Biodiversidade

Tópico em 'Biosfera e Atmosfera' iniciado por psm 15 Nov 2008 às 20:50.

  1. camrov8

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    ainda não entendi o seu problema e confunde habitats e floresta com monocultura . Monocultura é a produção silvicula intensiva só com uma espécie, uma floresta pode ter uma espécie dominante mas cresce naturalmente os ditos carvalhais e faiais que parece tanto odiar. E a camarinha por exemplo só existe na na mata atlântica junto ao mar onde o senhor não vai encontrar os miscaros uma vez que preferem as condições do interior do país. Já agora ,não compreendo a sua agressividade , nunca lhe dirigi a palavra neste tópico nem tratei mal outros membros ,por isso não compreendo ter entrado a pés juntos. Se não concorda com a minha opinião ao menos seja cordial caso contrario abstenha-se
     
    #3586 camrov8, 10 Jun 2020 às 20:59
    Última edição: 10 Jun 2020 às 21:13
  2. Dan

    Dan
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    O esquilo vermelho (Sciurus vulgaris) é endémico da Europa e também de Portugal. É o esquilo cinzento (Sciurus carolinensis) que foi introduzido no Reino Unido e no norte de Itália. Esse é que é originário do norte da América.
     
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  3. camrov8

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    obrigado pela correcção
     
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  4. bandevelugo

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    Deve estar enganado, não destrato ninguém, só troco ideias, mais nada. Se não concorda, tem que apresentar argumentos válidos contra!

    Em lado nenhum falo mal dos carvalhais e faiais, eu próprio, pelas minhas mãos, já plantei muitos carvalhos e faias. Só que há sítios de carvalhos e sítios de pinheiros. Nos sítios de pinheiros não pode plantar carvalho, só mesmo pinheiros, ou sobreiros, ou eucaliptos (que é o que fazem muitos proprietários, porque não estão para perder dinheiro).

    Quem aqui trata mal espécies autóctones, que têm uma grande importância para a biodiversidade, como os pinheiros, não sou eu. E os pinhais naturais normalmente também são só de uma espécie, só mais tarde quando começam a ficar caducos aparecem os carvalhos e outras espécies parecidas, mas estes precisam do abrigo dos pinheiros. Isto aprendi eu nas aulas de ecologia do 8.º ano.

    E se vier à minha terra, às matas nacionais, vê muitos míscaros, há centos de pessoas no outono a apanhá-los.

    O que me irrita, e desculpe o tom, é a falta de coerência. Quanto se fala de monocultura, não podemos ter dois pesos e duas medidas. São boas para umas espécies, já são más para outras, há espécies "boas" e espécies "más". Isto não é ecologia.
     
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  5. belem

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    Acho que é uma boa ideia, mas deverá ser necessária alguma caça para a população não aumentar em demasia.
    Para haver lobos na Serra da Estrela, por exemplo, acho que se tinha que começar por repovoar com herbívoros, mas tal decisão deverá ser bem ponderada.
    Um corredor natural entre Gata/Malcata/Gardunha e Estrela poderia eventualmente ser restabelecido.
     
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    #3590 belem, 10 Jun 2020 às 23:05
    Última edição: 11 Jun 2020 às 01:46
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  6. frederico

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    É triste mas em matéria de reintroduções os nossos sucessivos ministérios do Ambiente e o funcionalismo dos parques e reservas são muito medíocres. Vejamos. O lince foi reintroduzido em grande medida por pressão da UE, como uma compensação pela construção da barragem da ribeira de Odelouca. Quem salvou o lince? A Junta da Andalucia e as áreas protegidas de Doñana e da Serra Morena Oriental. Se dependesse de Portugal, estaria extinto. Temos cabras no Gerês? Pois temos, mas foi porque vieram da Galiza. Se assim não fosse, ainda hoje não haveria uma única cabra. A águia-real como nidificadora desapareceu do Gerês- Era um dos símbolos do Parque Nacional. Não tenho conhecimento de qualquer plano que tenha sido eficaz para trazer de volta a espécie. Se hoje aparece na zona, é porque há pelo menos dois casais nidificantes do outro lado da fronteira. Quanto ao tetraz ou à perdiz-cinzenta, não tenho conhecimento de qualquer plano de reintrodução. No que diz respeito à serra da Estrela, é um parque natural super pobre em termos de fauna, se o compararmos com serras espanholas vizinhas como a serra de Gredos. Não tenho conhecimento de qualquer plano para reverter este cenário, com a reintrodução da cabra ou do veado, e até o regresso do lobo, que até anda por perto, na região de Almeida. Temos águia-imperial-ibérica no Alentejo? Sim, mas porque vieram de Espanha. Temos caimão? Durante anos os últimos casais viveram protegidos pelos campos de golfe da Quinta do Lago! A espécie nos anos 90 estava quase a extinguir-se, felizmente recuperou um pouco. E que dizer das raças portuguesas? A raça de vaca algarvia, por exemplo, extinguiu-se de forma diria quase criminosa.
     
  7. belem

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    Concordo, em termos de reintroduções, há muita coisa por mudar em Portugal.

    A juntar ao que dissestes:

    O muflão, como espécie, apenas foi reintroduzido em Portugal, tendo em vista a sua caça (e aparece sobretudo em reservas privadas para o efeito, não tendo praticamente expressão fora destes espaços).

    Apenas se tem feito repovoamentos ocasionais de cervídeos (em alguns casos considerados polémicos, pois acontecem em áreas sem predadores naturais e depois existem explosões populacionais).
    Existe igualmente alguma lentidão, em resolver problemas, que se deixarmos o tempo passar, só tendem a piorar (ainda não percebi o que foi feito para resolver a situação dos javalis que foram soltos por particulares na Arrábida, por exemplo).

    Não estou a ver o governo a seguir os passos de vários outros países europeus e adquirir exemplares ou iniciar a criação em cativeiro para posterior eventual reintrodução de castores, tetrazes, gipaetos-barbudos, camurças, entre outros.
    Os benefícios de tais ações seriam imensos (económicos, científicos, entre outros), basta pesquisar por exemplo sobre os efeitos benéficos que a reintrodução dos castores trouxe à Escócia.

    A curto/médio prazo, só acredito que reservas privadas e privados, possam realmente fazer alguma coisa relativamente a isto (foram estes setores, por exemplo, que iniciaram a moda dos comedouros para rapinas).

    Relativamente à perdiz-cinzenta, ainda não está extinta em Portugal, talvez precise é de um empurrão:
    https://www.wilder.pt/historias/ave...e-aparece-em-camara-de-fotografo-de-natureza/
     
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    #3592 belem, 11 Jun 2020 às 00:46
    Última edição: 11 Jun 2020 às 01:23
  8. belem

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  9. frederico

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    Nós precisamos não só de reintroduções de espécies extintas mas também de reintroduções de espécies extintas a nível local. Por exemplo, o peneireiro-das-torres já foi abundante em Castro Marim mas está extinto. Deveria repensar-se a sua reintrodução em várias vilas onde a espécie existiu num passado recente. Salvou-se em Portugal em grande medida graças ao núcleo de Mértola, para o qual foi fundamental a iniciativa de um casal de estrangeiros que lá viveu há muitos anos.

    [​IMG]

    No entanto as coisas já estiveram melhores em Mértola.

    No âmbito do Prémio ICNF 2017 - Um Ideia Natural, a Câmara Municipal de Mértola recebeu uma menção honrosa com a candidatura do projeto Francelho de Mértola direcionado para a manutenção e/ou acréscimo da população de Peneireiro-das-torres (falco naumani) residente na vila de Mértola, onde reside a única colónia urbana nacional desta espécie de falcão vulnerável a nível global e nacional.

    De acordo com dados do Parque Natural Vale do Guadiana, em 2001 existiam 68 casais de Peneireiro-das-torres na vila de Mértola, pelo que em 2017 registaram-se 39 casais o que significa um decréscimo de quase 43% na população.

    Localmente as causas identificadas para este decréscimo de polução estão relacionadas com a perda de habitat de alimentação e de habitat de nidificação. É ainda apontada com menos expressão a competição interespecífica pelos locais de nidificação, nomeadamente por gralha-de-nuca-cinzenta Corvus monedula e pombo Columbalivia var. doméstica.

    Face a este quadro de decréscimo populacional no núcleo urbano de Mértola, a Câmara Municipal de Mértola tem vindo a apoiar as atividades de conservação levadas a cabo, localmente, pela equipa do Parque Natural Vale do Guadiana, nomeadamente, através da oferta de caixas ninho.

    O projeto, candidatado, surge na sequência deste trabalho de colaboração e fundamenta-se quer pelo seu valor natural e conservacionista quer pelo seu valor simbólico. Este é um projeto que pretende afirmar uma comunidade local que preza e valoriza o seu património no sentido lato; não apenas o edificado, monumental, histórico, cultural ou etnográfico, mas também o seu património natural.

    https://regiao-sul.pt/2018/01/08/ambiente/camara-de-mertola-galardoada-nos-premios-icnf-2017/406990
     
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  10. frederico

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    Creio que o Caimão também merecia ser amplamente reintroduzido. Chegou a haver menos de 15 exemplares nos anos 90. Salvou-se por duas razões. Uma delas é que tolera um pouco a presença humana. Outra foi a iniciativa de quem gere os campos de golfe da Quinta do Lago. O Caimão poderia ser reintroduzido dentro do próprio Parque Natural, por exemplo, na ribeira do Almargem, na zona da Asseca. Também poderia ser reintroduzido no Sado, Tejo, enfim, em vários pontos do Centro e Sul do país.

    [​IMG]
     
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  11. frederico

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    O íbis-eremita também merecia voltar. A população ocidental apenas sobreviveu em Marrocos. Mas os espanhóis já reintroduziram na província de Cádis.

    El Proyecto Eremita se inició en el año 2004 como estudio de métodos de suelta de aves procedentes de cautividad con el fin de establecer una población sedentaria, estable y autosuficiente en la zona de la Janda en Cádiz. En el año 2008 se produjo la primera reproducción en libertad y desde entonces han construido nido y criado cada año. Son aves coloniales que crían en acantilados rocosos o construcciones humanas. En la actualidad se reproducen en tres puntos: en los cortados rocoso de La Barca de Vejer, en el tajo de la Mora y la torre de Castilnovo, una torre almenara localizada en la playa de Conil. El proyecto es como una almenara de esperanza tras el declive de especies amenazadas.

    En 2019 el ayuntamiento de Vejer abrió una plataforma de observación para la observación segura de estas aves que anidan en las rocas al lado de la carretera en La Braca de Vejer. Recomendamos una visita para verlos que puede combinar con una merienda en la hermosa Venta Pinto que sirve muchos productos locales.

    https://lajanda.org/


    [​IMG]

    https://birdingcadizprovince.weebly.com/cadiz-birding-blog-page/bald-ibis-re-introduction
     
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  12. PedroNTSantos

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    O problema no Parque Natural da Serra da Estrela é que, como na generalidade das Áreas Protegidas portuguesas, falta tanta coisa básica, para além de uma estratégia, coerente e efetivamente aplicada no território, daquilo que se pretende a médio/longo prazo.


    Ou seja, a meu ver, não se pode estar a falar isoladamente da reintrodução da espécie A ou da espécie B, no PN da Serra da Estrela sem resolver essas carências antecipadamente. Essas decisões teriam que estar inseridas num plano, na tal estratégia de gestão, a médio/longo prazo; e, obviamente, assegurando que essas reintroduções teriam o mínimo de condições práticas para ser bem-sucedidas.


    Desde logo, nem vale a pena sonhar com o regresso do lobo à Serra da Estrela. A serra está hoje tão humanizada, com a pressão turística a crescer e o alcatrão a chegar a tantos lados, que não me parece haver habitat suficiente para esta espécie, ainda que assegurada disponibilidade de presas que minimizasse os ataques a rebanhos e quintas de montanha.


    Claro que, pelo menos em teoria, a reintrodução da cabra-montês seria mais fácil e mais pacífica. Porém, voltando atrás, essa reintrodução, a ser feita, teria que ter antecipadamente duas perguntas respondidas: o que se pretende dessa reintrodução? Quais seriam as previsíveis consequências e como se iria gerir essa reintrodução?


    Dito tudo isto até parece que sou contra as reintroduções…não sou, apenas acho, infelizmente, a realidade das nossas Áreas Protegidas é tão triste que estarmos a ponderar essas hipóteses, quando muitas delas lutam apenas por sobreviver, é como uma equipa que luta para se manter na II liga estar a planear comprar o passe de um Ronaldo!


    Entretanto, por vezes a Natureza troca-nos as voltas, e as reintroduções, com mais ou menos intervenção humana, ocorre via fronteira…
     
  13. frederico

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    Embora não seja certamente algo popular em Portugal, creio que seria talvez racional limitar o número de visitantes diários que podem aceder ao Maciço Central, com a colocação de uma portagem paga. O dinheiro ficaria para o Parque Natural, para acções de renaturalização, combate aos incêndios e vigilância.
     
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  14. camrov8

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    sou reticente a esse tipo de medidas, já pagamos impostos e depois ainda se cobra para poder aceder a uma parte do território seria um estantinho até começarem a cobrarem para se ir a todo o lado. E Portugal é o tipo de país onde tal medida resvalaria para algo triste e acabarias com uma serra despovoada de povo e de visitantes. E já viste que para se ir a serra não fica barato tirando que vive nos arredores os restantes iriam por autoestrada o que por cá não fica barato
     
  15. Dan

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    Aceder de carro. Passeios pedestres não seriam objecto de esse tipo de restrições. Se aquele espaço quer ser algo parecido com uma área protegida, algumas limitações têm de ser impostas.
     
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