O Estado do País

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O Ministro da Educação retira a Educação Física do cálculo da média final para acesso ao Ensino Superior. Este país tem 1 milhão de diabéticos. O Ministro da Saúde devia demitir o Ministro da Educação mas já não há Governo há muito meses...

http://www.publico.pt/Educação/educ...media-final-do-secundario-1550348#Comentarios

Porquê ? Concordo em pleno que a nota de educação física não conte pra média (a mim até me favoreceu), pois em muitos casos, essencialmente no caso dos bons alunos e com pouca aptidão física só prejudica. Os facilitismos só prejudicam não só os alunos que são bons ou o querem ser, como leva a que não exista filtragem pra que se entre nas faculdades, tudo entra e depois é o que se vê.

Temos que acabar com os facilitismos, as oportunidades pra todos podem conseguir-se de outras formas, há lugar pra todos na sociedade, não podemos é querer que todos sejam doutores pra estatística, é necessário outras vertentes pra que um país funcione, essencialmente escolas com componente profissional. Uma dos maiores dramas da educação neste momento (ou nos últimos tempos) é mesmo esse, querer meter tudo nas faculdades.
 
O Ministro da Educação retira a Educação Física do cálculo da média final para acesso ao Ensino Superior. Este país tem 1 milhão de diabéticos. O Ministro da Saúde devia demitir o Ministro da Educação mas já não há Governo há muito meses...

http://www.publico.pt/Educação/educ...media-final-do-secundario-1550348#Comentarios

Sempre pela saúde do povo, que como se sabe, não possui a inteligência de decidir o que deve comer, quando deve fazer exercício físico, portanto:

-Tiremos 0,5 valores à média final daqueles que não comem fruta à refeição;
-Tiremos 0,05 valores à média final por cada doce comido por semana;
-Tiremos 0,25 valores à média final daqueles que optam por carne vermelha em relação à carne branca; bónus de 0,25 para os que comem peixe;
-Tiremos 0,05 valores por cada dl de álcool consumido por semana;
-Tiremos 0,1 valores por cada maço de cigarro comprado ao longo da vida;
-Tiremos 0,1 valores por cada hora de sono a menos das saudáveis 8 horas por noite;
-E por fim, criemos com o dinheiro de todos nós, uma alta autoridade, que possa monitorizar a vida de todos os jovens, composta por 5 000 funcionários, 2 500 directores, 2 500 veículos topo de gama para cada director, 150 sedes, tudo custeado pelos contribuintes.

E ficamos todos mais saudáveis e felizes.

Outra opção, ressuscitemos a Mocidade Portuguesa:

Pretendia abranger toda a juventude - escolar ou não - e atribuia-se, como fins, estimular o desenvolvimento integral da sua capacidade física, a formação do carácter e a devoção à Pátria, no sentimento da ordem, no gosto da disciplina, no culto dos deveres morais, cívicos e militares.

Certamente que as capacidades físicas e o carácter da nação sairiam a ganhar, com a obrigatoriedade de todos os jovens mancebos pertencerem a esta nobre instituição.


Eu nem concordo com a medida, por mim a Educação Física seria uma disciplina facultativa, tal como são todas as outras. Quem quer fazer (e todos o devem) exercício físico, pode sempre ir correr para a rua, andar de bicicleta, fazer abdominais em casa, livremente, ao ritmo que cada um quer.
 
Porquê ? Concordo em pleno que a nota de educação física não conte pra média (a mim até me favoreceu), pois em muitos casos, essencialmente no caso dos bons alunos e com pouca aptidão física só prejudica. Os facilitismos só prejudicam não só os alunos que são bons ou o querem ser, como leva a que não exista filtragem pra que se entre nas faculdades, tudo entra e depois é o que se vê.

Temos que acabar com os facilitismos, as oportunidades pra todos podem conseguir-se de outras formas, há lugar pra todos na sociedade, não podemos é querer que todos sejam doutores pra estatística, é necessário outras vertentes pra que um país funcione, essencialmente escolas com componente profissional. Uma dos maiores dramas da educação neste momento (ou nos últimos tempos) é mesmo esse, querer meter tudo nas faculdades.

Ninguém quer ser bate chapas, calceteiro, carpinteiro, pintor, sapateiro, alfaiate quer ser tudo engenheiro e doutor. Mas se calhar no futuro são essas profissões que vão dar dinheiro porque existem poucos e aqueles que existem ganham bem.

Quanto à educação física, não é por ter educação física que vai-se acabar com a obesidade infantil no país. Uma pessoa que goste de fazer desporto, faz desporto por quer e não obrigado. Eu cá nunca gostei de educação física, então a parte de ginástica saltar e tal, sempre detestava mas era obrigado a fazer uma coisa que não gostava nem tinha vontade para fazer. Quando posso e apetece-me pego na bicicleta e vou dar uma volta. Acho muito bem esta atitude do governo esta disciplina devia ser opcional, há que investir mais na língua portuguesa e na matemática, nas ciências onde somos uma autêntica vergonha. Então no português vê-se com cada atropelamento que às vezes até choca.

E o que o Mário Barros disse é a pura da verdade e concordo com ele 100%. :thumbsup:
 
No Colégio R. no Porto os alunos têm todos 20 ou 19 a Educação Física, mesmo que não saibam correr ou dar um chuto numa bola. Esse colégio é conhecido por dar boas notas, e nele ingressam quem quer entrar em Medicina ou Arquitectura, ou simplesmente quem não «se safa» na escola pública. Nas turmas de quem quer entrar em Medicina os alunos costumam terminar o Secundário com média de 19.0, 19.5 ou 20.

Por sua vez, na escola pública há alunos que não ingressam em Medicina por décimas, por causa da Educação Física lhes estragar a média. Quando têm o azar de não saber jogar à bola ou de serem menos dotados a fazer o pino levam um 12, um 13 ou um 14. E lá cai o 18, conseguido com muito esforço, com muito trabalho, pois na maioria das escolas públicas os testes são muito mais difíceis que nas privadas, e não há notas inflacionadas!

Choca-me ver-te a ti Agreste, que és de Esquerda, a defender uma medida que grosso modo só beneficiava os alunos que tinham dinheiro para pagar a frequência em certos colégios privados.

Ainda hoje de manhã falei disto com uma rapariga cuja irmã está no colégio R. e vai terminar o ano com 20 a Educação Física, e pelos vistos nem teve aulas. No ano passado estivera na pública e lá teve 15. Agora com o 20 do 11.º e o 20 do ano que vem terminaria o Secundário com 18 a Educação Física, coisa impossível na escola pública.
 
Sempre pela saúde do povo, que como se sabe, não possui a inteligência de decidir o que deve comer, quando deve fazer exercício físico (...)

Daí os totalitarismos de que forma forem, muita gente agora teme que como a nota de educação física vai deixar de contar pra média os alunos se vão borrifar pra tal disciplina quando não tem que ser necessariamente assim. Eu tive um professor cujo o objectivo não era meramente por os alunos a correr, era puxar por eles e incentivá-los a fazer desporto pro resto da vida, mostrar-lhes que uma vida activa é uma vida saudável, o homem passava a vida a puxar pela turma e a exigir mais e mais, claro que pra isto acontecer a pessoa tem que tar disposta a tal "sacrifico" não há milagres. Mas actualmente quando se exigem sacrifícios não são os alunos a protestar, mas sim os pais.
 
Parece que os problemas sérios de alimentação em Portugal e a questão de 10% da população, jovens e adultos jovens, já serem diabéticos e potenciais doentes crónicos não merece sequer a mais leve preocupação. A epidemia da diabetes está ai para quem a quiser ver...

Nem sequer as consequências que isso terá na incapacidade de completar uma vida activa plena até aos 65 anos, trabalhar e construir solidariamente uma segurança social que paga as pensões do mais velhos e de outros trabalhadores com níveis de incapacidade fruto de circunstâncias da vida e assiste os mais pobres nos momentos de insuficiência económica temporária. Nada disso é importante.

A disciplina de educação física seria um espaço importante para organizar um plano nacional que pudesse obrigar a população jovem a ter hábitos de vida saudáveis, conhecendo e praticando desporto, algumas vezes em competição com outros. E também me parece por isso que muitos deviam ter reprovado sistematicamente no ensino secundário até conseguirem ter uma relação com o corpo e com os outros minimamente aceitável.
 
No Colégio R. no Porto os alunos têm todos 20 ou 19 a Educação Física, mesmo que não saibam correr ou dar um chuto numa bola. Esse colégio é conhecido por dar boas notas, e nele ingressam quem quer entrar em Medicina ou Arquitectura, ou simplesmente quem não «se safa» na escola pública. Nas turmas de quem quer entrar em Medicina os alunos costumam terminar o Secundário com média de 19.0, 19.5 ou 20.

Por sua vez, na escola pública há alunos que não ingressam em Medicina por décimas, por causa da Educação Física lhes estragar a média. Quando têm o azar de não saber jogar à bola ou de serem menos dotados a fazer o pino levam um 12, um 13 ou um 14. E lá cai o 18, conseguido com muito esforço, com muito trabalho, pois na maioria das escolas públicas os testes são muito mais difíceis que nas privadas, e não há notas inflacionadas!

Choca-me ver-te a ti Agreste, que és de Esquerda, a defender uma medida que grosso modo só beneficiava os alunos que tinham dinheiro para pagar a frequência em certos colégios privados.

Ainda hoje de manhã falei disto com uma rapariga cuja irmã está no colégio R. e vai terminar o ano com 20 a Educação Física, e pelos vistos nem teve aulas. No ano passado estivera na pública e lá teve 15. Agora com o 20 do 11.º e o 20 do ano que vem terminaria o Secundário com 18 a Educação Física, coisa impossível na escola pública.

Eu defendo a Educação Física como meio de formação de pessoas.

O Colégio R. do Porto devia ser encerrado. Não está a formar pessoas. Está a burlar o Estado.
 
A disciplina de educação física seria um espaço importante para organizar um plano nacional que pudesse obrigar a população jovem a ter hábitos de vida saudáveis, conhecendo e praticando desporto, algumas vezes em competição com outros.

Deveria ser, mas no meu caso específico não foi, e de muitos outros também não. Cheguei a ter um professor, que nos punha a jogar livremente à bola e ia para o bar enjorcar cervejas e croquetes. Claro que há excepções, mas nada disto se relaciona com a OBRIGATORIEDADE do exercício físico. O que tu muitas vezes não compreendes é que nada do que é obrigatório consegue incutir algum gosto nas pessoas. Pelo contrário.

Não vejo nem o governo nem a oposição minimamente preocupados com outros problemas relacionados com este tema, como a enorme quantidade de clubes de desporto jovem que não poderão competir no próximo ano, porque as federações respectivas, instituições de interesse público, exigem uma taxa de inscrição exorbitante.
 
Na escola pública que eu frequentei as notas a Ed.Física não dependiam da aptidão física de cada um, mas sim do empenho que os alunos demonstravam e o que atingiam no final do ano, tendo em conta as suas "condições iniciais". Os professores faziam questão de salientar isso mesmo no inicio da disciplina, e no final, não eram raras as vezes que faziam a tal atençãozinha a alunos com médias elevadas, mesmo que estes não se tivessem esforçado por aí além na disciplina. Nunca fiquei com a impressão de que a disciplina fosse como que uma destruidora de sonhos, nem nada que se pareça.

Mas lá está, depende de cada professor...
 
Claro que há excepções, mas nada disto se relaciona com a OBRIGATORIEDADE do exercício físico. O que tu muitas vezes não compreendes é que nada do que é obrigatório consegue incutir algum gosto nas pessoas. Pelo contrário.

Claro que é obrigatório. Qualquer médico te vai obrigar a fazer exercício físico compulsivo para não voltares a aparecer no consultório para te receitar dietas, medicação e outras tretas que custam dinheiro a todos.
 
Na minha Secundária o professor ficava a conversar no bar ou pavilhão. Os alunos ficavam no exterior a jogar futebol, a alunas iam fazer outras coisas, tipo fumar, conversar, até «mandar umas ganzas». No final do período, os jogadores do clube de futebol local, o Lusitano, eram corridos a 17 ou 18. As raparigas a 12, 13 ou 14. Os outros rapazes ficavam entre os 15 e o 16. Se no meu tempo a média contasse, não teria entrado em Medicina no São João, teria tido média para Lisboa ou para Coimbra, para não para a FMUP. Entrei em Medicina com 180 de Secundário, frequentei uma escola pública onde tive imensos problemas com as notas. Não raras vezes tinha média para 18, 19 ou 20 mas tinha menos, porque segundo os professores não participava ou não estava atento, havia sempre um pretexto, assim como havia para subir notas de 8 ou 9 para 10, aí os alunos já participavam e estavam atentos. Eram beneficiados os baldas, e quem provava em avaliação que tinha conhecimentos era prejudicado.

Pelo meio havia politiquisses, tinha uma professora super soarista, super PS. Um dia um aluno, filho de um retornado que tudo perdera, que ficara na miséria, comentou sobre os boatos do tráfico de diamantes e de marfim, boatos que circularam há uns anos. Esse aluno tinha média de testes positiva, e a professora deu-lhe 9, alegando mau comportamento e falta de participação. Tudo treta, tudo canalhice, pois o aluno nem tinha mau comportamento, e até gostava de participar nas aulas. O meu avô era armador, o pai dessa professora era pescador, ao longo do ano ouvia as «bocas», as «indirectas». Acabei com média de testes 18, deu-me sempre 17, dizia que eu não participava o suficiente. Tudo mentira, tudo treta. Os baldas, «coitadinhos», os «desfavorecidos», tinham sempre notas inflacionadas.

Para entrar em Medicina tive que me esfolar para os exames. Entrei com 19,5 de específicas, mas tive de ficar um ano cá fora, a pagar explicadores, pois na bela escola pública os programas de todas as disciplinas de 12.º com excepção de Psicologia não foram cumpridos.

Quando saíram as colocações, algo interessante. Era um dos melhores do país em média de específicas, e um dos piores de Medicina em média de secundário. Os meus colegas, a sua maioria de escolas privadas, tinham quase todos média interna de Secundário superior a 19, mas notas de exame não raras vezes inferiores a 18.

Conheço muita gente frustrada, por ter andado na escola pública, e por não ter tido posses para pagar colégio e explicadores. E por causa disso não ingressaram no curso que pretendiam.

Por isso fico chocado quando vejo parte da Esquerda a defender esta treta das notas de Educação Física, ou pior, a defender o fim dos exames nacionais, e o ingresso no Superior com a média de Secundário. O Bloco de Esquerda e o PC, creio, defendem isso, ingresso com média de Secundário. E depois ainda dizem que defendem os pobres...
 
Como colega de explicação de Química tinha a filha de um conhecido político. Essa rapariga tinha frequentado um desses colégios onde se «compram» notas de Secundário. Tinha quase 19 de média de Secundário, mas já tinha ido duas vezes a exames nacionais e as notas tinham sido más, 14 ou 15. Isto depois de ter tido explicações a tudo. Nesse ano os pais dela chegaram a gastar mais de 800 euros em explicações, por mês. Ela frequentava o explicador mais caro do Porto, a Matemática, 50 euros por hora. Em Biologia deixava uns 250 euros, e em Química uns 100. Voltou a fazer exames, as notas foram de novo insuficientes. Mas nesse ano a Covilhã pedia apenas uma específica, e a média de Secundário contava 65%, então ela usou um 18 do ano anterior, e entrou em Medicina. Se tivesse andado numa escola pública nunca teria posto lá os pés, hoje seria enfermeira ou técnica de farmácia.
 
Olhando ao comportamento geral dos profissionais de saúde quando os concursos para vagas no interior ficam sistematicamente vazios e quando o Hospital de Faro vai contratar 115 médicos a empresas de trabalho temporário porque não os arranja noutro lado, percebo muito bem como funcionam os cursos de medicina e as motivações das pessoas que os frequentam...

Ser médico num hospital público deve ser um dos únicos casos em que não existem candidatos. Ninguém quer funcionário público num hospital público.

http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/hospital-faro-contrata-115--medicos-tvi24/1353974-4071.html
 
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