Pouca gente tem noção da modernização brutal que o euro trouxe a todos os sectores da economia portuguesa, o Vince certamente sabe o que quero dizer pois já tivemos esta discussão aqui.
Nos tempos do Estado Novo a economia portuguesa cresceu muito entre o fim da guerra e 1974, mas as nossas exportações estavam dependentes das colónias! Por um lado fora de Portugal ninguém conhecia os nossos produtos, por outro ninguém os queria porque a qualidade era muito má.
Quando nós entrámos na CEE fomos inundados de produtos estrangeiros e os portugueses começaram a ter acesso a coisas com qualidade, que até eram mais baratas que as portuguesas. O nosso azeite era o pior do Sul da Europa, só nos últimos 10 anos é que se inverteu a sério esta realidade, mas os italianos e espanhóis já tinham bons azeites nos anos 60 e 70. Nos anos 80 e 90 os nossos vinhos eram conhecidos? Não eram, tirando obviamente o vinho do Porto. Mas os chilenos, australianos ou californianos estavam a impor-se. Esta é outra área em que houve uma evolução enorme. O nosso calçado mudou, os nossos têxteis estão a mudar. A qualidade dos alojamentos e dos restaurantes teve uma mudança brutal, hoje no Algarve vemos melhores salas, melhores edifícios, mais higiene. Há 30 anos havia as barracas de praia convertidas em restaurante, isso entretanto quase acabou. Se não fossem os espanhóis com a Zara, Springfield ou Massimo Duti quem não tem dinheiro para roupas de marcas caras ainda andaria a comprar os têxteis tugas aos ciganos nos mercados e feiras.
O euro teve obviamente alguns defeitos mas «obrigou» os empresários portugueses a procederem a uma renovação «à força» de vários sectores, coisa que nunca tinham feito antes porque estiveram encostados às colónias e depois ao mercado interno. O nosso atraso em relação aos italianos ou espanhóis há uns anos era brutal, e ainda existe, mas já está mais atenuado.
É em momentos de aflição que os portugueses se revelam, mas não nos metam dinheiro fácil nas mãos nem criem um mercado interno protegido, pois as pessoas acomodam-se e depois vem o atraso.
E o euro não prejudicou as exportações nem o turismo, na realidade houve um crescimento maior que nos tempos do escudo!