Política e economia internacional 2015

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Estado
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Os bancos gregos ficam encerrados até dia 7. PM culpabiliza banco central europeu e anuncia medidas de controlo de saída de capitais. Varoufakis concretiza que não se poderá levantar mais de 60 euros por dia.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, anunciou esta tarde que os bancos não reabrirão até ao referendo e que irá impôr ao banco central medidas de controlo de saída de capitais.

A falar na televisão estatal grega, o chefe de governo culpabilizou o Banco Central Europeu (BCE) pela imposição destas medidas, e garantiu que os depósitos estão seguros.

Mais tarde, o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, concretizou que as instituições bancárias só reabrirão no dia 7 - terça-feira depois do referendo marcado para o próximo domingo - e que os levantamentos em dinheiro no país estão até lá limitados a um valor de 60 euros por dia.

Um valor baixo e que, segundo o britânico The Guardian, pode indicar que os bancos ficaram praticamente sem liquidez após os levantamentos dos últimos dias.

http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=4649828
 
O referendo é a coisa mais tola que já se viu. O povo vai decidir se concorda com as propostas dos credores. Quais são elas? Quais são as posições de ambas as partes? A permanência no Euro nem vai ser referendada. Se o 'sim' ganhar a única coisa que o Syriza deve fazer é demitir-se.
 
Grécia fora do euro, em quarentena, até ver...

A bancarrota da Grécia custará aos bolsos dos contribuintes portugueses 3% do PIB. A soberania dos gregos é respeitável, mas não à nossa custa e à custa dos demais dezoito países da zona euro. Isto entra na cabeça de qualquer pessoa medianamente inteligente, menos nos crânios soldados da nossa irresponsável e burocrática esquerda parlamentar, do PS ao Bloco, passando pelo PCP e pelos falsos verdes.

Mas mais:
  1. a Grécia já teve um perdão da dívida explícito, em 2012, no valor nominal de 50% do seu PIB, mas que na realidade custou aos credores entre 73% e 74% do mesmo;
  2. o serviço da dívida grega custa aos contribuintes gregos 2,6% do seu PIB, mas a dívida portuguesa custa-nos 5% do PIB;
  3. a dívida pública efetiva da Grécia não vai além dos 90% do PIB (1), mas a portuguesa já vai em 265% (230% dentro do perímetro orçamental, e 35% em rendas devidas às PPP criadas pelos nossos famosos 'socialistas');
  4. até ontem os gregos podiam levantar 1500 euros por dia nas caixas multibanco, enquanto em Portugal há muito que o limite é de 400€;
  5. os salários e rendimentos familiares médios dos gregos continuam bem superiores aos dos portugueses (sobretudo se tivermos em conta que a economia informal é bem maior por lá do que por cá);
O atual governo grego, oriundo de uma elite pequeno-burguesa endinheirada e desde sempre encostada ao erário público, como cá, e que nunca deixou de dormir uma noite por falta de liquidez para pagar salários aos seus empregados, resolveu avançar levianamente para um confronto retórico e académico com dezoito países da União de que a Grécia faz parte. Os seus ministros e ideólogos sacaram do fundo da sacola as sebentas dos vários revisionismos marxistas ainda à venda nos alfarrabistas e, com arrogância adolescente, não só apontaram uma pistola carregada à cabeça do povo que representam, como ameaçam desestabilizar toda a zona euro. Basta ver o gráfico que acima republicamos, cortesia do Zero Hedge (2).

Não queremos com isto sugerir que a culpa é toda dos gregos. É deles, mas é também dum sistema financeiro em crise sistémica, que tentou evitar a todo o custo, endividando-se para além de todos os limites, a transição para um paradigma de crescimento não inflacionista, para não dizer estacionário.

A alternativa não está entre dívida e crescimento, mas sim, entre transição sustentada para novos paradigmas de trabalho, produção, trocas e consumo, e o calvário de bolhas especulativas que explodem de sete em sete anos arrastando atrás de si destruições sociais cada vez maiores.

A alternativa não está entre o capitalismo burocrático de estado que toda a esquerda adora, e o gangsterismo financeiro que é preciso travar, ou o neoliberalismo que não passa de uma ficção inventada pela esquerda burocrática, pois, como todos devíamos saber, o keynesianismo, duro, ou mitigado, é a única ideologia que impera na economia mundial há mais de meio século.

A alternativa está, sim, na nossa capacidade de ultrapassar as velhas e gastas dicotomias, e fazer a transição para uma nova era económica e cultural, sem deitar fora o melhor que a democracia ocidental tem: a liberdade e as suas classes médias ilustradas.


NOTAS
  1. Paul De Grauwe. "Greece is solvent but illiquid. What should the ECB do?" — 17 June 2015
    One feature of the Greek sovereign debt crisis, which is widely misunderstood, is the following. Since the start of the crisis the Greek sovereign debt has been subjected to several restructuring efforts. First, there was an explicit restructuring in 2012 forcing private holders of the debt to accept deep haircuts. This explicit restructuring had the effect of lowering the headline Greek sovereign debt by approximately 30% of GDP. Second, there were a series of implicit restructurings involving both a lengthening of the maturities and a lowering of the effective interest rate burden on the Greek sovereign debt. As a result of these implicit restructurings, the average maturity of the Greek sovereign debt is now approximately 16 years, which is considerably longer than the maturities of the government bonds of the other Eurozone countries. These implicit restructurings have also reduced the interest burden on the Greek debt. The effective interest burden of the Greek government has been estimated by Darvas of Bruegel to be a mere 2.6% of GDP. This is significantly lower than the interest burden of countries such as Belgium, Ireland, Italy, Spain and Portugal.
    LINK
  2. The ECB Suddenly Has A Huge Headache On Its Hands

    Incidentally the chart above is why earlier today Varoufakis said that "if ECB were to stop support for the Greek banking system would mean that Europe has failed." Because if indeed the ECB were to pull the carpet from under Greece as it hinted it would do on Tuesday when the Greek program runs out, when it froze the Greek ELA despite the ongoing Greek bank run, it would promptly set off a chain of events that would not only crush the Greek banking system but destroy any credibility Greek sovereign collateral had as a state, impairing all Greek national and corporate collateral, including bonds and loans currently held by the ECB, to zero.

    It would also mean that as that €126 billion or so of total ECB/Eurosystem claims on Greek banks were "charged off" in case of a terminal Greek "event" then the entire ECB capital buffer would also be wiped out, leaving the ECB with negative equity. Translated: dear Eurosystem members: we need more cash.

    Zero Hedge. Submitted by Tyler Durden on 06/28/2015 13:25 -0400
http://o-antonio-maria.blogspot.pt/2015/06/grecia-acabou-se-o-caviar.html
 
Tal como se esperava... mercados no vermelho!

Stoxx Europe 600 perde 3,03% para 384,83 pontos
PSI-20 afunda 4,39% para 5.578,48 pontos
IBEX-35 desvaloriza 4,6% para 10.848,70 pontos
Euro recua 0,78% para 1,180 dólares
Brent perde 1,63% para 62,23 dólares
 
primeiro os insultos habituais da marca CDS.

- crânios soldados da nossa irresponsável e burocrática esquerda parlamentar
- o comunismo adolescente.

depois as ideias revolucionárias.

- novos paradigmas de trabalho, produção, trocas e consumo

depois dos novos paradigmas como é que as bolsas funcionavam?

- um paradigma de crescimento não inflacionista, para não dizer estacionário.

regressamos ao princípio da crise. Uns têm pai e mãe...

- capitalismo burocrático de estado que toda a esquerda adora
- o keynesianismo, duro, ou mitigado, é a única ideologia que impera na economia mundial

os outros coitados nem isso.

- gangsterismo financeiro que é preciso travar
- o neoliberalismo que não passa de uma ficção inventada pela esquerda burocrática

No final fiquei confuso: Queremos mais estado ou menos estado?
Uma coisa eu tenho a certeza: É melhor não referendar nada! Uma pistola apontada à cabeça é capaz de disparar acidentalmente.
 
Este governo grego já e uma anedota desde que entraram de mota . . .

Não e preciso ir para la ninguém para nos fazer rir .:huhlmao:

E insultos e o que esses sujeitinhos la das grecias fazem todos os dias , e proprio de que quem nao tem rigorosamente nada para oferecer , um zero absoluto , so sabem dizer que estão contra tudo .

A verdade e que só os fanáticos estão a favor deste governo grego ( só não sei precisar se são fanáticos de esquerda ou de direita , pois tem la de tudo ) .

Mas , enfim , os gregos quiseram po - los la , agora que levem com eles .


P. S na votação para o referendo inventado para sacudir a agua do capote pelo syrisa , só os partidos mais extremistas ( incluindo a aurora dourada , votaram a favor da sua realização , ate , pasme - se , o partido comunista grego , votou contra ) .

Nao tenho duvidas que , se fosse essencial ,o syrisa tinha feito um acordo de coligação com a aurora dourada .
 
Última edição:
O impacto nos mercados está sendo moderado.

- Alguma venda significativa nas bolsas;

- Metais preciosos estacionários (o Ouro teima em não passar dos 1200 USD sem surpresa nenhuma);

- Efeitos do (não) contágio: Obrigações de Portugal todas a subir - a 2 anos uma variação de, neste momento, +337,78% (alguém está a perder uma quantia estupidamente elevada de dinheiro). No caminho inverso, as obrigações alemãs todas a descer; a de 4 anos com uma variação de, neste momento, -186,11%. Ontem à noite o euro estava nos 1.09 USD. Agora nos 1.11. Os vizinhos do outro lado do Atlântico não podem ter um dólar forte. Nem os investidores querem pegar nele. E a subida dos juros?

- As obrigações gregas estão a subir mas não muito tendo em conta a situação.
 
Última edição:
Nesta altura muita gente está a esfregar as mãos para BTD (Buy The Dip) - comprar o fundo nas bolsas, estando apenas à espera da consolidação das quedas. Em PT muita gente fez isso com o BES. Porque nada de mau pode acontecer. Depois...
 


Se o dinheiro não estiver no vosso bolso não é vosso.


Se calhar nem no nosso bolso é nosso. ;)

Uma coisa é certa, hoje é um dia que vai ficar escrito na história.
Só resta saber se isto será só a Grécia ou se é a Europa toda que vem abaixo.

Claro que preferia acreditar que isto fosse só a Grécia, mas estou mais inclinado em achar que é sobretudo o inicio do fim desta Europa.

Neste momento há demasiadas crises ao mesmo tempo afectando a Europa. A Grécia. Potenciais impactos económicos da Grécia. O contágio de irreverência a outros países. O descrédito da Europa. As futuras eleições na Espanha e França, com forte cariz anti-EU. O referendo de saída do Euro do Reino Unido. A crise dos imensos migrantes árabes. O terrorismo árabe em países europeus cada vez com mais problemas no que toca à imigração. A tensão militar com a Rússia. ... e a população europeia a perder a paciência com isto tudo

A Europa está com muitas crises em simultâneo. E os políticos actuais não estão a dar conta do recado, vê-se. Tempos em que se faz história sem dúvida.
 
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