Política e economia internacional 2015

  • Thread starter Thread starter Vince
  • Data de início Data de início
Estado
Fechado para novas mensagens.
O " Syrisa " anunciou que a Grécia , antes do pagamento dos juros , teve no ano passado , um superávit de 2900 milhões de euros , se não estou em erro .

É curioso , assim todos os meses também tenho um superavit , antes de pagar a casa ao banco , a luz , o telefone e por aí fora . Então , se não pagar , então é que é bom .

Tudo bem em tentar reestruturar a dívida , pois a mesma é astronómica , mas sinceramente , os gregos devem estar mesmo desesperados para ouvirem esta argumentação cómica ( para não dizer outra coisa ) e desatarem a bater palmas .
 
Lá estás tu a pensar que te chamo comunista, ou comunismo vs capitalismo.

Pelo contrário. Até tenho a ideia de que temos mais ideias (repetido eu sei) em comum do que pensamos (a sério). Também não é com meia dúzia de frases que se atinge um consenso.

Eu só nunca meti dinheiro na Suiça porque não o tenho :(

Honestamente, e mesmo que tivesses, não aconselharia a Suíça. Lá também tem a lei dos Bail-in. Antes o Liechtenstein. Ao menos não tem dívida pública.

Quanto ao HSBC não é novidade. Os grandes bancos mundiais têm uma longa lista de multas. O que vai mudar é que da próxima vez vão ter mais cuidado em esconder. Se não forem eles a lucrar com os negócios negros outros irão. Logo, não tenho grande 'fé' (porque não aumentam a vigilância nestes? Porque não usam a NSA para espiar os banqueiros? - proposta completamente 'delirante', eu sei).

Outra informação engraçada foi a S&P. Nem tanto a multa mas uma admissão relacionada:

Credit rating firm Standard & Poor's will pay $1.5 billion to resolve a collection of lawsuits over its ratings on mortgage securities that soured in the run-up to the 2008 financial crisis, concluding one of the U.S. government's most ambitious cases tied to the housing collapse.

The United States sued S&P in 2013 after initial settlement talks broke down, seeking $5 billion and accusing the ratings agency of defrauding investors. S&P argued that its ratings were protected under the First Amendment right to free speech, and described the lawsuit as retaliation for the firm downgrading the credit rating of the United States.

Contudo:

Under the settlement, S&P acknowledged it has not uncovered evidence to support the allegations of retaliation. "This was important to me," Attorney General Eric Holder said, referring to the allegation as "utter nonsense."

Mais um dia 'normal' na alta finança.
 
E por mero acaso tenho uma dúvida. Será que os bail-in, quando acontecerem, aplicam-se às contas secretas? Não sei porquê mas acho que não. Ei, quem nos manda não sermos ricos nem famosos e muito menos poderosos?
 
Lendo eu um livro sobre a democracia e a respetiva influência do dinheiro, deixo aqui um bom roteiro sobre o FMI funciona (daí o meu desdém pela instituição):

1- Privatização. Tudo o que é relevante e estrategicamente importante é comprado pelas multinacionais de maior dimensão. As restantes são compradas por atores mais pequenos. Muito se fala sobre os oligarcas russos. Mas na altura a privatização de muitas 'jóias' que pertencem a todo o povo russo foi apoiada pelo vizinho do outro lado do Pacífico (não admira que o Putin persiga os oligarcas com ligações ao ocidente):

U.S. Vice President Al Gore said Tuesday that U.S. support for economic reform in Russia goes beyond President Yeltsin or any other individual.

In a crucial gesture of support, Gore emphatically endorsed a new three-year $9 billion loan to Russia that the International Monetary Fund and other lending institutions are still debating.

President Clinton, who also met with Chernomyrdin Tuesday, said he believes the loan will go through. Clinton said Russia's economy will continue to grow with the support of the United States and international banks.

CNN

The Russians had to learn quickly, as their vocabulary expanded to embrace new words such as marketing, advertising and exchange rates; or barter, leasing and - not least - profits.

Those who were unable to adapt quickly suffered. In particular, those employed by the state - including teachers, doctors, professors and policemen - learned to hate the "new Russians" who were flocking to the newly-opened restaurants, night clubs and casinos.

The disparity of wealth sparked a powerful revival of the Communists. In 1995, they led the polls and the demise of Yeltsin looked imminent.

In order to secure his own survival and the continuation of the capitalist reforms, Boris Yeltsin took one of his most controversial economic steps. He succumbed to the pressure of a dozen bankers and promised them a hefty prize for their financial support.

Those bankers, known as "oligarchs", provided the state with loans, taking oil and metal shares as collateral.

Soon they became the owners of some of Russia's most profitable assets, which made them the de facto rulers of the country.

BBC

2- Liberalização do mercado de Capitais. Numa primeira instância cresce a especulação no imobiliário e na moeda. Por outro lado, torna o país muito mais fraco e as saídas bruscas em massa aquando de más notícias (reais ou inventadas) levam os países à bancarrota (acabam-se as reservas externas). A inevitável subida dos juros para aumentar o valor da moeda só piora a situação (veja-se a Rússia). Mas não há problema, pede-se mais um empréstimo ao FMI (tipo Portugal. Não acho que tenham intenções de se ir embora em 2030. É como a NATO, quando se instala não se quer ir embora - o tal poder leve).

3- Preço inteiramente dependente do mercado. Todos os subsídios são tendencialmente eliminados. Luz, água, comida. Claro que os preços sobem e a pobreza aumenta. Instabilidade civil aparece e o governo é forçado a usar a força. Isto leva-nos novamente ao ponto 2 - fuga de capitais e a situação piora. O FMI é novamente o salvador do dia.

4 - Implementação do Free Trade. Isto destrói a indústria de um país tendo em conta que as multinacionais conseguem produzir a um baixo custo (não admira, ter uma loja de roupa no Bangladesh cujo edifício desmorona de vez em quando compensa financeiramente). A agricultura em África é bom exemplo. Não falta terra. Mas não compensa ajudá-los a desenvolver. E depois quem compra os grãos ocidentais? Claro que depois há fome porque não produzem. Mas não faz mal. O FMI vai ajudar os países africanos com mais um empréstimo e doar o excedente de grãos ocidentais. Claro que servir a dívida vai impedir o desenvolvimento do país (e o resto certamente já perceberam).

Termino com:

The pauperising effects unleashed by globalisation have generated social conflicts and political crises that the system is now finding it more and more difficult to contain. The slogan "we are the 99 per cent" grows out of the reality that global inequalities and pauperisation have intensified enormously since capitalist globalisation took off in the 1980s. Broad swaths of humanity have experienced absolute downward mobility in recent decades. Even the IMF was forced to admit in a 2000 report that "in recent decades, nearly one-fifth of the world’s population has regressed. This is arguably one of the greatest economic failures of the 20th century"

AJ

Os pontos que escrevi acima estão, obviamente, incompletos (também já abordei este assunto anteriormente). Há sempre possível acrescentar mais. Por exemplo nos países atingidos pelo Ébola (são pobres agora e não vejo que vá melhorar):

The three countries stricken by Ebola have been granted debt relief of about $100m (£65m) by the International Monetary Fund, which has been under pressure to relieve the financial burden on Guinea, Liberia and Sierra Leone.

The IMF also urged other international lenders to the countries to take similar action as it established a catastrophe containment relief trust to provide grants to countries suffering epidemics and other natural disasters.

The trust will provide the money to Liberia, Sierra Leone and Guinea so they can pay off debt to the IMF. The IMF also offered the west African states $160m of new interest-free loans.

According to campaigners, the debt of Guinea, Liberia and Sierra Leone to the IMF will increase from $410m to $620m over the next three years, because of the $415m of new loans granted before the announcement.

“The cancellation of debt payments coming due over the next two to four years is a welcome step in helping with the impact of Ebola,” Tim Jones, policy officer at Jubilee Debt Campaign, said. “But the lending of more money means that Guinea, Liberia and Sierra Leone’s debt will actually increase. Grants should be given to cope with the impact of Ebola, not more loans which leave an unjust debt to be repaid over the next decade.”

Guardian
 
Última edição:
É por estas e por outras que terá de haver sempre uma regulação por parte do estado, pois o mercado só por si é irregulável....
Para se chegar a este medicamento esta empresa com todas as suas virtudes usou o conhecimento partilhado e construido por gerações de ricos, pobres, gordos magros, doentes e saudáveis, gente de muitas nacionalidades de muitos extractos sociais. É a cultura que nos liga ao mundo, sem ela estamos despido de qualquer talento ou competência de lidar com o mundo. Esta vem da nossa socialização como membro da sociedade. Daí que usar a sua descoberta e deliberadamente usá-la apenas na linha dos seus principios ambicionistas é um "abuso", para não usar outras palavras....

Como no caso Hepatite C....

Médicos do Mundo impugnam patente do medicamento para a hepatite C
por LusaHoje
icn_comentario.gif
9 comentários

ng3937788.jpg

Fotografia © D.R.
Organização não governamental defende que a patente do sofosbuvir deve ser aberta à concorrência, considerando que o laboratório pratica preços "exorbitantes".
 
É por estas e por outras que terá de haver sempre uma regulação por parte do estado, pois o mercado só por si é irregulável....
Para se chegar a este medicamento esta empresa com todas as suas virtudes usou o conhecimento partilhado e construido por gerações de ricos, pobres, gordos magros, doentes e saudáveis, gente de muitas nacionalidades de muitos extractos sociais. É a cultura que nos liga ao mundo, sem ela estamos despido de qualquer talento ou competência de lidar com o mundo. Esta vem da nossa socialização como membro da sociedade. Daí que usar a sua descoberta e deliberadamente usá-la apenas na linha dos seus principios ambicionistas é um "abuso", para não usar outras palavras....

Como no caso Hepatite C....

Só se chegou a este medicamento porque era apetecível ter uma patente que fosse reconhecida. Muitos outros falharam, milhões de Euros perderam.
Caso contrário poderíamos ter este medicamento apenas daqui a umas décadas.
 
A Venezuela baixa um braço no valor imaginário que cotava o Bolivar... os produtos de alimentação e saúde irão comprá-los à Bolívia e à Coreia do Norte.

Novo mecanismo, o Sistema Marginal de Divisas (Simadi) ou sistema "totalmente livre", entrará em funcionamento esta quarta-feira

A Venezuela anunciou hoje que iniciou um "novo esquema cambial" que terá três modalidades, uma delas terá por base uma cotação "totalmente livre" a que os cidadãos e empresas poderão recorrer para vender ou comprar dólares no país.

O anúncio foi feito em Caracas, durante uma conferência de imprensa conjunta entre o ministro venezuelano da Economia, Finanças e Banca Pública, Rodolfo Marco Torres e o presidente do Banco Central da Venezuela, Nelson Merentes.

O novo sistema cambial manterá a cotação de 6,30 bolívares por dólar para as importações prioritárias (alimentação e saúde), unificando as outras duas cotações que vigoravam até agora (12 e 52 bolívares) numa só taxa cujo valor inicial será de 12 bolívares por dólar, mas cujos pedidos continuarão a depender de autorização do Executivo.

O novo mecanismo, o Sistema Marginal de Divisas (Simadi) ou sistema "totalmente livre", entrará em funcionamento esta quarta-feira.

O valor da sua cotação não foi divulgado mas vários economistas dizem que deverá rondar os 180 bolívares por dólar, perto do valor do actual mercado negro cambial.

O Simadi despenaliza a troca de dólares e funcionará através de 3.792 organismos e casas de câmbio do país, sendo necessário que os participantes tenham contas em dólares nos bancos venezuelanos.

Segundo Rodolfo Marco Torres, a Venezuela manterá a limitação de 3.000 dólares anuais para as viagens ao estrangeiro, tanto para cidadãos nacionais como para estrangeiros radicados no país, deduzindo desse valor os 300 dólares anuais que poderão ser usados para efectuar compras electrónicas através da Internet.

Há 12 anos, a 5 de Fevereiro de 2003, a Venezuela implementou um sistema de controlo cambial que desde então impede a livre obtenção de moeda estrangeira no país e obriga os cidadãos e empresários a recorrer às autoridades a fim de obter autorização para aceder a dólares para as importações, viagens ao estrangeiro, compras electrónicas, recursos para estudos e remessas a familiares.

Desde então registaram-se seis desvalorizações da moeda, que inicialmente se cotava a 2,15 bolívares por dólar norte-americano e mais recentemente 52 bolívares por dólar à taxa oficial mais alta.

Foram implementados 32 acordos cambiais com vários esquemas, passando pela inclusão de títulos de câmbio do Banco Central da Venezuela títulos da dívida da República e títulos da empresa petrolífera estatal.

http://www.ionline.pt/artigos/dinhe...stema-cambial-permitir-vender-comprar-divisas
 
Estado
Fechado para novas mensagens.