Os casos de COVID não deviam alarmar ninguém, até porque a vacina não previne totalmente a infeção (reduz a transmissibilidade, mas não elimina o vírus) e, melhor do que isso, previne hospitalizações e mortes. Noutras alturas, com o número de casos atual, teríamos já um aumento brutal nas hospitalizações em enfermarias e nas UCI, coisa que não tem acontecido até ao momento (hoje até houve uma redução de 26 pacientes nas enfermarias), e o número de mortes continua bastante baixo (abaixo de 10 por cima, quando em alturas semelhantes já andava acima).

Em 2019, a gripe causou a morte de várias centenas de pessoas, a maioria numa vaga acima do normal em janeiro desse ano. Tendo em conta que a mortalidade da gripe é de 0,1 a 0,2 por 100 pessoas, o número de infetados anualmente em Portugal andará certamente nas centenas de milhares. A grande diferença em relação à COVID é que, como a pandemia da gripe é bem mais antiga e duma altura em que nem sequer se conhecia bem a genética, não se criou o hábito de rastrear os casos de gripe e, portanto, ninguém fala disso.
Quando a maioria da população mundial estiver vacinada (ao ritmo atual será no início do próximo ano - África fica para depois, infelizmente), a OMS deverá decretar o fim da pandemia - não porque os casos deixem de existir, mas porque os efeitos deixarão de se notar tanto e a população poderá ficar aliviada. A lei do mais forte tomará conta do resto, eliminando os mais fracos (comummente chamados de negacionistas).
