mesmo tempo, os privados eliminavam a concorrência, pois garantiam que ninguém poderia construir uma nova travessia no estuário do Tejo sem lhes pagar o respectivo dízimo.
Para piorar a situação, o estado negociou, ao longo de anos, sucessivos acordos para "a reposição de reequilíbrio financeiro", através dos quais se foram concedendo mais vantagens aos concessionários. Ainda antes da assinatura do contrato de concessão, já o estado atribuía uma verba de 42 milhões de euros à Lusoponte para a compensar por um aumento de taxas de juro. Mas os benefícios de taxas mais baratas, esses reverteram sempre e apenas para a Lusoponte. Sem razão aparente, o estado prolongou ainda a concessão por sete anos, provocando perdas que foram superiores a mil milhões. E muito mais… um poço sem fundo de prejuízos decorrentes de favorecimentos à Lusoponte.
Aqui chegados, só há agora uma solução justa: a expropriação da Ponte Vasco da Gama, devolvendo aos privados o que lá investiram. As portagens chegam e sobram para tal. Não se pode é continuar a permitir que, por pouco mais de duzentos milhões de euros, uns tantos senhores feudais se tornem donos de uma ponte que não pagaram, cativem as receitas da "25 de Abril" e sejam donos do estuário do Tejo por toda uma geração.


http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/opiniao/poco-vasco-da-gama
 
Portugal: o retrato lá fora de um povo falido
Nuno Pinto, 40 anos, está desempregado e pensa dar o único passo que lhe parece ser a solução para os seus problemas financeiros: declarar falência. Nuno, como muitos portugueses, tem a ‘corda ao pescoço’. Não tem rendimentos, vive da ajuda dos pais idosos e continuam a cair as contas dos créditos que contraiu antes de Portugal mergulhar em crise financeira. A Associated Press traça o retrato de um povo que conta cada vez mais casos de famílias a declararem falência.

Se antes poucos portugueses sabiam da possibilidade de as famílias declararem falência, hoje Portugal já regista um número de insolvências pessoais superior ao das empresas. No ano passado e pela primeira vez na história portuguesa, 55% das falências foram de pessoas singulares, escreve a AP numa reportagem que tem sido reproduzida na imprensa internacional.

«Tenho dívidas até ao pescoço», disse Nuno Pinto na sua visita à DECO para aconselhamento jurídico. Casado e com uma filha de nove anos, vai voltar a não pagar a prestação da casa, ficando à beira de uma acção de despejo iminente.

«Estou aqui para ver se consigo aquilo que é a minha última hipótese: abrir falência», disse Nuno à AP. Conseguir o processo de insolvência nos tribunais vai permitir-lhe negociar um plano de pagamento especial aos seus credores, resolvendo para já as suas preocupações mais urgentes.

A Associated Press refere que «as histórias como a deste homem não são difíceis de encontrar actualmente em Portugal, país com 10,6 milhões de pessoas que enfrentam as piores dificuldades da sua história recente».

Os portugueses estão a pagar um preço elevado pelo «falhanço» do país na última década, com uma economia que não registou praticamente nenhum crescimento na viragem do século.

Nuno Pinto é um dos mais de 670 mil portugueses que no ano passado falharam as suas obrigações. O problema não é só o desemprego, explica a reportagem da AP. «As medidas de austeridade incluíram muitos cortes no sector público. O Governo cortou apoios sociais e aumentou impostos, destacando-se o aumento do IVA da electricidade de 6 para 23%».

Depois das contas e impostos, pouco sobra no orçamento familiar das famílias de classe média para despesas básicas como alimentação e roupa.

Natália Nunes, uma das advogadas da DECO, disse à AP que a classe média é a que está a sofrer mais. A família típica que nos pede ajuda é constituída por casais entre os 35-45 anos com um filho e pouco mais de 1500 euros por mês. «Lembro-me de uma família com uma criança que esteve cá há pouco tempo e que disse que começa o mês com quatro ou cinco euros. Ouvimos esse tipo de histórias todos os dias».

David Justino, um serralheiro de 32 anos que trabalha a abrir portas em acções de despejo, contou à AP que chega a vestir coletes à prova de bala com medo das reacções. Mas refere que as famílias normalmente ficam-se pelas ameaças. O seu trabalho é duro: «Se fosse apenas despejar adultos não seria um problema. O que me incomoda é quando há crianças pequenas ou pessoas portadoras de deficiência».

AP/SOL
 
Não há nenhuma forma de sair do Euro sem que isso gerasse uma enorme catástrofe

Apoiado!
"O pior cego é aquele que não quer ver".
Temos é de ter espirito de equipa (tal como acontece com os povos do Norte) e arregaçar as mangas. As imagens veiculadas pelos media daquela Grécia tumultuosa não vão ser esquecidas com facilidade.
União é que é preciso pois o grande embate vai ser em 2013. Já comecei a preferir "made in" Portugal há bastante tempo.
Acho que vamos conseguir!
:1143:
 
Mais uma. Pena o Tribunal de Contas só ter "acordado" agora, com o(s) "suspeito(s)" já bem longe...

De qualquer das formas, tal como o TC diz e apesar dos factos descritos, não será possível atribuir responsabilidades a ninguém... (que novidade!)

Tribunal de Contas "chumba" Plano Tecnológico da Educação

O Tribunal de Contas divulgou ontem uma auditoria ao Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação do Ministério da Educação, no âmbito do Plano Tecnológico da Educação, onde aponta várias falhas ao projeto do Governo de Sócrates que levou a cabo a modernização das escolas entre 2007 e 2010.

São vários os procedimentos criticados pelo organismo que avaliou as contas, nomeadamente a contratação de serviços jurídicos e de consultadoria por ajuste direto, mas também a existência de avenças ilegais e os atrasos na ligação de redes locais nas escolas.

Segundo o relatório que foi divulgado, as despesas de assessoria jurídica atingiram perto de 1,3 milhões de euros, sendo os contratos entregues a dois escritórios de advogados: Vieira de Almeida e Sérvulo Correia. Na aquisição de serviços referentes a estudos, projetos e assessoria técnica o Gabinete terá gasto 2,7 milhões de euros, num total de 38 contratos.

Apesar da opinião desfavorável face aos procedimentos, o Tribunal de Contas admite que não é possível imputar responsabilidades individuais pelo procedimento adotado já que à data não existia jurisprudência sobre esta matéria. :facepalm:

O relatório critica também a forma como foi gerida a execução do contrato de instalação de redes locais nas escolas, entregue à PT Prime. O contrato de 51,9 milhões de euros previa a cobertura de 1.220 escolas públicas do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e secundário, mas não foi integralmente cumprido.

Apesar do não cumprimento dos prazos de execução do projeto, que deixou de fora 257 escolas, 100 das quais não foram objeto de qualquer intervenção, não houve qualquer aplicação das penalizações previstas ao operador de telecomunicações, o que foi alvo de críticas apesar da PT Prime ter garantido a conclusão, sem quaisquer encargos adicionais, da implementação do projeto de redes locais em todas as escolas abrangidas pelo contrato.

O relatório do Tribunal abrange o período de execução do Plano Tenológico da Educação até 2010 e uma visita ao site do projeto permite avaliar o estado de execução de cada uma das áreas de ação do PTE. De acordo com a informação do site, a instalação de Internet de banda larga nas escolas é indicada como tendo sido já integralmente comprido, com 100% das escolas de segundo e terceiro ciclo do ensino básico e das escolas do ensino secundário ligadas à Internet a 64 Mbps, uma velocidade superior à inicialmente definida, que se ficava pelos 48 Mbps.

No entanto nas redes de área local o site indica que apenas 75% das escolas tiveram o projeto concluído. Também a videovigilância das escolas ficou aquém do definido, com 65% de cumprimento.

Recorde-se que o Plano Tecnológico da Educação tinha uma previsão de investimento inicial 430 milhões de euros, dos quais entre 70 a 85 por cento seriam financiados por fundos comunitários e um plano de implementação calendarizado em várias fases, estando prevista a sua operacionalização total em 2010.

O objetivo era ter o ensino português entre os cinco melhores da Europa, afirmava o Primeiro Ministro José Sócrates à data de apresentação do programa. Para atingir esta meta o PTE deveria reforçar a atualização do parque informático na maioria das escolas portuguesas, com computadores, quadros interativos e redes locais eficientes, e aumentar a velocidade de ligação à Internet.

No âmbito do plano previa-se ainda o desenvolvimento de uma estratégia para os conteúdos educativos digitais e a adoção de um modelo de digitalização de processos que pretendia melhorar também processos internos das escolas.

Ainda na semana passada o Tribunal de Contas apontou também críticas à Parque Escolar, a entidade responsável pela execução de obras de modernização nas escolas.
http://tek.sapo.pt/noticias/computadores/tribunal_de_contas_chumba_plano_tecnologico_d_1232125.html
 
:surprise::surprise::surprise::surprise:

[ame="http://videos.sapo.pt/w1l2TAjZHkPhz0pfSzl1"]Governo aumentou o IMI e agravou-o para quem vive em paraÃ*sos fiscais - SIC Notícias - SAPO Vídeos[/ame]

O Governo aumentou os limites de aplicação do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI). Cada autarquia decide o valor a aplicar dentro do intervalo definido no Orçamento. Quem vive nos chamados paraísos fiscais vai ter de pagar cerca de 10 vezes mais do que quem tem morada fiscal em Portugal. A medida atinge, por exemplo, os emigrantes portugueses em alguns países do Médio Oriente.
 
São esperadas 50 mil pessoas hoje em Lisboa, num protesto contra a extinção das freguesias. Na minha singela opinião acho que nem 10 mil estarão presentes. Se isto for mesmo pra frente eu bato palmas ao governo, desde 1836 que ninguém faz nada, naquela altura reduziram o numero de concelhos de 817 para 351.
 
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