Os EUA andam há mais de um século a preparar um Império global. Aqui não há nenhuma conspiração, há factos e documentos. Portugal também teve um Império global, aliás nós fomos o primeiro Império colonial europeu e o primeiro império global da História. Durante séculos o português foi a língua franca no Índico e no Pacífico. Mas há uma diferença entre Portugal e os EUA. Parte da nossa elite estava a construir um império «espiritual», que visava a difusão do Cristianismo e a união dos povos. Não é por acaso que a Igreja Católica promoveu a miscigenação. Diz-se que os portugueses inventaram a mulata ou a cabocla! Nós éramos o único povo europeu que praticava casamentos interraciais com aceitação social, prática considerada decadente pelos ingleses ou pelos holandeses! Claro que havia depois a componente comercial e a escravatura, mas devo acrescentar que a Igreja e parte das nossas elites sempre condenaram estas práticas. Um grande exemplo dessa condenação foi o Padre António Vieira. Os portugueses foram sem dúvida o povo que mais respeitou os outros povos com que nos cruzámos. Vejam só os genocídios brutais provocados pelos espanhóis nas Canárias, no México ou no Peru, ou pelos ingleses e americanos contra os povos nativos da América do Norte.
Ora ao Império americano falta esta componente elevada, nobre, espiritual. Aquilo é o Império do deus Mamon, do deus dinheiro, com o apoio daqueles cujo nome não pode ser dito, uma mão cheia de famílias de um povo que controla a Alta Finança global.
A construção do Império tem sido faseada, e deve ser salientado que Wall Street na primeira metada do século XX financiou uma série de partidos e revoluções, tendo tudo culminado no comunismo russo ou no nazismo alemão. A verdadeira História do século passado está por fazer...
Nós temos uma visão «americanizada» da História, somos deslumbrados pelo entretenimento americano, as suas séries, música, cinema, somos iludidos pelas notícias que parte das suas agências jornalísticas, e que hoje em dia são rapidamente difundidas por todo o Ocidente. Veja-se o que sucede em Portugal, os nossos jornais online todos os dias publicam e dão destaque a dezenas de artigos que são meras traduções literais de artigos provenientes de jornais anglo-saxónicos.
Através da CIA, ao longo do século XX os EUA manipularam a política interna de dezenas de países, especialmente na América Latina, mas também em África, na Ásia ou na Europa, incluindo Portugal. Colocaram no poder quem lhes dava jeito, incluindo ditadores, e não se inibiram na hora de matar, ao ponto de terem cometido um dos maiores atentados de sempre contra a humanidade, o lançamentos das bombas atómicas em Hiroxima e Nagasaki. Com a Segunda Guerra Mundial, aliás, conseguiram a queda da Europa. Com a sua crise dos anos 30, e o financiamento dado ao comunismo e ao nazismo, contribuiram para o que por cá sucedeu. O resultado foi o fim dos nossos impérios coloniais, lançando África no caos, e a fuga de boa parte da nata intelectual europeia para o lado de lá do Atlântico. A Europa nunca mais se recompôs dessa guerra. Os avanços científicos de que hoje gozamos devem-se a todas as descobertas feitas em solo europeu até meados dos anos 50. Até nas artes, na arquitectura, no cinema, na literatura, até aí, há um antes e um depois.
Em boa verdade, é bom que se diga que hoje em dia já há quem considere que os EUA mataram mais que Hitler ou Estaline, através de todas as suas intervenções militares ao longo do século XX e da última década.
Lamentavelmente, só vislumbro um futuro líder europeu com noção da verdadeira natureza daquele país, Marine Le Pen. Tudo o resto anda da mão estendida. A UE foi importante para os EUA durante a Guerra Fria, mas agora já não interessa à América. A força do euro e a Alemanha são um problema para os americanos, aliás, o euro já motivou, em parte, uma invasão ao Iraque e outro à Líbia. No dia em que o petróleo deixar de estar cotado em dólares, aquilo cai como um castelo de cartas.