Investidores retiram 335 milhões da gestora de ativos do Novo Banco
A Espírito Santo Ativos Financeiros (ESAF), gestora agora englobada no Novo Banco, sofreu resgates no montante de 334,5 milhões de euros no último mês, depois de já ter 'emagrecido' quase 750 milhões de euros em julho.
A ESAF, que figurava em julho no terceiro lugar das maiores sociedades gestoras em Portugal, caiu agora para a quinta posição, com um total de ativos de 1,3 mil milhões de euros, que lhe conferem o quinto lugar da tabela e uma quota de mercado de 10,7%.
Em julho, a quota de mercado da ESAF estava nos 13,1% e em dezembro do ano passado ascendia a 16,6%, de acordo com os dados hoje divulgados pela Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP).
Porém, em virtude dos resgates do último mês, a ESAF foi ultrapassada pelo Millennium BCP Gestão de Ativos (12,3%) e pelo Santander Asset Management (13,2%).
No primeiro lugar está a Caixagest (do universo CGD), com ativos sob gestão de 3,8 mil milhões de euros e uma quota de 30,8%. Segue-se-lhe o BPI Gestão de Ativos (quase 2 mil milhões de euros sob gestão e uma quota de 16,2%).
Os dados hoje divulgados pela APFIPP mostram que os problemas no Grupo Espírito Santo (GES), cujo principal ativo era o Banco Espírito Santo (BES), e que levaram à intervenção do Banco de Portugal na entidade que era liderada por Ricardo Salgado, continuam a afugentar os investidores que tinham dinheiro confiado à gestão da ESAF.
Ainda assim, houve um abrandamento no ritmo de resgates de ativos que estão sob gestão da entidade que agora faz parte do Novo Banco.
Ainda em julho, face à dimensão da fuga de investidores da ESAF, a APFIPP tinha realçado que os fundos geridos pela entidade, devido à sua política de investimento, não podem "ter qualquer exposição a ativos emitidos por entidades do universo GES como, por exemplo, fundos de ações americanas ou de mercados emergentes".
Para a associação, a retirada massiva de investimentos na ESAF significa que "muitos investidores ainda desconhecem as caraterísticas fundamentais dos fundos de investimento".
No dia 03 de agosto, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES, depois de o banco ter apresentado prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades distintas.