Veado-Vermelho (Cervus elaphus)

Tópico em 'Biosfera e Atmosfera' iniciado por Seattle92 30 Set 2010 às 15:09.

  1. Seattle92

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    Nimbostratus

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    Do que sei não foi feita qualquer reintrodução no lado português do PNPG. Os animais vieram de reintroduções feitas pelos galegos no outro lado. Tal como as cabras.


    Como já aqui foi indicado, o programa feito na Lousã, além de ter o apoio dos caçadores locais (o que criou uma espécie de trégua durante cerca de 10 anos), foi feito de uma forma constante com bastantes libertações.

    120 animais não é brincadeira.


    Não me parece que no Gerês o número tenha sido sequer aproximado.
     
  2. DMigueis

    DMigueis
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    Cumulus

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    É precisamente isto que é preciso! Os caçadores podem mesmo ser o 2melhor amigo" dos conservacionistas! O que é preciso é haver diálogo, e evitar os conflitos...

    Também não acredito que tenha sido nem sequer metade. Mas que já é possível que haja 100 animais, isso acredito. É preciso é alguém pegar no trabalho e realizá-lo...
     
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  3. lreis

    lreis
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    Cumulus

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    Obrigado, DMigueis, pelas diferentes informações.

    Relativamente ao documento que indica, caso não me tenha falhado alguma consideração importante, não verifiquei qualquer menção a observação de veados na serra da Cabreira na década de 90 (capítulo 5.1.4) embora depois venha assinalado a sua presença na figura 9.
    As minhas fontes de informação, que reputo de fiáveis, são trabalhadores de campo da ex-DGF, que acompanharam o processo da introdução dos veados e que conhecem o campo "a palmo", uma vez que a grande maioria da área circundante, se encontra/encontrava sob gestão daquela entidade. Para além disso, são da região, permitindo conhecer a "envolvente social" da questão.
    Também tinha a referência aos 7/8 veados em 1998, mas o documento é muito lapidar na informação que presta (o contexto é mais elaborado), uma vez que terá existido um cercado que não foi "consequente", pelo menos à época, tendo o momento de libertação dos animais diferido uns meses no tempo, em relação ao momento de transporte dos animais. Dai eu, estimar um número maior, até 20 animais.

    Relativamente à Lousã, tinha a ideia que o esforço não tinha sido tão intenso.
    Ou seja, tinha havido libertações em um ou dois anos, mas nunca num esforço de cerca de 30 animais/ano, durante 4/5 anos.
    A leitura do documento levantou outro tipo de dúvidas que mais tarde posso partilhar.
     
  4. Seattle92

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    Nimbostratus

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    Esse estudo é o mais abrangente que já encontrei sobre o tema (infelizmente a maioria dos estudos não são partilhados online), no entanto, tal como já tinha sido discutido, é algo confuso nas suas descrições e também nos mapas que apresenta.
     
  5. DMigueis

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    Cumulus

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    lreis, apenas referi a parte da Lousã, para completar a informação lá de cima.

    Quanto à Cabreira, eu não tenho qualquer conhecimento sobe o processo.
     
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  6. DMigueis

    DMigueis
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    Cumulus

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    Os mapas deverão ter sido feitos com base em áreas protegidas/concelhos, e não na real distribuição dos animais.
     
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  7. Seattle92

    Seattle92
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    Nimbostratus

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    Sim, e além do mais não distingue zona fechadas de zonas onde existem animais em liberdade.

    No caso do Alentejo, esses mapas não são muito relevantes, já que indicam concelhos onde há herdades cercadas com animais. Não é exactamente um mapa de distribuição da espécie em Portugal.
     
  8. lreis

    lreis
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    Cumulus

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    Concordo com o Seattle92. A dissertação de mestrado é muito interessante e reune matéria/discussão pertinente.
    Já relativamente aos mapas, existe demasiada generalização de áreas, sendo que vários mapas estão francamente exagerados. Depois, existe a mistura entre áreas livres e cercadas, que metodologicamente deviam, a meu ver, encontrar-se separadas porque configuram realidades topológicas com diferentes precisões e abrangências.
    De qualquer forma, o saldo é enriquecedor.
     
  9. lreis

    lreis
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    Cumulus

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    Ainda relativamente à dissertação e à questão da presença de veados e corços na Serra da Cabreira, reparei que a dissertação em causa, se calhar de forma não consciente, mistura várias localizações, com diferentes contingências:

    1 - uma das referências à Serra da Cabreira, remete para Mondim de Basto, pp 26: penso que esta será uma gralha, uma vez que deverá ter querido dizer Cabeceiras de Basto, mas que me levou a pensar esta nota como abaixo
    descrevo. Tanto quanto é do meu conhecimento, em Mondim de Basto, no decorrer do sec. XX, não existiu qualquer cercado com veados ou a presença de veados em liberdade. Já relativamente ao corço existem referências à sua presença;

    2 - uma 2ª referência à Serra da Cabreira, remete para Vieira do Minho, pp 39, a propósito da presença de corço. Existe para esta região, a ausência de uma informação importante no documento, que estará possivelmente ligada com esta presença de corço detectada na década de 80.
    É que na primeira metade da década de 60 existiu um cercado na Serra da Cabreira, Vieira do Minho, com a presença de gamos e corços (não sei exactamente a sua localização,a sua dimensão e o que lhe aconteceu na realidade, bem como aos animais que lá estavam). Esta minha convição advem de estar na posse de fotografias do mesmo, com animais lá dentro (gamos, os corços foram-me também referidos, mas não tenho prova documental, desconheço a origem dos animais) e de estas estarem referenciadas no tempo.
    Faço mais a seguinte nota enquadramento, que me permitirá ter uma leitura que será provavelmente mais abrangente do porquê desta realidade à época. O Perímetro Florestal da Serra da Cabreira (Vieira do Minho) foi objecto nas décadas de 50 e 60 uma das intervenções porventura mais interessantes de florestação das serranias do interior. Em meados da década de 60 estava florestado em largas centenas de hectares, com várias dezenas de espécies (cerca de 70 segundo alguns autores), numa intervenção que se tonou modelar e uma montra de exibição estatal.
    Julgo eu que numa perspectiva de alargar o âmbito da arborização, se criou um pequeno cercado que iria permitir repovoamento animal da região.
    Entretando na 2ª metade da década e nos inicios dos anos 70, a serra foi devastada por vários incêndios e a sua ocupação florestal ficou extremamente reduzida.
    Não sei se o cercado foi destruido por vias disso e se os animais foram libertados antes ou depois.
    Os corços podem ter dado origem/reforçado uma "onda" de repovoamento que podia vir de outros lados (Gerêz, por ex.), os gamos desconheço o seu paradeiro.

    3 - Como digo atrás, a referência à Serra da Cabreira, pp 26, remete para Mondim de Basto, mas provavelmente quer significar Cabeceiras de Basto.
    Relativamente, às contigências desta realidade já as referi noutra mensagem
    nesta conferência e não me vou alargar mais.


    A discussão final que quero fazer e que para a qual não encontro resposta centra-se no facto de nunca ter existido qualquer repovoamento com veado na serra do Marão (Mondim de Basto, Vila Pouca, Vila Real e Amarante) parecendo-me que de facto aqui até era mais premente que na serra da Lousã (primeiro porque ajudava a segurar o lobo e segundo porque o território é mais vasto, com zonas de refúgio maiores, etc).
    Ou seja na década de 90, surgiu a (boa) opotunidade na Lousã mas aparentemente nunca se discutiu uma que à partida seria ainda mais óbvia e premente: a introdução na serra do Marão de veados.
    O factor "social" parece-me que também seria mais favorável no Marão do que na Lousã, uma vez que a área é maior e mais despovoada, não contando com as freguesias urbanas dos concelhos em causa.
    Alguém tem informação relativamente a isto?
     
  10. Seattle92

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    Nimbostratus

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    Do que me lembro o projecto da Lousã foi feito com o apoio de associações de caça da zona (se calhar a própria ideia partiu dos caçadores).

    Diria que foi mais um projecto de caça do que simplesmente de protecção da natureza, daí a questão dos lobos ou relacionamento com populações, serem menos relevantes.

    O mesmo aconteceu em zonas do Alentejo ou nas serras Algarvias.
     
  11. MSantos

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    Os caçadores tem tido um papel importante na reintrodução do veado em Portugal, pena que hajam uns quantos furtivos a destruir o trabalho dos outros, se não fossem os furtivos a área de distribuição do veado em Portugal seria bem maior.
     
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  12. DMigueis

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    concordo com o que disse. Apenas não tenho tanta certeza desta afirmação. A Serra da Lousã apresenta uma densidade de povoações baixa. Não conhecendo bem o Marão, a ideia que tenho (apenas de viagens por autoestradas, é verdade) é que esta zona norte tem bastantes povoações.
     
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  13. belem

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    Marão/Alvão, ainda tem muito espaço natural, na minha opinião.
    E mais que isso, tem continuidade para outras zonas.
     
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  14. lreis

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    Cumulus

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    ´

    Belem tem razão, quando refiro Marão, deve entender-se Marão/Alvão.
    DMigueis, conheço razoavelmente ambos as regiões (Lousã, Marão) e institivamente depois de ter atravessado os territórios fico com a impressão (é uma ideia preconcebida, rebatível com dados mais concretos) que a relação "número de povoados/área de abrangência do território" é capaz de ser menor no caso do Marão. Depois em termos de população que habita as freguesias desses territórios, já se calhar a Lousã será mais favorável, uma vez que existe uma fortíssima perda de população humana nessa região.
     
  15. Seattle92

    Seattle92
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    Nimbostratus

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    Exacto.

    No caso do veado, as associações de caçadores (tanto portuguesas como espanholas) são claramente as responsáveis pelo repovoamento que tem vindo a acontecer. Tanto no caso da Lousã e zona de Monchique, como nas diversas "manchas" de populações de veados que começaram a aparecer pelo Alentejo e Beira Baixa, vindas de coutadas e quintas e que aos poucos começaram a formar populações continuas.


    Não tenho conhecimento de nenhum programa "ambientalista" que tenha reintroduzido veados só pelos seus "lindos olhos" :lol:

    Com o corço já é diferente. O projecto de reintrodução no maciço da Gralheira é claramente um projecto de conservação da natureza e protecção das populações de lobo ibérico.
     

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