Urso-pardo de volta a Portugal?

Crazyrain

Cumulus
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Eu devo dizer que não conheço o Parque de ponta a ponta, mas as zonas que conheço não me parecem reunir condições para a presença do urso. Quanto à presença excessiva de turistas, é um problema grave de gestão que há em Portugal, o de não se limitar o número diário de entradas em áreas muito sensíveis. Parece que no ano passado, se a memória não me falha, esse limite passou a existir nas Berlengas. A última vez que estive no Parque foi em 2014 ou 2015. Fiquei chocado com a quantidade enorme de invasoras, nomeadamente mimosas e acácias,em torno da Vila do Gerês, e com o excesso de turistas na Mata da Albergaria. Aquela fronteira internacional, aberta no Governo de Marcelo Caetano, não deveria existir naquele local. Felizmente não se chegou a fazer o que fizeram na Serra da Estrela, o Estado Novo ainda quis pôr uma estrada a cortar o maciço central do Gerês.


Essa zona do vale do Gerês é um problema antigo de difícil solução . Por outro lado , e paradoxalmente , a maioria do turismo concentra - se nessa zona e deixa um pouco o resto do parque em paz .

Eu conheço muito bem o PNPG e ainda existem algumas zonas remotas com bosques bem preservados e ainda com corredores de ligacao à Galiza , podendo fazer um bom interface entre o nosso país e a Galiza . E ainda com algumas zonas quase inacessíveis , o que ajuda bastante .
Eu destacaria duas zonas : o planalto da Mourela , na região de Pitões das Júnias . E o Planalto de Castro Laboreiro . Esta região do PNPG tem sido muito esquecida , por um lado ainda bem , mas por outro lado , poucas pessoas têm tomado consciência do ecossistema ainda bem preservado nesta região . Por um lado , tem Carvalhais com muitas linhas de água algo extensos e bem preservados , com um território muito acidentado , que dificulta o movimento e a presença humana . E ainda com 2 bons corredores naturais de ligacao quer à Galiza quer ao sistema montanhoso serra d' Arga / Corno do Bico / Portela do Extremo ( este sistema montanhoso tem ainda preservadas muitas condições naturais e é um um bom corredor natural de ligação entre as duas zonas . Aliás , tem sido a partir deste corredor que os lobos têm vindo a recolonizar naturalmente a serra da ' Arga e as regiões montanhosas de Paredes de Coura e Vila Verde ) .
 

frederico

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O melhor carvalhal que eu já vi no Gerês está escondido numa encosta escura perto de uma aldeia chamada Ermida, conhecida por outras razões, pelo sobral que lá existe. Nunca investiguei a fundo mas as origens deste povoamento de sobreiros parecem polémicas. Uma técnica do Gerês disse-me que poderia ser um povoamento feito pelo Homem, pois a cortiça era usada para fazer os cortiços para as abelhas na região do Minho, mas há quem ache que se trata de um povoamento relíquia, que ficou de épocas em que o Gerês foi mais quente e seco.

Conheço a zona de Pitões, e há uma regeneração interessante do carvalhal em encostas perto da aldeia.
 

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O urso ataca cinco colméias em Muelas de los Caballeros

Os apicultores descobrem o episódio indo fazer caminhadas no apiário localizado no Monte Velilla

Para. Saavedra 05.07.2020 | 13:21
Colmeias despedaçadas de ursos nos molares dos cavaleiros Apis Durii
O urso voltou ao monte de Velilla, no período de Muelas de los Caballeros , onde na sexta-feira passada atacou cinco colméias da operação de apicultura "Balín" . Ontem, sábado, às 12 horas da manhã, quando os donos de foram fazer mais caminhadas aos apiários, ele encontrou as colméias por aí.

Pegadas no chão foram documentadas e o viveiro ambiental verificou os danos. Devido ao tipo de pegada, não é uma amostra muito grande. É a primeira vez que um ataque de ursos ocorre nesta fazenda, embora pertença a parentes do apicultor Isidro Borde, que já sofreu episódios semelhantes em suas colméias.
 
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E se o urso-pardo voltar? Especialistas ibéricos debatem futuro transfronteiriço da espécie

Por Green Savers 14:45 - 20 Setembro 2021

A cidade de Bragança vai receber, nos dias 28 e 29 de outubro, o evento ibérico “E se o urso-pardo voltar?”. O evento tem como principal objetivo debater e antecipar aquele que poderá ser um dos grandes desafios de conservação do país, o regresso do urso-pardo (Ursus arctos) na região norte e a sua coexistência com o ser humano.

“Em debate, estarão temas como a história do urso-pardo em Portugal, ecologia e comportamento desta espécie e a sua conservação, nomeadamente no que respeita à gestão do seu habitat e à interação com as comunidades humanas. Serão ainda discutidas as questões socioeconómicas decorrentes do eventual ressurgimento do urso-pardo em Portugal, assim como o papel do planeamento e da gestão pública na conservação da espécie”, explica a Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, em comunicado.

O evento é coorganizado pela Palombar, em conjunto com a Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA), o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), o Município de Bragança (MB) e o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), apoiado pela iniciativa “Natura 2000 Biogeographical Process” da Comissão Europeia, e irá reunir parceiros e especialistas ibéricos com grande experiência na gestão e conservação da espécie.


Embora seja direcionado para especialistas e atores locais, estando a participação sujeita a convite prévio, no dia 28 de outubro estará aberto à participação do público em geral durante as comunicações orais, com inscrição gratuita e obrigatória no site.

“Em 2019, fomos todos surpreendidos pela passagem de um urso-pardo, junto à raia nordestina de Portugal, o que, inegavelmente, captou o interesse nacional e das comunidades locais, mas também dos investigadores da área da biodiversidade. Foi, assim, confirmada a presença de urso-pardo no Parque Natural de Montesinho. (…) Certamente que, aprendendo com as experiências apresentadas no decurso deste evento, será possível estudar e delinear mais adequadamente futuros cenários de atuação para esta complexa matéria, sempre em parceria com todos os parceiros presentes nos territórios em que o urso-pardo poderá voltar a estar presente”, afirma João Paulo Catarino, Secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território.

“O potencial regresso do urso-pardo a Portugal lança grandes desafios aos diferentes agentes de conservação da natureza, pelo que antecipar o debate sobre este tema entre especialistas, atores locais, instituições académicas e autoridades nacionais é fundamental para estarmos todos mais preparados para garantir uma abordagem mais fundamentada, abrangente e transfronteiriça no que se refere a futuras ações de proteção desta espécie no país, se o seu retorno se vier a tornar uma realidade”, refere José Pereira, presidente da Palombar.

Para Hernâni Dias, presidente do Município de Bragança, a passagem desta espécie por Bragança “constituiu-se como um marco importante para este território, pelo que o debate desta temática é essencial, no sentido de haver uma preparação na forma de agir e de estar perante a forte possibilidade de este acontecimento se poder repetir com frequência”, sublinha.

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