Sendo assim, sem trabalho, com uma economia de papel, os nossos Portugueses passaram a aceitar qualquer trabalho para satisfazer as suas necessidades básicas. Quando assim é, vemos estes casos de Portugueses a receber menos que o salário mínimo e explorados por empresários oportunistas. Esses não me representam, não representam os valores que defendo - e eu defendo valores bem liberais mas justos, sempre a olhar para o bem comum e não a individualismos. Esses são valores liberais ao contrário do que aqui vou vendo escrito...
E o que é o bem comum? Se escolheres um grupo heterogéneo (ao nível da profissão, nível de vida, necessidades, idade, etc.) e escolheres uma amostra de 10 pessoas, há 10% de medidas que promovem o bem comum. Se for uma amostra de 100 apenas 1% das medidas promovem o bem comum. Se forem 10 milhões, nenhuma medida promove o bem comum - com excepção das duas mais básicas e que são universais, o respeito pela vida e pela propriedade privada, ou seja pela liberdade dos outros.
A expressão "bem comum" não é mais que algo bonito de se dizer, para ganhar eleições, mas na prática é uma vacuidade. O Agreste, por exemplo, acha que o melhor para o "bem comum" é não efectuar donativos ao Banco Alimentar. Está no seu pleno direito, mas acredito que haja muitas pessoas pertencentes à mesma "comunidade" que pensa precisamente o contrário. Neste caso como pode existir "bem comum" se há interesses divergentes?
No caso dos estaleiros de Viana o que é o "bem comum"? A manutenção dos empregos ou a poupança de alguns milhões dos nossos impostos?
No caso das SCUT o que é o "bem comum"?
No caso BPN o que é o "bem comum"?
No caso do SmN o que é o "bem comum"?
Existem "bens" mas nenhum é "comum" a toda a população. São comuns a uma família, uma empresa, uma corporação, um credo religioso, um partido político, mas nunca a toda a população.
Quanto muito há algumas decisões que beneficiam uma maioria da população. Mas, exceptuando aquelas decisões que se têm mesmo que tomar colectivamente pois envolvem a gestão do país, região, concelho, comunidade, faz algum sentido que a opinião de uma maioria prevaleça sobre os desejos individuais de cada um?
Como alguém disse, "democracia são dois lobos e uma ovelha a decidir o que é o jantar".
Não fará mais sentido deixar aos indivíduos a responsabilidade das suas escolhas? De escolher a quantidade de sal que o pão que come contém? De escolher a quantidade de dinheiro que quer doar aos mais necessitados? De escolher se quer deixar que o Estado administre os seus descontos para futuramente receber uma reforma? De escolher o ordenado que quer receber?
E o que tu defendes como "justo" não decorre de uma ponderação individual? Por muito condicionalismo externo que haja nas nossas escolhas, todas elas são individuais - e assim devem ser.
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Quanto à questão do SmN, se uma empresa paga salários demasiado baixos, até pode aguentar-se bem em tempos de contracção económica, mas em momentos económicos normais acaba sempre por desaparecer (em mercados livres e pouco regulados), pois os profissionais mais qualificados não quererão trabalhar lá. O caso mais gritante são os clubes de futebol: aqueles que pagam ordenados mais elevados são, regra geral, aqueles que obtêm melhores resultados.