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Floresta portuguesa e os incêndios

Tópico em 'Off-Topic' iniciado por frederico 20 Jul 2010 às 22:23.

  1. Ricardo Carvalho

    Ricardo Carvalho
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    Cumulonimbus

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    Não é só em Pedrógão Grande que essa situação se passa, o ano passado fiz quase 2000km na zona Centro, e fiquei chocado com o que se está a deixar acontecer nos sítios onde deflagraram os grandes incêndios de 2017, e tive a certeza em certos momentos que uma nova tragédia poderá acontecer muito mais rápido que nós imaginamos se nada for feito!

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    #1891 Ricardo Carvalho, 15 Jun 2019 às 16:55
    Última edição: 15 Jun 2019 às 18:26
    algarvio1980 e Pedro1993 gostaram disto.
  2. Pedro1993

    Pedro1993
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    Super Célula

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    Lembraram-se agora de mostrar esses mesmos locais porque se passaram dois anos, da tragédia, e é só nesses dias que querem fazer lembrar o "inferno" que foi na altura.
    Pois claro que não é só em Pedrógão Grande, que está por fazer, em todo o lado do nosso país, é assim, no fim de passar o fogo fica tudo á espera de arder num futuro próximo.
     
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  3. AJB

    AJB
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    Qual a alternativa?
     
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  4. "Charneca" Mundial

    "Charneca" Mundial
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    Nimbostratus

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    A alternativa é, nas próximas eleições, não votar no Costa. Os ministros que ele lá colocou são aldrabões, demagogos, e apesar de terem o dinheiro não o vemos a ser investido.
    Depois criaram programas que beneficiaram a plantação de eucaliptos. O atual governo foi o que mais plantou eucaliptos de todos os governos desde há 45 anos. :(
     
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  5. AJB

    AJB
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    Nimbostratus

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    Baião
    Tens que pesquisar melhor quando comecou o ptocesso de eucaliptizacao do País...Cavaco Silva?
    Se os males da nossa floresta se resolvessem com a saída do atual primeiro ministro...
    Sei que para muitos membros deste forum a realidade da a nossa floresta so ficou a nu ha 2 anos atrás...mas não meu caro...tens que recuar até a decada de 50/60 quando os nossos avós e bisavós deixaram as terras e procuraram as cidades.
    Quando começou a litoralizacao do país.
    Quando quem cortava o mato mudou e comecou a cortar outros materiais nas fabricas do litoral...nessa altura, quando comecou a "doutorizacao e engenharizacao" das mentalidades nao havia um Antonio Costa, havia outros Antonios Costas...
    Mas pensar que isto muda com a mudanca de uma cara, é utópico, intelectualmente desonesto/ingénuo...
    Vai demorar decadas meu caro, décadas
     
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  6. frederico

    frederico
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    Super Célula

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    O processo de eucaliptização é bem anterior ao Cavaco Silva. Já vem aliás de trás, vem do tempo do Estado Novo. Gostaria de ver a área de eucalipto com Cavaco Silva, antes de Cavaco (anos 80) e depois com Guterres. Vou ver...

    Ora e já vi. E vi que Guterres contribuiu tanto para o eucalipto quanto Cavaco.

    Área (10^3 ha) 1980/1989: 386
    1990/1992: 529
    1995/1998: 672
    2005/2006: 647

    https://www.researchgate.net/public...roducao_e_a_expansao_do_eucalipto_em_Portugal

    Isto de culpar Cavaco por tudo e por nada tem muito que se lhe diga...

    A questão do eucalipto é muito mais complexa pois entranha-se no modelo económico que as principais elites do centrão montaram em Portugal, e que tem paralelos com o modelo do condicionamento industrial de Salazar, com os monopólios do século XIX e as Companhias monopolistas do Marquês. É um modelo em que o Estado fomenta que haja grandes grupos monopolistas ou oligárquicos onde se colocam políticos, essencialmente do PS e do PSD, com cargos, gerando um círculo das cadeiras e uma economia de afectos que envolve até vários casos de compadrio e nepotismo. O eucalipto insere-se aqui no grande negócio da pasta de papel.

    A alternativa ao eucalipto existe, haja vontade política. Mas a alternativa ao eucalipto exige que se sacrifique um sector, a pasta de papel, em prol de múltiplos sectores com o nascimento de muitas pequenas e médias empresas locais. O poder político em Portugal não gosta muito disto. A altrnativa ao eucalipto é a agro-pecuária, o turismo, são as madeiras nobres, são a fruta e as bebidas, a indústria alimentar, a cortiça, os cogumelos, etc. A alternativa ao eucalipto é um modelo de paisagem rural como existe em França. Mas o poder político do PS e do PSD prefere grandes grupos obedientes onde possam meter os membros do partido. Não gostam cá de muita gente a fazer negócios e a ganhar dinheiro sem dependerem do Estado para nada.
     
    MSantos, "Charneca" Mundial e Pedro1993 gostaram disto.
  7. Pedro1993

    Pedro1993
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    "Só não plantam eucaliptos na estrada por causa do alcatrão"

    Na região de Pedrógão Grande, destruída pelo fogo faz agora dois anos, há medo de que a tragédia se repita. A falta de limpeza e de prevenção fez com que se acumulasse grande quantidade de matéria combustível para novos incêndios e até faixas de proteção primária foram abandonadas. As memórias não deixam que se apague a dor pela morte de 66 pessoas e 250 feridos.

    https://tvi24.iol.pt/videos/socieda...U4o4yRourwcSV7hfMlplQJ-Uervq5JiwbS8XXT_5gj9QA
     
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  8. AJB

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    Em primeiro lugar nao culpei Cavaco Silva, apenas mostrei que a ideologia nao é boa conselheira nesta matéria!
    Em segundo lugar e quanto ao que escreveste...assino por baixo...mas antes disso pedia te que convencesses metade dos urbanos deste forum (larga maioria ), pra deixarem a sua confirtavel morada no litoral, o seu permanente acesso as redes sociais e o seu emprego, e rumassem para as casas dos avós e bisavós. Retomar o que os pais nao deram continuidade! Achas realista isto?
    Va, pra um assumido liberal (sem sentido critico ou prejurativo garanto te) desculpar com a falta de politicas do Estado nao me convence..
     
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  9. ClaudiaRM

    ClaudiaRM
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    A mim, que vivo no interior, não me apanhavam nem mortinha num ambiente rural. Ora, como não tenho o hábito de exigir dos outros o que eu própria não faço, cada um que viva onde pode e queira.
     
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  10. frederico

    frederico
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    Mas isso digo eu aqui há algum tempo. Que com as novas tecnologias temos grandes condições para voltar a ocupar o interior. Mas para isso é preciso mudar hábitos e leis obsoletas. Eu conheço gente em Inglaterra que trabalha em Londres e vive a 200 kms da capital. Vão lá uma vez por semana. Fazem o trabalho todo em casa, e trabalham frequentemente por teleconferência. Mas isto vai acontecer, mas em Portugal vai demorar tempo, pois há muitos entraves burocráticos e culturais.
     
  11. frederico

    frederico
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    O problema mor de Portugal identificado há séculos é a falta de centros urbanos no Interior que tenham dinamismo, elites e dinheiro. No teu distrito tens uma terra que já foi uma povoação rica e muito povoada para a época, Trancoso. Só que como sucedia em muitas terras do interior a burguesia era judia ou cristã-nova. E com a Inquisição fugiram nunca mais o Interior recuperou. A tua cidade, Viseu, deveria ter mais população, mais indústria, mais empresas, e o mesmo vale para a Covilhã, Guarda, Elvas, Mirando do Douro, Bragança... e o Litoral Norte e a Grande Lisboa deveriam encolher bastante.
     
  12. ClaudiaRM

    ClaudiaRM
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    Super Célula

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    Trancoso é no distrito da Guarda. :facepalm:
    Isto cá para cima pode parecer a alguns que é tudo a mesma coisa (se tivesse 50€ por cada vez que ouvi 'lá para cima, para o Norte, na tua terra' estava rica), mas não é.

    A 'minha' cidade tem gente que chegue, obrigada.
     
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  13. frederico

    frederico
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    Super Célula

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    Pensava que Trancoso era distrito de Viseu....
     
  14. N_Fig

    N_Fig
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    Cumulonimbus

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    Distrito da Guarda, na estrada para Bragança
     
  15. bandevelugo

    bandevelugo
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    Cumulus

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    Duas afirmações totalmente contraditórias, de quem não percebe como funcionam as sociedades:

    "A alternativa ao eucalipto é um modelo de paisagem rural como existe em França." e "Não gostam cá de muita gente a fazer negócios e a ganhar dinheiro sem dependerem do Estado para nada"

    1. França tem condições climáticas (chuvas de verão) e de relevo (sobretudo planícies e planaltos) totalmente diferentes do nosso pinhal interior. Achar que se podem ter cá as culturas agrícolas ou paisagens que há em França é de quem nunca lá foi, ou não percebe nada de agricultura e de florestas.

    2. França tem uma das agriculturas mais subsidiadas da Europa, a milhas da agricultura portuguesa. É isso que mantém a paisagem rural francesa, da mesma forma que mantém os agricultores a a paisagem no nosso Alentejo (que recebe muitos subsídios agrícolas para isso mesmo, ainda assim menos que os franceses). Tudo depende do Estado e da União Europeia.

    3. O nosso pinhal interior (e o interior em geral) tem fraquíssimas capacidades ecológicas para manter população que viva do setor primário, pelo menos gente que não queira viver na mais profunda miséria e desligamento do mundo moderno (como aconteceu até há poucas décadas atrás, parece que está tudo esquecido). São terras muito ingratas e pouco produtivas. Por isso é que há abandono dos campos desde o século 19, por isso é que os reis portugueses sempre tiveram dificuldade em povoar essas regiões e davam benefícios excepcionais para convencer o povo a ir morar para o interior.

    4. O resto é lirismo: o mundo funciona com base em competitividade económica, em que a produção em escala desempenham um papel importante. A cultura do eucalipto é produtiva e lucrativa para os proprietários privados (sem apoio do Estado) e tem saída no mercado (como antes tinha a do pinhal, madeira e resina, embora nesses tempos antigos com muita mão de obra disponível e pessoas a ganhar salários vergonhosos, só para não morrerem de fome). O resto não o é, nem os proprietários/agricultores de lá se querem associar para ganhar escala, para tentarem outras aventuras.

    "A altrnativa ao eucalipto é a agro-pecuária, o turismo, são as madeiras nobres, são a fruta e as bebidas, a indústria alimentar, a cortiça, os cogumelos, etc.".

    Tudo ok, se assim é, por que é que nada disto surge no pinhal interior com base na iniciativa privada ("a ganhar dinheiro sem depender do Estado para nada")????

    É a pergunta que deixo.
     

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