A IL já era desde anteontem, com ou sem movimento do Cotrim.
Com que legitimidade se pode fazer críticas a um PR que vai vetar tudo o que seja diplomas relacionados com medidas laborais, peso da máquina do estado nas finanças públicas, etc quando as lideranças da IL assumiram que era Seguro que queriam lá? Perderam a legitimidade neste choque de ideias e obviamente uma grande parte do eleitorado da IL deixou de se rever nos principais quadros do partido.
Então o que se faria, votava-se em alguém que quer censurar o discurso nas redes sociais, prender quem desrespeitar a polícia, voltar a implementar a pena de morte, que usa linguagem de taberneiro e, para além disso, também vetará os diplomas relacionados com medidas laborais e é dos maiores estatistas em Portugal?
Não concordo que se insulte o eleitorado que opte por votar Ventura, mas não consigo considerar liberal alguém que quer votar Ventura convictamente (e sei que há alguns nesta situação).
Não acho que uma vitória de Ventura significasse um regresso a 1973, mas que seria um retrocesso civilizacional, sê-lo-ia.
Acho perigoso, para os partidos de centro-direita, que Ventura obtenha um resultado superior a 30%.
Não vejo como se pode considerar Seguro como um "perigoso socialista", quando ele foi dos poucos que lutou contra o polvo, que depois o devorou.
Não vejo como se pode ter medo "do socialismo", quando nos últimos 30 anos fomos governados 75% do tempo por socialistas muito mais radicais que Seguro (e o PR tem muito pouco poder para "implantar o socialismo"). Não foi bom, mas sobrevivemos tranquilamente.
E lembro que Seguro era, até há 3 meses atrás, "apoiado por passistas" segundo o PS, um "neoliberal de direita" segundo tudo o que está à esquerda do PS, um "tipo decente" segundo o centro-direita. Agora parece que é o Lenine.
Sobre a IL, o aparecimento de um PS de tendência "segurista" é o melhor que lhe poderia acontecer, não vejo grande problema em colar-se a Seguro. O verdadeiro posicionamento de um partido liberal no espectro partidário é entre o partido social-democrata e a democracia cristã, que em Portugal são representados pelo PS e o PSD. Um PS "segurista", é mais um parceiro com que se pode negociar acordos de governo e pode deixar um partido de índole liberal como charneira entre os dois. A colagem recente ao PSD é um erro estratégico, embora compreensível devido à "bloquização" do PS, felizmente rejeitada pelo eleitorado. Relembro que o Ciudadanos em Espanha morreu porque não quis entrar numa coligação de governo com o PSOE, deixando este último com a única opção de se aliar à extrema esquerda espanhola e à extrema direita catalã.