Veado-Vermelho (Cervus elaphus)

Tópico em 'Biosfera e Atmosfera' iniciado por Seattle92 30 Set 2010 às 15:09.

  1. Meteo Trás-os-Montes

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    Cumulonimbus

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    Veados não tenho conhecimento e nunca vi nenhum por aqui, quando era criança sei que havia na zona de São Vicente da Raia, houve aliás uma situação em que um caçador daquela aldeia foi preso (?) por abater um exemplar e acabou por pagar multa, mas já foi há uns 15 ou 20 anos.

    Javalis sempre houve, já vi em varias ocasiões, coelhos é que é impressionante, ao nascer e ao por do sol (hora de ponta) na Serra de Mairos junto à estrada posso assegurar que se podem ver dezenas a atravessar a estrada, o meu pai passa lá todos os dias e com muito cuidado para não fazer vítimas.

    Em relação aos corsos até é notório do lado galego o reforço na sinalética das vias, do lado de cá é que nada!
     
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  2. Seattle92

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    Nimbostratus

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    No caso da contagem que a reportagem mostra, indicaram que notaram uma redução dos exemplares.
     
  3. lreis

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    Cumulus

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    E avançaram com alguma análise destes dados? Alguma explicação para a estimativa de redução da população?
     
  4. Seattle92

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    Nimbostratus

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    ^^

    Não, dizem só que as populações vão variando...
     
  5. Seattle92

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    Nimbostratus

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  6. DMigueis

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    Cumulus

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    Reparem que esse recenseamento (6000ha) não é efectuado em toda a área de distribuição do veado no PNMontesinho (área do parque - 74000ha). Até porque, como sabem, já foram registadas observações fora da área do parque.
    Não sei se os 500 serão para todo o PNM ou se apenas para a área recenseada.
    como foi referido na reportagem, este último ano registou-se um declínio, mas se calhar no ano antes tinha aumentado. As populações não são estáticas. Apresentam variações. Mesmo com uma tendência de crescimento, pode haver um ano que o nº de efectivos seja mais reduzido. há inúmeros factores que condicionam essa estimativa.

    Por outro lado, seria mais correcto ir pela densidade do que pelo nº total de efectivos, uma vez que se trata de uma população aberta.

    P.S.
    Uma reportagem de 2009, "mais biológica" (não sei se chegou a ser publicada aqui no fórum, mas aqui vai)
     
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    #141 DMigueis, 2 Mai 2012 às 12:52
    Editado por um moderador: 21 Set 2014 às 03:52
  7. DMigueis

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    Cumulus

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    Que eu tenha conhecimento, não há dados publicados sobre esta população, até porque é uma população recente.
    Mas as observações, tanto directas, como indirectas (excrementos e pegadas), têm sido cada vez mais frequentes e numerosas.
     
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  8. Seattle92

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    Nimbostratus

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    Ainda bem que há cada vez mais vestígios, mas a população não é assim tão recente.

    Já desde o final dos anos 90 que começaram a aparecer os primeiros vestígios e observações de veados nessa zona, o que acaba por ser mais ou menos na altura em que apareceram as cabras montês. No entanto a diferença de crescimento das duas populações parece ser brutal.

    No Gerês continuamos a ouvir falar de um vestígio de veado aqui, uma observação ali, enquanto as cabras já andam com núcleos de centenas (bem sei que são espécies com comportamentos diferentes).

    O que poderá causar esta diferença de crescimento? Não só entre veado e cabra montês no Gerês, mas por exemplo entre veados no Gerês e na Lousã? Os lobos do Gerês não permitem que a população de veado atinja grande densidade nos bosques, enquanto as cabras estão mais protegidas nos rochedos? Será que a caça furtiva é maior no Gerês comparando com a zona da Lousã?
     
  9. DMigueis

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    Cumulus

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    Tinha ideia que tivesse origem +- em 2005-2006

    O carácter gregário da cabra em contraste com o veado, pode explicar essa diferença. E se juntarmos o facto de o habitat favorável para a cabra ser muito mais extenso do que o habitat favorável para o veado, não é uma situação tão estranha quanto isso.

    A caça furtiva nessa comparação é descabida. Repare que na Lousã é permitida e efectuada caça ao veado (legal), enquanto que no Gerês não o é. A caça ilegal, existindo, acredito que seja residual, tanto num lado como no outro. Os lobos poderão ser uma das causas, apenas é necessário saber se os lobos preferem o veado a presas mais fáceis como o são o gado bovino e os cavalos.
    A diferença da Lousã em relação ao Gerês, no meu entender, será a extensão de habitat favorável para o veado. O Gerês não tem as melhores condições para a espécie (as manchas florestais são pouco extensas). No entanto, acho estranho o veado não ter colonizado ainda a mata de albergaria (pelo menos não conheço nenhum registo).
     
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  10. Brigantia

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    Cumulonimbus

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    Numa das zonas do PNM onde a presença dos veados era mais notada ( Rio de Onor), segundo os residentes da aldeia, diminuiu muito devido ao grande incêndio que queimou alguns montes à volta da aldeia.
    Os locais dizem que os veados devem ter fugido novamente para Espanha.:(
     
  11. Seattle92

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    Nimbostratus

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  12. Seattle92

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    Nimbostratus

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    Mas a reintrodução na Lousã foi feita com muitos animais. Enquanto a colonização do Gerês aconteceu com poucos. Qualquer hipótese numa população tão pequena deixa de ser descabida. Mesmo que se tenham caçado poucos exemplares, o baixo número total faz com que o efeito seja enorme. Aliás terá sido isso a acontecer na Serra da Cabreira. Foi feita uma reintrodução nos anos 90 e não "pegou".
     
  13. DMigueis

    DMigueis
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    Cumulus

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    É possível, mas não acredito que seja o caso do Gerês.
     
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  14. lreis

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    Cumulus

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    Daquilo que retive de quem esteve envolvido, nesta operação de reintrodução na serra da Lousã, falam-me em cerca de 20 animais

    Ao contrário de um certo pensamento reinante em Portugal que menospreza o efeito da caça ilegal, o exemplo prático referido da Serra da Cabreira evidencia a vulnerabilidade/fragilidade de reintroduções/crescimentos de populações animais, como é este o caso, desde que não exista uma protecção inicial eficaz, até um certo patamar de estabilidade da população.
    A população de veados na Serra da Cabreira foi "libertada" (nem sei se será bem a palavra a aplicar aqui) algures em meados da década de 80.
    Disponha de condições florestais/ambientais muito boas, dificilmente replicáveis noutros lados do país: manchas de floresta, com centenas de hectares, entrecortadas com zonas de matos e de pastos naturais, num terreno ondulado e com áreas de acesso dificultado.
    Pois fruto essencialmente da caça furtiva (dito por locais), os veados foram perseguidos, nas barbas do Estado. Uma das últimas referências a avistamentos de veados nesta área data nos primeiros anos da década de 90 do século passado.
    Dai para a frente é dada como extinto este núcleo.
    Ao ler esta referência, pergunto se poderá ter ocorrido alguma migração de individuos entre a Cabreira eo Gerêz, já que se encontram muito próximas.
    Pergunto também se tem dados sobre quem fez esta reintrodução no Gerêz (Portugal, Espanha ou ambos?)

    Digo-vos ainda que não me parece que o nº de veados reintroduzidos na Lousã e na Cabreira tenha sido muito diferente.
    O que marcou é que na Serra da Lousã, houve uma espécie de "moratória" que permitiu que a população de veados (e de corços) não tenha sido caçada (até de forma ilegal) ou contrário da Serra da Cabreira, onde, de acordo com relatos locais, a prática de caça furtiva foi constante e intensa, até à década de 90 so século passado. No Gerêz, existirá ainda o efeito "lobo", mas que não se consegue quantificar actualmente.

    A referência aos fogos no PNM é também importante uma vez que já tiveram impacto na "recolocação" de populações, noutras regiões do país.
     
  15. DMigueis

    DMigueis
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    Cumulus

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    lreis, dê uma vista de olhos neste documento.

    http://biblioteca.sinbad.ua.pt/teses/2009001236

    Neste estudo falam de observações pelo menos em 2001.


    Na página 39 fala da reintrodução na lousã. Entre 1995 e 1999 foram libertados cerca de 30 animais por ano, num total aproximado de 120. E estes dados não têm qualqeur hipótese de estar errados, uma vez que o orientador da tese foi um dos responsáveis pela reintrodução.

    Quanto à migração de animais da cabreira para o Gerês, não sei se terá acontecido.

    Pelo menos uma parte dos animais que se encontram no Gerês resultaram de uma fuga de um cercado espanhol, junto à fronteira (uma das cercas está exactamente na fronteira até).
     
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