Política e economia internacional 2015

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Estado
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E ainda no tópico do ex-presidente da Geórgia:

The Georgian Foreign Ministry has summoned Ukrainian Ambassador Vasily Tsybenko to discuss the appointment of exiled former President Mikhail Saakashvili as a “non-staff” advisor to Ukrainian President Poroshenko, according to local media. Tsybenko is set to meet with Foreign Ministry officials at the beginning of next week. Earlier, Georgian Prime Minister Irakli Garibashvili suggested that Kiev consider Saakashvili's “radical tendencies and the catastrophe to which he led Georgia.” Saakashvili, who is wanted for trial in his home country on corruption charges, is set to chair Ukraine’s Advisory International Council of Reforms.

RT

The Georgian government, under the leadership of Prime Minister Irakli Garibashvili, has not joined Western sanctions over Russia’s annexation of Ukraine’s Crimean peninsula. A darling of the west, Georgia’s ex-president, Mikheil Saakashvili, lives in self-imposed exile in New York after the Georgian government issued a warrant for his arrest for abuse of authority and misuse of public funds, causing concerns over political persecution in the country.

Forbes

Georgian Prime Minister Irakli Garibashvili has accused the country's former President Mikheil Saakashvili of "betrayal and provocation" following his calls for Georgian servicemen to resign from the Georgian army and go to fight in Ukraine.

KP

Como declaração do dia (se isto fosse o Putin havia histeria em massa):



RT

Num outro assunto, é preciso desconstruir a narrativa de que todos os extremistas ou árabes querem-nos matar por causa dos nossos valores, liberdades e democracia (declaração do Hollande):



Há muitos motivos pelos quais uma qualquer pessoa combate. Às vezes os motivos são os mais básicos:

Unlike Al Qaeda in Iraq, A.Q.A.P. has worked on gaining the support of local communities by compromising on some of their strict religious laws and offering basic services, electricity and gas to villagers in the areas they control. Furthermore, Iran has seized this chance to gain more influence among the disgruntled population in Yemen’s south.

Outros, como já referi, são pura vingança:

Certainly, there may be short-term military gains from killing militant leaders in these strikes, but they are minuscule compared with the long-term damage the drone program is causing. A new generation of leaders is spontaneously emerging in furious retaliation to attacks on their territories and tribes.

NYT

Como sou novo posso não saber mas a presente guerra no médio oriente é deveras interessante numa perspetiva, nomeadamente nas dezenas de milhares de estrangeiros que viajam propositadamente para combater. Até há milícias cristãs:



Noutras notícias, mais uns rebeldes apoiados pelo Ocidente na Síria juntam-se a um grupo jihadista para se proteger da Al-Nusra (spin-off da Al-Qaeda). Por outras palavras o Ocidente novamente ajuda uns quantos radicais islâmicos. Felizmente (isto é sarcasmo), a nova aliança é apoiada, em parte, pelos sauditas.

Um guia relativo aos grupos armados da Síria está aqui. Não admira que o país esteja um desastre.

Ademais:

Iran is working to unite Shiite foreign militias fighting in Syria under one organization that could serve as a “parallel army” to that of Bashar al-Assad’s regime, pro-opposition news website Siraj Press reported on Wednesday.

The new organization, described as similar to the highly organized and well-armed Lebanese Hezbollah group, would bring together Afghan and Iraqi mercenaries under one military command.

“This army would resemble Hezbollah in Lebanon… and will gradually work on recruiting Syrians,” Siraj Press quoted a source as saying.

The organization would then be well-armed and trained to be an independent force for long-term presence in Syria, even if the regime of President Assad collapses.

“The decision maker in Syria is General Qassem Suleimani, commander of the Quds force,” Gen. al-Doueiri said during an interview on Al Arabiya’s sister channel Al Hadath.

(...)

He suggested that Tehran no longer sees Assad’s tattered army as reliable to safeguard its interests in the country; so it needs a “parallel army” for long-term service.

Syria provides a strategic bridge between Iran and Hezbollah, its proxy militia in Lebanon. The fall of Syria to the liberal, pro-West opposition means that Hezbollah could be isolated and Iran’s strategic reach could be diminished.

AA

Por outras palavras, a Síria é e continuará a ser durante largos anos um estado falhado. A Arábia Saudita (e os outros suspeitos do costume que nem vale a pena repetir e que continuam a meter lá armamento) e o Irão, na sua luta pelo poder regional, ditaram a sentença de morte do país.

E também:

High-ranking US intelligence official: Al Qaeda will make gains in Syria and Afghanistan in 2015

Meanwhile, the Iraqi government continues to need substantial external support. The Iraqi Security Forces (ISF) remain "unable to defend against external threats or sustain conventional military operations against internal challenges without foreign assistance," Stewart writes.

US-led forces have been battling jihadists for control of Afghanistan since late 2001. But the jihadists are far from defeated, and the situation is likely to get worse in the wake of America's drawdown in forces. While the DIA expects the Afghan government to be able to protect major urban areas, the jihadists will continue to use their safe havens in rural areas to challenge the state's authority.

The Afghan National Security Forces (ANSF) "remain stalemated with the Taliban-led insurgency," Stewart explains. The DIA expects the ANSF "to maintain stability and security in Kabul and key urban areas while retaining freedom of movement on major highways."

BI

Vou traduzir. Os EUA, à semelhança do Vietname, e não obstante a pompa e circunstância do Bush:



E da OTAN:



Perderam ambas as batalhas. E quem afirmar o contrário ou não sabe ou está a ser ingénuo. Quanto ao alastramento do EI/Al-Qaeda, isso de facto é muito difícil de prever (até eu da minha cadeira já escrevi isso). Com isto tudo, e pervasivamente, estamos a entrar no regime de guerra perpétua. A violência irá autoalimentar-se durante algum tempo. E no Médio Oriente a chacina/limpeza étnica irá continuar até que surja novamente outro ditador (nem tão cedo vai acontecer). Por 'cá', no 'bastião' da moralidade e valores, continua-se a lavar as 'mãos' do que se fez e do que se faz.

Quanto ao atentado na Dinamarca, não tive a oportunidade de ver em grande detalhe. Logo, não tenho grande opinião mas no geral não vejo nenhuma 'teoria da conspiração' (ei, há de tudo em todo o lado). Sempre que acontece esse tipo de coisas, a sociedade tem duas escolhas. Ou oprime as minorias inocentes, sendo que esta é a via mais comum e fácil, gerando assim mais ressentimento e violência ou tenta segregar os atos de uns e não generalizar. Como é óbvio, esta é a via mais difícil e a mais rara, mas a médio termo é a que traz mais frutos. O modo dos beligerantes é sempre o mesmo. Dividir para conquistar. Os motivos para tal, uns mais conspiratórios outros nem tanto, já discuti várias vezes. Como estamos numa crise financeira, e com o respetivo nacionalismo a aumentar, não vejo melhorias a curto (nem a médio) prazo.

Termino a minha longa intervenção com o gigantesco aumento do orçamento militar da Polónia. Eu, que nem sou grande vidente, vou indicar a(s) reação(ões) do complexo militar-industrial ao anúncio: :viva: :thumbsup: :cheers: :malandro:
 
Última edição:




E depois da decapitação dos coptas, o Egito lança ataques aéreos na Líbia:

Sources told Al Jazeera on Monday that at least seven people were killed in air strikes in the coastal city of Derna after Egypt's President Abdel Fattah el-Sisi vowed to "punish" those responsible for the beheadings.

Egypt's military said it carried out the raids early on Monday against ISIL camps, training sites and weapons storage areas.

Como é óbvio, os líderes (parciais) do país não gostaram muito:

Omar Al-Hassi, the head of Libya's legally-installed government in Tripoli, called the Egyptian raids "terrorism" and denounced them as a "sinful aggression."

"This horrible assault and this terrorism that's been conducted by the Egyptian military represents a violation of sovereignty in Libya and is a clear breach of international law and the UN charter," Hassi said.

Ainda em relação à Líbia, a Itália pensa intervir militarmente:

Italian officials say Rome would weigh participating in any military intervention to keep the Islamic State group from advancing in Libya should diplomatic efforts fail.

E pede ajuda à OTAN (que criou o problema desnecessariamente):

Italy's Interior Minister Angelino Alfano expressed the growing alarm in an interview with La Republica and urged NATO to intervene "for the future of the Western world."

"ISIS is at the door," he said. "There is no time to waste."

ISIS has been operating in Libya for months. One group of Libyan fighters pledged allegiance to ISIS leader Abu Bakr al-Baghdadi in November and at least two other factions followed suit. Since then, ISIS supporters in Libya have claimed responsibility for a number of attacks — including the November car bombings outside of the Egyptian and U.A.E. embassies.

Como já é hábito nesse tipo de notícias, os detalhes mais importantes de certos eventos não têm muita atenção e não são mencionados até à exaustão:

The Central Intelligence Agency, working with American troops during the occupation of Iraq, repeatedly purchased nerve-agent rockets from a secretive Iraqi seller, part of a previously undisclosed effort to ensure that old chemical weapons remaining in Iraq did not fall into the hands of terrorists or militant groups, according to current and former American officials.

The extraordinary arms purchase plan, known as Operation Avarice, began in 2005 and continued into 2006, and the American military deemed it a nonproliferation success. It led to the United States’ acquiring and destroying at least 400 Borak rockets, one of the internationally condemned chemical weapons that Saddam Hussein’s Baathist government manufactured in the 1980s but that were not accounted for by United Nations inspections mandated after the 1991 Persian Gulf war.

A New York Times investigation published in October found that the military had recovered thousands of old chemical warheads and shells in Iraq and that Americans and Iraqis had been wounded by them, but the government kept much of this information secret, from the public and troops alike.

These munitions were remnants of an Iraqi special weapons program that was abandoned long before the 2003 invasion, and they turned up sporadically during the American occupation in buried caches, as part of improvised bombs or on black markets.

Resto do artigo aqui. Isso do Iraque e das armas químicas é uma história interessante. Por um lado, o Iraque foi invadido porque alegadamente o Saddam tinha armas químicas e ia usá-las a qualquer momento pondo em perigo o mundo inteiro. Por outro, nunca houve referências, diga-se provas, largamente comunicadas para comprovar o motivo da invasão. Aliás, vê-se exatamente o contrário. Ou seja, encontra-se as armas químicos e discretamente são adquiridas sem grande alarido da imprensa. Não seria de esperar exatamente o contrário? Que houvesse rejubilo em encontrar as ditas armas?

Já referi isso várias vezes e volto a fazê-lo. O assunto das armas químicos é abafado porque foram os liberadores, EUA, a ajudar o Saddam a fabricar os químicos. Isso de descobrir a proveniência das armas seria algo embaraçoso:

The Reagan administration and its special Middle East envoy, Donald Rumsfeld, did little to stop Iraq developing weapons of mass destruction in the 1980s, even though they knew Saddam Hussein was using chemical weapons "almost daily" against Iran, it was reported yesterday.

The US provided less conventional military equipment than British or German companies but it did allow the export of biological agents, including anthrax; vital ingredients for chemical weapons; and cluster bombs sold by a CIA front organisation in Chile, the report says.

A 1994 congressional inquiry also found that dozens of biological agents, including various strains of anthrax, had been shipped to Iraq by US companies, under licence from the commerce department.

Guardian

O Rumsfeld está em todas. Bombas nucleares da Coreia do Norte, armas químicas do Saddam. Não admira que os EUA não gostem do TPI. As instalações teriam que ser ampliadas de forma significativa.
 
Última edição:
E quanto ao cessar-fogo:

The self-proclaimed Donetsk people’s republic is not planning to pull back heavy weaponry until Kiev troops halt shellings, the deputy commander of the DPR’s Defense Ministry’s corps, Eduard Basurin, said on Monday.

Nenhum dos lados vai ceder porque pensa que o outro lado irá atacar para consolidar as suas posições.
 
The U.S. National Security Agency has figured out how to hide spying software deep within hard drives made by Western Digital, Seagate, Toshiba and other top manufacturers, giving the agency the means to eavesdrop on the majority of the world's computers, according to cyber researchers and former operatives.

That long-sought and closely guarded ability was part of a cluster of spying programs discovered by Kaspersky Lab, the Moscow-based security software maker that has exposed a series of Western cyberespionage operations.

Kaspersky said it found personal computers in 30 countries infected with one or more of the spying programs, with the most infections seen in Iran, followed by Russia, Pakistan, Afghanistan, China, Mali, Syria, Yemen and Algeria. The targets included government and military institutions, telecommunication companies, banks, energy companies, nuclear researchers, media, and Islamic activists, Kaspersky said.

According to Kaspersky, the spies made a technological breakthrough by figuring out how to lodge malicious software in the obscure code called firmware that launches every time a computer is turned on. Disk drive firmware is viewed by spies and cybersecurity experts as the second-most valuable real estate on a PC for a hacker, second only to the BIOS code invoked automatically as a computer boots up.

"The hardware will be able to infect the computer over and over," lead Kaspersky researcher Costin Raiu said in an interview.

BI

E é isto. Uma agência criminosa que não cumpre nenhuma lei. E a mentira de que a espionagem é para a segurança comum persiste.
 
Land parcels will be given out for free to the servicemen of the Ukrainian Armed Forces and other military formations, as well as to the employees of Interior Ministry and the Security Service of Ukraine that are defending territorial integrity and sovereignty of the country in eastern and southeastern regions of Ukraine.

KP

Ou seja, e até certo ponto, os soldados ficam com o que saquearem. Não admira que os separatistas não queiram ceder nada.

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BI

Quanto ao inevitável calote do país relativamente ao empréstimo do FMI, um dos colaterais exigidos será mais que óbvio:

Ukraine’s parliament extended a ban on sales of farmland by three years to January 2016, giving time to prepare related legislation.

Agricultural land in Ukraine amounts to 41.6 million hectares (102.8 million acres) covering 69 percent of the nation, with arable land accounting for 32.5 million hectares. Yanukovych had aimed to start a market for farmland next January. For now, producers lease land from individual owners of the country’s approximately 6.5 million plots.

Bloomberg

Felizmente a Big Agro está interessada. O que seria de nós sem a Monsanto?

Votos de um feliz Carnaval :)
 
Última edição:


The plight of as many as 8,000 Ukrainian troops trapped in the vicinity of Debaltseve, as well as the prospects for an already fragile truce, look decidedly dimmer on Monday after a Russian television correspondent strolled down what was supposed to be a hotly contested road.

NYT

Se a cidade é fulcral em ligar as duas zonas controladas pelos separatistas e estes têm 8000 soldados do 'inimigo' cercados é apenas natural que ataquem e insistam na rendição (e os últimos para quebrarem o cerco têm de combater). Da mesma forma, o contrário, ou seja, o exército a pressionar os separatistas não seria surpreendente.
 
Mais do mesmo:

Wesley Clark, general reformado dos EUA:



O EI foi criado pelos países islâmicos sunitas (os do costume) com a total conivência (passada, presente e futura) dos EUA. Não é coincidência que os inimigos dos EUA no Médio Oriente (à exceção do Afeganistão que é outro assunto) são xiitas. E novamente, a Europa foi arrastada para isso e sofrerá durante muito tempo com as consequências.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Philip Hammond, advertiu hoje em Lisboa que será necessária uma geração para derrotar os combatentes islâmicos e que continuarão a surgir outras manifestações do que disse ser uma "ideologia venenosa".

NaM

E os cortes na despesa militar só exacerbarão o problema. Mas como o futuro será um estado faschista e policial essas ameaças criadas e mantidas propositadamente servirão o seu propósito.

Para não ser excessivamente repetitivo, noutros assuntos:

Vladimir Putin said that Kiev is being armed by Western allies, according to Moscow's information, but insisted he was “optimistic” about implementing the Minsk agreement, noting that the intensity of fighting has declined.

RT

Chocante :sono:

Sem surpresa nenhuma, e como entramos na era das guerra de atrito e por terceiros, a Rússia apoiará o Irão para contrabalançar o eixo EUA/Arábia Saudita. Mas isto não é exclusivo no Médio Oriente. No Extremo Oriente, os EUA aproximam-se da Índia. Por outro lado, a China aproxima-se do Paquistão. E ainda há a Rússia que se quer aproximar também da Índia. De facto, a política internacional é muito complexa.
 
Em relação à Ucrânia, tenho pena que só tenhas vindo aqui a colocar maioritariamente notícias de certa facção, até parece que a guerra de propaganda não é geral. E até parece que os ditos "separatistas" "apoiados" pelos russos são apenas uns pobrezinhos que andam de fisgas na mão..

Não é por aí. Já escrevi 'n' vezes que ninguém é inocente na guerra da propaganda (se o fiz que me indiquem a instância). Também nunca escrevi que as armas dos separatistas caíram do céu. Decerto concordas comigo que o que está acontecer era algo previsível tendo em conta a importância da Ucrânia. Se também consideras 'democracia' votar em candidatos pré-selecionados por estrangeiros, aí não concordamos.

Eu fico surpreendido com o duplo critério. Surgimento da extrema-direita na generalidade da Europa é tido como preocupante e uma regressão à década de 30. Extrema-direita na Ucrânia e nada é mencionado. É o novo 'normal'. Provavelmente só será preocupante quando entrar na União Europeia (que será nunca porque o país ficará mal financeiramente durante muitos anos - isso se for para cumprir os tratados. Mas infelizmente a adesão está a ser usada como arma - erradamente).

Os EUA são os principais atores a ameaçar a Rússia relativamente à Ucrânia. Viste-os em Minsk?

Não vou imitar a imprensa generalista no pânico russo. Não sou pró-russo. Sou pró-factos. E cuidado com os terroristas vindos de botes da Líbia. É preciso mandar mais uns jatos de democracia e mísseis de direitos humanos.

Quanto ao dormir... durmo bem (obrigado pelo conselho :) ). Se lerem o que escrevo fico contente. Se não concordarem é a vida. Só não percebo uma coisa. A que se deve a indignação de escrever que o EI teve e tem dedo ocidental? Eu até nem invento. São pessoas 'importantes' que o dizem. Bem sei que seria mais popular culpar outrém mas eu gostava de saber como é que 300 do EI derrotam 20000 soldados iraquianos (outras fontes indicam 800 do EI e 30000 do exército). Afinal não é só no cinema que isso acontece.
 
É previsível. Mas no meio do nevoeiro todo, qual achas que é a origem do conflito ? Lembras-te como tudo nasceu ? Falando desta crise em concreto.
Para ajudar a simplificar o raciocínio, quem afinal perde e ganha mesmo com esta situação ?
Uma forma de simplificar estes problemas complexos é reduzi-los a pequenas perguntas simples.

A origem do conflito é a Rússia não querer abrir mão da Ucrânia (se bem que já abriu. Anexou a Crimeia por razões óbvias. Mais conflito virá quando a adesão à OTAN/União Europeia for feita). A OTAN nos últimos anos de defesa nada tem tido. É uma forma de arrastar um número inteiro de países para guerras decididas por poucos. Têm corrido bem não têm?

Detesto duplos critérios. A Rússia intervém na Ucrânia como os EUA interviram em Cuba. Ninguém ganha com a situação a não ser o complexo militar-industrial. A população da Ucrânia está condenada à escravidão da dívida. Ficarão muito pior do que estão.

Eu também quero paz, democracia e prosperidade para todos. Mas há formas e formas de o fazer. Umas mais lentas outras mais rápidas. Certamente não é depôr governos para meter lá fantoches. Substituir corruptos por outros não é melhoria. Pelo menos para mim.

Ainda no assunto da OTAN, eu adoraria ver a Grécia sair. O maior inimigo é a Turquia portanto um conflito entre dois membros da OTAN seria estranho. A não ser isso não vejo inimigos de maior. Mas depois haveria mais notícias de terroristas como na ilhota vizinha à minha. De facto, há coincidências fantásticas não há?

Temos opiniões diferentes do futuro imediato. Certamente por cá estaremos para comparar as consequências dos eventos. És muito mais otimista que eu. E eu, na minha veia 'conspiratória', já escrevi que será muito mais cedo do que parece (se errar serei o primeiro a admitir, claro).
 
Rússia que não quer deixar de ser o centro controlador de toda essa região. Coisas que deverias abominar

Nunca escrevi o contrário. O modo como é feita a 'libertação' está longe de ser o melhor.

Os artigos e ameaças sobre a NATO são mero aproveitamento dos radicais dum lado e do outro.

Claro. Dividir para conquistar. Eu não sou fã do discurso beligerante. Serve propósitos com os quais não me identifico.

que eu saiba nunca ninguém quis levar misseis nucleares para a Ucrânia para apontar à Rússia.

Estavam mísseis na Turquia. Aliás, foi uma das exigências:

"Premier Khrushchev told President Kennedy in a message today he would withdraw offensive weapons from Cuba if the United States withdrew its rockets from Turkey."

Foi preciso vir o Obama, que eu sempre critiquei, para começar a acabar com isso, finalmente! (Já agora, confesso que estou surpreendido com a performance económica da presidência Obama, eu ao contrário da malta de esquerda, não tenho problemas em reconhecer que me enganei).

Hehe:

A inflação baixa preocupa a Reserva Federal (Fed) e vários membros do seu comité de política monetária mostram-se inclinados a manter as taxas de juros baixas por mais tempo, de acordo com as atas divulgadas esta quarta-feira.

A inflação homóloga nos Estados Unidos desacelerou em dezembro e ficou no nível mais baixo desde outubro de 2009 (0,7%), penalizada pelo forte recuo nos preços da energia, anunciou o Departamento do Comércio no início de fevereiro. A próxima reunião de política monetária da Fed realiza-se a 17 e 18 de março.

4º QE para subir a inflação? (Atualizando a minha previsão de que os juros nunca vão subir em condições normais).

Não percebi o contexto. Ficam pior em relação a quê

Um país em guerra e deprivado das suas zonas mais ricas nunca conseguirá pagar os empréstimos que lhe estão a dar.

Espero que tenhas noção que aquilo que detestas na política internacional e que toda essa tua frase resume muito bem. É precisamente isso que leva países como a Grécia a cair nos vícios que não gostas

Não tenho problema nenhum em admitir. A OTAN não está a ser usada para fins defensivos. Está a ser usada em guerras baseadas em mentiras (como a do Iraque) e a criar mais insegurança. É usada como uma arma em detrimento da segurança de todos os seus membros. Não sei muito bem o que é que isso tem a ver com os gastos públicos e política interna (corrigido). Explica-me :)
 
A origem do conflito actual começou num mero acordo comercial com a UE.

Não, o conflito não começou aí. A não consumação do acordo comercial da Ucrânia com a UE foi uma decisão interna do governo ucraniano, reconhecido internacionalmente como legítimo, que optou por obedecer à Rússia e manter as boas relações com estes, abdicando do acordo com a UE. Decisões destas ocorrem diversas vezes em todo o lado, os pequenos, que vivem na dependência dos maiores, têm de decidir para que lado se viram.
 
Ao que parece os preços vão subir e muito na Ucrânia:

Ukraine has agreed to increase the cost of gas to consumer by 280 percent, and 66 percent for heating, as part of the IMF terms for getting extra financial aid, says Valery Gontareva the head of the National Bank of Ukraine.

"From now on, in accordance with our joint program with the IMF, the tariffs will see rather a sharp increase of 280 percent for gas and about 66 percent for heat," said Gontareva Wednesday during the 11th Dragon Capital investment conference in Kiev. She added that as a result inflation will be 25-26 percent by the end of 2015.

The tariff rises are part of the amendments to the 2015 budget the government has had to introduce in order to receive an $8.5 billion loan from the IMF by the end of the year.

E para além da FED:

O Banco da Inglaterra (BoE) está a tentar manter a linha dura da política monetária expansionista, mas depois do relatório sobre a inflação da última quinta-feira, esta visão é um pouco menos clara.

Pela primeira vez nos últimos 50 anos, o banco central de Inglaterra debate-se com uma inflação muito baixa e com o risco de deflação lá para o final do ano

Este é o nível mais baixo desde 2009 e para Carney a culpa é da queda dos preços do petróleo.

A maioria dos economistas não acredita que a inflação venha a recuperar proximamente, o que dificultará a vida dos bancos centrais que aspiram a aumentar o preço do dinheiro.

Mais um QE na Inglaterra também?
 
A mudança drástica e inesperada dum momento para o outro não te diz nada sobre a chantagem que foi feita nos bastidores ?

Claro que diz, estava implícito no meu post, "que optou por obedecer à Rússia"?
A Rússia tem há anos dois quintais do lado Ocidental, a Ucrânia e a Bielorrússia. Em troca de um governo amigo, que serve de tampão para o expansionismo da NATO e, no caso da Ucrânia, de uma base naval no Mar Negro, vende-lhes hidrocarbonetos a preço de saldo e atira para lá alguns rublos. Simplesmente, os russos disseram-lhes que se assinassem o acordo com a UE, começariam a comprar o gás natural ao preço de mercado. É algo assim tão incomum?

Incomum e até inqualificável é que actualmente sejam os contribuintes europeus a pagar o gás consumido pelos ucranianos. Incomum e perigoso seria os países ocidentais armarem os ucranianos pró-Ocidente (às portas da Europa, vê bem onde andam actualmente as armas distribuídas na Líbia e na Síria). Se a Rússia invadir a Ucrânia e chegar a Kiev, em que é que isso me afecta? Nada. A Rússia fica com o seu quintal e nada mais. Por muita treta que inventem por aí não existe expansionismo russo, nunca a Rússia tentará algo contra um país da UE.
Se uma parte dos ucranianos não gosta dos russos que resolvam a questão entre eles (no Sul da Europa a maioria das pessoas é germanófoba, não é por isso que eu considero a Alemanha nociva, bem pelo contrário. Os sentimentos "anti qualquer país", são na sua maior parte manifestações de populismo bacoco, aproveitadas por alguns quadrantes políticos).

E, sendo pragmáticos, é mais vantajoso a UE estar de bem com a Rússia ou com metade dos ucranianos?
 
Estado
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