Isto é perigoso e estranho que agora apareça alguém do CDS/PP a defender a saída do euro.
Portugal tem a vigésima dívida externa mais elevada do mundo. Está em euros. Sair da moeda única implicaria a falência das famílias, das empresas e da Banca portuguesa. Contudo imaginemos que os credores perdoavam boa parte da nossa dívida e a dívida das famílias e empresas era convertida em escudos. Portugal voltava entretanto a crescer, depois do empobrecimento brutal que se seguiria a uma saída do euro. Que sucederia em Espanha? Na Grécia? Em Itália? Chipre? França? Cuidam que não haveria fortes pressões populares e políticas internas para seguir os passos de Portugal? E depois, que sucederia à Banca do Centro e Norte da Europa? E em última análise, que sucederia à paz na Europa?
A quem interessa a saída do euro, e também da UE? Cá dentro tudo esteve bem enquanto os contribuintes do Norte enviaram dinheiro e fecharam os olhos ao comportamento das nossas elites políticas e financeiras.
O abandono do projecto europeu interessa a todos os sectores onde a UE tem vind a exigir mais concorrência, um mercado mais aberto e mais transparente: comunicações, energia ou jogo. Interessa aos patos-bravos do betão que vêem a UE como um entrave à disseminação do cimento por áreas protegidas. A quem tem dinheiro lá fora: poderiam comprar casas ou lojas, quintas e outros activos a preço de saldo. À Esquerda demagógica, que assim poderia ligar a máquina impressora e financiar as suas políticas populistas, mesmo que isso significasse o empobrecimento da população.
E depois de sairmos do euro, quem financiaria a economia portuguesa? Como viria a retoma, se não teríamos dinheiro para financiar as empresas?
Enfim, estes políticos parecem umas crianças ou adolescentes irresponsáveis! É uma espécie de estado de loucura colectiva o que se vive neste momento em Portugal!
Os nossos problemas não passam certamente pelo euro, e ficarão cá com uma nova moeda, bloqueando o desenvolvimento económico, social e cultural do país: Justiça lenta, abandono escolar elevado, pouca mobilidade social, ausência de mercado de arrendamento, mau Ordenamento, corrupção e tráfico de influências, carga fiscal elevada, Estado obeso.
Ninguém quer fazer as reformas que o país precisa: extinguir as empresas municipais, reduzir o número de autarquias, extinguir institutos e observatórios, encerrar escolas, rever os contratos com os colégios privados, rever o financiamento às fundações e IPSS's, calcular novamente todas as reformas (salvaguardando as mais reduzidas), cortar nos privilégios da classe política, mudar as leis do Ordenamento do Território, acabar com a promiscuidade do Estado com escritórios de advogados e empresas, reduzir os impostos, acabar com burocracias e regulamentações, etc.
No Conselho Superior da Antena1 desta manhã, Pires de Lima afirma que a única alternativa viável à atual política do governo é a saída do euro. O dirigente do CDS-PP recorda que esta não foi uma alternativa discutida na sessão pública “Libertar Portugal da austeridade”, que juntou dirigentes do PS, PCP e Bloco de Esquerda na passada semana.
“A única alternativa que eu vejo é a saída do euro, mas não vi ninguém na Aula Magna propor essa medida essencial, porque essa é que poderia ser uma conclusão. A conclusão de que a moeda única está a fraturar a Europa, não funciona e é em si mesma um fator responsável pela crise económica, pela crise social, pelo desemprego que os países do sul da Europa estão a viver”, aponta.
Pires de Lima acrescenta que retiraram a Portugal “uma boa parte da soberania, dos instrumentos que tínhamos antes para combater este tipo de situações de ‘default’ financeiro, como aconteceu no passado”.
“Para além do caminho que estamos a traçar, essa é a única alternativa que vale a pena estudar e aprofundar”, argumenta o empresário, em declarações ao jornalista Luís Soares.
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