Política e economia internacional 2015

  • Thread starter Thread starter Vince
  • Data de início Data de início
Estado
Fechado para novas mensagens.
Hollande vai prolongar o Estado de emergência, pelo menos, mais 3 meses.


Esta semana, o PR francês vai levar ao Parlamento uma proposta de alteracao da lei que regula o Estado de emergência( que atualmente limita - se a 12 dias) , no sentido de poder aumentar para 3 meses.

Entre outras medidas, as autoridades podem de forma arbitrária fazer buscas domiciliárias sem mandatos nem provas consistentes, fazer detenções sem mandato ou flagrante delito, proibir ajuntamentos de pessoas ou decretar o recolher obrigatório.
 
Última edição:
Já escrevi, inúmeras vezes, que o destino da Europa é tornar-se um super-bloco fascista. Os eventos de hoje vão de certa forma nesse sentido (e quanto mais atentados houver pior - ou melhor dependendo da perspetiva):

O ministro iraquiano dos Negócios Estrangeiros disse, em Viena, onde decorreram conversações internacionais sobre a guerra na Síria, que os serviços secretos do seu país obtiveram informações de que a "Europa em geral", especificamente a França, os Estados Unidos e o Irão estavam entre os países que seriam alvos de ataques terroristas.

"As informações obtidas pelos serviços secretos iraquianos de alvos terroristas apontam para a Europa em geral, especificamente a França, mas também os Estados Unidos e o Irão", afirmou Ibrahim al-Jaafari, à margem da cimeira de paz para a Síria, que decorreu na Áustria, citado pela Reuters.

http://economico.sapo.pt/noticias/europa-em-geral-vai-ser-alvo-de-ataques-terroristas_234812.html

As pessoas têm necessidade de se sentir seguras estando até disponíveis para abdicar de muita coisa. Os estados de emergência prolongados são um perigo assinalável para a liberdade. Equivalem a engavetar o estado de direito. A instabilidade interna, a história mostra, traz sempre os comuno-fascistas ao poder:

The measures give a number of exceptional powers to the authorities, including the right to set curfews, limit the movement of people and forbid mass gatherings, establish secure zones where people can be monitored and close public spaces such as theatres, bars, museums and other meeting places.

The state of emergency also gives more powers to the security services and police, such as the right to conduct house searches at any time without judicial oversight, enforce house arrest and confiscate certain classes of weapons, even if people hold them legally.

http://www.france24.com/en/20151115-what-does-france-state-emergency-mean

Estes problemas todos alegram os federalistas mais fanáticos. Pessoas desesperadas procuram soluções rápidas. Termino com afirmações potencialmente polémicas (o mesmo que escrevi aquando do Charlie Hebdo) mas que não deixam de ser verdade. O Hollande falou em guerra. Portanto, não saio do tópico. Nos últimos anos mais de um milhão de árabes foi morto. Em comparação, as baixas europeias são ridiculamente baixas. Não sei o que me espanta mais na cultura europeia. Se a indiferença para com os mortos noutros países ou a ilusão de que a 'guerra' sempre ficará lá longe.

Os eventos em Paris nem são guerra. Os atentados mediáticos na Europa até acontecem com algum intervalo entre si. No Iraque e outros países os atentados suicidas acontecem diariamente. Claro que são árabes logo ninguém se interessa. Haverá sempre terroristas. Há no Iémen, Síria, Líbia, Nigéria, Paquistão, Afeganistão, Líbano... Há questões culturais, religiosas, financeiras, ... envolvidas. Expressar a verdade mostra fraqueza e não dá votos mas aqui vai. Invasões militares contra ideologias não resultam nem há recursos militares e financeiros para pacificar todo o Médio Oriente (fora os outros países). Qualquer um pode pegar numa faca e matar alguém (como em Israel). Este tipo de novo normal é bem possível na Europa. Os ataques isolados são tão passiveis de serem impedidos quanto a violência doméstica ou a violência relacionada com a droga. A história também mostra que os regimes autoritários vão e vêm. 70 anos de paz na Europa é algo muito significativo. Ver-se-á o que os próximos anos vão trazer.
 
Última edição:
Hollande vai prolongar o Estado de emergência, pelo menos, mais 3 meses.


Esta semana, o PR francês vai levar ao Parlamento uma proposta de alteracao da lei que regula o Estado de emergência( que atualmente limita - se a 12 dias) , no sentido de poder aumentar para 3 meses.

Entre outras medidas, as autoridades podem de forma arbitrária fazer buscas domiciliárias sem mandatos nem provas consistentes, fazer detenções sem mandato ou flagrante delito, proibir ajuntamentos de pessoas ou decretar o recolher obrigatório.

Nos próximos tempos não haverá mais nenhum atentado, sempre foi e sempre será o modi operandi desta organização como foi anteriormente a Al-Qaeda.

Quando a poeira assentar e muita gente esquecer do que aconteceu voltará a acontecer o mesmo.

Não será, também culpa da França e do mundo ocidental que vai bombardear países como a Síria, Iraque, Líbia e outros onde nos bombardeamentos que o ocidente faz lá mata crianças e mulheres, quantas vezes não se vê nas notícias situações dessas de uma autêntica carnificina. Depois, quando acontece o mesmo em países ocidentais fica tudo muito revoltado e indignado e esquecem-se daqueles que matam todos os dias no Oriente.

O que é que o Ocidente ganhou com as intervenções no Médio Oriente? Até agora, nada, os países continuam na miséria, as pessoas são obrigadas a fugirem dos seus países para a Europa e de quem é a culpa? O Ocidente é o maior culpado de tudo o que se passa naquela região do Golfo e a nós está a custar-nos a nossa liberdade porque causa das intervenções estúpidas dos governos como os EUA, França e de outros países.

Hollande bombardeou recentemente a Síria e agora provou do mesmo fel que os sírios sentem na pele.

Nas guerras quem morre são sempre os inocentes.
 
2015:

Paris attacks show U.S. surveillance of Islamic State may be ‘going dark’

Officials contend Snowden disclosures, use of sophisticated encryption and messaging apps are making terrorists harder to track

http://news.yahoo.com/paris-attacks...-dark-203103709.html?soc_src=mail&soc_trk=ma#

2001:

Terror groups hide behind Web encryption

http://usatoday30.usatoday.com/tech/news/2001-02-05-binladen.htm

Mas a culpa é do Snowden e é preciso mais vigilância cibernética.
 
Somos todos iguais mas há sempre uns que são mais iguais do que outros. Na morte na mesma e exacta medida que em vida. As maiores vítimas do terrorismo Islâmico são Muçulmanos. Mas enquanto está lá longe... Faz-me lembrar a histeria do Ébola. Enquanto eram negros africanos a morrer aos milhares em África, pouco ou nada se ouvia. Meia dúzia de infectados Ocidentais e/ou brancos e foi a histeria que se viu, com notícias de abertura em tudo o que era noticiários durante dias e semanas a fio com direito a boletins clínicos detalhados. Mundo irónico este em que vivemos.
 
  • Gosto
Reactions: algarvio1980
A intervenção no Médio Oriente poderia ter corrido bem, se fosse bem planeada.
Mas não foi, foi uma intervenção desastrada do ponto de vista militar, estratégico e diplomático.
Foi como abanar e atacar um ninho de vespas, agora as consequências imprevisíveis...

Durante muito tempo, a região do Médio Oriente / Magrebe/ Golfo Persico esteve controlada por ferozes ditadores( que apesar de carniceiros e, se calhar por isso, mantinham alguma ordem) e com alguns conflitos regionais bem delimitados.

Agora não, temos um vasto território de estados fracos e com perigosos ( muito mas mesmo muito perigosos) grupos radicais sem lei nem ordem e cujo céu ( ou o inferno) e o limite...

Tempos perigosos enfrentará a Europa ( nos incluídos) nos próximos anos...
 
Nenhuma intervenção contra um país soberano e que não coloca em perigo os seus vizinhos é legitima. Pior do que ser ilegítima é ter o efeito contrário daquilo que se pretende; em vez de tornar o mundo mais seguro, criar terreno para proliferação e treino de terroristas. No Iraque, na Líbia e na Síria o intervencionismo ocidental originou que grupos terroristas conseguissem chegar ao poder, tendo acesso a armamento, petróleo e uma capacidade organizativa que jamais conseguiriam na clandestinidade. Deste modo é mais fácil a formação e exportação de terroristas, com forte poder económico e bélico.

Entre outras medidas, as autoridades podem de forma arbitrária fazer buscas domiciliárias sem mandatos nem provas consistentes, fazer detenções sem mandato ou flagrante delito, proibir ajuntamentos de pessoas ou decretar o recolher obrigatório.

Por muitas luzes em monumentos que se acendam e bandeirinhas que se ponham no Facebook, estas medidas são a vitória dos terroristas. A França, enquanto Estado de Direito, capitulou. Medidas deste tipo fazem lembrar a Alemanha de 1933, após o incêndio no Reichstag.
 
  • Gosto
Reactions: ClaudiaRM
No noite dos atentados escrevi isto.

Estás a confundir justificações com causas. Justificações não há nenhumas. Causas? Claro que acho que sim, variadas e de muito difícil resolução. Acreditar que não haja causas, para mim, é admitir que não há nada a fazer e que temos de aceitar. Achar que o 'Ocidente' não tem nada a ver com isto excepto o ser vítima hoje e em outras ocasiões, é contribuir, quanto mais não seja por omissão, para que isto se perpetue.
Sabe quem são? É óbvio que não sabe. Ou melhor, talvez saiba agora que estão mortos. Conversa de político para evitar o pânico. Aliás, este tipo de actos tresloucados têm como objectivo isso mesmo: instalar o medo e o pânico em nós. Temos, também, de lutar contra isso com todas as nossas forças. Quem treinou muita desta 'gente'? De onde vêm as armas que usam? Quem lucra com isto? O maior perigo são os que chegam? Ou são os que cá estão, os 'nossos', que por serem 'nossos' não podem ser expulsos como muitos gritam no calor do momento? Se eu acho que é essencial reflectir sobre tudo isto? Óbvio que sim. Até porque pegar em armamento e invadir mais uns quantos sítios, já vimos bem no que resulta. Um dos meus lemas de vida, para além do 'live and let live', é mesmo aquele que diz que fazer as mesmas coisas e esperar resultados diferentes é muito pouco sensato.

48 horas depois, várias pessoas em várias intervenções intervieram no mesmo sentido, sendo até mais acutilantes do que eu e apontando 'culpas' e 'responsabilidades' mais concretas, indo ao encontro daquilo que eu tinha dito anteriormente, a necessidade de reflectir sobre tudo isto. Curiosamente nenhuma dessas intervenções mereceu nenhum repúdio nem nenhum sentimento declarado de nojo só comparável a intervenções xenófobas. O que só vem provar que somos todos iguais mas há alguns mais iguais que outros.
 
Exemplos vários:

Isto também prova a leviandade que a Europa tem encarado a guerra na Síria
Já nem falo apenas no horror humanitário, mas naquilo que está a afetar - nos diretamente.

A Europa esqueceu - se do quanto a Síria estava perto de nós, deixou as facoes de lá degladiarem - se a vontade, exterminar populacoes inocentes e deixar os terroristas organizar mesmo uma espécie de estado.

As intervenções militares têm o efeito perverso de motivar a guerra santa e de angariar mais voluntários.
Onde ocorreram intervenções tudo piorou: iraque, líbia, síria..

O Ocidente abriu a Caixa de Pandora durante os últimos 15 anos. A política intervencionista que ajudou a derrubar governos seculares em países islâmicos é muito responsável pela proliferação de grupos terroristas radicais, facilitando, e muito, a sua acção. Não sei o que mais me assusta, se pensar que os serviços secretos ocidentais são tão burros que alguma vez acharam que os derrubes de Saddam. Khadafi e Assad não levariam à proliferação do islamismo radical ou pensar que eles previam que isto iria acontecer mas não se importaram.

O verdadeiro "axis of evil", de burrice, aldrabice e má-fé, reuniu-se nas Lajes em Março de 2003. Aprovou no CS da ONU a Resolução que permitiu o derrube de Khadafi. Liderou a coligação internacional sob a égide da NATO que foi muito além do que essa Resolução permitia. O Ocidente começa a pagar, com sangue e miséria (a ver o que acontecerá aos refugiados que na sua maioria fogem de países "libertados") a incompetência e estupidez dos seus líderes. Bush, Obama, Aznar, Barroso, Cameron, Sarkozy, Hollande, Henry-Levy, só para citar alguns, têm sangue nas mãos e são responsáveis indirectos pela carnificina que aconteceu e continuará a acontecer em território ocidental (e já o haviam sido pela carnificina em países "libertados"). Constituem o verdadeiro "axis of evil".

A NATO, que comprovadamente organizou durante vários anos ataques terroristas na Europa, existe alegadamente para garantir a segurança da Europa e América do Norte, mas todas as suas intervenções só têm gerado o efeito contrário.

E enquanto que a Europa vai discutindo questões filosóficas e atacando os refugiados ( que são no essencial desesperados a fugir como podem do isis, que tem também feito de outros muçulmanos os seus alvos preferenciais, acho que muita gente ainda não percebeu isso), o isis vai - se armando e crescendo exponencialmente e já está as portas da Europa ( com território) e dentro da Europa ( com operacionais) .

Diga-se de passagem que os ocidentais facilitam o recrutamento.

sinceramente o que mais me preocupa é todo o potencial terrorista já em território europeu. E digo potencial pois não me refiro a terroristas "treinados" ou já assumidos. Refiro-me à imensa quantidade de jovens adeptos ou admiradores de todo o "espectáculo" sangrento encenado quase como um filme de Hollywood proporcionado pelos actos do EI. E não falo necessariamente de muçulmanos, basta ver a assustadora quantidade de jovens sem qualquer origem muçulmana que largaram a Europa para isso, incluindo portugueses.

Como dito atrás, a Caixa de Pandora foi aberta há anos atrás, e agora mesmo que fosse possível fechar, os danos estão espalhados e já enraizados debaixo dos nossos narizes.

Não será, também culpa da França e do mundo ocidental que vai bombardear países como a Síria, Iraque, Líbia e outros onde nos bombardeamentos que o ocidente faz lá mata crianças e mulheres, quantas vezes não se vê nas notícias situações dessas de uma autêntica carnificina. Depois, quando acontece o mesmo em países ocidentais fica tudo muito revoltado e indignado e esquecem-se daqueles que matam todos os dias no Oriente.

O que é que o Ocidente ganhou com as intervenções no Médio Oriente? Até agora, nada, os países continuam na miséria, as pessoas são obrigadas a fugirem dos seus países para a Europa e de quem é a culpa? O Ocidente é o maior culpado de tudo o que se passa naquela região do Golfo e a nós está a custar-nos a nossa liberdade porque causa das intervenções estúpidas dos governos como os EUA, França e de outros países.

Hollande bombardeou recentemente a Síria e agora provou do mesmo fel que os sírios sentem na pele.

Nas guerras quem morre são sempre os inocentes.

A intervenção no Médio Oriente poderia ter corrido bem, se fosse bem planeada.
Mas não foi, foi uma intervenção desastrada do ponto de vista militar, estratégico e diplomático.
Foi como abanar e atacar um ninho de vespas, agora as consequências imprevisíveis...

Nenhuma intervenção contra um país soberano e que não coloca em perigo os seus vizinhos é legitima. Pior do que ser ilegítima é ter o efeito contrário daquilo que se pretende; em vez de tornar o mundo mais seguro, criar terreno para proliferação e treino de terroristas. No Iraque, na Líbia e na Síria o intervencionismo ocidental originou que grupos terroristas conseguissem chegar ao poder, tendo acesso a armamento, petróleo e uma capacidade organizativa que jamais conseguiriam na clandestinidade. Deste modo é mais fácil a formação e exportação de terroristas, com forte poder económico e bélico.

E nem um

Somos sempre os culpados no final. Esse tipo de discurso mete-me tanto nojo como os xenófobos.
 
Que medidas propõem ?

Reduzir drasticamente o tempo de emergência (2/3 semanas no máximo) ou mesmo não renová-lo (não foram motins generalizados como há poucos anos). Apelos para se volte rapidamente à normalidade (com o devido respeito pelos mortos). O que é difícil tendo em conta que só as afirmações belicosas são aceites pela população neste momento. A população em geral precisaria de estar bem mais informada. Os ataques aéreos franceses, 'massivos' dizem eles, são bons para propaganda mas pouco impacto terão (não foi isso que se fez até agora?). Há que ter em mente as limitações dos aparelhos de segurança (e a inutilidade das vigilâncias orwelianas). Mas ninguém vai abordar isso porque é 'fraqueza' e/ou 'incompetência'. Portanto, as medidas totalitárias estão para ficar (que não vão impedir mais ataques). Resta saber a velocidade da implementação e a sua abrangência.

48 horas depois, várias pessoas em várias intervenções intervieram no mesmo sentido, sendo até mais acutilantes do que eu e apontando 'culpas' e 'responsabilidades' mais concretas, indo ao encontro daquilo que eu tinha dito anteriormente, a necessidade de reflectir sobre tudo isto. Curiosamente nenhuma dessas intervenções mereceu nenhum repúdio nem nenhum sentimento declarado de nojo só comparável a intervenções xenófobas. O que só vem provar que somos todos iguais mas há alguns mais iguais que outros.

Não entrando em grandes intervenções:

http://www.meteopt.com/forum/topico/politica-e-economia-internacional-2015.8089/page-70#post-498221
 
Última edição:
Eu não tenho soluções mágicas e estou a anos-luz de ser perita no assunto. Se há coisa que posso defender é a racionalidade. Decisões tomadas a quente e em retaliação directa e imediata a algo que causou feridas profundas em 'nós', é provável que seja pouco racional e/ou precipitado. Por exemplo: estes bombardeamentos que alegam cirúrgicos, hoje, pelos Franceses, foram mesmo cirúrgicos? Se foram e se havia essa informação, porque só aconteceram depois do atentado em Paris? Ou não são assim tão cirúrgicos e são actos de vingança apanhando no caminho inocentes e culpados?
 
Que medidas propõem ?

Em primeiro lugar, o que deveria ter sido feito. É ir ver o histórico deste e de outros tópicos neste fórum onde sempre defendi que o intervencionismo ocidental e o derrube de ditadores seculares em países muçulmanos iria originar mais terrorismo, maior insegurança e mais miséria nos países "libertados", mesmo quando toda a gente andava embevecida com a "Primavera Árabe". Todos esses países, sem excepção, estão hoje muito piores do que estavam antes da "libertação" e em todos eles grupos terroristas actuam de forma livre.

Há menos de dois anos, John McCain teve uma reunião de apoio com os insurgentes sírios, liderados pelo que seria poucos meses depois o Califa do ISIL. A primeira medida seria que isto servisse de lição, mas não vai servir, Reagan recebeu os Taliban na Sala Oval e deu no que deu, e ninguém aprendeu. Mas Reagan, num contexto de Guerra Fria, aplicou a máxima "os inimigos do meu inimigo são meus amigos", pelo que ainda tem uma atenuante. A indústria de guerra ocidental andou a plantar ventos (e digo ocidental, não foram só os americanos como muita gente gosta de dizer) e começa a colher as tempestades. Apenas para interesse pessoal de alguns colocou em risco a segurança de todos, gastou dinheiro dos contribuintes e espalhou miséria e destruição em países soberanos que não eram ameaça para ninguém. E isto deveria ter consequências (pelo menos políticas), mas não vai ter.

Por outro lado, tenho pena que a maioria dos liberais ocidentais não se chateie com o intervencionismo estatal em países estrangeiros da mesma forma como se indigna com o intervencionismo em assuntos internos. Alguns até o apoiam. E tem-se lido por aí que não se deve culpar o Ocidente por actos de terrorismo cometidos por Islâmicos radicais. É óbvio, que a parte principal da culpa é os executores do ataque, mas também é culpado quem facilitou a sua acção. E os líderes ocidentais têm muita culpa no cartório. Podemos também comparar com o que se disse por parte da direita ocidental, aquando do massacre de Beslan, na Rússia por forças Chechenas. Na altura, a culpa era dos russos, porque tinham sido muito desumanos na guerra da Chechénia. Dois pesos, duas medidas, em matéria de política internacional a hipocrisia da direita é semelhante à dos comunistas.

O que fazer agora? Como já aqui referi, o mal está feito, não há soluções fáceis. Em primeiro lugar, deixar os russos, que parecem muito interessados nisso, continuar a apoiar o Assad, e deixá-lo no governo da forma que ele quiser (já que na Síria, ao contrário da Líbia e do Iraque, a situação ainda é possível de reverter).
Internamente, e sabendo que nunca serão todos os atentados evitados, mantermos os valores civilizacionais do Ocidente (que nos distinguem dos terroristas), como o Estado de Direito e a liberdade de circulação e deixar as autoridades judiciais e policiais prosseguirem o seu trabalho. A histeria nunca resolveu nada, nem vai resolver. O extremar de posições só vai originar mais massacres. Nunca se vai conseguir evitar que um maluco desate aos tiros no meio da rua (e malucos destes não se esgotam no terrorismo islâmico,volta e meia e aparece um maluco sem qualquer ideologia aos tiros).

E termino com uma estatística que li há uns tempos (não sei se ainda estará válida): que nos últimos anos, na Europa, morreram mais pessoas em quedas em escadas do que em actos de terrorismo. Vamos colocar um polícia em cada lanço de escadas, com uma ambulância estacionada ao lado? Esta deriva securitária histérica pós-atentados só serve os interesses dos terroristas (espalham o medo, que é o principal objectivo) e do Estado gordo, controlador e tentacular que tem de controlar a vida de todos em prol do bem-estar comum. Com consequências diferentes (é óbvio que não é a mesma coisa) a deriva securitária é semelhante à histeria da ASAE sempre pronta a proteger os incautos consumidores de qualquer perigoso padeiro que use acessórios de madeira.
 
E termino com uma estatística que li há uns tempos (não sei se ainda estará válida): que nos últimos anos, na Europa, morreram mais pessoas em quedas em escadas do que em actos de terrorismo.

Os atentados ocorridos em Paris na passada sexta-feira continuam na ordem do dia. Da política, ao desporto, da cultura às artes, muitas personalidades têm dado a sua opinião sobre a tragédia que se abateu sobre a capital francesa. Jean Todt, presidente da federação Internacional do Automóvel também falou do que aconteceu em Paris mas de forma surpreendente. Todt, que é francês, lembrou que há mais gente a morrer nas estradas.

"Já deram conta de que o número de pessoas que morrem em acidentes rodoviários é muito superior ao número de pessoas que morreu em Paris? Cada dia que passa morrem 3.500 pessoas nas estradas. É 30 vezes mais que o número de pessoas assassinadas nos atentados de Paris", disse o dirigente francês este sábado no Brasil, durante os treinos do Grande Prémio de Fórmula 1, para surpresa dos jornalistas.

http://desporto.sapo.pt/motores/for...entes-rodoviarios-causam-30-vezes-mais-mortes

Em Raqqa estão a ser bombardeados mas alguns devem estar com um sorriso. Afinal tiveram uma pequena grande vitória. O Al Baghdadi é o Goebbels lá do sítio. Os alvos devem ser os ex-generais do Saddam que ficaram desempregados depois da invasão. Excluindo estes o califado terá muitas mais dificuldades.
 
Estado
Fechado para novas mensagens.