Política e economia internacional 2015

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Estado
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Uma vez quintal, toda a vida quintal ? Portanto, estão condenados eternamente a viverem na órbita russa, quer queiram, quer não queiram.

Não, se querem deixar de ser quintal podem sempre eleger um Presidente ou um governo que seja contrário a essa política. Há cerca de 10 anos, um outro Golpe de Estado derrubou Yanukovich (Revolução Laranja). Após isso, houve eleições, vencidas à tangente pelos partidos pró-ocidentais. Nas eleições seguintes os pró-russos voltaram ao poder, que o mantiveram até ao mais recente Golpe de Estado. Não me parece que a maioria da população ucraniana se quisesse libertar.

E, quando quiserem libertar-se do jugo russo, são livres de se associarem a quem queiram. Mas a pergunta que eu faço mantém-se: é mais vantajoso para a UE estar de boas relações com um país poderoso como a Rússia ou apoiar um Golpe de Estado num país pobre como a Ucrânia?

Mas por outro lado fingir de conta que não temos que nos preocupar com isso, também me causa certo incómodo.

A mim incomoda-me que um país mais poderoso faça o que quer dos seus vizinhos. Mas é um incómodo que não justifica um corte de relações com a Rússia. Incomoda-me mais que centenas de produtores alimentares na Europa estejam a passar por dificuldades devido à proibição de exportação para a Rússia.
 
Saltitando de inimigo em inimigo. Agora é o EI antes era os Taliban. Novas conversações de paz podem estar próximas.



Já escrevi. Os Taliban ainda vão ser (novamente) considerados aliados na luta contra o islamismo fanático:

The Taliban has issued a statement directed at fighters in Iraq and Syria warning them against extremism in a clear rebuke to the Islamic State and its caliphate.

It calls on jihadists to remain united and not to judge others without evidence in what appears to be the latest tussle between Islamist groups for supremacy in their global fight.

The Arabic message was posted on the Afghan Taliban’s website and translated by Site intelligence group.

Telegraph

An online video purportedly shows dozens of former jihadists of the Pakistani Taliban pledging allegiance to the Islamic State group. It also shows militants beheading a man they identify as a Pakistani soldier.

The video raises concern over whether IS is tapping support within Pakistan and Afghanistan, a region awash with dozens of militant groups.

JT

Estou em 'pulgas' para saber qual será a próxima organização terrorista que surgirá da próxima guerra global ao terror. Acho que tenho de começar a procurar nas forças de libertação que estão a ser ajudadas por 'nós'. Hoje és um combatente pela liberdade, já amanhã...

Para além disso, certos rebeldes na Síria vão ter a possibilidade de convocar ataques aéreos. Vendo o histórico dos rebeldes apoiados pelo ocidente (para os mais desatentos, eles juntam-se à Al-Qaeda, Al-Nusra, Estado Islâmico) certamente acontecerão ataques interessantes.

Chego à conclusão de que a melhor forma de se chamar a atenção para um assunto, aparentemente, é decapitar pessoas. Há largos meses que a Líbia está um desastre. Surgem as decapitações surge a indignação. Pode haver chacina gratuita e não há problema. Já se houver decapitações é uma linha vermelha. Será que o que acabei de escrever é crime?

A nova legislação, que altera a anterior lei, prevê uma pena agravada para a apologia pública do terrorismo por internet.

Deixo a questão. Há diferença entre um ocidental que vê os mortos decorrentes de um qualquer ataque terrorista e exija uma retaliação (ou seja incitação à violência - visível em muito lado como por exemplo em blogs e em comentários de notícias) e um árabe (ou outro qualquer) que vê os seus serem chacinados por um drone (ou outro meio qualquer) e exija o mesmo? Não sei porquê mas acho que essa lei terá uma aplicação assimétrica.

Para finalizar, acho piada à indignação geral quando um qualquer país usa armas químicas contra o seu povo (motivo usado para várias invasões). Nem vou mencionar o Vietname. Em 2004 a cidade iraquiana de Fallujah foi devastada com armas químicas. Claro que os deficientes que lá nasceram por causa disso não interessam nada. Sinceramente, não sei o que é pior. Se o meu 'antiamericanismo' ou a hipocrisia geral inerente aos duplos critérios. Qual é a diferença entre as armas químicas usadas pelo Saddam e pelos ocidentais a partir de 2003? Porque é que em atos iguais há condenações diferentes? Pessoalmente até acho uma treta todas as convenções relacionadas com a guerra. No calor do momento quer tudo despachar e os abusos são inevitáveis. Ninguém cumpre. Ridículo é justificar guerras criticando os atos dos outros quando os acusadores fazem o mesmo. O caso das prisões secretas e da tortura é autoevidente em muita coisa. Ou pelo menos deveria ser.
 
Última edição:
Depois de boatos que diziam respeito à Grécia (negados pelo BCE mas não seria surpreendente semelhante medida), nomeadamente a imposição de controlo de capitais para travar a hemorragia dos depósitos, agora é a Dinamarca:

Denmark's central bank is willing to use extreme measures including capital controls to defend its currency peg to the euro, which it considers a "holy" policy, said the head of the Economic Council, a body that advises the government.

"If it takes restrictions on free capital movement for a period to defend the fixed exchange rate, I assess that the central bank would be willing to go that far," Whitta-Jacobsen said.

Claro que o controlo de capitais seria por tempo indeterminado porque mal fosse levantado haveria uma fuga de capitais ainda maior. Guardar dinheiro num banco começa a ser perigoso. Ao que se chegou...

 
Voltando ao inimigo nº1 das autoridades americanas. A extrema-direita:

A new Department of Homeland Security intelligence assessment circulated this month focuses on the threat of right-wing sovereign citizen extremist groups in the U.S. Some law enforcement groups say the threat is equal to, and occasionally greater than, the threat from Islamic extremist groups.

The Homeland Security report, produced in coordination with the FBI, counts 24 violent sovereign citizen-related attacks across the U.S. since 2010, CNN reported Friday.

These types of extremists believe that they can ignore laws because those laws attack their individual rights, even in routine daily instances like a traffic stop or being required to obey a court order, CNN reported Friday.

While groups like the Islamic State and al Qaeda have dominated the global discussion on terrorism, a survey last year of state and local law enforcement officers listed sovereign citizen terrorists ahead of foreign Islamists and domestic militia groups as the top domestic terror threat, CNN reported.

Isto já vem desde 2009 pelo menos. Tendência perigosa a de começar a de categorizar os próprios cidadãos de terroristas. Já há vigilância omnipresente da NSA e não esquecer os drones:

Eric Holder argued that using lethal military force against an American in his home country would be legal and justified in an "extraordinary circumstance" comparable to the September 11 terrorist attacks.

"The president could conceivably have no choice but to authorise the military to use such force if necessary to protect the homeland," Mr Holder said.

Nos EUA há mais de 300 milhões de armas na posse dos seus cidadãos. Se houver alguma crise económica ao estilo da Argentina, em que o povo se revolte, o exército irá usar todas as armas que tem para manter a ordem. E a isto falta acrescentar a maior população prisional do mundo e o maior consumo de substâncias psicoativas.

Num caso extremo, a ação governamental seria muito semelhante àquela planeada na guerra fria:

Documents show the FBI created a “Plan C” during the Cold War, which could have been triggered in the event the US underwent a nuclear attack. It included putting the nation under martial law, rounding up “subversives,” and interning enemy diplomats.

Under Plan C, martial law would be declared and the FBI would enact its ‘Emergency Detention Program,’ which entailed apprehending individuals whose affiliations with subversive organizations “are so pronounced that their continued liberty in the event of a national emergency would present a serious threat to the internal security of the country.” The document shows that as of April 1956, almost 13,000 people “were scheduled for apprehension in an emergency.”

E com o 'Patriot Act' qualquer cidadão americano pode ser detido por suspeita de terrorismo sem qualquer tipo de julgamento ou prova.
 
Acho que nunca publiquei:

The Obama administration’s credibility on intelligence suffered another blow Wednesday as the chief of the National Security Agency admitted that officials put out numbers that vastly overstated the counterterrorism successes of the government’s warrantless bulk collection of all Americans’ phone records.

Pressed by the Democratic chairman of the Senate Judiciary Committee at an oversight hearing, Gen. Keith B. Alexander admitted that the number of terrorist plots foiled by the NSA’s huge database of every phone call made in or to America was only one or perhaps two — far smaller than the 54 originally claimed by the administration.

“There is no evidence that [bulk] phone records collection helped to thwart dozens or even several terrorist plots,” Sen. Patrick J. Leahy, Vermont Democrat and committee chairman, told Gen. Alexander of the 54 cases that administration officials — including the general himself — have cited as the fruit of the NSA’s domestic snooping.

“These weren’t all plots and they weren’t all foiled,” he said.

In response to a follow-up question, Gen. Alexander also acknowledged that only one or perhaps two of even those 13 cases had been foiled with help from the NSA’s vast phone records database. The database contains so-called metadata — the numbers dialing and dialed, time and duration of call — for every phone call made in or to the U.S.

WT
 
Estou a apreciar alguns pormenores deste Syriza, depois de tanta encenação ao que parece vão mesmo aplicar a austeridade, mas reparem: a Grécia tem sido dominada por duas famílias que criaram uma complexa rede de corrupção e tráfico de influências. A Igreja Ortodoxa vive à custa dos contribuintes e é um poder fortíssimo que nenhum governo ousou atacar até agora. As oligarquias das empresas públicas e das grandes empresas privadas participavam na rede clientelar que arruinou a Grécia. A fuga aos impostos é brutal e o número de profissionais liberais elevado. Consta que os médicos são do mais corrupto que há.

Vantagens do Syriza? Tsipras ou Varoufakis não estão ligados às grandes oligarquias, às famílias do poder e à Igreja Ortodoxa. Varoufakis é um académico de renome, inteligente e pode mesmo ser um Álvaro dos Santos Pereira de Esquerda. Aguardemos... se o Pasok e a Nova Democracia falharam, que se dê então a oportunidade ao Syriza.
 
E depois do ataque terrorista, a popularidade do Hollande afunda novamente:

The proportion of those surveyed for Le Journal du Dimanche newspaper who said they were satisfied with Hollande declined to 24 percent from 29 percent in January, when he was praised for his handling of the Islamist militant attacks in Paris.

Those saying they were "very dissatisfied" with the president rose by 8 points to 37 percent, the poll published on Sunday showed.

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AN ELITE soldier who resigned from the British MobArmy to train Ukrainian forces fighting Russian-backed separatists has revealed the true extent of disarray in Kiev’s military.

He said the string of bloody defeats for Ukraine, including last week’s fall of Debaltseve, was due largely to a failure of command and a lack of skills and discipline.

“Six out of 10 casualties among the Ukrainian volunteers occur because of blue-on-blue shooting [the army term for friendly fire] and the inability to handle weapons,” said the man, who would give only his nom-de-guerre Saffron.

ST
 
Tudo isso para dizer que não é que discorde de ti, para mim gajos como o Snowden são verdadeiros heróis, de coragem extrema. Mas se achas que estas questões se resumem ao "evil" norte-americano, ou mesmo ocidental, estás a cometer um erro de palmatória.

Pelo contrário. Liberdade e democracia nas Rússias e nas Chinas é inexistente na sua plenitude. Deconhecia o exemplo da Espanha. Quando aparece nas notícias faço referência à espionagem alemã e britânica. Se me foco mais no americano é porque, supostamente, são os defensores da (novamente) liberdade e democracia (creio também que a espionagem deles está anos-luz de distância de qualquer outra agência). Já escrevi 'n' vezes que o Big Brother está para ficar. As interligações serão omnipresentes. Só que em uns países serão mais rápidos outros mais lentos. Também há o caso da Lenovo.

Os portugueses, como mencionaste, também não são grande coisa.

Adição: Uma das próximas coisas a ir para a cloud será a saúde. Muita conveniência, sim, já em termos de privacidade...
 
Última edição:
A ameaça chantagista de sair da NATO ou mesmo da UE é das que mais me repugna. Não é feita abertamente, vai-se dizendo em surdina.

A OTAN nos moldes atuais é uma aberração. É uma organização inteiramente ofensiva. Não acredito que alguém saia da OTAN. É mais provável que os seus aderentes sejam envolvidos naqueles acidentes muito misteriosos ou até golpes de estado. Mas pronto, opiniões diferentes e é a vida.

Isto para dizer que esse teu discurso de que "eu adoraria ver a Grécia sair", acho que estás a ver a coisa de forma errada. Tem sido precisamente alguma chantagem grega até hoje, e ironicamente o Syriza que se diz querer romper com o passado, usa exactamente as mesmas ameaças que permitiram toda a oligarquia e clientelas corruptas da Grécia das últimas décadas.

A postura moralista do governo português só é compreensível numa perspetiva (eu esperava uma postura mais neutra. Até parece que nós somos ricos. Ainda por cima as contas têm saído tendencialmente furadas). Há eleições à porta e não se pode dar motivos ao Costa para avançar nas intenções de voto. Os alemães sabem que o resultado da Grécia é o resultado do Podemos da Espanha. Portanto, as posições endurecem-se naturalmente. A derrota do Syriza será a derrota do Podemos e de outros quaisquer partidos que venham depois.

Nos próximos anos não ficaria nada surpreendido altas posições europeias serem oferecidas a políticos portugueses. Reitero a minha confusão acerca da posição do governo português (especialmente a ministra das finanças a dizer para o homólogo alemão ser 'firme'). O moralismo demonstrado foi tão ridículo como o populismo de outros. Ainda para mais que nos falta muito caminho para pagar o que devemos.

Quanto ao euro, está para ficar (com maus momentos num futuro próximo). A imprensa está sempre a bater na tecla do "agora é diferente". Não acho. Em qual dos PIIGS a dívida pública desceu? A Itália continua um desastre. Se um for vai tudo em dominó mais cedo ou mais tarde.

O desinvestimento público (presente e futuro) vai fazer mossa. As economias vão contrair na medida em que cresceram com o investimento público. Num país pobre como o nosso, entre tantas outras coisas, os mais idosos vão sofrer muito.
 
Última edição:
Não se trata de posturas moralistas. Trata-se de defender os interesses do país.

Postura 'mais' neutra. Esperava-se semelhante atitude de finlandeses. Não de um governo que também precisou de um programa de assistência. E se Portugal num futuro próximo tiver dificuldades em cumprir o que acordou (que não é assim tão descabido como se pensa)? Não se sabe o dia de amanhã. Ser mais ou menos neutro está muito longe de ser groupie do alemão. Ao menos que não se faça semelhantes cenas (que é o mínimo que se pede).
 
A OTAN nos moldes atuais é uma aberração. É uma organização inteiramente ofensiva. Não acredito que alguém saia da OTAN. É mais provável que os seus aderentes sejam envolvidos naqueles acidentes muito misteriosos ou até golpes de estado. Mas pronto, opiniões diferentes e é a vida.

A URSS acabou por decisão interna. Nesse momento a OTAN deveria ter sido dissolvida da mesma forma. É óbvio, pelas razões que enumeraste e não só, que ninguém poderá sair unilateralmente da OTAN.

A postura moralista do governo português só é compreensível numa perspetiva (eu esperava uma postura mais neutra. Até parece que nós somos ricos. Ainda por cima as contas têm saído tendencialmente furadas). Há eleições à porta e não se pode dar motivos ao Costa para avançar nas intenções de voto. Os alemães sabem que o resultado da Grécia é o resultado do Podemos da Espanha. Portanto, as posições endurecem-se naturalmente. A derrota do Syriza será a derrota do Podemos e de outros quaisquer partidos que venham depois.

Nos próximos anos não ficaria nada surpreendido altas posições europeias serem oferecidas a políticos portugueses. Reitero a minha confusão acerca da posição do governo português (especialmente a ministra das finanças a dizer para o homólogo alemão ser 'firme'). O moralismo demonstrado foi tão ridículo como o populismo de outros. Ainda para mais que nos falta muito caminho para pagar o que devemos.

Os partidos do governo em Portugal, em princípio perderão as próximas eleições por terem cumprido, de modo geral, as condições impostas pelo Memorando de Entendimento. Era só o que faltava se houvesse excepções para outros. Acho que a postura do governo português nestas negociações foi a mais correcta e a que melhor defende os seus próprios interesses.

Foi igualmente a que melhor defende os interesses de Portugal. Apesar de ter passado um pouco ao lado do circo mediático, esta semana Portugal colocou divida pública aos juros mais baixos de sempre nos mercados internacionais. Não deverá ser alheio a tal facto a posição graxista face ao governo alemão,e as afirmações de Schauble, acerca do bom comportamento de Portugal.
 
Postura 'mais' neutra. Esperava-se semelhante atitude de finlandeses. Não de um governo que também precisou de um programa de assistência. E se Portugal num futuro próximo tiver dificuldades em cumprir o que acordou (que não é assim tão descabido como se pensa)? Não se sabe o dia de amanhã. Ser mais ou menos neutro está muito longe de ser groupie do alemão. Ao menos que não se faça semelhantes cenas (que é o mínimo que se pede).

A questão é mesmo essa, Portugal precisou de Programa de Assistência e cumpriu, de um modo geral. Os gregos, já tiveram dois programas, praticamente não cumpriram nada do que prometeram, e ainda queriam mais dinheiro sem dar nada em troca. Foi contra essa injustiça que Portugal e Espanha lutaram.
 
Apesar de Portugal não ser exemplo para ninguém a nossa sociedade está mais próxima da Europa Ocidental que a sociedade grega. O atraso cultural da Grécia em relação aos outros países do Sul é milenar e deve-se à Igreja Ortodoxa e à longa presença otomana.

Hei-de comprar este livro, tem sido muito falado nos últimos anos.

http://livre.fnac.com/a4017767/Nikos-Dimou-Le-malheur-d-etre-grec

Foi escrito há cerca de 30 anos e contém perto de 200 aforismos que criticam os vícios do povo grego.
 
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