Biodiversidade

Tópico em 'Biosfera e Atmosfera' iniciado por psm 15 Nov 2008 às 20:50.

  1. psm

    psm
    Expand Collapse
    Nimbostratus

    Registo:
    25 Out 2007
    Mensagens:
    1,509
    Local:
    estoril ,assafora
    Em relação a uma espécie desaparecida mas que foi extreminada pois era uma praga para a agricultura era o ardila(esquilo), como já mencionei em outro post, noutro topico, tal como a rapoza que ainda me lembro que quando criança ainda as havia na Assafora, mas que grande parte delas foram envenenadas e desapareceram, e ainda se pode ver texugos(tocas), quanto ao gineto ainda de vê na serra de Sintra.
     
    Collapse Signature Expandir Assinatura
  2. frederico

    frederico
    Expand Collapse
    Super Célula

    Registo:
    9 Jan 2009
    Mensagens:
    9,818
    Local:
    Porto
    Pertenço à Quercus mas com a falta de tempo não tenho feito nada, limito-me a pagar as anuidades...:mad:

    Quanto ao Quercus canariensis sei pouco da sua situação actual, penso que será talvez a árvore mais ameaçada no nosso país e que está limitada a uma área muito restrita na zona entre Monchique e Odemira. Penso que em Espanha há bons núcleos em Cádiz e em Aracena, mas mesmo assim será dos carvalhos potencialmente mais ameaçados.

    Conheço um caso de uma associação local que fez reflorestações de galerias ripícolas e limpezas de margens, mas não teve resultados porque os pastores e os caçadores partiram os troncos das árvores que tinham sido plantadas :angry:
     
  3. stormy

    stormy
    Expand Collapse
    Super Célula

    Registo:
    7 Ago 2008
    Mensagens:
    5,117
    Local:
    Lisboa
    na lagoa de santo andre tambem muitas especies autocones estão quase extintas:sad::sad: enquanto outras invasoras nao só de fora como tambem do proprio territorio portugues estão a crescer ( pinheiro bravo e acacia).
    já lá vi uns passaros ( muitos e em grupo)com cauda longa e azul escura tipo papagaios ventre branco ou esbranquiçado e asas azuis o corpo era mais redondo só mesmo a cauda parecia a de um papagaio o bico tambem era grandito como o das aves granivoras....nao sei o que é :huh::huh::huh:
     
    Collapse Signature Expandir Assinatura
  4. frederico

    frederico
    Expand Collapse
    Super Célula

    Registo:
    9 Jan 2009
    Mensagens:
    9,818
    Local:
    Porto

    Há uma gimnospérmica arbustiva autócne dessa área, é mesmo um endemismo nacional, não sei qual é a sua situação actual.

    Quanto à ave tenho uma ideias mas lá vem o mesmo problema de sempre, não tenho os livros cá no Porto, precisava do meu guia da Fapas para tirar umas dúvidas...

    A situação dos endemismos da nossa costa é preocupante, penso que já há algumas extinções de sub-espécies, graças aos jipes, à motos quatro, ao urbanismo desregulado e às espécies invasoras...
     
  5. stormy

    stormy
    Expand Collapse
    Super Célula

    Registo:
    7 Ago 2008
    Mensagens:
    5,117
    Local:
    Lisboa
    vi a ave assim de relance pous voam rapido e em bando....era certamente exotica e o que interessa e que nao seja nefasta para o ecossistema...
    quanto á riqueza biologica a lagoa de sto andre é riquissima e até existem cedros selvagens em grande quantidade no pinhal onde coexistem com figueiras da india, agaves pinheiro manso e bravo, acacias,etc tambem há texugos, coelhos, imensas aves,cegonhas,etc é lindo:):):D
     
    Collapse Signature Expandir Assinatura
  6. belem

    belem
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    10 Out 2007
    Mensagens:
    4,145
    Local:
    Sintra
    A gineta ainda existe em Sintra, posso confirmar porque já ouvi uma ( e até no parque florestal de Monsanto em Lisboa).
    Ah e penso que tive perto duma zona de marcação territorial, por causa do cheiro forte...:lmao:
     
    Collapse Signature Expandir Assinatura
  7. belem

    belem
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    10 Out 2007
    Mensagens:
    4,145
    Local:
    Sintra

    Infelizmente poucos bosques maduros restam na Serra do Caldeirão, não é?
    Essa é uma dura realidade que temos de saber aceitar...
    Para alguém fazer alguma coisa, é preciso juntar gente, patrocínios, estudar a zona,etc...
    Penso que sabes disso.
     
    Collapse Signature Expandir Assinatura
  8. belem

    belem
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    10 Out 2007
    Mensagens:
    4,145
    Local:
    Sintra
    A lagoa de Sto André está muito melhor que a Lagoa de Albufeira...
    Esta última está uma tristeza.
     
    Collapse Signature Expandir Assinatura
  9. belem

    belem
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    10 Out 2007
    Mensagens:
    4,145
    Local:
    Sintra



    Vidua fischeri (Viúva-rabo-de-palha)
    Vidua macroura (Viúva-cauda-de-alfinete)

    :huh:
     
    Collapse Signature Expandir Assinatura
  10. belem

    belem
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    10 Out 2007
    Mensagens:
    4,145
    Local:
    Sintra
    Eu pessoalmente não conheço nenhum viveiro de Quercus canariensis e conheço muito poucos núcleos selvagens desta espécie.
    Tenho é alguns sobreiros ( centenas) semeados em vasos.
    Se alguém quiser doar glandes ( bolotas) de outros carvalhos esteja à vontade.:D
     
    Collapse Signature Expandir Assinatura
  11. stormy

    stormy
    Expand Collapse
    Super Célula

    Registo:
    7 Ago 2008
    Mensagens:
    5,117
    Local:
    Lisboa
    é mais ou menos isso só que azul escura na cauda e nas "costas" e asas
     
    Collapse Signature Expandir Assinatura
  12. belem

    belem
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    10 Out 2007
    Mensagens:
    4,145
    Local:
    Sintra
    Nesse caso não sei o que é...
    Se vires mais alguma diz.
    E se poderes fotografar ainda melhor.:D
     
    Collapse Signature Expandir Assinatura
  13. frederico

    frederico
    Expand Collapse
    Super Célula

    Registo:
    9 Jan 2009
    Mensagens:
    9,818
    Local:
    Porto
    Biodiversidade no Barrocal Algarvio


    Depois da serra do Caldeirão, chegou a vez de abordar o barrocal algarvio.


    O barrocal é uma sub-região natural do Algarve que se localiza entre as serras e o litoral. É uma região estreita nos extremos, que se localizam aproximadamente entre Cacela e Lagos, e larga na região central, localizada no concelho de Loulé.

    Caracteriza-se pela presença de solos calcáreos, e em parte desta região surgem elevações irregulares, os barrocos, algumas das quais de altitude moderada, próxima dos 500 m, como é o caso da Rocha da Pena. O barrocal integra ainda a Serra de Monte Figo (411 m).

    A região tem um clima mediterrânico idêntico ao do litoral algarvio, com precipitações ligeiramente superiores, que rondarão os 500-800 mm anuais. Encontra-se protegida dos ventos de quadrante norte pelas serras do Caldeirão e de Monchique.



    A vegetação assumiu num passado recente características de consididerável relevo ecológico. Na maquis predominariam as alfarrobeiras, os zambujeiros, as aroeiras, os medronheiros, o carrasco, entre muitas outras espécies vegetais, uma delas autócne já extinta (um narciso que só existe actualmente em jardins botânicos). Nalgumas zonas mais desenvolvidas surgiria a azinheira e o carvalho-cerquinho.

    Neste habitat encontraríamos o lince-ibérico, várias aves de rapina, que nidificariam nalgumas escarpas calcáreas, raposas, ginetos, texugos, ouriços, passeriformes, e várias espécies de morcegos, entre outras.

    Predominava a agriculura de sequeiro, com belos arvoredos de cariz biológico, com uma biodiversidade única. Falo das culturas da amendoeira, da alfarrobeira, da oliveira e da figueira. Nos vale encontrávamos a agricultura de regadio, com os citrinos, a nespereira ou outras árvores de fruto.


    Na última década o barrocal tem sofrido um progressivo processo de degradação. A construcção massiva e desregulada de aldeamentos turísticos e pequenas «vilas», dispersas na paisagem, levou à abertura de muitos novos caminhos e à destruição progressiva de trechos de vegetação autócne. Em poucos anos a paisagem que outrora era verde ficou salpicada de branco e de cinzento. Para além disso, os pomares de sequeiro há muito que foram abandonados e agora correm o risco de vir a ser substituídos por mega-plantações de oliveiras ou por campos de golfe. E os últimos anos de seca têm piorado a situação, sendo já evidente uma gradual rarefacção da densidade da vegetação.


    Embora tenha sido reinvidicada há muitos anos, a área protegida do barrocal, que ficaria a norte de Loulé, nunca foi criada. Existem apenas dois sítios classificados, de reduzidas dimensões, a Rocha da Pena e a Fonte Benémola. Por classificar restá o Cerro do Cabeço, a Nave do Barão e outros monumentos geológicos da região.

    A agricultura sustentável pode vir a trazer desenvolvimento económico sem causar danos. A allfarroba é um produto pouco divulgado, e com um enorme potencial, tal como o figo, cada vez mais ausente da nossa alimentação. E para não falar da amêndoa, fruto que continuamos a importar quando poderíamos ser auto-suficientes.


    Uma estratégia para o barrocal devia incluir:

    - A criação de um Parque Natural no barrocal a norte de Loulé;

    - Corredor ecológico com Monchique e Odelouca;

    - Reintrodução do lince;

    - Salvaguarda de núcleos de vegetação autócne mais desenvolvidos;

    - Mais ordenamento urbanístico;

    - Salvaguarda dos monumentos geológicos;

    - Recuperação paisagística das pedreiras.
     
  14. belem

    belem
    Expand Collapse
    Cumulonimbus

    Registo:
    10 Out 2007
    Mensagens:
    4,145
    Local:
    Sintra
    Boa noite

    No barrocal algarvio também se cultivam frutos tropicais e subtropicais como mangas, anonas, abacates e maracujás.

    Eu fiz trabalho de campo no ano passado junto à Ribeira de Odelouca e de facto a zona ainda tem muitos habitats naturais embora nota-se em alguns pontos os prejuízos produzidos pela presença das pedreiras.
    O clima da zona surpreendeu-me pela secura e calor ( mesmo de noite), talvez por estar na «sombra» da Serra de Monchique.

    O lince-ibérico parece-me, que nas condições actuais do barrocal, não poderá lá ser reintroduzido... De facto é na Serra de Monchique que existe a maior população actual conhecida de lince-ibérico em Portugal, mas esta não tem continuidade na qualidade de habitat, no barrocal, excepto de forma degradada na zona de Odelouca.
    Se esta zona for protegida e devidamente estudada, pode ser que seja possível... Mas não nas condições actuais.;)
     
    Collapse Signature Expandir Assinatura
  15. frederico

    frederico
    Expand Collapse
    Super Célula

    Registo:
    9 Jan 2009
    Mensagens:
    9,818
    Local:
    Porto

    Sim é verdade existe a cultura de frutos tropicais mesmo sem ser em estufa, e posso dizer que as mangas algarvias são óptimas!

    Quanto às temperaturas elevadas estas devem-se em parte ao facto da serra do Caldeirão e de Monchique protegerem dos ventos de Norte e de Nordeste.

    Quanto à reintrodução do lince também concordo que só poderia ser feita se as coisas fossem alteradas.

    Não sei muito sobre a presença do Quercus faginea no barrocal... alguém me pode dar umas luzes sobre o assunto?


    Só uma coisa, ainda há linces em Monchique? Pensava que já não havia linces em Portugal... então se há, qual será o impacto da barragem de Odelouca?
     

Partilhar esta Página