Política e economia internacional

Estado
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Teorias há muitas mas se a baixa se prolongar quem também leva uma grande porrada é a industria florescente do shale oil e fracking norte-americana (EUA e Canadá). A Venezuela não precisa que alguém a "destrua", eles tem-se empenhado de forma notável na auto-destruição. Os EUA importaram petróleo da Venezuela durante estes anos todos. O Chávez ao mesmo tempo que os demonizava perante a opinião pública vendia-lhes petróleo. Agora os EUA deixaram de importar porque não precisam. Cuba parece ter percebido que também tem um sério problema nos próximos anos sem a esmola venezuelana.

Há uns anos queixávamos-nos da alta do petróleo, dizia-se que os EUA criavam guerras para fazer subir o preço do petróleo. Agora acusam-nos de fazer baixá-lo para "destruir" outros países. E logo agora que estão a produzir muito internamente é que fazem baixar os preços, e quando importavam faziam aumentar os preços? Os conspiradores que se entendam, mas não faz sentido.

Há também quem teorize que é a Arábia Saudita a querer destruir essa industria americana que agora está muito endividada dado os fortes investimentos que foram necessários, e com petróleo tão baixo pode colapsar. Sempre é uma teoria com pelo menos uma pontinha de lógica. Quanto aos russos, toda esta crispação dos últimos tempos já era indiciador de problemas internos e como é habitual criam-se umas diversões nacionalistas para esconder problemas em casa, agora postos a nu com o colapso do petróleo. Na verdade não interessa a ninguém, seja EUA ou Europa, que a Rússia tenha problemas sérios.

Tantas teorias que há mas muito provavelmente não é nada disso. O petróleo colapsa de vez em quando como muitos outros bens, basta olhar para gráficos de séries longas. Com a crise financeira muito dinheiro fugiu para as commodities. O dinheiro dos QE americanos como sabemos foi parar maioritariamente às bolsas e commodities em vez da economia real. Crescimento dos países em desenvolvimento abrandou, a China também, parte do crescimento se calhar até tem sido aldrabado. Economia europeia demora a inverter de forma consistente, pelo que o fim dos QE nos EUA foi a gota de água que despoletou o colapso do petróleo. É coisa para demorar algum tempo, mas acabará por ir recuperando. Como sempre acontece. Se não acontecer é mau sinal.

Quanto ao custo da gasolina cá em Portugal, 55% são impostos. Os restantes 45% são a matéria prima, refinação, distribuição, comercialização e margens da cadeia. Estou farto de ver jornalistas e comentadores a achar que a gasolina tem que descer na mesma proporção da descida do petróleo. E ainda há o importante cambio Euro-Dólar, o Euro tem vindo a desvalorizar desde Abril/Maio.

não são teorias os senhores que governam a Arábia saudita disseram abertamente que não iam parar a queda para desestabilizar algumas economias, isto é Rússia, Venezuela e congéneres se a Rússia tem condições par ase levantar a seguir ja o maduro terá graves problemas
 
Parei de responder quando li que por tirar o número de jihadistas de uma notícia estou bem informado e que trabalho com eles :lol:. Por acaso, não tenho ódio nenhum aos EUA. O governo deles é igual a muitos outros. Engana o seu povo consoante os desejos de poucos.

A tua posição é um bocado desconcertante, tudo o que é pró-EUA é verdade. Tudo o que é contra-EUA é mentira e propaganda comunista. Tens uma mentalidade tão sectária como aquela que criticaste (a do Hitler ou a do CR vs Messi por exemplo). O que não sabes é que o próprio governo americano passou uma lei que permite a detenção indeterminada dos seus próprios cidadãos. Ora, se a tortura americana não é tortura (isso só os outros fazem) qualquer pessoa detida (incluíndo americanos) não passará um bom bocado.

Por último, não percebo essas insinuações. A CIA capturou inocentes e torturou-os. Até o senador americano McCain (que muito quer guerra) insurgiu-se contra a tortura. Sabes que ele, devido à tortura que sofreu no Vietname, não consegue levantar os braços? Pelo menos há pessoas com alguma sanidade (até nos warmongers):



Não te preocupes, nos filmes de terror as torturas são muito piores, para o bem ou para o mal, a tortura é uma forma de sacar informações preciosas e tem sido usada desde que existe guerra neste planeta. Isso não quer dizer que concorde com ela.
Se eu sou pro-EUA tu és anti-EUA, mas se calhar o mais provável é nem sermos nenhuma delas.
Já agora se eu achasse que eras Jihadista nem falava mais contigo e denunciava-te ás autoridades, não achas ? Eu gosto de debater, mas já sabes qual é a minha posição sobre quem comete terrorismo, e isso nem daqui a 50 anos vou perdoar, ou mudar de ideias ....
 
O emprego criado na economia dos Estados Unidos desde 2007 foi todo absorvido pela mão-de-obra imigrante, legal e ilegal, indica um relatório do Centro de Estudos da Imigração com base em dados do Departamento do Trabalho.

Desde novembro de 2007 até ao mesmo mês de 2014, o número de empregados norte-americanos diminuiu em mais de 1,45 mlhões de indivíduos, enquanto o número de imigrantes com um posto de trabalho cresceu em mais de dois milhões de pessoas.

Sapo

O cenário real é ainda pior:

Since 2000, all of the net jobs added by the U.S. economy have gone to immigrants, both legal and illegal, according to a report being released Friday by the Center for Immigration Studies that challenges prevailing wisdom that the country needs an influx of workers.

Nearly 6 million more people are working in the U.S. now than in 2000, but the number of native-born Americans holding jobs has declined slightly, from 114.8 million to 114.7 million, according to census figures crunched by CIS. Instead, all of that job growth — a total of 5.7 million — has gone to immigrants.

Some of the native-born are unemployed, but a huge number have been chased from the workforce altogether, in part because of competition from immigrants, said Steven A. Camarota, research director for CIS and lead author of the report.

WT

Novas informações relativamente a Cuba:

Months before President Obama announced on Wednesday that he is seeking to do away with decades of U.S. economic sanctions against the communist regime in Cuba, Russia concluded a security deal with Havana aimed at bolstering intelligence and military ties to the island dictatorship.

The Russia-Cuba agreement was announced May 16 when a memorandum was signed in Moscow establishing a joint working group between Russia’s Security Council and the Cuban Commission for National Security and Defense.

The security agreement comes amid fresh U.S. intelligence agency concerns that Russia is taking steps to follow through on plans to conduct strategic nuclear bomber flights over the Gulf of Mexico and Caribbean Sea, possibly with the help of Cuba and Venezuela.

WT

Se bem que continua a não fazer sentido a influência do Vaticano. O apoio popular ao regime lá do sítio aumentou (de forma nada surpreendente).

 
A estagnação dos salários continua a ser um grave problema:

Wages have flatlined in the developed world as workers fail to benefit from the uneven global economic recovery.

Average real pay in developed economies rose just 0.1 per cent in 2012 and 0.2 per cent last year, according the International Labour’s Organisation’s biennial report on global wages. Workers in several rich economies, including Italy, Japan and the UK, were earning less than in 2007.

(...)

The ILO said wage stagnation was not just the result of the 2008 financial crash, which has pushed up unemployment and lowered economic growth rates in many economies. It was also the consequence of the long-term forces of globalisation, technology and the decline of unions.

Since the 1980s, wages have been rising less quickly than productivity, which means workers are receiving a shrinking share of economic growth. This trend was interrupted by the crisis, but has resumed in most states. The exceptions are France and the UK, where labour’s income share has remained fairly stable, though wage growth has still been weak.

FT
 
Teorias há muitas mas se a baixa se prolongar quem também leva uma grande porrada é a industria florescente do shale oil e fracking norte-americana (EUA e Canadá). A Venezuela não precisa que alguém a "destrua", eles tem-se empenhado de forma notável na auto-destruição. Os EUA importaram petróleo da Venezuela durante estes anos todos. O Chávez ao mesmo tempo que os demonizava perante a opinião pública vendia-lhes petróleo. Agora os EUA deixaram de importar porque não precisam. Cuba parece ter percebido que também tem um sério problema nos próximos anos sem a esmola venezuelana.

Há uns anos queixávamos-nos da alta do petróleo, dizia-se que os EUA criavam guerras para fazer subir o preço do petróleo. Agora acusam-nos de fazer baixá-lo para "destruir" outros países. E logo agora que estão a produzir muito internamente é que fazem baixar os preços, e quando importavam faziam aumentar os preços? Os conspiradores que se entendam, mas não faz sentido.

Há também quem teorize que é a Arábia Saudita a querer destruir essa industria americana que agora está muito endividada dado os fortes investimentos que foram necessários, e com petróleo tão baixo pode colapsar. Sempre é uma teoria com pelo menos uma pontinha de lógica. Quanto aos russos, toda esta crispação dos últimos tempos já era indiciador de problemas internos e como é habitual criam-se umas diversões nacionalistas para esconder problemas em casa, agora postos a nu com o colapso do petróleo. Na verdade não interessa a ninguém, seja EUA ou Europa, que a Rússia tenha problemas sérios.

Tantas teorias que há mas muito provavelmente não é nada disso. O petróleo colapsa de vez em quando como muitos outros bens, basta olhar para gráficos de séries longas. Com a crise financeira muito dinheiro fugiu para as commodities. O dinheiro dos QE americanos como sabemos foi parar maioritariamente às bolsas e commodities em vez da economia real. Crescimento dos países em desenvolvimento abrandou, a China também, parte do crescimento se calhar até tem sido aldrabado. Economia europeia demora a inverter de forma consistente, pelo que o fim dos QE nos EUA foi a gota de água que despoletou o colapso do petróleo. É coisa para demorar algum tempo, mas acabará por ir recuperando. Como sempre acontece. Se não acontecer é mau sinal.

Quanto ao custo da gasolina cá em Portugal, 55% são impostos. Os restantes 45% são a matéria prima, refinação, distribuição, comercialização e margens da cadeia. Estou farto de ver jornalistas e comentadores a achar que a gasolina tem que descer na mesma proporção da descida do petróleo. E ainda há o importante cambio Euro-Dólar, o Euro tem vindo a desvalorizar desde Abril/Maio.

Corrige o meu resumo se tiver erros. O preço do petróleo prejudica quase todos os produtores, incluíndo a Arábia Saudita em menor grau. As economias estão a desacelerar. Portanto, o mais racional seria cortar na produção para estabilizar o preço num nível mais elevado.

Teorias da conspiração para o preço do petróleo:

- A Arábia Saudita quer destruir a produção do xisto americano. Sim, talvez. A Arábia Saudita não gostou de ficar apeada na questão do Irão. Mas faria sentido hostilizar o seu maior aliado ocidental? Quem é que vai destruir a ISIS que ameaça a Arábia?

- A China ordenou preços mais baixos para inflingir caos na economia americana em resposta aos repetidos acidentes envolvendo espionagem e a proteção dos vizinhos com quem a primeira tem conflitos. Sim, talvez. A China é o maior comprador de crude saudita. Portanto, com o surgimento do xisto, a lealdade saudita vira-se para oriente.

- A Arábia Saudita, a mando dos EUA, inundam o mercado do petróleo com produção excessiva para prejudicar a Rússia, Irão e Síria (todos eles inimigos de ambos). Sim, talvez. Geralmente, toda a medida tem danos colaterais, portanto não ficaria chocado. A economia americana é mais diversificada que a russa. E não esquecer a animosidade russo-saudita. O apoio do Irão à Síria está a ser posto em causa por causa do preço.

- O preço do petróleo é uma causa natural dos ciclos boom-bust da economia (apenas e só). Sim, talvez. Mas com tanta agitação e tendo em conta que alguns países são enormes produtores de hidrocarbonetos é pouco provável. As empresas petrolíferas não aguentam preços baixos. Até o Mar do Norte pode colapsar. Angola idem.

- Se é uma mistura complexa de tudo o que foi mencionado acima? Sim, talvez.

Termino com isto. A política internacional é uma palhaçada autêntica. Daqui a uns anos veremos multas a serem passadas a bancos ocidentais por terem ajudado a Rússia (tal como aconteceu com o Irão). E os bancos financiam sempre os dois lados de uma contenda. Ambos pagarão de uma forma ou de outra. A família dos ex-presidentes Bush lucrou com os negócios feitos com o Hitler. 99,9% da população é carne para canhão. Sempre foi e sempre será. O Iraque agora é um vassalo dos bancos estrangeiros, com especial ênfase para o JPMorgan. Este banco será o responsável pelas importações-exportações do Iraque. Qual é o produto mais conhecido que sai daquele país?
 
Última edição:
Não é teoria podes não estar muito a par mas a economia venezuelana esta a definhar ainda mais que a Russa pois vivem quase exclusivamente da sua exportação, os USA pouco se importam pois actualmente são auto-suficientes a nível energético e o Irão sempre viveu com embargos
 
Uma coisa é pouco mencionada. A China está a fazer contratos bilaterais para utilizar a sua moeda nas transações internacionais. Já fez com a Rússia ou a Austrália. E se a China fizesse um semelhante acordo com a Arábia Saudita? Usando o Yuan para comprar petróleo? Se os EUA não precisam da Arábia Saudita, esta não precisa dos dólares. Semelhante ação constituiria o princípio do fim do petrodólar e respetiva dominância económica (que já não tem, só dívida) e militar dos EUA.

Numa outra nota, a China também já envia tropas internacionalmente (Sudão) para assegurar a paz (e o petróleo). Ao menos são mais transparentes no objetivo. Fico à espera dos média americanos e europeus a propagandear que os chineses são egoístas e só se preocupam com os seus interesses.
 
Não é teoria podes não estar muito a par mas a economia venezuelana esta a definhar ainda mais que a Russa pois vivem quase exclusivamente da sua exportação, os USA pouco se importam pois actualmente são auto-suficientes a nível energético e o Irão sempre viveu com embargos

Pelo contrário. Ainda falta uns bons milhões de barris de petróleo para serem autossuficientes. Bem que querem exportar mas ainda não o fazem. É proibido por lei. Provavelmente haverá exportação de gás natural para o ano mas, como já referi, o grau de desperdício é brutal.

Como já várias vezes mencionei, o xisto é um engano. Não só pelo preço como pela produtividade:

(...) J. David Hughes, an energy expert at the Post Carbon Institute, a research group focused on sustainability. He studied two of the nation's largest shale rock formations, now the source of huge amounts of oil and gas, and said they could start declining as early as 2016 or 2017.

The reason: "sweet spots" — small areas with the highest yields. Hughes says these spots simply don't last long. Unless more wells are drilled, the Bakken shale of North Dakota and Montana loses 44% of its production after a year and the Eagle Ford shale of Texas, 34%. Most of the nation's major shale regions produce both oil and gas.

"You have to keep drilling more and more just to maintain production," says Hughes, adding this can become too costly to be profitable. He notes oil production in the Bakken, which skyrocketed between 2008 and 2012, has already started to slow down and Eagle's Ford may soon follow. The U.S. Energy Information Administration (EIA) projects both shale plays will hit their oil peak in 2020, declining afterward.

USAT

O pior é que o xisto está a ser suportado por instrumentos financeiros arriscados:

The U.S. drive for energy independence is backed by a surge in junk bonds that has been as vital to the boom as the breakthroughs in drilling technology. While the high-yield debt market has doubled in size since the end of 2004, the amount issued by exploration and production companies has grown ninefold, according to Barclays (BCS). That’s what keeps the shale revolution going even as companies spend money far faster than they make it. “There’s a lot of Kool-Aid that’s being drunk now by investors,” says Tim Gramatovich, chief investment officer of Peritus Asset Management. “People lose their discipline. They stop doing the math. They stop doing the accounting. They’re just dreaming the dream, and that’s what’s happening with the shale boom.”

BB

Na Ucrânia já se sabe o orçamento do ano que vem. A indústria militar deve estar a chorar de alegria:

- 18 meses de recrutamento militar obrigatório para todos entre os 20 e os 27 anos (supostamente não vão lutar mas isso não deve ter uma pitada de verdade;

- Aumento de 100% no orçamento militar (+-5% do PIB);

- 100.000 professores despedidos nos próximos 2 anos;

- Cortes de 1,73 mil milhões de dólares, sendo +-50% no setor social;

- Cortes de 200 milhões de dólares nos gastos com ciência e educação;

- Fecho de 400 escolas em zonas rurais;

Fonte:

http://itar-tass.com/en/world/766634

Deve haver mais medidas mas não consegui encontrar (a imprensa só dá ênfase no gasto militar não nos cortes sociais - curioso ou talvez não).

-O rascunho do orçamento indicava um corte de 8% na saúde e Duplicação da tarifa de gás e corte drástico nos funcionários públicos

O mais engraçado disto tudo é que a Ucrânia está falida, pedindo desesperadamente mais ajuda da UE. Contudo, vai comprar mais armas usando crédito com garantias estatais. Mais uma vez, a indústria financeira irá destruir e pilhar mais uma nação com austeridade e privatizações. E centenas de milhões de inocentes da União Europeia, mediante políticos corruptos e submissos, serão arrastados.
 
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Talvez até seja, pode ser uma pequena bolha, mas espero que tenhas noção que ao longo da história afirmações como a tua se repetiram milhões de vezes, sempre que aparece algo novo fruto da inovação humana era quase sempre recebida com grande descrédito. Só o tempo dirá. Eu como sou modesto de conhecimento, olho com alguma desconfiança para as coisas, mas também não faço afirmações categóricas. O que é facto é que já vão mais de 30 anos a levar com o discurso do fim do petróleo, e a cotação deste até estoira no mercado por excesso de oferta, e não me pareceu que tenha faltado gasolina na viagem que fiz esta manhã.

E quantas vezes, ao longo da tua vida, ouviste e viste soluções milagrosas que depois não se revelaram bem aquilo que se esperava?

As minhas afirmações relativamente à 'bolha' referem-se ao facto da propaganda dizer que os states vão ser energeticamente independentes, vão exportar e afins. Isso é falso. O pico da produção, ao que parece, está a poucos anos de distância. Aquele corte de 96% na Califórnia não ajudou. Há mais de 60 anos que se conhece o fracking. Só agora é que o preço compensa a extração. Talvez se as taxas de juro não estivessem a 0%, o xisto já tinha estalado há muito.

O défice nos EUA no ano passado foi de 680 mil milhões. Entre 2009 e 2012 foram >1 bilião. Imagine-se o défice se as importações de petróleo não tivessem diminuído. É provavelmente o único benefício do xisto (incluindo os empregos criados).

O pico do petróleo nunca foi relativamente à sua existência mas sim ao seu preço. O barril se for para 150$ as economias colapsam (quem consome). Se baixar dos 60/70$ também colapsam (produtores). Estamos num planeta finito com recursos finitos. Não obstante, há muito petróleo nas águas ultra-profundas. A que preço? Porventura com petróleo a >150 dólares. E quando chegar a isso o crescimento económico será miserável.
 
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Na minha leitura de um livro sobre a influência do petróleo nas guerras deparei-me com uma declaração de um antigo político paquistanês acerca de como os EUA, antes dos ataques do 11/9, já pensavam atacar o Afeganistão (em meados de Outubro - ele foi avisado em Julho) O objetivo seria instalar um governo moderado, tendo por finalidade a construção de um gasoduto que passaria pelo país. Mas, enfim, achei estranho o facto de tropas russas estarem de prevenção.

Na minha pesquisa subsequente (para confirmar se era teoria da conspiração), encontrei dados deveras interessantes. Uma delegação dos Taliban deslocou-se ao Texas em 1997 para negociar a referida construção. Depois de algumas complicações, no ano passado, o governo americano já deu aval para a construção. O gasoduto não é irrelevante. Está ligado ao campo de gás Galkynysh, o segundo maior do mundo. Acrescento que o governo Bush já se estava preparando para atacar os Taliban dois dias ANTES do 11/9.

E é assim. No espaço de 4 anos, os Taliban passaram de um parceiro de negociações para a pior raça que alguma vez existiu. E com esse ataque surge a luta interminável contra o terror, a antagonização muçulmana e as leis orwelianas. Mas é para isso que serve a propaganda. Para esconder os actos dos governos.

Quanto ao Iraque, a situação é semelhante. Já em Dezembro de 2001, os EUA já se preparavam para atacar.

Outra fonte:

For months there has been a debate in Washington about when the Bush Administration decided to go to war against Saddam. In Ron Suskind’s recent book “The Price of Loyalty,” former Treasury Secretary Paul O’Neill charges that Cheney agitated for U.S. intervention well before the terrorist attacks of September 11, 2001. Additional evidence that Cheney played an early planning role is contained in a previously undisclosed National Security Council document, dated February 3, 2001. The top-secret document, written by a high-level N.S.C. official, concerned Cheney’s newly formed Energy Task Force. It directed the N.S.C. staff to coöperate fully with the Energy Task Force as it considered the “melding” of two seemingly unrelated areas of policy: “the review of operational policies towards rogue states,” such as Iraq, and “actions regarding the capture of new and existing oil and gas fields.”

New Yorker

Num artigo da CNN (infelizmente raro de mais) intitulado: "Why the war in Iraq was fought for Big Oil", os motivos são descritos claramente:

Before the 2003 invasion, Iraq's domestic oil industry was fully nationalized and closed to Western oil companies. A decade of war later, it is largely privatized and utterly dominated by foreign firms.

From ExxonMobil and Chevron to BP and Shell, the West's largest oil companies have set up shop in Iraq. So have a slew of American oil service companies, including Halliburton, the Texas-based firm Dick Cheney ran before becoming George W. Bush's running mate in 2000.

Já tinha escrito que quem constrói uma embaixada estupidamente cara não pretende sair do país. Em poucas linhas, a importância do Iraque é clara:

Fears that events in Iraq will send global oil prices soaring have abated. Yet, the crisis has potentially huge implications for oil. Under any conceivable outcome to the current situation, oil production from Iraq will fail to meet recent expectations. The reason for this dire prognosis is that politics – not security or logistics – will be the biggest determinant of Iraq’s oil trajectory in the years ahead.

In 2012, the International Energy Agency forecast that Iraq would account for 45 percent of the growth in global oil supply from 2012 to 2035. In its projection, the IEA anticipated that Iraq would move to producing more than 6 million barrels a day in the next five and a half years, from 3.3 million barrels a day. Production at such levels would make Iraq the fourth-largest producer, after Russia, Saudi Arabia and the U.S. – assuming all increased their production along projected lines.

BV

Quanto ao Curdistão, estes têm grandes reservas também. Mas parte do petróleo será conduzido para Bagdad.

Quanto às riquezas minerais do Afeganistão, que valem 1 bilião de dólares, claro que há muitos interessados. Entre os quais, o Reino Unido. Não sei porquê mas tenho a sensação que o dinheiro dos minérios não vai ajudar a população (o governo é corrupto até ao tutano - mas é pró-EUA, só isso interessa) e que os taliban estarão ativos durante muitos e muitos anos.

Mas não faz mal. Quando houver conflitos chama-se as empresas de segurança privada. Só no Iraque ganharam 138 mil milhões de dólares. Resta depois ver os sacrifícios que os banqueiros vão impor aos contribuintes dos governos criminosos em detrimento dos lucros pornográficos de poucos.

Fica a pergunta. O 11 de Setembro foi ou não foi orquestrado pelo governo americano?
 
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