Sempre achei que Pedro Passos Coelho não estava preparado para o cargo que ocupa. A minha opção sempre foi Paulo Rangel. Pela sua cultura e inteligência extraordinárias, e muito particularmente pela sua visão sobre o futuro da Educação em Portugal.
No entanto, PPC venceu o PSD.
E aí, antevi logo que seria «fuzilado» pelo exército mediático do PS. PPC não tinha qualquer malícia para lidar com a esquerda, a sua ingenuidade política era assustadora. A política lusitana não é para santos. Quem quiser fazer bem a Portugal, terá de ser maquiavélico, tendo em vista fins louváveis após atingir o poder.
Quando saíram as propostas de revisão constitucional, os meus receios confirmaram-se. PPC estava a cavar a sua própria sepultura. E as sondagens comprovaram-no.
Acabei de ler esta crónica de JAS. Pelos vistos, não sou o único que percebe o falhanço que tem sido PPC. Cavaco Silva, com a mesma idade, e usando uma expressão algarvia, «comprava-o e vendia-o».
Fazer de morto
16 de Setembro, 2010José António Saraiva
A entourage de José Sócrates é hoje constituída por alguns indivíduos que fazem o que for preciso para atingir os fins estabelecidos
«Se ele for para o Governo acaba com o Serviço Nacional de Saúde».
«O objectivo dele é facilitar os despedimentos».
«Se fosse ele a mandar, o Ensino deixava de ser gratuito».
«Vejam o que se passa com as SCUT: ele quer que sejam todas pagas».
«Caso ele chegasse a primeiro-ministro os salários iam baixar».
Com estas e outras frases do género, José Sócrates e a sua entourage foram minando a imagem de Passos Coelho nos últimos meses.
E a campanha teve resultados: o presidente do PSD, que chegou a liderar as sondagens, foi perdendo progressivamente terreno e hoje já está atrás do PS.
Passos Coelho revelou grande ingenuidade.
Não percebeu com que tipo de gente tinha de lidar quando se relacionava com o Governo.
A entourage de José Sócrates é hoje constituída por alguns indivíduos que fazem o que for preciso para atingir os fins estabelecidos.
Para essas pessoas, a acção política não tem freios: o objectivo é liquidar quem se oponha ao PS e ao Governo, seja por que meios for.
E a táctica usada é sempre a mesma: o gabinete do primeiro-ministro pega nas afirmações e nas propostas dos adversários, vira-as do avesso, ridiculariza-as - e atira-as à cara de quem as fez.
Assim aconteceu com a proposta de revisão constitucional do PSD, agora apresentada.
Quando se começou a falar dela, o staff de Sócrates chamou-lhe um figo.
(...)