Sismologia e Vulcanismo nos Açores

Wessel1985

Nimbostratus
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Para os curiosos na sismologia açoriana temos novidades por parte do CIVISA :)

13-05-2019 17:35
Ponta Delgada
Mapas de sismicidade anuais disponibilizados pelo CIVISA
No âmbito do projeto QUAKEWATCH – Sistema de Informação e Vigilância Sísmica para Mitigação do Risco, financiado pelo Programa Operacional dos Açores 2020 (operação ACORES-05-1708-FEDER-00001), o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA), em colaboração com o Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos (IVAR) da Universidade dos Açores, produziu cartas de sismicidade anual dos Açores, referentes aos anos de 2017 e 2018. Face à relevância desta publicação, o CIVISA pretende que este produto continue a ser desenvolvido anualmente e disponibilizado de forma gratuita a todos os interessados.


Para além do mapa da sismicidade do arquipélago, esta publicação apresenta os mapas de sismicidade mensal, a rede sísmica permanente do CIVISA e as áreas sismogénicas alvo de monitorização, bem como a distribuição diária e mensal do número de eventos registados e sentidos e da energia sísmica libertada.


Com esta ação, pretende-se promover uma maior consciencialização em relação aos perigos naturais, diminuindo o desfasamento existente entre o conhecimento científico e a população, fomentando uma sociedade mais sustentável e cidadãos cientificamente mais cultos.



Neste sentido, a partir deste momento, o CIVISA disponibiliza de forma gratuita a todos os interessados, as cartas de sismicidade dos anos de 2017 e 2018 no site: www.ivar.azores.gov.pt/civisa/Paginas/Mapas-Sismicidade-Anual.aspx.


Fontes

CIVISA/IVAR
 

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Nimbostratus
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Ponta Delgada - Açores
Abatimento da camada superficial do solo expõe nova fumarola na freguesia das Furnas, ilha de São Miguel
20190828-nova-fumarola-furnas.jpg

Uma nova fumarola foi observada no início desta semana no campo fumarólico da freguesia das Furnas, concelho da Povoação, ilha de São Miguel, mais concretamente na proximidade do edifício utilizado pela Celeiro da Terra. Esta nova fumarola surgiu na sequência do abatimento da camada superficial do solo naquele local. Elementos do CIVISA já se deslocaram ao local para avaliar a situação.

No local observou-se a existência de uma cavidade com diâmetro e profundidade inferiores a 1 metro, tendo-se verificado a existência de água em ebulição no seu interior e a emissão visível de gases vulcânicos.

Esta cavidade entesta com o muro que delimita o terreno onde se encontra o edifício do Celeiro da Terra, dista aproximadamente 2 metros da estrada, localizando-se na conhecida zona de desgaseificação difusa de gases vulcânicos, onde o CIVISA mantém desde 2008 uma estação de monitorização permanente de fluxo de CO2 (GFUR3).

O solo e as estruturas, nomeadamente o candeeiro de iluminação pública e o muro do terreno, localizados na proximidade desta cavidade apresentam, desde à muito tempo, indícios de alteração associada à desgaseificação permanente de gases vulcânicos e à temperatura, fenómeno amplamente visível em vários locais da freguesia das Furnas.

De acordo com a equipa do CIVISA, a abertura da cavidade parece estar associada à erosão interna do solo, agravada pelos níveis de precipitação acumulada ao longo dos últimos oito dias, como também pela própria dinâmica do campo fumarólico, que resultou na perda de sustentação da camada superficial do solo e consequente colapso. A análise dos dados da estação gfur3, que se encontra na zona circundante, permitiu confirmar que os valores de fluxo de CO2 no local não apresentam variações significativas em relação a períodos anteriores e que antecederam o colapso da camada superficial do solo.

Fonte:
http://www.cvarg.azores.gov.pt/noti...1m7-4Kv6lEpGegnrvzczkiVuKpyvPAF9CQNZsBFretk6E
 

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Nimbostratus
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Ponta Delgada - Açores
No telejornal da RTPA de hoje, veio uma notícia do aparecimento de uma fumarola no Barreiro da Faneca, na ilha de Santa Maria.

A pessoa que encontrou a fumarola disse na reportagem, que apareceu muito recentemente e que ontem estava um cheiro muito intenso, mais provável de enxofre, mas hoje apesar do vapor visível a sair do buraco, não deitava muito cheiro.

Acreditava se que o vulcanismo na ilha de Santa Maria estava extinto, não há sismicidade na ilha conhecida, nem eram conhecidas manifestações secundárias de vulcanismo (ex fumarolas), por isso é um fenômeno que causa muita surpresa!

O IVAR já foi informado, devemos ter mais informações nos próximos dias.
 

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No telejornal da RTPA de hoje, veio uma notícia do aparecimento de uma fumarola no Barreiro da Faneca, na ilha de Santa Maria.

A pessoa que encontrou a fumarola disse na reportagem, que apareceu muito recentemente e que ontem estava um cheiro muito intenso, mais provável de enxofre, mas hoje apesar do vapor visível a sair do buraco, não deitava muito cheiro.

Acreditava se que o vulcanismo na ilha de Santa Maria estava extinto, não há sismicidade na ilha conhecida, nem eram conhecidas manifestações secundárias de vulcanismo (ex fumarolas), por isso é um fenômeno que causa muita surpresa!

O IVAR já foi informado, devemos ter mais informações nos próximos dias.

O IVAR já lá esteve. Chegaram à conclusão que não se trata de processos vulcânicos, mas sim combustão lenta, ou seja, processo de decomposição, uma vez que a área em questão foi um aterro. Nas análises efetuadas foram detetadas emissões de CO2 e vapor de água, a temperatura da fumarola era de ~42°c.

A visita ao local da fumarola foi desaconselhada, uma vez que o solo apresenta estabilidade duvidosa, podendo ser possível o seu abatimento.


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Nimbostratus
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Novo contributo para a quantificação da emissão de CO2 para a atmosfera e monitorização sismovulcânica nos Açores


No seguimento de outros trabalhos já realizados um pouco por todo o arquipélago dos Açores, o presente estudo incidiu agora na ilha de São Miguel, nomeadamente no interior da caldeira do Vulcão do Fogo, um dos vulcões centrais da ilha de São Miguel.


Assim, desta forma, foram realizadas perto de 1700 medições de fluxo na superfície da Lagoa do Fogo durante vários dias, permitindo quantificar um valor de dióxido de carbono (CO2) emitido para a atmosfera por dia (± 4.0 t d-1 de CO2).


César Andrade e os restantes investigadores admitem que o facto deste sistema lacustre estar estratificado durante a pesquisa, fazendo com que o CO2 fique retido em profundidade devido ao processo de estratificação térmica que este lago sofre na época quente do ano, faz com que o valor esperado seja ainda, muito superior nos meses frios do ano.


Importa referir, ainda, que através da análise isotópica efetuada em profundidade da água do lago, é possível assumir que a origem do CO2 tem uma única fonte, neste caso específico de origem biogénica, descartando-se desta forma uma eventual contribuição de CO2 vulcânico.


Assim, considerando que nos últimos anos a parte central da ilha de São Miguel foi afetada por crises sísmicas, alterações, no futuro, destes valores agora conhecidos pode revelar-se de enorme importância para a monitorização sismovulcânica; eventuais alterações nos valores de base agora conhecidos podem sugerir alterações e manifestações do sistema em profundidade.

Fonte: IVAR
 

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Cumulonimbus
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Posto a descoberto pelo Furacão Lorenzo, nomeadamente na costa da Feteira, Ilha do Faial, zona dos Quinhões, este depósito piroclástico com aproximadamente 1,5m de espessura (camada pomítica) do topo.
Depósito originado no evento explosivo C4 há cerca de ~ 5500 anos.
A 3a erupção mais explosiva conhecida do vulcão da Caldeira.
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Nimbostratus
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Ponta Delgada - Açores
Eutrofização na Lagoa das Sete Cidades influencia as emissões de CO2 emitidas para a atmosfera

Um novo estudo, agora publicado na conceituada revista científica internacional Environmental Pollution, permitiu dar mais um passo importante na quantificação do CO2 que é emitido a partir dos lagos vulcânicos dos Açores.

Perante o trabalho desenvolvido durante várias semanas, em que se efetuaram mais de 1700 medições de fluxo na superfície da Lagoa da Sete Cidades, foi possível quantificar um valor de ± 37 toneladas de dióxido de carbono emitido para a atmosfera por dia.

Assim, verificou-se que as áreas com os valores mais elevados de fluxo de CO2 na Lagoa das Sete Cidades correspondem a locais onde o processo de eutrofização está bem patente o que incrementa significativamente os valores de CO2 emitidos para a atmosfera, em especial na margem norte da Lagoa Verde onde é bem visível pela presença de áreas densas de macrófitas.

César Andrade e os restantes investigadores asseguram terem determinado as possíveis emissões máximas emitidas por este lago, pois a investigação levada a cabo incidiu na altura de inverno, período em que ocorre uma boa mistura de água ao longo de toda a coluna de água já que a mesma não estava sob o processo de estratificação de origem térmica


Importante referir ainda que, através de várias análises isotópicas realizadas em profundidade, foi possível determinar que a fonte do CO2 neste caso específico é somente de origem biogénica, descartando-se desta forma uma eventual contribuição de CO2 de origem vulcânica.

Este trabalho vem demostrar a importância de se proceder a estudos desta natureza, uma vez que o processo de eutrofização está bem presente em muitos lagos vulcânicos do arquipélago e, principalmente, permitir poder ter uma maior preocupação com uma melhor qualidade das águas superficiais dos Açores.

Fonte: http://www.ivar.azores.gov.pt/notic...0HCEq0aYOt-69OkjRbiQcgAv9CWTC0OCO9Z6Hky4Kdg7Q
 

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Nimbostratus
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12 Nov 2008
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Ponta Delgada - Açores
Investigadores do IVAR/CIVISA publicam estudo sobre o impacto de erupções vulcânicas explosivas na economia dos Açores

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Foi publicado recentemente um estudo multidisciplinar na revista científica internacional “Natural Hazards and Earth System Sciences” que permitiu, pela primeira vez nos Açores, quantificar economicamente as perdas resultantes de uma erupção vulcânica explosiva no turismo.

Como região vulcânica ativa, os Açores oferecem condições excecionais para o turismo de natureza, um dos principais eixos de crescimento económico do arquipélago. Estão, pois, vulneráveis a futuras erupções que podem ter consequências económicas a longo prazo para este setor. Com efeito, ao longo dos seus cinco séculos de história, os Açores foram palco de cerca de 30 erupções vulcânicas, algumas das quais com repercussões significativas, como é exemplo a erupção de 1957-1958, do vulcão dos Capelinhos, na ilha do Faial. Assim, torna-se fundamental avaliar a sua vulnerabilidade aos perigos vulcânicos a fim de mitigar o risco associado.

Neste estudo foram considerados dois cenários eruptivos para o vulcão do Fogo (Água de Pau), localizado na parte central da ilha de São Miguel: um mais provável, referente a uma erupção subpliniana de Índice de Explosividade Vulcânica (VEI) 4, e o pior caso possível correspondente a uma erupção pliniana de VEI5, ambos a emitir piroclastos de queda e de fluxo. Foi também tida em consideração a influência das diferentes condições de vento típicas dos meses de verão e de inverno na dispersão de piroclastos de queda nos dois cenários considerados.

Os resultados das simulações numéricas foram sobrepostos às infraestruturas e edifícios turísticos do concelho de Vila Franca do Campo, previamente identificados e cartografados, permitindo verificar quais os elementos expostos em risco.

Este trabalho, que contou com investigadores do IVAR, do CIVISA e da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade dos Açores, propõe uma nova abordagem para avaliar o impacto económico das erupções explosivas no sector turístico da ilha de São Miguel, através do método do valor atualizado da perda, ao estimar a receita anual gerada pelas unidades de alojamento do concelho de Vila Franca do Campo, ao longo de 30 anos para diferentes cenários. Esta avaliação do impacto económico foi realizada com indicadores de 2018, e revela que num cenário de quase destruição total, a perda económica é de aproximadamente 145 milhões de euros, considerando uma taxa de atualização de 2%.

A metodologia utilizada pode ser aplicada a outras regiões vulcânicas, como também a outros perigos geológicos e setores económicos.
A avaliação de risco e do perigo vulcânico torna-se, portanto, essencial para comunidades onde as pessoas vivem lado a lado com vulcões ativos, sendo que este tipo de estudos multidisciplinares constituem uma ferramenta fundamental para a implementação de estratégias que visem a mitigação do risco vulcânico, o planeamento adequado dos usos do solo, a gestão de emergência e a implementação de planos de recuperação económica pós-desastre.

Este estudo foi realizado no âmbito do projeto Erupção - “Avaliação do impacto de erupções vulcânicas explosivas na economia do mar, no turismo e na agricultura e suas repercussões no sistema económico e no bem-estar social nos Açores”, financiado pelo Programa Operacional dos Açores 2020.

http://www.ivar.azores.gov.pt/notic...wUeqW_O2OalN5PDYYpWGIbqrZVCiCpXf7NeLtiJfDUu0k

Link para o artigo
https://nhess.copernicus.org/articles/21/417/2021/