Seguimento Meteorológico Livre - 2026

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Talvez por o país ter muito poucos eventos destes, extremos, há o resultado de uma cultura de risco ridícula. O último evento extremo foi há já oito anos (Leslie). Obviamente que com o passar dos tempos tudo cai um pouco no esquecimento. E adia-se tudo. Vinha hoje a ouvir na Antena 1, a falarem de como é possível nem nas rádios locais estarem a falar sobre os riscos da Kristin, a incentivar a medidas de proteção. As mensagens no telemóvel foram do mais básico possível. Nem simples medidas básicas (como tirar o carro de zonas com árvores, proteger portas ou janelas), ou salientar mesmo "risco sério à vida".
Infelizmente não passamos disso. Parece que não se aprende, e quando há tragédias destas há algum aparato mas depois como dizes e bem cai sempre no esquecimento. Queremos sempre que a próxima nunca mais venha mas, inevitavelmente, há-de vir, resta esperar que a mentalidade seja outra. Certamente na zona de Leiria e arredores ninguém se vai esquecer tão depressa, como aqui mais para cima muitos ainda se lembram bem da Leslie, que foi mesmo há oito anos mas parece ter sido ontem às vezes.
 
Concordo, mas também acho que o IPMA precisa de mais estrutura e financiamento, sangue novo, e comunicar de outra forma. O próprio site está igual há décadas?, precisa de uma atualização bem grande mas os meteorologistas não são web designers.

Pode ser que com a nova Ocean Campus em Oeiras alguma coisa mude, novas instalações são bem vindas. Agora, a parte atmosférica, precisa do dobro do esforço. A nomeação de tempestades facilita imenso a comunicação à população, mas por outro lado falha na redundância que é acontecerem 4 tempestades numa semana só, por exemplo, temos 4 nomes numa semana. As pessoas, claramente, deixam de levar tanto a sério. Sei que só alertas laranja ou acima levam a nomeação de tempestades, mas até que ponto isso faz sentido numa situação de rio atmosférico "severo", e.g. não afeta só o Minho desta vez.

Será provavelmente o Inverno mais chuvoso do século para o território, ficará para a memória de milhões, por boas e por más razões.
Agora que os maiores rios se aguentem dentro dos leitos de cheia, não acho isso alarmante. É preciso é haver capacidade de encaixe nas barragens, a Agueira e o Cabril não podem estar acima dos 80% e isso está a acontecer.
A Aguieira até estava com um valor relativamente baixo antes destas novas chuvadas. Mais baixo que o habitual.
 

Um bocadinho longo o vídeo, mas para quem não acompanha (ou não acompanhou ontem) o noticiário, mostra de facto a potencial severidade da situação que se avizinha, agora mais no que toca ao risco de cheias. Diria que o mais relevante para se perceber a situação (no que toca a gestão da água), são os primeiros 10 minutos, o restante (não menos importante) é mais na base da prevenção.
 
O Antílope não volta tão cedo.
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Esse Antílope é socialista, não fosse a ministra do ambiente a quebrar o enguiço a esta hora, os algarvios já tinham morrido todos à sede. :D Fique por lá.
 
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Ainda hoje me lembrei daquele episódio de Fevereiro de 2014 em que passou também uma depressão com ventos muito fortes na região Centro, em dia de derby na Luz, e que em pleno aviso vermelho o jogo decorreu como se nada fosse. Resultado, não houve vitimas nesse dia por muito pouco, desfez a cobertura do estádio toda, com mais de 60 mil pessoas.
Se não estou em erro, essa foi a Tempestade Sethapnie, lembro me bem desse dia, com rajadas aqui na cidade superiores a 120 km/h ao final da tarde... Desde essa altura, não me lembro de algo semelhante por aqui, tirando aquelas situações pontuais de rajadas associadas a convecção. Em 2013 também tivemos o Gong.
 
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Vinha hoje a ouvir na Antena 1, a falarem de como é possível nem nas rádios locais estarem a falar sobre os riscos da Kristin, a incentivar a medidas de proteção. As mensagens no telemóvel foram do mais básico possível. Nem simples medidas básicas (como tirar o carro de zonas com árvores, proteger portas ou janelas), ou salientar mesmo "risco sério à vida".

As medidas de proteção são sempre as mesmas.

Aviso vermelho por si só é óbvio.

Pode-se fazer tudo certo e a intensidade do vento/chuva destruir na mesma.
 
O anticiclone não está assim tão longe.

Novamente neste ano a configuração atmosférica da América do Norte persistentemente encaixou de forma favorável com a do Atl Norte.

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E escrevo novamente, porque há uma grande diferença entre se estar numa circulação mais zonal, em que tendencialmente se é um mero ponto de passagem dos sistemas...

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... e outra mais meridional que as depressões ficam a andar às voltas.

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Ação de voluntariado começa hoje em Leiria!!

Vi comentários do tipo "pessoas sem telhado e só se preocupam com isso", como se a falta de telhas e de profissionais fosse ser resolvida por voluntários com pás e vassouras, enfim
 
Vi comentários do tipo "pessoas sem telhado e só se preocupam com isso", como se a falta de telhas e de profissionais fosse ser resolvida por voluntários com pás e vassouras, enfim
Isso normalmente é conversa de quem pouco ou nada faz, e para se sentirem um pouco melhor consigo mesmos aproveitam sempre para apontar alguma incongruência por mais mínima que seja só para não dizerem que não fizeram mesmo nada.

Da minha parte, tinha aqui umas quantas dezenas de telhas guardadas há anos (em boas condições obviamente) à espera duma situação em que precisasse delas, felizmente ainda não precisei, e como tal já seguiram grande parte delas viagem com um amigo que trabalha em telhados e vai ficar uns dias na zona da Leiria a tentar ajudar quem possa. Quanto à limpeza acho muito bem que a façam, não tira ninguém da chuva mas no mínimo dos mínimos repõe alguma noção de normalidade ter a ruas desimpedidas em vez de “gritarem” catástrofe cada vez que se olha pela janela.
 
Run 12Z do GFS já está a sair. Em termos de precipitação já retirou um pouco mais mas ainda continua bem extremada. O cenário contudo melhorou relativamente á run 6Z, e já se vislumbra o anticiclone a começar a subir em latitude lá para dia 9/10, o que já poderia proporcionar mais um dia seco, antes de subir ainda mais e começar, num primeiro momento, por desviar as perturbações mais para norte. Que assim seja!
Ver anexo 30204
No Carnaval estamos na praia, maravilha. :D Com máximas de 23°C e ISO 15°C no Algarve. :lol:
 
Este padrão atmosférico está a ser provocado pelo facto do Jet-stream (corrente de jato) estar mais a sul do que o habitual e, portanto, conecta diretamente a Península Ibérica com os Estados Unidos onde, por norma, surgem as grandes tempestades de inverno.
Esta corrente de jato mais a sul do que normal também "puxa" o ar húmido do Golfo do México até à Península Ibérica dando assim origem a este padrão chuvoso.

Cá está ele:

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O anticiclone anda ali pela zona da Madeira e das Canárias, onde a corrente de jato não tem grande impacto. Para já os modelos não mostram que o jet-stream suba em latitude tão cedo e desta forma, o anticiclone continuará por aquelas paragens, mantendo-se este padrão. É preocupante devido aos solos saturados e ao facto de estar tudo cheio? Sim, mas não podemos fazer nada.
Nas décadas de 60 e de 70 houve vários anos assim, precipitação muito alta, Invernos bastante chuvosos. Na segunda metade do século XIX também. Estamos mal habituados e mal preparados pois as décadas recentes foram mais secas…
 
Nas décadas de 60 e de 70 houve vários anos assim, precipitação muito alta, Invernos bastante chuvosos. Na segunda metade do século XIX também. Estamos mal habituados e mal preparados pois as décadas recentes foram mais secas…
Grande parte do alarmismo vem também do facto de hoje em dia termos mais acesso á informação e vermos desgraças a acontecer. A tempestade Kristin transformou-se assim num fator psicológico, o que leva a que os telejornais estejam sempre a dizer que vem chuva, chuva e mais chuva. Se não tivesse havido Kristin, estavam caladinhos.
É muita informação, e nalguns casos bastante sensacionalismo.
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Apenas um exemplo. Sabemos que a situação será delicada, mas, muitas vezes a escolha das palavras acaba por assustar ainda mais
 
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