Transportes rodoviários aplaudem prioridade a ferrovias e portos
O presidente da Associação de Transportes Rodoviários de Passageiros admitiu, esta terça-feira, que o Governo deve dar prioridade a projectos portuários e ferroviários e às mercadorias, como defende um relatório do grupo de trabalho para as infra-estruturas de elevado valor.
"Esta opção parece-nos óbvia e relativamente razoável, porque, efectivamente, ao nível dos investimentos em infra-estruturas, nos últimos anos, tem havido uma aposta quer na componente rodoviária quer nas infra-estruturas de transportes de passageiros", disse à agência Lusa o presidente da associação (ANTROP), Luís Cabaço Martins.
O grupo de trabalho que estudou os projectos de obras públicas prioritárias até 2020 entregou na segunda-feira um relatório ao Governo, defendendo primazia à construção e expansão de portos e de ferrovias em detrimento das rodovias e do transporte de passageiros.
"Não há necessidade de fazer grandes investimentos na área rodoviária, percebemos que os grandes investimentos, designadamente nos portos e ferrovias, digam muito mais respeito às mercadorias e menos aos passageiros", afirmou Luís Cabaço Martins, acrescentando que já existem "bastantes infra-estruturas de transportes de passageiros".
O que é preciso, ressalvou, é que essas infra-estruturas de passageiros sejam, utilizadas de facto.
"Para isso, temos de mudar o contexto de utilização do transporte público e, nesse aspecto, é fundamental a redução e o controlo dos custos de contexto para que as empresas também possam ser mais competitivas e captar mais procura", defendeu.
No documento entregue na segunda-feira ao primeiro-ministro e que começará a ser debatido publicamente na quarta-feira, o grupo de trabalho define 30 projectos prioritários, entre os quais se destacam a expansão do porto de Sines, a construção de um terminal de águas profundas em Lisboa e a modernização da Linha do Norte.
A conclusão do túnel do Marão e a abertura de um novo terminal de carga no aeroporto de Lisboa são outros dos projectos escolhidos entre uma lista prévia de 238 potenciais investimentos indicados pelo Governo.
Os projectos para os próximos seis anos, num investimento global de 5,1 mil milhões de euros. Do conjunto de projectos apresentado, 18 estão ligados ao sector marítimo, oito ao ferroviário, dois ao rodoviário e outros dois ao aeroportuário.
O grupo de trabalho, segundo o documento hoje citado pela imprensa, dá prioridade à ferrovia em detrimento da rodovia e aos portos em vez de aeroportos, dando ainda preferência à carga e mercadorias e não a passageiros.
Fonte: RR