Urso-pardo de volta a Portugal?

Tópico em 'Biosfera e Atmosfera' iniciado por belem 9 Mai 2008 às 20:04.

  1. trevinca

    trevinca
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    Cirrus

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    Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

    Ursos em Portugal?

    Boós días:

    Vos escrebo dende a Espanha e inda que entendo perfeitamente vosa lingua, debo escreber em galego, sen deijar de usar uma grafía portuguesa para que seja melhor comprendido.

    Pois ben, é posibel que os ursos ibéricos podam chegar a voso pais e ¿por qué?
    Por algunhas razoes elementais.

    A mais importante é pela proximidade do Parque Natural de Montensinho ca terra espanhola.

    Matosinho limita cas serras zamoranas da Sanabria onde já o Ministerio do Ambiente Espanhol reconhece a presença de ursos na denominada Serra da Cabrera, que chega em algúns pontos até os 2.100 metros de altitude . A distanza de estos picos de 2.000 m até a naçao portuguesa será de uns 20-30 kilómetros: distança muito fácil de percorrer para calquer urso, quen pode caminhar uns 50 km cada feira…

    Coma queira que o territorio, dende os cumes da Serra de Cabrera até a fronterira, sao montes e serras isolados, anque de menor altitude, um animal coma o urso nao ten predileçao por caminhar até o Norte ou até o Sul. Ista zona de Sanabria é remota con bons vales e montanhas para que uma fera como o urso poda passar como nao descuberta. Porem, eu diría que as posibilidades de que os ursos ibéricos chegem a Portugal sao muitas…

    Mais ainda, no ano 2002 veu a publicarse na cidade de Salamanca um libro titulado: EL OSO PARDO EN EL NOROESTE PENINSULAR, publicado pela Editorial AMARÚ, libro en que estuda-se con profundidade a presença do urso na Cabrera, em Sanabria, no Bierzo, em Ponferrada, tamben no Xurés (a vertente norte do Gerez) e dí algo sob os ultimos ursos-pardos de Portugal (país que recibiu, coma mínimum, visitas de ursos até o século XIX…). Os autores sao Ramón Grande del Brío (naturalista muito famoso eiquí), Alberto Hernando Ayala (biologista) e José Piñeiro Maceiras (advocado). Trata a obra de muitas facetas do urso-pardo no noroeste espanhol: a caça, a historia, a atualidade, o simbolismo, a etnografía…O libro só custa uns 14 euros e pode-se mercar pela rede…

    Resumindo: pode dizer-se que ursos sempre houbo nesta zona do Noroeste; denantes e despois da Guerra Civil Espanhola, nos anos 50, nos 60 e agora mesmo. Isto ha sido pouco conhecido pelos investigadores espanhois, ainda pelas autoridades…

    Na seguinte conversa que tenhamos os escrebirei algunhas direccios electronicas onde poderedes estudar o item com maior tranquilidade.


    A presença do Urso no Gerez

    Como diz outra pessoa en iste forum um urso foi morto no ano 1650 em Portugal ; nao entanto iso só é uma circunstanza a ter presente. O certo é que no ano 1946 ou 1948 matóu-se um ursideo perto de Melgaço, pelo o Camilo con a ajuda da Guardia Civil… Que ise animal chegara dende as Asturias e pouco creíbel pelos muitos km eisistentes de eiquí até aló, e sob tudo porque os ursos que habitavam entao ali erao umos tres, segundo as testemunhas dos jornais; mais ben o animal morto pudera vir das montanhas do Macizo Central ourensán (serras de Queija e de San Mamede) denantes que dos montes das Asturias; ou dos montes que dividen as provinças de Pontevedra e Ourense (onde ainda había ursos na segunda metade do século XIX); ou dende os montes da Sanabria ou a Cabrera. Mais eu creio cos ursos eran d’aquelas montanhas do Xurés, pois a xente dalí con que he falado referen noticias e informaçoes algo duvidosas, mais de animais e danos recentes (posteriores a os anos 50). De facto, a Xunta de Galiza reconhece hoje cos ursos viviron na Serra do Xurés/Gerez até a primeira metade do pasado século.

    Em fin: ca extinçao do urso no Gerez/Xurés nao é tao crara coma a auga…

    Deica logo.-
     
  2. Dan

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    Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

    Bem vindo ao fórum :thumbsup:

    Muito interessantes as informações que aqui traz.
     
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  3. vitamos

    vitamos
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    Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

    Sem dúvida um excelente contributo! Muito obrigado trevinca e bem vindo ao fórum :)
     
  4. trevinca

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    Cirrus

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    Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

    Muito obrigado.

    Pois ben. Aquí estao duas boas informaçoes sob o urso do Noroeste:

    1) LOS ÚLTIMOS REDUCTOs DEL OSO EN LE OCCIDENTE CASTELLANO-LEONÉS

    2) Recurso al Plan de Recuperación del Oso y el Urogallo Cantábrico


    Facendo Clik no buscador Google, e despois escrebendo os titulos denantes referenciados poderes leer noticias sob os ursos de Sanabria e a Cabrera (perto de Montesinho) e ollar un rastro de urso em Pena Trevinca, monte de 2.124 msm (a uns 20-25 km da fronteira portuguesa).


    Até logo
     
  5. Dan

    Dan
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    Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

    Mais uma vez obrigado por estas informações:thumbsup:


    [​IMG]

    As marcas de um urso pardo próximo da Peña Trevinca.

    Fonte
     
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  6. psm

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    Nimbostratus

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    Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

    Grande registo Trevinca:thumbsup:!!
     
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  7. trevinca

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    Cirrus

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    Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

    Boas noites:

    De novo quedo-vos obrigado.

    Habedes falado da Capra e do galo do monte. A primeria tambén eisistiú nos montes da Sanabria e Cabrera até 1900, aproximadamente. Mentras tanto, o galo do monte, chamado nos pobos de Trevinca "pita do monte", é possibel que ainda viva por tais territorios.

    Porém, ponho outra título que podedes consultar con só facer clik en: FAUNA HISTÓRICA DE MARAGATERÍA Y CABRERA

    O artículo é do ano 1997, mais pode servos útil para ter unha ideia geral.


    Sob o urso-pardo deixo a siguinte referencia oficial (do Ministerio do Ambiente da Espanha):

    http://www.mma.es/portal/secciones/biodiversidad/inventarios/inb/atlas_mamiferos/pdf/59_carni.pdf


    Deica logo.
     
  8. Kodiak

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    Cumulus

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    Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

    Caro Trevinca,
    Não te preocupes com a língua que nós entendemo-la perfeitamente. Usa o galego oficial, sem a grafia portuguesa, ou, se gostares mais, o galego lusista.
    É claro que a possibilidade do urso chegar a Montesinho é grande. Mas, e depois? A Sanabria é grande mas Montesinho é pequeno, é um montesinho bonito, agradável, aprazível, mas sem dimensão. Qual a área necessária para tornar viável uma população de ursos? Nenhum local ou região do Norte de Portugal tem a possibilidade de albergar esta espécie.
    Oficialmente o urso desapareceu da Peneda-Gerês em 1650. Eu também não acredito muito nesta data. Mas também é certo que começou a rarear nesta época. Os documentos setecentistas, e são muitos, não deixam dúvidas. As ocorrências posteriores, do século dezanove, são absolutamente casuais. E quando falo da Peneda-Gerês refiro-me naturalmente ao conjunto montanhoso Gerês-Xurés (duas faces da mesma serra), e Laboreiro-Peneda.
    Não creio portanto na possibilidade da existência do urso até ao início do século XX no Xurés. Está fora de questão. A vertente norte é bem mais pequena que a vertente portuguesa e menos arborizada, embora existam vales grandiosos e mais ou menos isolados.
    Dizem os relatos que o urso abatido em 1946 na região de Laboreiro era acompanhado de mais dois. Mas todos sabemos do natural exagero que existe entre as pessoas da região. O certo é que nunca mais foram vistos.
    Tenho interesse e curiosidade na publicação por ti referida. Para mais sendo da autoria de Ramón Grande del Brio, investigador sério, autor de um outro livro, Biologia e Mitologia do Lobo, infelizmente esgotado.
    Independentemente de tudo isto penso que vale a pena continuar a analisar esta questão, até porque, como afirmas e bem, a permanência do urso no noroeste peninsular "não está clara como a água".
     
  9. Kodiak

    Kodiak
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    Cumulus

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    Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

    A propósito da cabra, penso que te referes à Capra pyrenaica. Na Sanabria e em Cabrera até 1900? Que subespécie era essa? A historiografia oficial fala de quatro subespécies C.p. hispanica no sul e este de Espanha, C.p. pyrenaica (extinta recentemente) nos Pirinéus, C.p. lusitanica no Gerês e C.p. victoriae no centro de Espanha, a mesma que existe agora no Gerês-Xurés, após a extinção da lusitanica. É provável que a cabra tenha existido em épocas mais ou menos remotas nas referidas montanhas, mas não tão recentemente. Ou estarei enganado?
     
  10. trevinca

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    Cirrus

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    Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

    Penso que vosos ursos do século XVII dependían ja dos animais da Galiza, mais que dos ursídeos propios. Até ise século os ursos foron moi coñecidos na Galiza, como ben pode acreditalo até as mesmas actas das Cortes Españolas do século XVI.

    Eu discrepo da consideración de que as montanhas luso-galaicas do Noroeste sexan inoperantes para la especie urso; mais si falamos dos comenzos do século XX. O que passa é que o item urso até agora seique é estudado baixo um prisma bastantes estreito. E tratarei de explicarme: o urso ha sido obxeto de analise na zona da Baixa Limia com a axuda do Diccionario Enciclopédico de Madoz (ministro espanhol de 1850). Cando se fala de isos “grupettos” de ursos isolados da Galiza do século XIX sostés a tesis de NAVES e NORES do ano 1993 (al publicar éstes seu estudo sob o urso espanhol). No trabalho de GRANDE DEL BRÍO do 2002 xa se fai notar que iste ministro de 1850 facía preguntas aos nativos referidas só as producciós naturais; é decir, non requería informacions sob a caça, moito menos sob os ursos…

    Quero comentar estas pequenas cuestions para dar a coñecer que na “Crónica de la Provincia de Orense”, do ano 1866, o autor (Fulgosio) sí citaba os ursos ainda na Serra do Xurés, anque comentaba que xa eran poucos os animais de dita especie. No ano 1930 ainda Vicente Risco falaba da existenza de ursos no Macizo Central ourensán e outras fontes falaban de muita caça nas serras de Entrimo e Lobios… En verdade non hay nada seguro; tampouco a sua extinçao o é.
    Para que sexa mais comprendido o que pretendo comunicar: na divisoria entre as provincias de Pontevedra e Ourene houbo outro grupo de ursos que é citado polo Diccionario de Madoz e tambén polo naturalista galego López Seoane no 1860. Persoalmente non hei atopado ningunha persoa viva que me pudera ainda falar de tais ursos; polo contrario, na serra do Xurés, sí. Mais ainda, atopei incluso unha persoa moi seria que refiriume os estragos que un grao animal “descoñecido” había feito as abelleiras y as albarizas durante o ano 1972… Concretamente, na área de Entrimo.
    Digo mais, un pequeño grupo de ursos é moi difícil de descubrir. Primeiro, porque a fera anda de noite; segundo, porque prefere morar nos luares apartados. A virtude do animal do Noroeste, si podese emplear iste término, e que é pacífico e que gosta moito de pasar desapercibido.
    Polo demáis, o urso ibérico pode moverse por un territorio de uns 2.000 ó 3.000 km cuadrados, como foi demostrado no ano 1986-1988 na Cordilleira Cantábrica.
    Pensando deste xeito, non é dificil imaxinar cun animal no 1870 ó en 1900 podera camiñar por un polígono territorial cuias extremas foran: Serra do Faro (Pontevedra/Ourense), Serra de San Mamede/Queija e Serra do Xurés/Gerêz. Por iso non se atopaba sempre o animal na serra do Xurés.

    Sea como fora, o certo é que no iniciamento do século XIX o urso era abundante na Serra do Xurés coma o testemuñan os documentos escritos que eu coñezo do 1825: permitiuse a caça do animal no partido de Bande cando estaba acoutada en tuda España.

    Das posibilidades de Montesinho falaremos mais adiante.

    Muito obrigado polas vosas opinions.
     
  11. trevinca

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    Cirrus

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    Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

    Seguramente fora a vosa cabra extinta, polas referenzas dos autores do século XIX que falan da “cabra fera” no Courel e tamén en Pedrafita (provincia de Lugo). O citado Diccionario de Madoz menciona a cabra salvaxe na Cabrera (provincia de León) e nas proximidades de Pena Trevinca (provincia de Ourense). A última noticia sob ela foi a facilitada polo zoólogo inglés Hans Gadow en 1897 ao falar das cabras da Serra da Cabrera…


    Boas noites.-
     
  12. belem

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    Cumulonimbus

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    Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

    Muito interessantes e importantes os teus registos, Trevinca!
    Entendi tudo e fico contente por saber que os ursos-pardos do Noroeste da Peninsula, são mais abundantes ainda do que pensava.
    Os ursos-pardos são de facto nocturnos e muitas vezes extremamente difíceis de observar.
    Se aí em Trevinca, deambulam ursos, muito provavelmente, vêm também até cá.
    20 ou 30 km um urso pode percorrer até num dia e não há fronteiras humanas ou físicas que separem os dois países aí.
    O registo de Entrimo, também é curioso e interessante.
     
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  13. belem

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    Cumulonimbus

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    Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

    Caro Kodiak


    O Montesinho não é pequenino e apenas um lugar aprazível.
    É na verdade maior do que o Gerês e suficientemente selvagem para ter uma das maiores populações da Europa de uma das espécies mais exigentes em habitat natural de todos os mamíferos carnívoros selvagens, como o lobo-ibérico.
    Por exemplo, em Yellowstone foi o lobo o primeiro grande carnívoro a desaparecer ( não foi o urso-pardo nem o puma)....
    Seria de ENORME interesse ( por variadíssimas razões ( humanas, biológicas,etc...)) descobrir se o urso-pardo de facto vem a Portugal ou não.
    Para já aparentemente e muito provavelmente fazem-no. A prova não deve durar muito até aparecer.
    Com o aumento do éxodo rural, o número de presas a aumentar,a taxa de reflorestação e os grandes carvalhais, Montesinho pode ser um prolongamento do habitat natural do urso-pardo,sim.
    Provavelmente até já o é.
    E concordo com o que Trevinca diz: «Em fin: ca extinçao do urso no Gerez/Xurés nao é tao crara coma a auga…»
     
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  14. trevinca

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    Cirrus

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    Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

    Bon día de novo:

    Como penso que é importante, escrebo algunhas aclaracios sob o último publicado por mín.

    1º. A presença do urso pardo na área do Xurés na segunda metade do século XIX, en FULGOSIO, F. (1866): Crónica de la Provincia de Orense. Editores Rubio y Compañía. Madrid.
    Pois ben, dí o seguinte, en referenza aos ursos do antigo distrito de Bande (área xudicial do Xurés): Hay cabras montesas, ciervos, y a la par de algunos osos abundan los lobos…
    Si isto era así no ano 1866, si houbera algunha reproduçao (que era provavle) xa temos os ursos case no 1900. Una animal en liberdade pode vivir uns 30 anos…

    2º. Ramón Grande del Brío é a persoa que sinala ca mao na fotografía de Pena Trevinca: o documento está incluido na páxina 67 do seu comentado libro do ano 2002. É tamén o autor do artículo Los últimos reductos del osos en el occidente Castellano-Leonés.

    Seguiremos comentando.

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  15. Kodiak

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    Cumulus

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    Re: Urso-pardo de volta à Peneda Gerês?

    Caro Trevinca,

    Sem dúvida que aquilo que contas é interessante. Farto-me de procurar documentos históricos e nunca me lembrei de vasculhar os arquivos da Galiza. Onde posso comprar a Crónica da provincia de Orense? O diccionario de Madoz está acessível? Também estou interessado no livro do Ramón Grande del Brio.
    Não duvido da ocorrência esporádica do urso e a prova é o urso morto em 1946.
    Mas devemos ter muita cautela com as conclusões, sobretudo vindas das populações rurais da montanha. Os medos e as superstições, muito próprios destas áreas, levam por vezes a conclusões erradas. E depois criam-se lendas. O Gerês está cheia delas. Nos anos cinquenta e mesmo nos anos setenta do século passado acreditava-se ainda no lobisomem.
    Isto para dizer que o facto de alguem encontrar uma uma cilha (alverice) destruída por um animal não significa nada. Há tempos encontrei um documento muito interessantes, de 1730, que termina da seguinte maneira: "...a pelle deste bicho levou-a o caçador ao Dom Abade do Convento de Bouro aonde todos os Religiosos averiguarem ser de Tigre (sic). Outro documento de 1758 dizia a certa altura: "...tambem se tem mortos alguns tygres e outros bichos desconhecidos..." São documentos sobre o Gerês e que mostram bem os exageros cometidos. Um outro documento da mesma época relata a morte de uma rapariga degolada por um lobo-cerval (lince), abundante por aquelas paragens, mas que não tinha capacidade para matar ninguém.
     

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