Electricidade sobe para subsidiar empresas do sector

Tópico em 'Ciência Geral, Tecnologia e Energia' iniciado por Gerofil 15 Set 2010 às 12:16.

  1. Knyght

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    Cumulonimbus

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    Pelo amor de Deus parem de dizer asneiras!!!

    É um incremento de 9 barragens ao sistema hídrico-produtor! As outras barragens todas serão utilizadas. O aproveitamento hídrico para rega e produção de energia nunca é pouco, já que das renováveis é a única que providencia estabilidade na rede!


    Nunca querem nada! Se a luz tá cara é fácil desliguem o contador que deixam de pagar energia!
     
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  2. AnDré

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    Se já possuíssem, nunca o preço de energia do mercado desceria a valores muito baixos, pois haveria sempre procura de energia, mais que não seja para bombagem.

    Neste momento a fazer bombagem diária tens: Aguieira, Alqueva, Vila Nova II (Frades) e o Torrão.
    Penso que em adaptação tens Vilarinho das Furnas e Alto Rabagão.
    Mais alguma?

    Infelizmente, nem todas as barragens podem ter sistemas reversíveis. Caso contrário seria de todo o interesse termos por exemplo sistemas reversíveis na nossa barragem com maior potência: Alto Lindoso.

    ;)
     
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  3. AnDré

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    Outra coisa que é importante referir.
    Imagina que tens dois dias seguidos de muito vento. (Ou até mais, sabes que isso acontece com alguma frequência).
    Não se pode estar a bombar água infinitamente. Ao final de um "x" de tempo a reserva seca e tens de produzir, ou seja libertar água da barragem mãe para que possas voltar a ter água para bombear.

    De todas, o Alqueva é aquela que é capaz de estar mais horas a bombear, mas mesmo assim não mais do que um dia (penso que sejam 18h), sem voltar a produzir.
    Na Aguieira, deve ser umas 6 horas. (À potência máxima).
     
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  4. ecobcg

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    A reportagem refere que actualmente existem 5 barragens com sistemas reversíveis instalados e outras 4 em processo de instalação (que sai muito mais barato que barragens novas).

    Também de acordo com a reportagem, em 2016, a capacidade de bombagem nas barragens antigas será de 2510 MW. Atendendo a um rácio de 1 MW de capacidade reversível por cada 3,5MW eólicos (retirado do estudo do Programa Nacional de Barragens), actualmente são necessários apenas 1229 MW da capacidade de bombagem, que irão subir para os 2000 MW com a instalação de mais alguns parques eólicos. Ou seja, a capacidade actual, já é suficiente para absorver toda a produção eólica, pelo que, o argumento usado para a construção das novas barragens (que seriam necessárias para atingir a capacidade de bombagem necessária) cai por terra com esta reportagem. Aliás, no final da reportagem, até o próprio administrador da EDP diz que a decisão de fazer as novas barragens foi uma decisão política, e não técnica.
     
  5. Knyght

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    Cumulonimbus

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    Querem contas façam-as:

    Cenário 1 - Excesso de produção Eólica
    Só se poderá considerar excesso a produção que efectivamente não pode ser utilizada. Isto é, só de madrugada é que isso acontece serão entre 6 à 10h diárias que a bombagem poderá ser utilizada, recordo que o dia são de 24h e que durante as horas cheias e ponta a hídrica bem pode ser utilizada para modular a produção. O normal é que seja!!!

    Cenário 2 - Insuficiência de recursos renováveis em situações de picos e pontas
    A modulação das pontas não sendo feitas em alturas de pico como o verão encare-se o sistema de forma elevada pois solicitar importação de energia requer uma solicitação normalmente a Espanha ou França (que tem as suas centrais nucleares e nós é que somos finos) a laborar e assim tenham de solicitar a entrada superior de grupos normalmente a gás para fazerem face ao seu consumo e a nossa solicitação. Quando isso acontece-se o preço é altamente inflacionado chegando a ordens de valores onde a perca de 30% do recurso a bombagem é relativamente mais barato que a importação. Assim neste processo podemos utilizar energia térmica durante a noite, não a parando ou reduzindo potência (que também tem o seu custo) para aumentando a carga nocturna seja feita a bombagem de forma a modular e não ser necessário solicitar-mos importação ao exterior.
    (neste caso e associando não só a ter-mos uma produção eólica de zero, a caudais mínimos de entrada nas barragens ou zero, uma boa coordenação com os responsáveis do regadio e consumo é deverás importante! Sendo que estes dois últimos factores deverão ser prioridade logo atrás do combate a incêndios não poderão de ser bem racionalizados)

    Aqui são as duas aplicações básicas das barragens e porque ela sem dúvida é importante para o sistema eléctrico, garantem estabilidade a rede visto serem efectivamente recursos rápidos e versáteis a serem utilizados.

    Este investimento devia ter ocorrido na realidade antes da loucura de eólicas, do suicídio dos foto voltaicos, da imaginação das cobras marinhas e das centrais de garantia de potência à gas natural importado!!! Se o nosso país tivesse seguido para o nuclear também deveria ter sido antes!!! Este investimento é importante para a realidade nacional e a nossa economia. Cada dinheiro mal gasto na importação de energia em horas de ponta jamais será recuperado ou trará qualquer emprego ou crescimento.
     
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  6. AnDré

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    Só agora vi atentamente a reportagem. Tal como todas as reportagens da TVI começa com um sensionalismo brutal. Por aquela ordem de ideias nunca se tinha construído uma única barragem. (Nem barragens nem nada, porque tudo danifica o ambiente). E só faltou dizer que os milhares de quilómetros de linhas férreas abandonadas pelo país fora (isso sim uma autêntica vergonha) são devido às barragens. Tantas linhas abandonadas e embirram agora com a linha do Tua. Pergunto-me porque é que uma cidade como Viseu (no coração de Portugal) não tem comboios.
    Quando ao pasto, é coisa que não falta por aí. Nunca como agora esteve tudo de monte.

    Mas vamos a dados incorrectos, da entrevista.

    Minuto 3:45.
    “Não se produz energia eléctria com petróleo em Portugal já há muitos anos.”

    Ai não?
    17 de Fevereiro de 2012.
    [​IMG]
    E não foi o único dia em se produziu este ano energia eléctrica a partir do petróleo.

    Minuto 14:48 – Exactamente aquilo para que serve a bombagem. Utilizar a energia que seria vendida a custo zero para a utilizar mais tarde quando está a custo elevando.

    Minuto 15:21 – “Vamos ser pioneiros.” “Nunca foi realizado em parte nenhuma do mundo.”
    A potência reversível instalada em Espanha é muito superior à instalada em Portugal.

    Minuto 16 – É explicado o funcionamento mas induz-se erradamente o público. Porque é que nesse ponto não se falou da rentabilidade económica do assunto?

    Minuto 17:35 – “A produção é um subproduto.” E nada mais interessou. Totalmente tendenciosa a reportagem. Totalmente!

    Só ao minuto 20, quando já se repetiu uma série de vezes que se vai perder energia, é que se fala de euros. E mesmo assim não se explica bem os ganhos. Mas se fala em euros atribui-se logo aos culpados: eólica, fotovoltaico e co-geração.
    Mas não são as energias em si que são as culpadas, mas os contractos feitos. Claramente se tivemos um BUM eólico, não foi porque de repente quisemos ser todos limpos e renováveis, mas porque os contractos foram aliciantes. 90€/MWh dá para enriquecer os produtores eólicos. E nem falo dos >300€/MWh fotovoltaicos e das falcatruas na co-geração. Mais uma vez não é um problema das energias, mas um problema que o governo gerou com ganância de encaixar dinheiro rapidamente. E que agora nos custa a nós. Mas que fazer quanto a isso?

    Minuto 22:30 – 2010, 2010. Não deixaram o senhor dizer o porquê de em 2010 o preço da electricidade ter sido de 41€/MW e em 2009 ter sido de 70 e tal. Porquê? Diferença de quase o dobro!

    Minuto 26:45 – “1MW reversível por cada 3,5MW eólicos”, uma teoria bonita se dependêssemos única e exclusivamente de nós e se fossemos uma ilha.
    Mas não nos podemos esquecer que funcionamos em mercado ibérico, e que a flutuação do preço de consumo depende muito mais (se não quase totalmente) dos espanhóis e da produção energética lá.

    E por fim, no final, não deixaram explicar o presidente da EDP o porquê das barragens. A decisão foi política. Tecnicamente, é sempre melhor usar centrais térmicas, mas se fosse politicamente correcto, porque se investe no renovável?
    E mais, porque é que depois de um investimento grande que foi feito na ampliação de potência em produção de energia a partir de gás natural, em Abril do ano decorrente, a energia importada foi superior àquela produzida a partir do gás natural?
    Aliás, em Abril a energia importada foi praticamente igual à produzida a partir das centrais térmicas. (1/4 do consumo cada).
    Alguém advinha porquê?

    E nesta reportagem sensionalista ainda há espaço para se falar de Salazar! “Big LOL”.

    As barragens são uma extrema mais-valia. Agora, os moldes em que tudo foi feito são totalmente puníveis. Nunca se devia ter feito concessões de 75 anos. Foram negócios feitos à pressão, totalmente direccionados para as empresas em questão e para se encaixar dinheiro rapidamente e “baixar” o défice. Nisso estou totalmente de acordo.
    E sublinho o que é dito ao minuto 8. A forma como foram feitas as coisas é mais um buraco, como as auto-estradas, SCUTS, e afins.
    Mas volto a dizer, não é o conceito que está errado. É a forma como esse conceito foi implantado. Mas quem é que agora vai conseguir mudar isso? Parar a construção não é do meu ponto de vista a solução. A solução passa por rever os contractos, não só das barragem mas da produção de toda a energia (e não é só a renovável).
    Mas isso é uma enorme dor de cabeça que ninguém vai querer fazer.
     
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  7. AnDré

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    Seria se fossemos uma ilha, mas não somos. Funcionamos em mercado ibérico e o preço da energia no mercado depende quase toda deles. E vou dar alguns exemplos muito recentes disso.

    Ironicamente, e apesar de ser uma energia cara, o preço da energia no mercado ibérico depende brutalmente da existência de energia eólica na rede. Quando há energia eólica disponível o preço da energia desce, quando não há eólica disponível, o preço galopa. E digo ironicamente porque quando há eólica estamos a pagar caro aos produtores para "darmos de borla" aos consumidores. Quando não há eólica, não se paga tanto mas cobra-se caro por isso.

    Exemplo do dia 17 do passado mês.
    Dia de muita energia eólica. A soma da energia eólica em Espanha + PRE + nuclear foi superior ao consumo. Resultado: exportação da energia a custo zero!

    Gráfico de produção/consumo espanhol.
    [​IMG]

    Preço de mercado desse dia:
    [​IMG]

    Gráfico de produção/consumo português:
    [​IMG]

    Tinha, ou não tinha sido benéfico aproveitar a borla espanhola para bombearmos mais energia se mais potencia tivéssemos? Mas não, ficámos ali limitados.

    Dia 23 do mesmo mês.
    Um aumento da energia eólica durante a tarde, faz os preços baixarem instantaneamente e voltaria a ser benéfico termos feito bombagem a custo baixo de energia. Mas... E potência para isso?
    Gráfico de produção espanhola e de mercado que provam aquilo que eu disse em relação à flutuação do preço. Curiosamente nesse dia o consumo de electricidade até foi mais barato durante a tarde do que durante a noite. Porquê? Por causa da eólica.

    [​IMG]

    [​IMG]

    Dia 25 de Abril, voltou a ser um dia com muita energia eólica disponível e preço médio espanhol de 22€/MWh. A meio da tarde andava nos 10€/MWh.
    Em Portugal fez-se bombagem o dia inteiro dada a borla. Mas não nos 800MW disponíveis, porque o sistema, como referi, é limitado. (Não se pode bombar eternamente pois é limitado pelo armazenamento jusante). De qualquer forma foram 4,5GWh de energia nesse dia que se armazenou a custo zero. Claro, muito mais poderia ter sido se as condições fossem outras.

    Dia 27, dia de pouco vento, pouco ou nada de energia eólica e disparo dos preços de energia no mercado. E não subiram mais porque havia energia hídrica disponível.

    [​IMG]


    E com tudo isto respondo à minha pergunta do post anterior sobre a diferença abismal de preço de consumo entre 2009 (73€/MWh) e 2010 (os tais 41€/MWh).
    Não fosse a eólica e a hídrica e o preço de mercado da energia já andava seguramente acima dos 80€/MWh. (Basta ver a tendência mostrada no gráfico da reportagem, minuto 21:00).

    Fontes dos dados utilizados:
    -> Diagrama diário (REN)
    -> Diagrama diário espanhol
    -> Preços diários do mercado ibérico (OMIE)
     
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  8. Knyght

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    Cumulonimbus

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    Nem mais.
     
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  9. Gerofil

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    Compensação a pagar pela EDP aos clientes com erros nos contadores ascende a 4,1 M Euro

    A compensação total a pagar pela EDP Distribuição aos 105.869 clientes afetados por erros nos contadores é de 4,1 milhões de euros, segundo a decisão da entidade reguladora ERSE hoje divulgada. Em comunicado, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) anunciou as decisões sobre as compensações aos consumidores com tarifa bi-horária afetados por anomalias de contagem.
    Segundo o regulador, todos os clientes com contadores incorretamente reparametrizados (83.369) e com contadores cujos relógios apresentem insuficiente precisão (22.500) serão compensados financeiramente pelo operador da rede de distribuição, sendo incluído, como crédito, na faturação aos comercializadores dos clientes afetados.

    DESTAK

    Curioso: a EDP inclui este "roubo" como crédito na fatura ... e quanto pagam de juros?
     
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  10. Gerofil

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    Fatura da luz sobe para quem fica no mercado regulado
    [​IMG]

    Até janeiro de 2013, de acordo com a potência contratada, a luz vai encarecer para quem não mudou para o mercado livre da eletricidade. Governo, ERSE e Autoridade da Concorrência podem evitar sobrecarregar as famílias.
    Se não mudar para o mercado livre da eletricidade, vai sentir mais um aumento na fatura, já a partir de julho, para potências contratadas acima de 10,35 kVA. Em janeiro de 2013, situação idêntica ocorrerá para os restantes consumidores. A partir daí, para estabelecer um novo contrato de fornecimento de energia elétrica, será obrigado a fazê-lo no mercado livre.
    Publicada esta semana, a medida define o cronograma de transição para a liberalização e oficializa o chamado “fator de agravamento”, a ser revisto trimestralmente. Na falta de verdadeira concorrência, a entrada no mercado liberalizado está a ser forçada por decreto e pode lesar o consumidor.
    “A ERSE deve ter cuidado na escolha do fator de agravamento e na sua revisão trimestral”, alerta Vitor Machado, representante da DECO no Conselho Tarifário da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, na entrevista que nos concedeu.

    O que significa “tarifa regulada transitória acrescida de um fator de agravamento”?

    Trata-se da tarifa regulada, fixada pela ERSE, e que assume um caráter transitório por ter a sua conclusão prevista até ao final de 2015, data em que o mercado liberalizado será o único disponível, acrescida de um fator de agravamento. Em suma, a tarifa regulada vai ser empolada para garantir que será mais cara do que as tarifas propostas pelos comercializadores em regime de mercado livre. Procedimentos e prazos semelhantes vão aplicar-se aos clientes de gás natural. Na verdade, os dois decretos-leis publicados agora não trazem nada de novo. Desde a assinatura do memorando de entendimento da troika que tal estava decidido.

    Em que medida esse fator de agravamento afeta as famílias portuguesas?

    Os aumentos recentes da eletricidade já foram brutais. As famílias estão sobrecarregadas. A tarifa portuguesa é uma das mais caras da Europa, liderada pela Dinamarca. A ERSE, que tem como primeira missão defender os consumidores, deve ter cuidado na escolha do fator de agravamento e na sua revisão trimestral. Presente no Conselho Tarifário da entidade reguladora, onde estas matérias são discutidas, a DECO fará tudo para impedir novos aumentos insuportáveis. Além do previsível aumento da energia nos próximos tempos, a evolução deste fator de agravamento vai oscilar em função do volume de migração. Se houver poucos consumidores a aderir ao mercado liberalizado, a percentagem pode aumentar.

    O aumento contínuo da fatura pode ser atenuado através da redução dos Custos de Interesse Económico Geral (CIEG). O que impede o Governo de avançar com esta medida?

    Há falta de vontade política e de capacidade de negociação com os produtores de eletricidade que gozam de condições absolutamente privilegiadas e não podem continuar a ser exceção na situação atual do País e dos portugueses. A DECO já levantou a questão dos CIEGs há muitos anos, o que prova que não são privilégios recentes, e considera que não é possível esperar mais para baixar estes custos nas faturas e que representam opções de política energética e de apoio à produção. Antes de avançar com qualquer aumento das tarifas reguladas, em nome da liberalização, é legítimo e incontornável resolver-se, em primeiro lugar, a questão da formação do preço da energia. É uma medida que faz todo o sentido. Já manifestamos várias vezes ser possível começar com uma redução de 30 por cento. Apelamos ao Governo que reduza em 30% estes custos.
    O peso dos CIEGs, aparentemente, diminui. De 43%, em 2011, passaram para 25%, em 2012. Mas não se trata de uma verdadeira redução. Na realidade, adiou-se o pagamento de mais de mil milhões de euros.

    Há condições para um mercado concorrencial da eletricidade?

    A liberalização do mercado decorre de uma medida da troika, mas esta também indica explicitamente que devem ser asseguradas as condições para um verdadeiro mercado concorrencial. Esta referência não aparece, curiosamente, nos diplomas legais agora publicados. A verdade é que, hoje, os consumidores domésticos apenas podem escolher entre a EDP e a Endesa e estas operadoras, no mercado livre, só oferecem tarifa simples. Não há tarifa bi-horária, por exemplo.
    Cabe à Autoridade da Concorrência analisar o grau de concorrência no setor. Não é difícil perceber que com apenas dois comercializadores estamos longe de um mercado concorrencial. Por seu lado, a ERSE deve assegurar as condições para que surjam tarifas interessantes e inovadoras, com várias opções horárias.

    Fonte: DECO (Abril 2012)
     
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  11. Gerofil

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    Super Célula

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    Guerra entre Governo e EDP sobe de tom

    O que levou a EDP a pôr o secretário de Estado da Energia em tribunal vale apenas 0,02% do lucro anual do grupo. A acção pesa mais pela mensagem que carrega: a EDP está pronta para lutar contra as opções do Governo na Justiça.
    A EDP vai levar o secretário de Estado da Energia, Artur Trindade, a tribunal, para contestar um despacho que imputa à EDP os custos das tarifas sociais de electricidade. O valor da acção, de 247 mil euros, é residual. Equivale a 0,02% do lucro anual da EDP. "Isto é um faz de conta. É 'peanuts'. Mas é um aviso que a EDP está a fazer à navegação", conta Henrique Gomes, o antecessor de Trindade na Energia.
    Henrique Gomes foi crítico da posição da EDP no sector eléctrico. Mas nem por isso a EDP chegou aos tribunais. "No meu tempo não. O que houve foi o aviso de António Mexia de que teria de defender os interesses dos seus accionistas", disse Henrique Gomes ao Negócios, notando que a EDP não foi a única a fazer "avisos".
    Apesar disso, Henrique Gomes reconhece que na acção agora movida contra o Governo "a EDP tem toda a razão". Luís Mira Amaral, antigo ministro da Indústria e Energia, faz duas leituras. Uma política: "Acho que é um número encenado da EDP para arranjar capital de queixa na opinião pública", já que "a EDP tem consciência de que a troika vai pressionar o Governo [por causa da dívida tarifária]". E uma leitura técnica: "Formalmente, a EDP tem alguma razão, porque as tarifas sociais não devem ser suportadas pelas empresas, mas sim pelos contribuintes".
    Carlos Zorrinho quando tutelou a Energia (2009 a 2011) nunca foi judicialmente visado pela EDP. Sobre este caso não se pronuncia. Mas em abstracto, diz, "ninguém está afastado da aplicação da Justiça".
    Os próximos meses dirão se o "aviso à navegação" da EDP trará, ou não, uma tempestade para o Governo na barra dos tribunais.

    Miguel Prado

    negócios on line
     
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  12. ecobcg

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    "Estas empresas transformaram-se num monstro e ninguém as põe em ordem"

    http://sicnoticias.sapo.pt/2380123

    O comentário de José Gomes Ferreira aos cortes que o Governo quer aplicar na parcela paga pelo Estado aos produtores de energia.
     
    CptRena gostou disto.
  13. algarvio1980

    algarvio1980
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    Furacão

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    Recupero esta notícia que o Gerofil publicou onde as tarifas de electricidade para quem não mudou para o mercado liberalizado aumentava em Janeiro e depois ia sempre aumentando de 3 em 3 meses, mas a ERSE não aumentou e as tarifas vão manter-se até ao final do ano iguais. Mais uma vez, houve uma corrida louca para mudarem para o mercado liberalizado e afinal o regulado manteve os preços. Eu ainda não mudei e não faço intenção de mudar, lá mais para o final do prazo logo mudo.

    A DECO é cá uma amiga dos consumidores ui ui. :lol:
     
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  14. vitamos

    vitamos
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    Não só o regulado nao alterou como o liberalizado enganou várias pessoas (nas quais eu me incluo) ao prometer um preço que durou.... um mês! Pena eu não ter lido as letras pequenas do contrato que falavam da tal "flutuação de preço". Parabéns a quem não se deixou assustar pela massiva propaganda. Mesmo que estejam a pagar mais uns cêntimos pelo menos sabem o que estão a pagar!
     
  15. Agreste

    Agreste
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    Peço desculpa por dizer isto assim...

    Só os otários é que embarcaram nas campanhas de descontos onde o desconto que te oferecem é rapidamente devolvido numa série de bujigangas que as empresas te obrigam a contratar.

    Todo este processo do MIBEL e vocês já o escreveram aqui é uma fraude. A EDP faz o que quer e lhe apetece. O regulador não existe.

    Só abandonarei o mercado regulado em 2015 quando for expulso pelo regulador.
     
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    Gerofil gostou disto.

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