A evolução do Bloco é muito interessante, recordo-me que começou como um partido de protesto com bandeiras. Quando era adolescente, com 13 ou 14 anos, até simpatizei com o Bloco quando ajudou a lutar contra a auto-estrada do Sul no Caldeirão ou contra a destruição do Ambiente com alguns projectos turísticos, era de facto o único partido que tinha naquele momento uma posição firme contra certos abusos contra a protecção ambiental. Com o tempo percebi que o Ambiente não era causa de Esquerda nem de Direita, e que até tinha começado em Portugal como causa da Direita, e que na sua essência começou no estrangeiro como uma causa Conservadora. Isto também demonstra como o PSD falhou com algum eleitorado, tendo-se tornado um partido de negócios, sem uma linha ideológica que indique que há valores mais importantes que negociatas.
Havia também o direito «à barriga», outra das causas do Bloco, a despenalização do aborto, piscando o olho ao eleitorado feminino. Seguia-se a questão das minorias sexuais, foi o primeiro partido português a mexer na questão dos gays, assunto que já tinha movimento civis nos anos 60 e 70 no Reino Unido, França ou EUA, era tema tabu na política portuguesa. E por fim a outra grande causa passava pela despenalização da venda e consumo de drogas leves.
O BE entretanto abandonou cedo a questão ambiental, conseguiu quase todas as leis «fracturantes» que queria e quando parecia acabado ressuscitou tornando-se a voz oficial contra o sistema, a Banca, a troika, a austeridade. E pegou nos novos descontentes, os pensionistas, os funcionários públicos com corte, os jovens desempregados, para coleccionar votos.
Tal como o Podemos, o BE é um partido oportunista, sucede o mesmo com o Syriza, a estratégia e dar voz a descontentes, a grupos revoltados, juntar num saco, e tentar ganhar o máximo de votos para ascender no poder.