Em entrevista a sete jornais europeus, entre eles o Kathimerini, o Financial Times e o Le Monde, Tusk descreveu com grande detalhe as horas críticas e derradeiras - a "maratona negocial" -- que precederam o acordo prévio sobre a Grécia crucial para se poder negociar o terceiro empréstimo e programa de ajustamento. À mesa estavam o próprio Tusk e pelo menos três chefes de Governo:
Alexis Tsipras (Grécia), François Hollande (França) e Angela Merkel (Alemanha).
"O fundo das privatizações era, sem dúvida, muito provocador para Tsipras [o PM grego]", começa por explicar o presidente do conselho na entrevista (
pode ler a versão integral, em inglês aqui no Kathimerini).
Mas "o primeiro sinal de que uma coisa dessas poderia ser aceite foi uma mensagem [SMS] do PM holandês Rutte. Quando lhes mostrei
a proposta de Rutte para que 12,5 mil milhões de euros do fundo fossem usados para reembolsar dívida e 12,5 em investimentos, ninguém pareceu particularmente impressionado, mas a partir desse momento estava na mesa".
Na segunda-feira, Pedro Passos Coelho reclamou que foi sua a ideia de repartir o fundo dos 50 mil milhões de euros dessa mesma forma ideializada por Rutte numa SMS.
Citado pela Lusa, na conferência de imprensa na manhã de 13 de Julho, já depois de fechado o acordo que impediria ejetar a Grécia do euro,
o primeiro-ministro português disse que foi Portugal que sugeriu que "25 mil milhões pudessem ser utilizados para, de certa maneira, poder privatizar os bancos que estão agora a ser recapitalizados" e que, "
acima desse valor, se pudesse então fazer uma utilização quer para abater à divida publica, quer para se poder financiar o crescimento em partes iguais".
"Devo dizer até que, curiosamente, a solução que acabou por desbloquear o último problema que estava em aberto, que era justamente a solução quanto à utilização do fundo [de privatizações], partiu de uma ideia que eu próprio sugeri. Quer dizer que até tivemos, por acaso, uma intervenção que ajudou a desbloquear o problema", enalteceu o PM português.
Na melhor das hipóteses, o português e o holandês tiveram a mesma ideia quase ao mesmo tempo, embora Donald Tusk nunca mencione o nome de Passos Coelho na longa entrevista que deu aos jornais.
As palavras auto congratulatórias de Passos acabariam por gerar furor e paródia nas redes sociais, tendo sido criada uma hashtag para o efeito:
#poracasofoiideiaminha. Se calhar, o mais adequado seria
#poracasonaofoisoideiaminha(por acaso não foi só ideia minha).
http://www.msn.com/pt-pt/financas/negocios/por-acaso-ideia-do-fundo-grego-foi-do-pm-holandês/ar-AAd7GFH?ocid=mailsignoutmd
E com este pequeno pormenor lá se foi a liderança portuguesa na Europa. De um momento permanentemente inscrito na história europeia, a intervenção portuguesa passará, com o tempo, a ser apenas e só um mito regional português. Ainda assim deixo aqui a minha demonstração de patriotismo, que por estes tempos está a ser muito importante

PS: O resultado desta situação até é consistente com a visão do governo. A mensagem de excessiva subserviência mediante a recorrente utilização, e especialmente o regozijo, com o termo 'bom aluno' apenas perpetua a pouca importância de Portugal no contexto europeu. Relembro que a generalização de preguiçosos não é só utilizada relativamente aos gregos. Lá fora, os portugueses também não são vistos de uma forma positiva.