Floresta portuguesa e os incêndios

Pedrógão Grande. Dois anos depois, a região é um barril de pólvora

Nesta segunda-feira assinalam-se dois anos do incêndio de Pedrógão Grande, que consumiu mais de 80% da floresta, a maioria eucalipto. Uma equipa do DN percorreu ao lado do engenheiro silvicultor Paulo Pimenta de Castro o caminho do fogo. "Está tudo por fazer. E corremos sério risco de se repetir", avisa o especialista.


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/15-...oVNsVSrZJ328tkSRLJJW6NkT_82zRuc_kQIP_xDXNNptI

E parece que dois anos depois continua tudo na mesma, á espera que daqui a uns anos, de arder tudo novamente.
Não é só em Pedrógão Grande que essa situação se passa, o ano passado fiz quase 2000km na zona Centro, e fiquei chocado com o que se está a deixar acontecer nos sítios onde deflagraram os grandes incêndios de 2017, e tive a certeza em certos momentos que uma nova tragédia poderá acontecer muito mais rápido que nós imaginamos se nada for feito!

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Portanto em 2019 é que foram ver? Agora? Há anos que as pessoas da serra sabem onde começou o fogo. Há anos que há idosos na miséria porque perderam as colmeias e as árvores. Mas por que raio não foram investigar na hora? Por estas e por outras somos o país mais pelintra desta lado da Europa.

Não é só em Pedrógão Grande que essa situação se passa, o ano passado fiz quase 2000km na zona da Centro, e fiquei chocado com o que se está a deixar acontecer nos sítios onde deflagraram os grandes incêndios de 2017, e tive a certeza em certos momentos que uma nova tragédia poderá acontecer muito mais rápido que imaginamos se nada for feito!

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Lembraram-se agora de mostrar esses mesmos locais porque se passaram dois anos, da tragédia, e é só nesses dias que querem fazer lembrar o "inferno" que foi na altura.
Pois claro que não é só em Pedrógão Grande, que está por fazer, em todo o lado do nosso país, é assim, no fim de passar o fogo fica tudo á espera de arder num futuro próximo.
 
Qual a alternativa?
 
Qual a alternativa?
A alternativa é, nas próximas eleições, não votar no Costa. Os ministros que ele lá colocou são aldrabões, demagogos, e apesar de terem o dinheiro não o vemos a ser investido.
Depois criaram programas que beneficiaram a plantação de eucaliptos. O atual governo foi o que mais plantou eucaliptos de todos os governos desde há 45 anos. :(
 
Tens que pesquisar melhor quando comecou o ptocesso de eucaliptizacao do País...Cavaco Silva?
Se os males da nossa floresta se resolvessem com a saída do atual primeiro ministro...
Sei que para muitos membros deste forum a realidade da a nossa floresta so ficou a nu ha 2 anos atrás...mas não meu caro...tens que recuar até a decada de 50/60 quando os nossos avós e bisavós deixaram as terras e procuraram as cidades.
Quando começou a litoralizacao do país.
Quando quem cortava o mato mudou e comecou a cortar outros materiais nas fabricas do litoral...nessa altura, quando comecou a "doutorizacao e engenharizacao" das mentalidades nao havia um Antonio Costa, havia outros Antonios Costas...
Mas pensar que isto muda com a mudanca de uma cara, é utópico, intelectualmente desonesto/ingénuo...
Vai demorar decadas meu caro, décadas
 
  • Gosto
Reactions: MSantos e dahon
O processo de eucaliptização é bem anterior ao Cavaco Silva. Já vem aliás de trás, vem do tempo do Estado Novo. Gostaria de ver a área de eucalipto com Cavaco Silva, antes de Cavaco (anos 80) e depois com Guterres. Vou ver...

Ora e já vi. E vi que Guterres contribuiu tanto para o eucalipto quanto Cavaco.

Área (10^3 ha) 1980/1989: 386
1990/1992: 529
1995/1998: 672
2005/2006: 647

https://www.researchgate.net/public...roducao_e_a_expansao_do_eucalipto_em_Portugal

Isto de culpar Cavaco por tudo e por nada tem muito que se lhe diga...

A questão do eucalipto é muito mais complexa pois entranha-se no modelo económico que as principais elites do centrão montaram em Portugal, e que tem paralelos com o modelo do condicionamento industrial de Salazar, com os monopólios do século XIX e as Companhias monopolistas do Marquês. É um modelo em que o Estado fomenta que haja grandes grupos monopolistas ou oligárquicos onde se colocam políticos, essencialmente do PS e do PSD, com cargos, gerando um círculo das cadeiras e uma economia de afectos que envolve até vários casos de compadrio e nepotismo. O eucalipto insere-se aqui no grande negócio da pasta de papel.

A alternativa ao eucalipto existe, haja vontade política. Mas a alternativa ao eucalipto exige que se sacrifique um sector, a pasta de papel, em prol de múltiplos sectores com o nascimento de muitas pequenas e médias empresas locais. O poder político em Portugal não gosta muito disto. A altrnativa ao eucalipto é a agro-pecuária, o turismo, são as madeiras nobres, são a fruta e as bebidas, a indústria alimentar, a cortiça, os cogumelos, etc. A alternativa ao eucalipto é um modelo de paisagem rural como existe em França. Mas o poder político do PS e do PSD prefere grandes grupos obedientes onde possam meter os membros do partido. Não gostam cá de muita gente a fazer negócios e a ganhar dinheiro sem dependerem do Estado para nada.
 
"Só não plantam eucaliptos na estrada por causa do alcatrão"

Na região de Pedrógão Grande, destruída pelo fogo faz agora dois anos, há medo de que a tragédia se repita. A falta de limpeza e de prevenção fez com que se acumulasse grande quantidade de matéria combustível para novos incêndios e até faixas de proteção primária foram abandonadas. As memórias não deixam que se apague a dor pela morte de 66 pessoas e 250 feridos.

https://tvi24.iol.pt/videos/socieda...U4o4yRourwcSV7hfMlplQJ-Uervq5JiwbS8XXT_5gj9QA
 
O processo de eucaliptização é bem anterior ao Cavaco Silva. Já vem aliás de trás, vem do tempo do Estado Novo. Gostaria de ver a área de eucalipto com Cavaco Silva, antes de Cavaco (anos 80) e depois com Guterres. Vou ver...

Ora e já vi. E vi que Guterres contribuiu tanto para o eucalipto quanto Cavaco.

Área (10^3 ha) 1980/1989: 386
1990/1992: 529
1995/1998: 672
2005/2006: 647

https://www.researchgate.net/public...roducao_e_a_expansao_do_eucalipto_em_Portugal

Isto de culpar Cavaco por tudo e por nada tem muito que se lhe diga...

A questão do eucalipto é muito mais complexa pois entranha-se no modelo económico que as principais elites do centrão montaram em Portugal, e que tem paralelos com o modelo do condicionamento industrial de Salazar, com os monopólios do século XIX e as Companhias monopolistas do Marquês. É um modelo em que o Estado fomenta que haja grandes grupos monopolistas ou oligárquicos onde se colocam políticos, essencialmente do PS e do PSD, com cargos, gerando um círculo das cadeiras e uma economia de afectos que envolve até vários casos de compadrio e nepotismo. O eucalipto insere-se aqui no grande negócio da pasta de papel.

A alternativa ao eucalipto existe, haja vontade política. Mas a alternativa ao eucalipto exige que se sacrifique um sector, a pasta de papel, em prol de múltiplos sectores com o nascimento de muitas pequenas e médias empresas locais. O poder político em Portugal não gosta muito disto. A altrnativa ao eucalipto é a agro-pecuária, o turismo, são as madeiras nobres, são a fruta e as bebidas, a indústria alimentar, a cortiça, os cogumelos, etc. A alternativa ao eucalipto é um modelo de paisagem rural como existe em França. Mas o poder político do PS e do PSD prefere grandes grupos obedientes onde possam meter os membros do partido. Não gostam cá de muita gente a fazer negócios e a ganhar dinheiro sem dependerem do Estado para nada.
Em primeiro lugar nao culpei Cavaco Silva, apenas mostrei que a ideologia nao é boa conselheira nesta matéria!
Em segundo lugar e quanto ao que escreveste...assino por baixo...mas antes disso pedia te que convencesses metade dos urbanos deste forum (larga maioria ), pra deixarem a sua confirtavel morada no litoral, o seu permanente acesso as redes sociais e o seu emprego, e rumassem para as casas dos avós e bisavós. Retomar o que os pais nao deram continuidade! Achas realista isto?
Va, pra um assumido liberal (sem sentido critico ou prejurativo garanto te) desculpar com a falta de politicas do Estado nao me convence..
 
A mim, que vivo no interior, não me apanhavam nem mortinha num ambiente rural. Ora, como não tenho o hábito de exigir dos outros o que eu própria não faço, cada um que viva onde pode e queira.
 
Mas isso digo eu aqui há algum tempo. Que com as novas tecnologias temos grandes condições para voltar a ocupar o interior. Mas para isso é preciso mudar hábitos e leis obsoletas. Eu conheço gente em Inglaterra que trabalha em Londres e vive a 200 kms da capital. Vão lá uma vez por semana. Fazem o trabalho todo em casa, e trabalham frequentemente por teleconferência. Mas isto vai acontecer, mas em Portugal vai demorar tempo, pois há muitos entraves burocráticos e culturais.
 
A mim, que vivo no interior, não me apanhavam nem mortinha num ambiente rural. Ora, como não tenho o hábito de exigir dos outros o que eu própria não faço, cada um que viva onde pode e queira.

O problema mor de Portugal identificado há séculos é a falta de centros urbanos no Interior que tenham dinamismo, elites e dinheiro. No teu distrito tens uma terra que já foi uma povoação rica e muito povoada para a época, Trancoso. Só que como sucedia em muitas terras do interior a burguesia era judia ou cristã-nova. E com a Inquisição fugiram nunca mais o Interior recuperou. A tua cidade, Viseu, deveria ter mais população, mais indústria, mais empresas, e o mesmo vale para a Covilhã, Guarda, Elvas, Mirando do Douro, Bragança... e o Litoral Norte e a Grande Lisboa deveriam encolher bastante.
 
No teu distrito tens uma terra que já foi uma povoação rica e muito povoada para a época, Trancoso.

Trancoso é no distrito da Guarda. :facepalm:
Isto cá para cima pode parecer a alguns que é tudo a mesma coisa (se tivesse 50€ por cada vez que ouvi 'lá para cima, para o Norte, na tua terra' estava rica), mas não é.

. A tua cidade, Viseu, deveria ter mais população

A 'minha' cidade tem gente que chegue, obrigada.
 
O processo de eucaliptização é bem anterior ao Cavaco Silva. Já vem aliás de trás, vem do tempo do Estado Novo. Gostaria de ver a área de eucalipto com Cavaco Silva, antes de Cavaco (anos 80) e depois com Guterres. Vou ver...

Ora e já vi. E vi que Guterres contribuiu tanto para o eucalipto quanto Cavaco.

Área (10^3 ha) 1980/1989: 386
1990/1992: 529
1995/1998: 672
2005/2006: 647

https://www.researchgate.net/public...roducao_e_a_expansao_do_eucalipto_em_Portugal

Isto de culpar Cavaco por tudo e por nada tem muito que se lhe diga...

A questão do eucalipto é muito mais complexa pois entranha-se no modelo económico que as principais elites do centrão montaram em Portugal, e que tem paralelos com o modelo do condicionamento industrial de Salazar, com os monopólios do século XIX e as Companhias monopolistas do Marquês. É um modelo em que o Estado fomenta que haja grandes grupos monopolistas ou oligárquicos onde se colocam políticos, essencialmente do PS e do PSD, com cargos, gerando um círculo das cadeiras e uma economia de afectos que envolve até vários casos de compadrio e nepotismo. O eucalipto insere-se aqui no grande negócio da pasta de papel.

A alternativa ao eucalipto existe, haja vontade política. Mas a alternativa ao eucalipto exige que se sacrifique um sector, a pasta de papel, em prol de múltiplos sectores com o nascimento de muitas pequenas e médias empresas locais. O poder político em Portugal não gosta muito disto. A altrnativa ao eucalipto é a agro-pecuária, o turismo, são as madeiras nobres, são a fruta e as bebidas, a indústria alimentar, a cortiça, os cogumelos, etc. A alternativa ao eucalipto é um modelo de paisagem rural como existe em França. Mas o poder político do PS e do PSD prefere grandes grupos obedientes onde possam meter os membros do partido. Não gostam cá de muita gente a fazer negócios e a ganhar dinheiro sem dependerem do Estado para nada.

Duas afirmações totalmente contraditórias, de quem não percebe como funcionam as sociedades:

"A alternativa ao eucalipto é um modelo de paisagem rural como existe em França." e "Não gostam cá de muita gente a fazer negócios e a ganhar dinheiro sem dependerem do Estado para nada"

1. França tem condições climáticas (chuvas de verão) e de relevo (sobretudo planícies e planaltos) totalmente diferentes do nosso pinhal interior. Achar que se podem ter cá as culturas agrícolas ou paisagens que há em França é de quem nunca lá foi, ou não percebe nada de agricultura e de florestas.

2. França tem uma das agriculturas mais subsidiadas da Europa, a milhas da agricultura portuguesa. É isso que mantém a paisagem rural francesa, da mesma forma que mantém os agricultores a a paisagem no nosso Alentejo (que recebe muitos subsídios agrícolas para isso mesmo, ainda assim menos que os franceses). Tudo depende do Estado e da União Europeia.

3. O nosso pinhal interior (e o interior em geral) tem fraquíssimas capacidades ecológicas para manter população que viva do setor primário, pelo menos gente que não queira viver na mais profunda miséria e desligamento do mundo moderno (como aconteceu até há poucas décadas atrás, parece que está tudo esquecido). São terras muito ingratas e pouco produtivas. Por isso é que há abandono dos campos desde o século 19, por isso é que os reis portugueses sempre tiveram dificuldade em povoar essas regiões e davam benefícios excepcionais para convencer o povo a ir morar para o interior.

4. O resto é lirismo: o mundo funciona com base em competitividade económica, em que a produção em escala desempenham um papel importante. A cultura do eucalipto é produtiva e lucrativa para os proprietários privados (sem apoio do Estado) e tem saída no mercado (como antes tinha a do pinhal, madeira e resina, embora nesses tempos antigos com muita mão de obra disponível e pessoas a ganhar salários vergonhosos, só para não morrerem de fome). O resto não o é, nem os proprietários/agricultores de lá se querem associar para ganhar escala, para tentarem outras aventuras.

"A altrnativa ao eucalipto é a agro-pecuária, o turismo, são as madeiras nobres, são a fruta e as bebidas, a indústria alimentar, a cortiça, os cogumelos, etc.".

Tudo ok, se assim é, por que é que nada disto surge no pinhal interior com base na iniciativa privada ("a ganhar dinheiro sem depender do Estado para nada")????

É a pergunta que deixo.