A maioria dos nosso patrões tem alergia às exportações, gostam sim do mercado interno.
Em Portugal há cerca de 1 milhão de empresas, mas apenas 18 000 exportam, e 100 empresas têm nas mãos 50% das exportações. Muitos produtos são exportados por mero acaso, porque foram descobertos por um estrangeiro ou levados por um emigrante, é o caso dos sabonetes portugueses que a Oprah usa. Os patrões não se dão ao trabalho de fazer marketing lá fora, de tentar exportar. Sei de produtos que são vendidos como gourmet a preços altos em diversos países europeus ou nos EUA mas a produção continua baixa porque os patrões portugueses não aumentam a produção e não fazem marketing, ficam à espera que os clientes caiam do céu, que os clientes apareçam à porta. Não percebem que já não vivem no tempo em que havia condicionamento industrial e comercial, agora vivemos na era da globalização, da concorrência, da competição, a proteção das fronteiras fechadas e dos condicionamentos salazaristas acabou, esse mundinho de proteção e segurança acabou!
A subida da TSU para os empregados iria matar ainda mais o mercado interno, mas é esse mesmo mercado que está sobredimensionado. Portugal é o país da Europa com mais área comercial por habitante, não se vê em lado nenhum tanto centro comercial ou os horários do comércio que há no nosso país! Somos ainda campeões em cafés, restaurantes, padarias e aumento da área contruída! Por isso se ouviu tanta gritaria, há muito dinheiro investido no sector dos serviços e do imobiliário, e querem continuar a mamar num biberon chamado mercado interno.
Por outro lado a descida da TSU para os patrões era uma medida estrutural importante, pois iria tornar o país mais competitivo, ajudar a atrair investimento estrangeiro. E Portugal neste momento precisa muito de investimento estrangeiro, pois não temos cultura industrial, não haverá nenhum milagre industrial por vontade dos portugueses.
Vítor Gaspar tomou esta decisão com base num modelo matemático, não foi uma medida lançada do ar.
Como já referi preferia que baixasse a TSU para os patrões, mas não a subissem para os empregados, como alternativa o Estado deveria cortar na despesa.
Andei há tempos a ler sobre a Idade Média portuguesa, são notórias as divergências entre clero, nobreza e Casa Real, com o clero e os senhores locais a tentar manter as suas capelinhas, por isso muitos reis portugueses acabaram excomungados! Estes problemas têm séculos, isto normalmente acaba com um D. Dinis, um D. João IV, um Marquês de Pombal ou um Salazar a pôr ordem na casa durante umas décadas.