Responde-me a uma pergunta muito simples. Se fosses uma entidade muito rica, predadora, capitalista, demónio e tal, e quisesses continuar a controlar as pessoas sob tua dependência, o que farias, continuavas a alimentá-las para que permanecessem debaixo do teu poder (como um dealer que oferece a droga aos junkies), ou farias o contrário, obrigavas essas pessoas a tomarem medidas para se libertarem da tua dependência?
Para começar eu penso que há várias opiniões no Eurogrupo que assemelham-se na generalidade mas diferem nos pormenores. Juncker, Draghi e Schauble, por exemplo, querem todos uma europa federal. Os dois primeiros querem a Europa toda. Se bem te lembras, um dos artigos que publiquei dizia que o Schauble pretendia uma integração rápida da europa central. Os países periféricos juntar-se-iam mais tarde. Os países periféricos politica e economicamente são irrelevantes (abro uma exceção pequena para a Itália). Para suportar a pouca relevância dos países periféricos, o Geithner afirmou que o MF alemão estava disposto a sacrificar a Grécia e a sustentar os restantes países para obter a integração política dos restantes países, especialmente os do centro europeu. Isto vindo de um alemão é inofensivo. Se tivesse vindo de um russo ou um chinês... qual seria a tua opinião? Para o Schauble Atenas é irrelevante. O objetivo é Paris.
Como escrevi várias vezes, se não houvesse problemas na Europa a integração demoraria muito mais tempo. É nas crises que se força as pessoas a fazerem aquilo que queremos (palavras de Schauble). A droga está para os viciados como o euro está para os países endividados. Tanto pessoas como países nunca melhorarão enquanto continuarem na droga/euro. Mas não podem/conseguem sair por mais que queiram. O credor pode exigir o que quer dos devedores. O Banco Mundial até adia empréstimos consoante as leis relativamente à homossexualidade. Não é um uso indevido de ajuda financeira?
Penso que a única forma de começares a acreditar no que escrevo é se o Schauble dizer que é fascista. Mas ele não precisa de o fazer. Se age como um fascista, se fala como um fascista e se pensa como um fascista... é um fascista.
A Grécia continua a ser irrelevante. Só serve para abrir o precedente. O federalismo só será imposto na próxima crise ao estilo de 2008. Crise essa que seria causada pela saída da Grécia (palavras de Schauble). O acordo também ele é irrelevante. Nunca conseguirá cumprir. Não vai ao encontro do planeado (palavras de Schauble)?
O controlo mais fácil das nações não é militar. É económico. O devedor é escravo do credor. Já vem desde tempos bíblicos. E como é hábito nos casos de fascismo, quando é implementado é visto como a salvação para problemas graves. Só com o tempo é que a negra realidade vem ao de cima.
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