Seguimento - Incêndios 2017

David sf

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8 Jan 2009
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Oeiras / VN Poiares
A matemática do artigo do Expresso é bem simples. Há mortos contabilizados duas vezes. Morreram 11 habitantes da aldeia de Pobrais, 10 dos quais estão também incluídos nos 47 mortos da N236-1.

Relativamente à ignição, não restam muitas dúvidas de que não foi uma descarga eléctrica atmosférica a causadora. Seria interessante saber-se por que o director nacional da PJ veio a público afirmar tão rapidamente que a causa tinha sido essa, com uma rapidez que não se coaduna com uma investigação séria.

Passos Coelho teve outro momento da sua habitual inabilidade. Mesmo que a informação fosse verdadeira, não tinha nada que a revelar. E deu argumentos para o PS desviar atenções daquilo que realmente interessa, o caos que se gerou no combate aos incêndios e as falhas em sistemas de comunicação caríssimos. O assunto Sebastião Pereira estava a esgotar-se...

Por outro lado tem de haver aquilo que chamam de "aproveitamento político" da tragédia. É óbvio que todos têm que questionar o governo por aquilo que se passou (e o cúmulo foi demorarem duas horas para confirmar se um avião tinha de facto caído). Se os partidos da extrema esquerda que são peritos nesse aproveitamento estão estranhamente calados, alguém tem de o fazer...
 
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luismeteo3

Furacão
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14 Dez 2015
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Eu peço desculpa pelo tamanho da letra mas eu só postei o título da notícia, que já tinha este tamanho da letra. Não sei como mudar. Também já vinha a bold.
 

Orion

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5 Jul 2011
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Eu peço desculpa pelo tamanho da letra mas eu só postei o título da notícia, que já tinha este tamanho da letra. Não sei como mudar. Também já vinha a bold.

A esse formato não tenho grande queixa mas se quiseres desformatar, na caixa de texto - à direita - há uma borracha. Seleciona o texto em questão e clica (às vezes não funciona devido a formatações prévias). Percebo a conveniência do copy paste mas quando é feito muita vez a página começa a carregar de forma estranha e a leitura do tópico começa a ficar aborrecida.

Para selecionar partes relevantes do texto há também o + (dentro do quadrado) e em seguida o QUOTE.
 
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ClaudiaRM

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2 Dez 2009
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O líder da oposição deste país só tinha de ter um bocadinho de inteligência para, de forma subtil, capitalizar uma situação que ( goste-se ou não, queiramos ou não) lhe é (era?) politicamente favorável (sê-lo-ia sempre, estivesse PPC no governo e os outros na oposição). Há imensas perguntas por responder, há muitas responsabilidades ainda por apurar e bastava apenas ser comedido mas persistente na pressão. No entanto, não consegue evitar. E não consegue evitar porque aquele é ele. E é ele esteja no governo, esteja na oposição ou no escritório de uma loja de ferragens. PPC é aquilo: take it or leave it. Ainda nem percebeu que o mais grave (ainda que profundamente embaraçoso) nem foi a informação ser falsa mas sim tê-la mencionado. Sorte da geringonça e azar do PSD e, em última análise, do país que precisa de uma boa oposição para pôr os governos na ordem.
 
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Orion

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5 Jul 2011
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Para os curiosos, o Landsat já atualizou as imagens -> https://landsatlook.usgs.gov/viewer.html

AALb0Xo.png


Nesse aspeto o Sentinela 2A tem melhores imagens mas ainda deve demorar mais um pouco para que estejam disponíveis.
 

AndréGM22

Cumulus
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6 Set 2014
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Alhandra

Para quem tiver interesse, reportagem muito interessante apesar de ser de 2014. E imagem lá onde existia uma zona sombra... Em Pedrogrão Grande... Coincidências.
 
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Orion

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Esperançosamente personagens como esta não participarão na investigação...


... mas não me vou adiantar. Há que saber os nomes dos investigadores.
 

bandevelugo

Cumulus
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3 Jan 2008
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Depois é dividir isso em 5000 ou 10000 parcelas (vou ser conservador) e dá para ter uma ideia da impossibilidade que é 'limpar os terrenos'.

Quem tem dados mais recentes?



Orion, "limpar" os terrenos a eito é uma coisa do século passado... só quem não está "no meio" desconhece isso.

Desde 2003/2004 que a a estratégia oficial é "gerir" as continuidades e cargas de combustíveis em locais estratégicos, com objetivos claros e pré-definidos. Esses locais e zonas são identificados e os trabalhos programados em planos municipais (feitos pelas câmaras e aprovados por comissões municipais) e/ou em planos de gestão florestal de matas. Não tem nada a ver com "limpar tudo", como alguns menos avisados pensam. Vê aqui: http://www.icnf.pt/portal/florestas/dfci/Resource/doc/guia-tec-pmdfci-abril12. Praticamente todos os concelhos têm estes planos municipais.

As perguntas que devias fazer eram: o que está no plano do meu concelho está a ser executado conforme o programado? A legislação foi cumprida? Os proprietários de matas e edifícios, a empresas detentoras de infraestruturas (estradas, linhas eléctricas, etc.) e as autoridades (locais ou fiscalizadoras) estão a fazer o que deviam?

É óbvio que a questão não é nada fácil, quanto mais não seja porque o país tem para aí 5 ou 6 milhões de hectares de florestas e matos, e mesmo só em locais "estratégicos", o que se deve fazer traduz-se em muitos milhares de hectares a executar anualmente. Está claro que um nível destes de investimento (na proteção das pessoas e das florestas) precisa quer de um trabalho de longo prazo, quer de empenho dos poderes públicos, que só surge após estas catástrofes.
 

Snifa

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16 Abr 2008
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"Caixa Negra"

As 10 falhas críticas das comunicações no fogo de Pedrógão

A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) revelou, ao final da tarde desta segunda-feira, a "fita do tempo" das ações registadas no Sistema de Apoio à Decisão Operacional (SADO) - uma espécie de "caixa negra" da Proteção Civil - durante os primeiros dias do incêndio em Pedrógão Grande.

Na lista, que o presidente da ANPC, Joaquim Leitão, enviou ao primeiro-ministro António Costa, contam-se pelo menos dez momentos graves em que as comunicações via SIRESP falharam.

A primeira falha crítica foi registada às 19.45 horas da tarde do dia 17, horas depois de ter deflagrado o incêndio em Pedrógão Grande. Três pessoas da zona do Porto telefonaram para o 112. Contaram que estavam no interior de uma casa abandonada em Casalinho, cercadas pelas chamas. "Tentámos contacto com posto de comando e com o 2º CODIS sem sucesso", ficou registado no SADO.

Cinco minutos depois, o CDOS de Coimbra informava que, em Troviscais, um pai e um filho precisavam de "ajuda urgente". Mas, mais uma vez, não foi possível contactar o comando.

Às 21.28 horas, chegou a informação de que havia uma casa a arder e uma pessoa queimada em Ramalho, Vila Facaia. Contudo, o contacto com o posto de comando falhou novamente. Sete minutos, foi feita uma nova tentativa, desta feita também para os bombeiros. Sempre sem sucesso.

Pelas 21.47, um homem de 75 anos, com problemas respiratórios, pediu ajuda. Dizia que estava em Sarzedas de Vasco numa quinta, sozinho, e que tinha a casa a arder, não tendo água. Novamente, não foi possível contactar o posto de comando.

Às 22:45, um homem pede ajuda para a mulher, que estaria refugiada no carro. A casa de ambos já tinha ardido e não foi possível contactar o comando.

Já de madrugada, pelas 1.02 horas, o CDOS de Leiria reforçava o apelo para que insistisse junto da PT a resolução das "quebras constantes da rede SIRESP" e pedia apoio para o "levantamento das vítimas mortais" que se encontravam na EN236, "impedindo a passagem dos meios de combate".

Pelas 11.10 horas do dia 18, o SIRESP voltava a não funcionar e o sistema ROB, dos bombeiros e que estava a ser usado para colmatar as falhas, começa a não funcionar também.

Às 15.05, não se conseguia contactar os comandantes de setor, apesar de terem sido "feitas várias tentativas via SIRESP" e com recurso a telemóveis. Quase uma hora depois, esta situação ainda se mantinha. Perto das 19 horas, decidiu-se procurar um novo sítio para colocar o posto de comando, "considerando que não existiam comunicações".

Pelas 21.40 horas, já nem era possível entrar em contacto com os presidentes de Câmara para serem convocados para um briefing que decorreria às 22 horas.

http://www.jn.pt/nacional/interior/...n=Editorial&utm_source=e-goi&utm_medium=email
 
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Pek

Cumulonimbus
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Menorca

criz0r

Cumulonimbus
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Cova da Piedade (28m) / Belver (140m)
E assim vai mudando a bonita Paisagem da nossa Península Ibérica, a imagem aérea mostrando as águas quase cristalinas do Mediterrâneo em contraste com o preto envolvente é deprimente. Isto sinceramente deixa-me devastado.

Para bem dos Países do Sul da Europa, vamos esperar que o Verão não seja agreste, isto ainda mal começou e já está assim.
 

Orion

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5 Jul 2011
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Acho em PT seria necessário uma instituição de investigação independente em que quando há desastres naturais com vítimas mortais elabora-se longos relatórios em que se detalham todos os fatores proximais e distais. Por razões óbvias não pode ser a proteção civil a investigar-se nem os inquéritos da MP são suficientes porque tem por objetivo responsabilidades criminais. As experiências passadas ajudariam as gerações futuras.

Para mim dois bons exemplos disto vêm da Madeira, começando pelas inundações de 2010. O inquérito foi arquivado mas isso não quer dizer que uma série de erros acumulados aos longo dos anos não tenha contribuído decisivamente para o desastre. Quais foram esses erros? São sempre os mesmos mas não ficam 'oficializados'. E se um determinado fator correlaciona-se mas não é necessariamente causal, que fique escrito.

Ainda na Madeira, o que parece o tipo de iniciou o incêndio de 2016 está em tribunal mas, novamente, a situação é a mesma. É preciso vasculhar a 'net para se tentar saber pormenores acerca do evento (como por exemplo o vento Foehn característico da ilha). Independentemente do que aconteça ao jovem não deverá haver um estudo aprofundado de toda a situação. Mesmo que o incêndio tenha sido algo extraordinário não é por isso que perde a sua importância histórica.

Claro que a integridade da comissão e do processo também depende do contexto político e como mencionei na anterior publicação atribuir investigações a terceiras partes nem sempre é garantia de avaliações imparciais.

Quanto ao SIRESP...

A Ministra da Administração Interna admite que o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) esteve "intermitente" durante uma fase do fogo de Pedrógão Grande.

Numa entrevista à RTP3, a Ministra da Administração Interna explicou: "a informação preliminar que tenho, mas foi pedido um relatório circunstanciado, que amanhã (quinta-feira) estará concluído, é que não houve uma falha total. Houve intermitências porque a fibra ótica foi destruída pelo incêndio mas foram colocadas às 20h00 redes móveis satélite para assegurar a rede SIRESP".

Bom, vou dar o benefício da dúvida. Está tudo a acontecer em tempo real e confusões podem acontecer. Por outro lado, a ministra está a defender o seu cargo, pode não querer culpabilizar os fracos pelos erros dos fortes, pode não querer hostilizar a malta com quem está a trabalhar ou a cadeia de comando à sua volta estava tão à nora que informou mal a ministra. São tudo opções válidas tendo em conta o contexto. Mas supostamente está tudo nas gravações. E, assumo eu, quando se está a falar para o boneco no rádio e finalmente se consegue ter contacto, acho que a primeira reação será criticar o sistema (acho é que impossível a liderança da ANPC não saber que o SIRESP estava a ser uma trampa em tempo real). A PPP do SIRESP está protegida contra fogos florestais? Se não está, aconselho chamarem ao incêndiário um terrorista já que a defesa do raio é fraquinha. Mas nunca subestimem a vontade de sobrevivência das pessoas e dos respetivos cargos. A meteorologia não vai desaparecer e apesar de certamente ter tido uma importância relevante há bons motivos para se exagerar o seu papel.

Novamente, que danos ou mortes podem ser atribuíveis às falhas do SIRESP? Quanto tempo duraram as 'intermitências'? Tinham todos os operacionais rádios do SIRESP como deviam ter? Houve problemas com a articulação do SIRESP com os 'meios alternativos'? Tudo questões relevantes. Serão respondidas verdadeiramente?

Fosse outro partido no poder e provavelmente a 'net já estava insuportável com tanto pedido de demissão de algumas personagens tendo em conta a magnitude e o tipo de desastre em questão. Mas, enfim, viva aos trolls e aos idiotas úteis?
 
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Orion

Furacão
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Açores

Acrescento que, a ser verdade, isto...

Por volta das 17h, reconhece-se necessidade de recolocar o Posto de Comando, pois não existem comunicações.

... não é uma 'intermitência'. É uma 'falha total'.

Vai uma aposta que o SIRESP esteve, de alguma forma, envolvido na bronca do Canadair?
 
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