Política e economia internacional 2015

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Estado
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O acordo com o Irão apenas adia o inevitável. Uma guerra regional para impedir a bomba. Entretanto, e com o dinheiro extra fruto do levantamento das sanções, o Irão irá apoiar mais o Assad. Poderá até vender gás à Europa. A Rússia vende mais gás à China e venderá muitas armas ao Irão (concessão para o Irão entrar na Europa mediante o gás). Arábia Saudita, Israel e os restantes vizinhos do golfo irão modernizar o arsenal. O complexo-militar industrial americano (e russo) não se queixa. Mais uma corrida ao armamento (convencional). Paradoxalmente, Israel beneficia dos conflitos internos na Síria. Como já escrevi, o Irão não irá parar de desenvolver a bomba (o acordo, ao contrário do que é dito pelo Obama e pelas notícias apenas tenta atrasar o desenvolvimento). De qualquer das formas qualquer programa nuclear, mesmo civil, no Médio Oriente é uma bomba-relógio que mais cedo ou mais tarde irá dar bronca.

 
Já poucos se lembram. Mas antes da Rússia, China, Irão, Síria e EI, estes eram a pior escumalha à face da Terra. Na altura também iam ser eliminados:

 
Dado o estado das nossas contas? Que estado? A Maria Luís farta-se de dizer que os cofres estão cheios. No worries, people.

O seu sarcasmo é injusto e demagógico.

Os cofres cheios foram imposição da troika e servem para financiar o Estado se houver turbulência nos mercados e ataques especulativos. É portanto um comportamento responsável e de louvar da parte do Governo. Já o anterior Governo do PS esgotou todas as reservas e depois foi de mão estendidas negociar um resgate... era isso que preferia? Outro resgate?

E se temos este endividamento a culpa não é deste Governo, a culpa é dos que estiveram antes, nomeadamente de Guterres, Durão e principalmente Sócrates, que usaram e abusaram da desorçamentação, esconderam despesas, deixaram-se capturar por vários interesses corporativos, económicos e financeiros. Este Governo conseguiu marcos históricos em democracia, balança comercial positiva, recordes na exportações, objectivos do défice cumpridos sem receitas extraordinárias e desorçamentações. Infelizmente não foi mais longe e por isso não podemos hoje ter impostos mais baixos.
 
Pelo que o não acordo antecipa é?

O acordo foi o melhor resultado possível (e está a ser muito criticado). Se não houvesse haveria algum tipo de conflito. O conflito não foi agora. Será no futuro. Enquanto o Irão não tiver a bomba poderá ser atacado. Os motivos do Irão são os mesmos de Israel. Autopreservação.


O EI é o substituto dos talibã. Uma organização indicada para destruição pelas mesmas pessoas que, no geral, contribuiram para a sua formação. Os últimos não foram. Os primeiros também não serão.
 
Última edição:
Israel por várias vezes atacou vizinhos para danificar o programa nuclear. Não vejo motivos para terminar essa prática. A aliança russo-iraniana é mesmo a maior preocupação. Sauditas e companhia ignoram Israel porque têm proteção militar em comum.

Os sauditas bem tentam puxar os russos para a sua esfera:

http://www.wsj.com/articles/saudi-arabia-to-invest-up-to-10-billion-in-russia-1436198674

Os russos não precisam dos sauditas como os americanos. A polarização do médio oriente já está feita. É mais uma guerra fria. Para se ver a manifestação mais óbvia basta olhar para a Síria e Iémen. O Iraque é um caso à parte. A polarização do Extremo Oriente é menos noticiada mas também está a correr à velocidade máxima.
 
balança comercial positiva

Muito por causa do empobrecimento. A recuperação do poder económico aumenta as importações e o défice comercial. Há progressos mas não um milagre.

objectivos do défice cumpridos sem receitas extraordinárias e desorçamentações

"Se nada disto [medidas extraordinárias] existir em 2016, então haverá tendência para que nós não cumpramos o objetivo de ter um défice inferior a 3% e então poderemos vir a ter problemas, não com o crescimento da economia, que crescerá, mais até do que aquilo que o Governo tem previsto, mas podemos regressas a certos desequilíbrios macroeconómicos", afirmou.

http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=4461455&seccao=Dinheiro Vivo

O governo é um bocado hipócrita quando faz comparações com a Grécia. Por um lado congratula-se dizendo que sem o governo Portugal seria a Grécia. Contudo:

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse, esta sexta-feira, ser uma "ilusão" pensar-se que a reforma do Estado traz "profundas" poupanças orçamentais, lembrando as fatias da despesa pública centradas nas prestações sociais e salários.

"Mais de dois terços da despesa pública concentram-se justamente nas prestações sociais e nos salários. Não vale a pena contornar esta discussão. Nós temos limitações óbvias do ponto de vista constitucional para lidar com o problema dos salários. E nenhum governo pode ir contra a Constituição. Essa é uma matéria que está esclarecida", vincou o governante.

http://ionline.pt/401722?source=social

Se o governo tivesse cortado brutalmente nos salários e pensões para atingir o défice zero Portugal teria muitas semelhanças com a Grécia (pelo menos a curto prazo. A elevada dívida privada tinha-se encarregado do resto). A Grécia está pior porque pré-2011 já estava muito pior que Portugal em termos orçamentais. Ambos continuam num caminho insustentável. O governo congratula-se nos dias que convém. Nos outros critica o Tribunal porque não lhes deixaram prosseguir com os cortes. Mas foram esses impedimentos permitiram o governo congratular-se (suavizaram o ajustamento). Se o défice zero é assim tão inofensivo porque não o implementaram? Propaganda política é muito gira de facto.

Os políticos são todos iguais: os fracassos são culpa dos outros e os sucessos são todos do governo.

É algo desanimador ver PSD e PS tentarem tirar benefícios políticos do caso da Grécia. É como ver abutres tirarem carne de uma carcaça. Se calhar acabei de resumir o que é ser político.
 
Última edição:
Mas acabaste por não responder, o acordo adia que inevitável? Ou o não acordo antecipa o quê já agora?

Guerra. Foi isso que escrevi:

O acordo com o Irão apenas adia o inevitável. Uma guerra regional para impedir a bomba.

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O EI é uma sofisticada organização que tira partido do nosso modo de vida, continuo sem perceber, deve-se combater o EI ou é para deixar andar?

Eu acho interessante muita coisa acerca do grupo. O EI tem uma máquina de propaganda impressionante. A Al-Qaeda usava vídeos rascas. As táticas militares podem ser explicadas pelos ex-soldados do Saddam. Mas há muita coisa que fica por explicar. Claro que se deve combater o EI. Mas explica-me lá. Com turcos, israelitas e sauditas a apoiar como é que se combate?

Isso é o que acontece quando alimentas o populismo, acabas por ser vítima dele.

Antes do Tsipras já havia isso. Nunca viste um jogo de futebol na Grécia?
 
Prefiro ver o ocidente a negociar com um governo moderado como o atual governo iraniano do que com o anterior radical . O irão não esta ao nivel de muitos paises do Médio Oriente mais atrasados , tem um certo cosmopolitismo e nas maiores cidades , uma massa de jovens com formacao , que são uma uma dor de cabeca para o regime .

O ei e liderado militarmente por antigos generais de Saddam , dai a sua extraordinária disciplina militar .
 
O seu sarcasmo é injusto e demagógico.

Os cofres cheios foram imposição da troika e servem para financiar o Estado se houver turbulência nos mercados e ataques especulativos. É portanto um comportamento responsável e de louvar da parte do Governo. Já o anterior Governo do PS esgotou todas as reservas e depois foi de mão estendidas negociar um resgate... era isso que preferia? Outro resgate?

E se temos este endividamento a culpa não é deste Governo, a culpa é dos que estiveram antes, nomeadamente de Guterres, Durão e principalmente Sócrates, que usaram e abusaram da desorçamentação, esconderam despesas, deixaram-se capturar por vários interesses corporativos, económicos e financeiros. Este Governo conseguiu marcos históricos em democracia, balança comercial positiva, recordes na exportações, objectivos do défice cumpridos sem receitas extraordinárias e desorçamentações. Infelizmente não foi mais longe e por isso não podemos hoje ter impostos mais baixos.

Sendo assim, vou já deixar de dar a minha opinião (not!).
Repito: que estado das nossas contas? Elas estão óptimas. É só ouvir a Maria Luís em loop. Não há que temer. Não há turbulência, nem mercados nem ataques especulativos que abanem a valorosa obra deste governo.
Estou fartinha do discurso 'a culpa foi dos anteriores' de todos os governos que foram eleitos neste pobre país. Mas entendo que o façam. As eleições a isso obrigam. No outro dia o Rangel dizia isso mesmo ao mesmo tempo que dizia que a Grécia estava em franca melhoria e que em 5 meses o governo do Syriza tinha estragado tudo. E disse-o sem se rir! Agora que os eleitores (eleitores ou filiados?) o usem, sinceramente é lamentável. Este governo é medíocre e conduzido por gente medíocre. Gente que não sabe o que é a palavra nem a dignidade. Gente que se 'esqueceu' das suas obrigações contributivas. Gente que mente com desfaçatez. Que outros o tenham feito antes e que outros o façam depois, não faz deles melhores. Faz deles tão maus ou piores. Quanto aos números, admito que no papel possam estar melhores. Agora, os custos humanos disso não interessam para muitos. Razão tinha um dos da comandita que em tempos disse: 'O país está melhor, as pessoas é que não'. Sem querer resumiu bem estes 4 longos anos.
 
Da tua parte acho que olhas para a realidade como uma coisa estática, como quem lê apenas uma página dum livro de história e acha que sabe toda a história, como se toda a história da humanidade não fosse feita de mudanças, conflitos, em que inimigos de hoje são os amigos de amanhã, etc.

É a tua opinião e eu respeito. Eu penso que os eventos de hoje moldam o amanhã. Não há surpresas. E os eventos tipicamente não surgem do nada. E não acredito na estaticidade da história. Sempre que possível tento refletir sobre as implicações das pequenas movimentações. Incompletas? Claro. Faz-se o que se pode com o que se tem.

O que estamos a assistir nestes dias é a desconstrução de muitas ideias feitas, muitas até da tua parte, que achas que por detrás disto há sempre uma ordem a querer asfixiar os destinos dum país. Não há, dum lado está um país falido, do outro estão outros países credores que também têm os seus problemas.

A imposição de federalismo; fascismo disfarçado de democracia? Eu sempre que possível uso as palavras dos intervenientes. Imagine-se se eu não usasse. Era mais um louco teórico da conspiração. Quanto erro, escrevo que errei. Desde há 2 anos (+ coisa - coisa) escrevo que o federalismo está à porta. Neste caso errei em quê? Na escala temporal. Quem não concorda comigo, não tenho que levar a mal. É a vida. Já fico contente se me lerem :D

Se a Grécia está falida penso que se pode saber quem foram os credores internacionais e os políticos gregos que assinaram os swaps ruinosos da Grécia. Está-se a remediar o problema. Quem causou está por aí. Até há outro processo:

Goldman Sachs faces the prospect of potential legal action from Greece over the complex financial deals in 2001 that many blame for its subsequent debt crisis.

A leading adviser to debt-riven countries has offered to help Athens recover some of the vast profits made by the investment bank.

The Independent has learnt that a former Goldman banker, who has advised indebted governments on recovering losses made from complex transactions with banks, has written to the Greek government to advise that it has a chance of clawing back some of the hundreds of millions of dollars it paid Goldman to secure its position in the single currency.

http://www.independent.co.uk/news/w...-hide-debts-when-it-joined-euro-10381926.html

Qualquer referência a banqueiros como criminosos é vista como uma tentativa de escapatória para os erros de políticos. Nem sempre. O próprio BCE recusa-se a dizer. E eu publiquei a notícia. Isto não é conspiração. Se é demasiado para as pessoas acreditarem nada posso fazer. A Grécia entrou no Euro com 100% dívida ao PIB e não há culpados? O resultado era inevitável.
 
É algo desanimador ver PSD e PS tentarem tirar benefícios políticos do caso da Grécia. É como ver abutres tirarem carne de uma carcaça. Se calhar acabei de resumir o que é ser político.

Precisamente.
 
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